Alfredo Guisado
Alfredo Pedro Guisado foi uma figura multifacetada na cultura portuguesa do início do século XX, atuando como poeta, deputado, político e jornalista. Ele é notavelmente reconhecido por sua colaboração no primeiro número da icônica revista Orpheu, sendo muitas vezes considerado o mais injustamente esquecido entre os poetas associados a esse movimento modernista.
Pontos-chave
- Alfredo Guisado foi poeta, deputado, político e jornalista português.
- Colaborou no primeiro número da revista Orpheu com 'Treze Sonetos'.
- É considerado o poeta mais injustamente esquecido do grupo Orpheu.
- Seus pais eram proprietários do restaurante Irmãos Unidos, ponto de encontro do grupo Orpheu.
- Afastou-se do grupo Orpheu em 1915 por divergências políticas.
Alfredo Pedro Guisado nasceu em 30 de outubro de 1891, na Praça D. Pedro IV, número 108, em Lisboa. De ascendência galega, era filho de Benita Abril Gonzalez e António Venâncio Guisado, ambos naturais de Pias, na província de Pontevedra, Espanha. Seus pais eram proprietários do renomado restaurante Irmãos Unidos, localizado no Rossio, que se tornou um ponto de encontro crucial para o grupo do Orpheu. O local também funcionou como hotel até 1930 e possuía uma famosa adega com entrada na Praça da Figueira. Guisado colaborou no primeiro número da revista Orpheu com um conjunto de 'Treze Sonetos', que posteriormente seriam incluídos em seu livro 'Ânfora'. Ele fez parte de um grupo ilustre que incluía nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e José de Almada Negreiros. No entanto, em junho de 1915, Alfredo Guisado e António Ferro se afastaram do grupo devido a divergências políticas.
Em 1954, António Guilherme Guisado, irmão de Alfredo Pedro Guisado e então proprietário do restaurante Irmãos Unidos (local de reunião e escritório do grupo Orpheu na Praça D. Pedro IV, Rossio-Lisboa), encomendou a José de Almada Negreiros um quadro de Fernando Pessoa, o maior expoente do modernismo e do Orpheu. A intenção era expor a obra ao lado de uma placa comemorativa da fundação do grupo Orpheu, placa essa que foi doada à Câmara Municipal de Lisboa em 1970 por António Guilherme Guisado. Em 14 de janeiro de 1970, o quadro foi vendido por 1.300 contos ao antiquário Joaquim Mitnitzky, durante o leilão dos Irmãos Unidos. Este valor foi considerado invulgarmente alto para a época, tornando-o por muitos anos o quadro português de um autor vivo com o maior valor de venda. Ainda em 1970, o banqueiro Jorge de Brito adquiriu a pintura de Mitnitzky no Salão de Antiguidades e, anos mais tarde, doou-a à Câmara Municipal de Lisboa. Atualmente, a obra pode ser apreciada na Casa Fernando Pessoa.


