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Artur Alves dos Reis

Artur Virgílio Alves Reis foi um criminoso português. Ficou conhecido pelo crime da maior falsificação de notas da história, em 1925. Ademais, falsificou documentos e assinatura, comprou ações de forma ilegal, além de ter passado cheques sem fundo. Alves Reis, chegou a ter 1% do PIB português, á moeda atual, tinha cinco mil milhões de euros, o que provocou um colapso no sistema financeiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Primeiros anos e estudos

Nascido no seio de uma família modesta, Artur Virgílio Alves Reis nasceu em Lisboa, na freguesia de Santiago, no 2.º andar do número 11 do Largo do Chão da Feira, em pleno bairro de Alfama, em 8 de setembro de 1896. O pai, Guilherme Augusto Alves Reis (embora, na série biográfica da RTP ele se chame Carlos), era cangalheiro e teve graves problemas financeiros, acabando por ser declarado insolvente, a mãe, Mariana Carlota Reis, era doméstica. Alves Reis quis estudar engenharia. Efectivamente, começou o primeiro ano do curso, mas abandonou-o para casar, a 28 de agosto de 1916, em Lisboa, com Maria Luísa Jacobetty de Azevedo (1895-1951), no mesmo ano em que a casa comercial do pai faliu. Deste casamento nasceram três filhos: Guilherme Joaquim, Luís Filipe e José Luís Alves Reis. No mesmo ano, emigrou para Angola, para tentar fazer fortuna e assim escapar às humilhações que lhe eram impostas pela abastada família de Luísa, devido à diferença de condição social. Começou como funcionário público nas obras públicas de esgotos. Para ir para Angola, fez-se passar por engenheiro, depois de ter falsificado o diploma de Oxford, aliás de uma escola politécnica de engenharia que nem sequer existia: a Polytechnic School of Engineering. De acordo com esse diploma falsificado, teria estudos de ciência da engenharia, geologia, geometria, física, metalurgia, matemática pura, paleografia, engenharia eléctrica e mecânica, mecânica e física aplicadas, engenharia civil geral, engenharia civil e mecânica, engenharia geral, design mecânico e civil.[carece de fontes?]

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O caso Ambaca

De volta a Lisboa em 1922, comprou uma empresa de revenda de automóveis americanos. Depois tentou apoderar-se da Companhia Ambaca. Para o conseguir, passou cheques sem cobertura e usou depois o dinheiro da própria Ambaca para cobrir os cheques sobre a sua conta pessoal. No total, apropriou-se ilegitimamente de 100 mil dólares americanos. Com esse dinheiro comprou também a Companhia Mineira do Sul de Angola. No entanto, antes de controlar toda a companhia, foi descoberto e preso no Porto, em julho de 1924, por desfalque. Foi acusado também de tráfico de armas.

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O caso das notas Vasco da Gama

Foi durante o tempo da prisão (só esteve preso 54 dias e foi libertado em 27 de agosto de 1924 por pormenores processuais) que concebeu o seu plano mais ousado. A sua ideia era falsificar um contrato em nome do Banco de Portugal, o banco central emissor de moeda, e que na altura era uma instituição parcialmente privada, que lhe permitiria obter notas ilegítimas mas impressas numa empresa legítima e com a mesma qualidade das verdadeiras. Em 1924, Alves Reis contactou vários cúmplices e outros colaboradores de boa-fé para pôr o seu plano em marcha. Entre os seus cúmplices e colaboradores encontrava-se o financeiro holandês Karel Marang van Ijsselveere; Adolph Hennies, um espião alemão; Adriano Silva; Moura Coutinho; Manuel Roquette e especialmente José Bandeira. Um pormenor importante era que José Bandeira era irmão de António Bandeira, o embaixador português em Haia. Alves Reis preparou um contrato fictício e conseguiu que este contrato fosse reconhecido notarialmente. Através de José Bandeira, obteve também a assinatura de António Bandeira. Conseguiu ainda que o seu contrato fosse validado pelos consulados da Inglaterra, da Alemanha e França. Traduziu o contrato em francês e falsificou assinaturas da administração do Banco de Portugal.

