América do Sul
A América do Sul é a porção meridional do continente americano, ocupando cerca de 12% da superfície terrestre e abrigando 6% da população mundial. Com uma extensão de 7.500 km, une-se à América Central pelo istmo do Panamá e se separa da Antártida pelo estreito de Drake. Seus limites naturais são o Mar do Caribe ao norte e os oceanos Atlântico e Pacífico a leste, nordeste, sudeste e oeste, respectivamente. O Brasil se destaca, representando atualmente metade da população e do produto econômico da região.
Pontos-chave
- A América do Sul é um subcontinente com vasta extensão territorial e populacional.
- Sua história abrange desde o povoamento pré-colombiano até a colonização europeia e lutas por independência.
- A geografia sul-americana é marcada por relevos diversos, climas variados e rica biodiversidade.
- A demografia reflete uma complexa composição étnica e linguística, com forte influência indígena, europeia e africana.
- A região possui importantes iniciativas de integração regional e uma economia diversificada, com destaque para o agronegócio.
A trajetória histórica da América do Sul é marcada por complexos processos de povoamento, colonização, independência e desenvolvimento contemporâneo.
Era Pré-Colombiana
Estudos recentes indicam que os primeiros humanos chegaram à América do Sul há cerca de 17 mil anos, entrando pelo Estreito de Bering. Descendentes desses caçadores-coletores se expandiram pelo continente, com linhagens distintas se estabelecendo em diferentes períodos. Uma segunda leva migratória, há cerca de 9 mil anos, deu origem à maioria dos ameríndios atuais, e uma terceira migração fixou-se nos Andes centrais há 4,2 mil anos. Estudos genéticos descartam conexões com populações africanas ou australianas para os primeiros povoadores.
Colonização Europeia
O primeiro registro visual europeu do subcontinente data de 1498. Em 1494, o Tratado de Tordesilhas oficializou a partilha de novas terras entre Portugal e Espanha. Os espanhóis conquistaram o Império Inca, resultando em um drástico declínio demográfico. A colonização portuguesa, focada no Brasil, utilizou a escravização de indígenas e, posteriormente, de africanos.
Independência e Conflitos
As Guerras Napoleônicas e a restauração das monarquias europeias impulsionaram revoltas coloniais. Simón Bolívar, José de San Martín e Bernardo O'Higgins lideraram exércitos na libertação de vice-reinados e capitanias, que se tornaram repúblicas. No Brasil, a independência foi consolidada por Dom Pedro I em 1822. As Guianas permaneceram sob controle metropolitano, com independência posterior.
Período Contemporâneo
A Grande Depressão de 1929 impactou a região, levando os EUA a implementarem a Política da Boa Vizinhança. Nas décadas de 1960 e 1970, a América Latina viveu períodos de autoritarismo, mas também de resistência democrática, com a reorganização de partidos, sindicatos e movimentos estudantis. A Igreja Católica teve papel relevante na promoção da justiça, especialmente durante as ditaduras. A transição democrática se consolidou entre 1979 e 1990.
A América do Sul apresenta uma geografia diversificada, com relevos, climas e ilhas que contribuem para sua rica biodiversidade.
Geologia e Relevo
Originalmente ligada à África como parte da Gondwana, a América do Sul é formada pelos escudos Brasileiro, Guiano e Patagônico. A formação da cordilheira dos Andes ocorreu no Cretáceo e Terciário, acompanhada pela regressão dos mares nas áreas mais baixas.
Ilhas e Territorialidades
A América do Sul inclui ilhas como Galápagos (Equador) e a Ilha de Páscoa (Chile). No Atlântico, o Brasil possui Fernando de Noronha e Trindade. As Ilhas Falkland são governadas pelo Reino Unido, com soberania contestada pela Argentina. Geopoliticamente, ilhas caribenhas podem ser associadas à América do Norte, mas algumas pertencem a países sul-americanos.
Clima e Padrões de Temperatura
As temperaturas médias na região apresentam regularidade a partir dos 30°S, com invernos amenos e verões mais quentes que na América do Norte. A vasta área equatorial, especialmente a bacia Amazônica, possui temperaturas médias em torno de 27°C, com baixas amplitudes térmicas e altos índices pluviométricos.
Biodiversidade e Vegetação
A cobertura vegetal é complexa, com extensas florestas tropicais úmidas na Amazônia. Há também florestas temperadas de araucária no sul do Brasil, florestas frias nos Andes chilenos e florestas tropicais no Chaco. Campos, savanas, caatinga (Nordeste brasileiro), cerrados (Brasil central), páramos (Andes) e punas (deserto do Pacífico) compõem a diversidade de biomas.
A população sul-americana é distribuída de forma desigual, com uma rica diversidade linguística e étnica moldada por séculos de interações.
Idiomas e Línguas
O português e o espanhol são as línguas mais faladas, sendo o português oficial do Brasil e o espanhol de grande parte dos países. O neerlandês (Suriname), inglês (Guiana) e francês (Guiana Francesa) também são oficiais. Diversas línguas indígenas, como quíchua, guarani e aimará, são faladas e, em alguns casos, reconhecidas como oficiais junto ao espanhol. O Brasil possui mais de 150 línguas indígenas.
Composição Étnica
A formação étnica sul-americana inclui ameríndios, brancos (principalmente ibéricos), negros africanos e imigrantes europeus em massa a partir do final do século XIX, com destaque para italianos, espanhóis e portugueses, especialmente na Argentina, Chile, Uruguai e Brasil.
