Alfredo Marceneiro
Alfredo Rodrigo Duarte OIH, mais conhecido como Alfredo Marceneiro devido à sua profissão, foi um fadista português que marcou uma época, detentor de uma voz inconfundível tornando-se um marco deste género da canção em Portugal. Embora o bilhete de identidade refira a data acima, o seu nascimento pode ter acontecido, de facto, em 29 de fevereiro de 1888, o que é contraditado por todos os documentos oficiais do Estado português, nomeadamente o assento de batismo, o assento de casamento dos pais e o assento de óbito.
Alfredo Marceneiro nasceu na Travessa de Santa Quitéria, freguesia de Santa Isabel em Lisboa, e foi-lhe posto o nome de baptismo de Alfredo Rodrigo Duarte. Nasceu a 25 de fevereiro de 1891, tendo sido batizado na igreja de Santa Isabel a 20 de abril desse ano. Filho de Rodrigo Duarte e Gertrudes da Conceição, oriundos do Cadaval, então ambos solteiros. Alfredo foi o primeiro filho do casal, seguiram-se três irmãos Álvaro, Júlio e Júlia. Os pais casaram em Lisboa, na igreja de Santa Isabel, a 25 de dezembro de 1895, quando já eram nascidos Alfredo, de 4 anos (portanto, nascido em 1891 e não em 1888), e Álvaro, de 19 meses, então legitimados pelo casamento. Em 1905, quando tinha apenas 13 anos, o seu pai faleceu e Alfredo Duarte abandonou os estudos para ir trabalhar e ajudar no sustento da mãe e dos irmãos. O seu primeiro emprego foi o de aprendiz de encadernador. Desde pequeno, sentia grande atracção para a arte de representar e para a música. Junto com amigos começou a dar os primeiros passos cantando o fado em locais populares começando a ser solicitado pela facilidade que cantava e improvisava a letra das canções.
Imagem: Lijealso · BY · Openverse
Alfredo Marceneiro gravou pouco e este álbum de início dos anos 60 é um dos clássicos absolutos do fado. Era um milagre meter Alfredo Marceneiro em estúdio: o fado era quase uma religião que se cantava de noite e com público, onde o guitarrista devia cingir-se a servir a voz e o contador era também um contador da história contida na letra. A revista Blitz considerou este álbum o décimo-primeiro melhor disco português de sempre.


