Alma de mestre
Uma alma de mestre é, nas tradições dos pescadores e marinheiros de Portugal, a alma de um mestre ou capitão de um navio que se perdeu em naufrágio.
Imagem: Muchaxo · BY-NC-ND · Openverse
As alusões a esta ave têm alguma expressividade na literatura portuguesa, enquanto símbolo da tradição marítima e como memorial simbólico da fragilidade humana às mercê dos caprichos do mar. A título de exemplo: - Eça de Queirós, in «Prosas Bárbaras» (1903)
Imagem: António Pena · BY-NC-SA · Openverse
Júlia Tomás, no seu «Ensaio sobre o Imaginário Marítimo dos Portugueses», propõe uma ligação entre este mito português e o mito grego, exarado nas Metamorfoses de Ovídio, de Ceix e Alcíone, um casal de apaixonados, que se viu apartado pelos desmandos do mar. Ceix, marinheiro, a pospêlo dos rogos da esposa, Alcíone, parte numa viagem marítima, que termina em tragédia, vitimando-o num naufrágio, durante uma violenta tempestade. Alcíone, cumprindo o arquétipo de saudosa esposa de marinheiro, espera-o, em vão, todos os dias junto à praia, até que certo dia dá com o seu cadáver a boiar ao capricho das ondas. Galgando sobre as águas, para alcançar o corpo do marido, Alcíone dá por si convertida em ave. Os deuses, comovidos com o infortúnio dos amantes, transformaram-na em ave marinha, bem como a Ceys, a quem restituiram a vida.