Burla revelada

Ao longo de 1925 começaram a surgir rumores de notas falsas, mas os especialistas de contrafacção dos bancos não detectaram nenhuma nota que parecesse falsa. A partir de 23 de novembro de 1925, Alves Reis e os negócios pouco transparentes do Banco de Angola e Metrópole começam a atrair a curiosidade dos jornalistas de O Século, o mais importante diário português de então. O que os jornalistas tentavam perceber era como era possível que o Banco de Angola e Metrópole concedesse empréstimos a taxas de juro baixas, sem precisar de receber depósitos. Inicialmente pensou-se que se tratava de uma táctica alemã para perturbar o país e obter vantagens junto da colónia angolana.

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Julgamento, prisão e últimos anos

Alves Reis esteve preso, aguardando julgamento, desde 6 de dezembro de 1925 até 8 de maio de 1930. Durante esse tempo conseguiu convencer um juiz de instrução de que a própria administração do Banco de Portugal estava implicada na fraude, tendo falsificado documentos na prisão e tentado suicidar-se. Mesmo no primeiro caso, o de Ambaca, ele conseguiu enganar o juiz. Burla, falsificações e desfalques foram três crimes que Alves Reis cometeu para conseguir uma fortuna. A sua mulher, Maria Luísa Jacobetty de Azevedo, foi presa um ano mais tarde, em agosto de 1926, devido às jóias compradas pelo seu marido terem sido pagas com as notas falsas, sendo condenada a pagar 5000 contos. Alves Reis foi finalmente julgado, aos 32 anos de idade, em Lisboa no Tribunal de Santa Clara em Maio de 1930, e condenado a 20 anos: 8 de prisão e 12 de degredo ou, em alternativa, 25 anos de degredo. Durante o julgamento, alegou que o seu objectivo era simplesmente desenvolver Angola. Foi preso três anos antes do começo da era do Estado Novo. Na prisão, converteu-se ao protestantismo. Foi libertado em maio de 1945, já durante a era do Estado Novo e no período final da Segunda Guerra Mundial. A sua mulher, Maria Luísa Jacobetty de Azevedo, falece a 20 de agosto de 1951.

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Epílogo

Imagem: Joao Paulo Queiroz · BY-SA · Openverse

O escudo, a moeda portuguesa, teve perturbações cambiais e perdeu muito da sua credibilidade. As notas de 500 escudos começaram a ser retiradas de circulação a 7 de dezembro de 1925. A 6 de dezembro, o Banco de Portugal ordenou a retirada de circulação de todas as notas de 500 escudos. Inicialmente a troca das notas foi autorizada até 26 de dezembro. Durante estes 20 dias, saíram de circulação 115 mil notas legítimas ou não. No entanto, em abril de 1932, o Banco de Portugal determinou que "fossem abonadas aos portadores de reconhecida boa fé as notas de 500 escudos (…), quer sejam autênticas, quer façam parte das que foram entregues por Waterlow & Sons a Marang e seus cúmplices". Isso implicou um enorme prejuízo para o Banco Central. Na verdade, um pequeno grupo de notas — a que se veio a chamar notas camarão — foram recusadas para troca pelo Banco de Portugal. O nome provinha de terem sido banhadas numa solução de ácido cítrico, com o objectivo de as livrar do cheiro de tinta fresca. O resultado foi uma ligeira descoloração, resultando numa cor semelhante ao daquele marisco.

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Adaptações

Em 2000, a história de Alves Reis foi adaptada para série televisiva dramática de 50 episódios por Francisco Moita Flores, sob o título Alves Reis, um Seu Criado, e transmitida pela RTP, com os actores Rui Luís Brás, Sofia Duarte Silva, Gonçalo Waddington, Henrique Viana, Carmen Santos, Anabela Teixeira, Rui Mendes, Sofia Sá da Bandeira, Armando Cortez, Filomena Gonçalves, Philippe Leroux, entre outros. Já em 1974, a televisão italiana RAI tinha dedicado a Alves Reis uma mini-série intitulada Accadde a Lisbona. Alves Reis foi interpretado pelo actor siciliano Paolo Stoppa.

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Fontes consultadas

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