Alhambra
Alhambra ou, preferencialmente, Alambra é um complexo palaciano e fortaleza localizado na cidade e município de Granada, na província homónima, comunidade autónoma da Andaluzia, na Espanha, em posição dominante no alto duma elevação arborizada na parte sudeste da cidade.
A Alhambra é uma cidade amuralhada (medina) que ocupa a maior parte da colina de La Sabika. A cidade de Granada tinha o seu próprio sistema de muralhas, pelo que a Alhambra podia funcionar de forma autónoma em relação a Granada. Na Alhambra encontravam-se todos os serviços próprios e necessários para a população que ali vivia: palácio real, mesquitas, escolas, oficinas, etc. O planalto no qual se implanta, com as dimensões de cerca de 740 metros de comprimento por 205 metros de largura máxima, estende-se de oeste-noroeste para este-sudeste, cobrindo uma área de cerca de 142 000 m². O seu elemento mais ocidental é a alcáçova (cidadela); uma posição fortemente fortificada. O resto do planalto compreende vários palácios, cercados por uma muralha defensiva relativamente fraca, flanqueada por 13 torres, algumas defensivas e outras destinadas a providenciar vistas panorâmicas para os seus habitantes.
Etimologicamente, Alhambra em árabe é "Al Hamra" (a vermelha, الحمراء), procedente do nome completo "Qal'at al-hamra" (Fortaleza Vermelha). Na sua evolução, o castelhano intercalou um B entre o M e o R (como em alfombra), que no árabe clássico tinha o significado de "vermelhidão", escrito como "humrah". Aparentemente, isto resultaria da cor dos tijolos de taipa, secos ao sol e feitos de argila e gravilha de que são feitas as muralhas exteriores. No entanto, esta explicação para o nome da Alhambra é só uma versão, pois há outros autores que defendem que na época andaluz a Alhambra estava caiada e a sua cor era branca. O nome de "vermelha" resultaria do facto de se trabalhar dia e noite durante os anos que durou a sua construção, pelo que o adjectivo relembraria o clarão avermelhado das tochas que iluminavam os trabalhos. Outros autores defendem que "Alhambra" é simplesmente o nome no feminino do seu fundador, Abu Alahmar (Mahomed Ibn-al-Ahmar), que em árabe significa "o Vermelho", por ser ruivo. Outros, ainda, vêm as suas origens na palavra árabe Daral Amira, que significa Casa do Senhor.
A maior parte do complexo foi construído, principalmente, entre 1248 e 1354, nos reinados de Maomé I e dos seus sucessores; a Alhambra é um reflexo da cultura dos últimos anos do reino nacérida, sendo um local onde os artistas e intelectuais procuravam refúgio no decurso das vitórias cristãs por todo o Alandalus. Mistura elementos naturais com outros feitos pela mão do homem, sendo um testemunho da habilidade dos artesãos muçulmanos da época. A primeira referência ao Qal’at al Hamra surge durante as batalhas entre árabes e muladis ocorridas no reinado de Abdalá I de Córdova (888-912). Num confronto particularmente feroz e sangrento, os muladies derrotaram completamente os árabes, os quais foram, então, forçados a refugiar-se num primitivo castelo vermelho na província de Elvira, presentemente localizado em Granada. De acordo com documentos da época que sobreviveram até aos nossos dias, esse castelo era bastante pequeno e as suas muralhas eram incapazes de deter um exército que desejasse conquistá-lo. O castelo foi amplamente ignorado até ao século XI, quando as suas ruínas foram renovadas e reconstruídas por Samuel ibn Naghralla, vizir do emir zirida Badis ibne Almançor, numa tentativa de preservar a pequena comunidade judia também localizada na Colina de La Sabika. No entanto, evidências presentes em textos árabes indicam que a fortaleza foi facilmente penetrada e que a Alhambra que sobrevive até à actualidade foi construída durante o Reino Nacérida.