A América do Sul busca fortalecer laços através de blocos regionais e possui uma economia em crescimento, com forte base primária e setores secundário e terciário em desenvolvimento.
A infraestrutura de transportes e energia ainda enfrenta desafios, enquanto a rica cultura sul-americana se manifesta em esportes, música e tradições.
Energia e Recursos Hídricos
Os recursos hídricos variam na região. Os Andes possuem potencial hidrelétrico limitado, mas importante para irrigação. O escudo Brasileiro detém um potencial hidrelétrico muito superior, com grandes rios e desníveis favoráveis. O sistema do rio Amazonas oferece extensas vias navegáveis, mas seu potencial hidrelétrico é pouco conhecido.
Transportes
Os sistemas de transporte são deficientes, com baixas densidades quilométricas de rodovias e ferrovias, concentradas na faixa litorânea. As ferrovias continentais incluem a Transandina e a Brasil-Bolívia. A rodovia Pan-Americana atravessa os países andinos, mas com trechos inacabados.
Energia
Em virtude da diversidade da topografia e das condições de precipitação pluviométrica, os recursos hidráulicos da região variam enormemente nas diferentes áreas. Nos Andes, as possibilidades de navegação são limitadas, exceto no rio Magdalena, no lago Titicaca e nos lagos das regiões meridionais do Chile e da Argentina. A irrigação é fator importante para a agricultura desde o noroeste do Peru até a Patagônia. Menos de 10% do potencial elétrico conhecido dos Andes haviam sido aproveitados até meados da década de 1960. O escudo Brasileiro tem um potencial hidrelétrico muito superior ao da região andina e suas possibilidades de aproveitamento são maiores devido à existência de diversos grandes rios com margens elevadas e à ocorrência de grandes desníveis, formando imensas cataratas, como as de Paulo Afonso, Iguaçu e outras menores. O sistema do rio Amazonas tem cerca de 13 000 km de vias navegáveis, mas as suas possibilidades de aproveitamento hidrelétrico ainda são desconhecidas.
Transportes
Os sistemas de transportes da América do Sul ainda são deficientes, apresentando baixas densidades quilométricas. A região dispõe de cerca de 1 700 000 km de rodovias e 100 000 km de ferrovias, que se acham concentradas na faixa litorânea, continuando o interior desprovido de comunicação. Apenas duas ferrovias são continentais: a Transandina, que liga Buenos Aires, na Argentina a Valparaíso, no Chile, e a Estrada de Ferro Brasil-Bolívia, que a faz a conexão entre o porto de Santos, no Brasil e a cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Além disso, existe a rodovia Panamericana, que atravessa os países andinos de norte a sul, embora alguns trechos estejam inacabados.
Os sul-americanos são culturalmente ricos, devido a histórica conexão com a Europa, especialmente Espanha e Portugal, e o impacto da cultura popular dos Estados Unidos. A cultura indígena de origem pré-colombiana teve forte influência no Peru, Bolívia e algumas regiões da Amazônia. Devido às diferenças culturais dentro das fronteiras nacionais, é possível encontrar maior semelhança cultural entre os habitantes de áreas fronteiriças do que entre estes mesmos e os do interior de cada país. Isto se deve, em parte, a divisão pós-colonial que acompanhou a formação dos estados independentes durante o século XIX. A cultura sul-americana está presente de diversas maneiras a nível mundial. Assim, por exemplo, o artesanato andino desfruta de considerável demanda em diferentes mercados, como o europeu. As nações sul-americanas tem uma grande variedade na música. Alguns dos gêneros mais famosos incluem a cumbia da Colômbia, samba e bossa nova do Brasil, e o tango, de Argentina e Uruguai. Na primeira metade do século XX, o tango teve grande êxito na Europa e na Colômbia. Esta música era interpretada em castelhano, porém não foi um obstáculo para sua difusão no exterior. Na América do Sul se desenvolveram estilos musicais não exclusivos do subcontinente, como a salsa, que tem sua "capital" em Santiago de Cali, Colômbia.
Esportes
Na América do Sul, o esporte mais popular é o futebol, tanto em termos de praticantes quanto de audiência. O esporte é representado juridicamente pela CONMEBOL, que organiza os principais torneios locais entre seleções (Copa América). A nível de Seleções, tem equipes de tradição mundial, que juntas somam 10 títulos dos 22 possíveis da Copa do Mundo de Futebol (Brasil com 5, Argentina com 3 e Uruguai com 2). A primeira edição da maior competição de futebol do mundo foi realizada no Uruguai, em 1930. O continente recebeu o torneio outras três vezes (1 no Chile, 1 na Argentina e mais uma no Brasil). Outros esportes que são considerados a modalidade esportiva mais popular em países da América do Sul são o críquete e o beisebol. O críquete é o esporte mais popular da Guiana, país que junto a outros do Caribe que outrora foram colônias inglesas, formaram a Seleção de Críquete das Índias Ocidentais, conhecida no mundo como West Indies, vencedora de duas edições da Copa do Mundo de Críquete, maior competição da modalidade. Quanto ao beisebol, é a modalidade mais popular na Venezuela, devido à influência dos Estados Unidos, tendo a liga mais rica do pais, formando muitos jogadores que acabam indo para a Major League Baseball. A Venezuela é tricampeã da extinta Copa do Mundo de Beisebol, figurando no top-3 mundial, atrás apenas de Estados Unidos e Cuba.


