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Amaryllidaceae

Amaryllidaceae Burnett, frequentemente aportuguesado para amarilidáceas, é uma família de plantas herbáceas, perenes, bulbosas ou rizomatosas, pertencentes à ordem Asparagales das monocotiledóneas. As espécies incluídas nesta família são facilmente reconhecidas pelas suas flores trímeras dispostas em inflorescências similares a umbelas, rodeadas por duas brácteas e inseridas na extremidade de um escapo. A família agrupa cerca de 73 géneros e aproximadamente 1 600 espécies, com distribuição natural cosmopolita. A família está taxonomicamente subdividida em três subfamílias, às quais até recentemente se reconhecia a categoria de família: Amaryllidoideae, Allioideae e Agapanthoideae. Salvo nesta última, que apresenta um só género, as duas restantes dividem-se em várias tribos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Enquadramento taxonómico

As Amaryllidaceae são uma família de plantas bulbosas perenes desde há muito integradas na ordem de monocotiledóneas das Asparagales. O nome da família deriva do género Amaryllis, razão pela qual a família é tradicionalmente designada por família das Amaryllis. Por essa mesma razão, muitas das espécies da família são colocadas no mercado internacional de flores sob o nome comercial de amarílis, mesmo quando morfologicamente muito diferentes das espécies do género Amaryllis. Os limites desta família têm variado muito ao longo das últimas décadas, tendo o conjunto de géneros que a integram sido objecto de aceso debate entre taxonomistas, tendo emergido dessa discussão pontos de vista muito diferenciados. A classificação APG mais recente (a APG III) estabeleceu um considerável alargamento da família Amaryllidaceae, na qual estabeleceu três subfamílias: (1) as Agapanthoideae, que inclui os géneros que anteriormente constituíam a família Agapanthaceae; (2) as Allioideae, anteriormente a família Alliaceae; e (3) as Amaryllidoideae, correspondente ao conjunto de géneros anteriormente incluídos na família Amaryllidaceae. Com esta definição, a família inclui cerca de 75 géneros e mais de 1 600 espécies.

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Descrição

Morfologia

As amarilidáceas são plantas terrestres, raramente aquáticas ou epífitas, herbáceas ou suculentas e, excepto quatro espécies, perenes. Apresentam bolbos ou, mais raramente, rizomas (como por exemplo em Clivia, Scadoxus e Agapanthus). Os bolbos são recobertos pelas bases membranosas das folhas, formando uma estrutura que se denomina «túnica». A raiz primária é bem desenvolvida. As folhas são simples, paralelinérveas, de bordo inteiro, lineares, oblongas, elípticas, lanceoladas ou filiformes, sésseis ou pecioladas, geralmente arrosetadas, espiraladas ou dísticas. Apresentam um meristema basal persistente e desenvolvimento basípeto. As flores são hermafroditas, actinomórficas (quer dizer, de simetria radial) ou ligeiramente zigomórficas, pediceladas ou sésseis, vistosas, cada uma associada a uma bráctea filiforme. O perigónio é composto por seis tépalas dispostos em dois verticilos de 3 peças cada, as quais apresentam aproximadamente a mesma forma e o mesmo tamanho. As tépalas são em geral livres entre si, mas podem estar soldadas na base formando um tubo perigonial ou hipanto, o qual é prolongado em alguns casos numa «coroa»(também chamada paraperigónio ou falsa corola), como por exemplo em Narcissus. Por vezes as tépalas estão reduzidas a escamas ou dentes pouco conspícuos.

Fitoquímica

As alioideas e amarilidoideas apresentam moléculas relacionadas com a defesa contra a herbivoria, denominadas lectinas, com características muito próprias, que se ligam especificamente à manose. As alioideas apresentam saponinas esteróides, entre as quais compostos com odor a cebola ou alho (o denominado odor aliáceo), como o sulfeto de alilo, propanaldeido, propiontiol e o dissulfeto de vinilo, bem como flavonóides e compostos sulfurados derivados da cisteína. A fitoquímica da subfamília das agapantoideas também oferece particularidades. Todas as espécies de Agapanthus produzem fitoecdisteróides, compostos que estão relacionados com a defesa das plantas ao ataque de insectos que se alimentam das suas folhas. Comprovou-se que os extractos das folhas das espécies deste género exibem propriedades antifúngicas, com uma acção efectiva contra patógenos das plantas.

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Sistemática e biodiversidade

História taxonómica

As amarilidáceas, como circunscritas actualmente, constituem um grande grupo de monocotiledóneas petalóides que inclui: (1) as amarilidáceas propriamente ditas (constituídas como a subfamília Amarilidoideae); (2) os alhos e espécies aparentadas (a subfamília Allioideae); e (3) as espécies de agapanto (subfamília Agapanthoideae). Esta grande diversidade reflecte a história taxonómica desta família, extensa e caracterizada por diversas interpretações e definições. As amarilidoideas representam um dos elementos do grupo lineano Hexandra monogynia e desde 1764 os géneros desta subfamília têm sido classificados ou dentro do agrupamento das liliáceas ou como uma família separada (as amarilidáceas). A perenidade dessa unidade taxonómica é atestada pelo facto de 7 dos 51 géneros que Lineu incluiu entra as Hexandra monogynia terem sido sempre incluídos dentro de uma mesma unidade taxonómica: como ordem Amaryllidaceae por John Lindley e William Herbert; como subordem Amarylleae por John Gilbert Baker; como família Amaryllideae por Augustin Saint-Hilaire, Robert Brown e John Hutchinson; como subfamília Amaryllidoideae por Ferdinand Albin Pax e Hamilton Paul Traub; como tribo Amarylleae no Sistema de Bentham & Hooker proposto por George Bentham & Joseph Dalton Hooker; ou como secção Narcissi por Michel Adanson e Antoine-Laurent de Jussieu.