Poetas mouros descrevem a Alhambra como "uma perola encastrada em esmeraldas", em alusão à cor dos seus edifícios e à dos bosques que os rodeiam. O complexo do palácio foi desenhado com o lugar montanhoso em mente, tendo sido consideradas muitas formas de tecnologia. O parque (Alameda de la Alhambra), o qual fica coberto de flores selvagens e relva durante a Primavera, foi plantado pelos mouros com rosas, laranjeiras e mirtilos; o seu elemento mais característico é, no entanto, o denso bosque de ulmus procera trazido pelo Duque de Wellington em 1812. No parque existem numerosos rouxinóis e é frequente a presença do som da água corrente vindo de várias fontes e cascatas. Estas são abastecidas através dum canal com 8 km. (5 milhas) de comprimento, o qual está ligado com o rio Darro no mosteiro de Jesús del Valle, a montante de Granada. Apesar do longo período em que foi negligenciada, dos vandalismos intencionais e dos restauros por vezes prejudiciais a que a Alhambra foi sujeita, permanece como um exemplo atípico da arte muçulmana no seu estádio final na Europa, relativamente independente das influências directas da arquitectura bizantina encontradas na Mesquita de Córdova. A maior parte dos edifícios do complexo são de planta quadrangular, com todas as salas a abrir para um pátio central, atingindo o conjunto o seu tamanho actual apenas pela adição gradual de novos quadrângulos, desenhados no mesmo princípio, apesar das dimensões variáveis, e ligados uns aos outros por pequenas salas e passagens. A Alhambra foi sendo acrescentada pelos diferentes soberanos muçulmanos que residiram no complexo, no entanto, cada nova secção que foi sendo acrescentada seguia o consistente tema do "Paraíso na Terra". Arcadas colunadas, fontes com água corrente e tanques reflectores foram usados para aumentar a complexidade estética e funcional. De qualquer forma, o exterior foi deixado plano e austero. O sol e o vento têm livre admissão. Azul, vermelho e amarelo dourado, todas um pouco desbotadas devido à acção do tempo e do clima, são as cores mais usadas.
Entradas
Uma forma de aceder ao recinto é pela Puerta de las Granadas (subindo desde a Plaza Nueva); outro acesso é pela Cuesta de los Chinos (no final do Paseo de los Tristes): O caminho central, se subirmos pela Puerta de las Granadas, é destinado aos transportes públicos e chega até ao Palácio de Carlos V. Andando, pode chegar-se até à Puerta de la Justicia (justiça para os casos fáceis — anteriormente a Bab Axarea, a Puerta de la Explanada, na qual nunca se praticou justiça), a qual data da época de Iúçufe I, 1348. No centro pode ver-se o relevo duma mão sobre e no segundo arco o relevo duma chave. Esta simbologia tem dado lugar a muitas explicações, ainda que nenhuma definitiva; uma das possibilidades é explicá-la como uma metáfora do conhecimento (a mão deve apanhar a chave que abre a porta do conhecimento).
Descrição das áreas principais
Segue-se uma breve descrição das principais áreas dos palácios que constituem o complexo da Alhambra. O complexo real consiste em três partes principais: o Mexuar, o Seralho e o Harém: - O Mexuar alojava as áreas funcionais para condução dos negócios e da administração e servia de sala de audiência e justiça para os casos mais importantes. Os tectos, pavimentos e remates são feitos de madeira escura e contrastam de forma flagrante com o branco do estuque das paredes. - O Seralho, construído durante o reinado de Yusef I, no século XIV, contém o Pátio dos Arrayanes. Os interiores brilhantemente coloridos apresentam painéis, azulejos, tectos decorados e outros trabalhos em madeira.
Alhambra na literatura
Partes das seguintes novelas são passadas na Alhambra:
Alhambra no cinema
Parte dos seguintes filmes são passados na Alhambra:
Alhambra na música
A Alhambra tem inspirado composições musicais de uma forma directa, como o famoso estudo tremolo para guitarra Recuerdos de la Alhambra (Memórias da Alhambra), de Francisco Tárrega, a peça para dois pianos Lindaraja, de Claude Debussy (composta em 1901), e o pelúdio La Puerta del Vino, do mesmo autor (no 2º livro de prelúdios, composto em 1912-1913).[ligação inativa]. "En los Jardines del Generalife", primeiro andamento das Noches en los Jardines de España de Manuel de Falla, e outras peças de compositores como Ruperto Chapí (Los Gnomos de la Alhambra, 1891), Tomás Bretón (Noche de paz) e muitos outros, estão incluidos numa corrente chamada pelso eruditos de "Alhambrismo".
Influência nas artes gráficas
A visita que M. C. Escher fez à Alhambra, em 1922, inspirou o seu trabalho seguinte nas divisões regulares do plano depois de estudar o uso mouro da simetria nos azulejos do complexo palaciano de Granada.
Influência na arquitectura dos séculos XIX e XX
Desde as interpretações românticas do século XIX até à actualidade, muitos edifícios e partes de edifícios por todo o mundo têm sido inspirados na Alhambra: existe uma casa moura revivalista em Stillwater, Minnesota, a qual foi criada e baptizada em referência à Alhambra. Também uma parte do Irvine Spectrum Center, em Irvine, Califórnia, é uma versão pós-moderna do Pátio dos Leões. Merece ainda referência o Alhambra Theatre, no centro de Bradford, na Inglaterra.