Classificação

As agapantoideas incluem um único género, Agapanthus, o qual apresenta grande variabilidade, apesar de todas as espécies terem uma aparência morfológica similar. As espécies incluídas neste género caracterizam-se por apresentarem rizomas grossos, folhas em forma de largas tiras ou bandas e inflorescências em umbela no extremo de um escapo mais alto que as folhas. Como resultado de vários estudos que consideraram caracteres como o conteúdo de ADN nuclear, coloração e vitalidade do pólen e comparações morfológicas, muitas espécies foram reduzidas a sinonímia e outras foram categorizadas como subespécies, pelo que actualmente apenas se reconhecem duas espécies perenifólias (A. africanus e A. praecox) e quatro espécies caducifólias (A. campanulatus, A. caulescens, A. coddii e A. inapertus), o que perfaz um total de 6 espécies, muitas das quais apresentam uma ou mais subespécies.

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Evolução e filogenia

A idade do grupo troncal das amarilidáceas, ou seja, a idade das amarilidáceas e suas parentes extintas pertencentes à mesma linhagem, foi estimada em 91 milhões de anos, e a do grupo coroa, idade em que se terá iniciado a divergência das amarilidáceas actuais, em 87 milhões de anos. As agapantoideas, naturais de África, constituem o clade mais divergente da família. As alioideas (com um representante oriundo de África e os restantes membros oriundos da América e do Hemisfério Norte) são o clade irmão das amarilidoideas, representadas em África, América, Ásia e Europa. O cladograma que se segue sintetiza as relações filogenéticas entre as subfamílias e tribos das amarilidáceas:[n. 1]

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Importância económica e cultural

Hortaliças e condimentos

O género economicamente mais importante é Allium, que inclui algumas das plantas comestíveis mais utilizadas, entre as quais a cebola (Allium cepa) e o alho (A. sativum), mas também o alho-pardo (A. scordoprasum), a chalota (Allium ascalonicum), o alho-porro (A. ampeloprasum), o alho-porro-selvagem (Allium tricoccum) e vários condimentos, entre os quais a cebolinha (A. schoenoprasum). Na maioria destas espécies são primordialmente consumidos os bolbos, mas em algumas são usadas as folhas e os talos. O consumo pode ser em fresco ou cozinhado.

Plantas medicinais

As aloideas são ligeiramente anti-sépticas, e muitas são utilizadas nas medicinas tradicionais e como adjuvantes de determinados tratamentos ou como alimentos promotores da saúde. Os compostos organossulfurados presentes nas espécies desta subfamília têm propriedades antioxidantes, antibióticas, anticarcinogénicas, antiteratogénicas, estimulantes do sistema imunitário e protectoras da função hepática. Vários estudos baseados em investigação clínica e epidemiológica indicam que o consumo regular de alhos podem diminuir o risco de cancro e de doenças cardiovasculares. Para além disso, o alho possui fortes propriedades anti-sépticas.

Plantas ornamentais

Numerosas espécies de Allium, popularmente designadas por «alhos ornamentais", são usadas em jardinagem para embelezar parques e jardins. São espécies de fácil cultura, mas não são muito populares, talvez por causa do odor a alho que exalam. As suas inflorescências têm longa duração quando cortadas e colocadas com o pé mergulhado em água, pelo que são também úteis como flores de corte. Além disso, as suas inflorescências secas são usadas para decoração de interiores. A diversidade ornamental apresentada por estas espécies, tanto em altura (que varia de 20 a 120 cm), como na forma e cor da folhagem (desde folhas finas a folhas muito largas e colorações que vão do verde escuro ao azul esverdeado) e cor da flor (amarelo, branco, azul, roxo e rosa) torna-as extremamente versáteis para montagem de diferentes tipos de jardins. Estas espécies apresentam dois tipos básicos de inflorescência: em grandes esferas ou em pequenos grupos de flores erectas ou decumbentes. Entre os primeiros estão Allium giganteum, A. albopilosum, A. sphaerocephalon, A. aflatunense e A. karataviense. No segundo tipo de inflorescência estão A. narcissiflorum, A. triquetrum, A. beesianum e o popular A. moly.

Plantas tóxicas

Muitos dos táxons da família Amaryllidaceae, particularmente da subfamília das amarilidoideas, são usados em medicina tradicional por diversos povos com objectivos como aromatizantes, psicotrópicos, entre outros fins. A espécie Boophone disticha é conhecido na África do Sul como "gifbol" ("bolbo veneno") devido à sua lendária toxicidade. Esta propriedade foi usada pelos povos nativos da África Austral para envenenar as pontas de suas flechas para caçadas ou guerra. A maioria, se não todas, as amarilidoideas são tóxicas para os humanos. Como exemplo, Amaryllis belladonna tem no bolbo um alcalóide chamado licorina, que afecta o coração, pelo que se os bolbos forem consumidos em grande quantidade a sua ingestão pode ser mortal.

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Géneros

Segundo o The Plant List, há atualmente 80 gêneros reconhecidos:

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Fontes consultadas

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