Canhoto (violonista)
Américo Jacomino foi um violonista brasileiro, popularmente conhecido por Canhoto.
Início
Filho de Crescenzo Iacomino e de Vincenza Gargiulo, imigrantes italianos de Torre del Greco, província de Nápoles. Não teve formação musical, mas isso não o impediu de, de forma autodidata, aprender teoria musical e a aprender a manejar o instrumento, devido em grande parte por influência do seu irmão, Ernesto Jacomino. Além disso, tocava violão escondido do pai, que não queria que ele se dedicasse ao instrumento. Dado o fato de ser canhoto e autodidata, aprendeu a tocar de forma inusitada e fora dos padrões da época, pois tocava o violão de maneira canhota e com a relação de cordas invertida, isso despertava a curiosidade de quem assistia o seu desempenho. Assim, tal característica tornou-se a sua marca registrada, lhe rendendo a alcunha popular de "Canhoto", pela qual se tornaria notório e lembrado até a atualidade.
Estrelato
Foi somente em 1912 que Américo Jacomino gravou o seu primeiro disco, pela Odeon. A partir de então passaria a compor, gravar e se apresentar ao público regularmente, gradualmente recebendo reconhecimento do público e da crítica, de modo a consolidar-se no mundo artístico. No ano de 1916, realizou um recital no então Salão Nobre do Conservatório Dramático e Musical, no centro de São Paulo. A apresentação fez parte de um grande que contava com a participação de outros músicos notáveis, além de palestras sobre o tema musical e apresentações com declamações de poemas e poesias. Américo Jacomino por conta de seu desempenho nesse evento gerou grande repercussão na crítica musical paulistana, onde ficavam impressionados com sua performance bem como a qualidade das canções.
Principais músicas
Foi em 1917 que compôs as suas três músicas mais memoráveis: a valsa "Abismo de Rosas" (inicialmente denominada Acordes do Violão), a "Marcha Triunfal Brasileira" (derivada do dobrado "Campos Salles") e a "Marcha dos Marinheiros", composta em homenagem a Marinha Brasileira. Ao final da década de 1910, criou um dos primeiros conjuntos de música caipira, ao lado de um ator cômico que encarnava o personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, e também incluindo uma cantora mirim. Porém, o trio Viterbo-Abigail-Canhoto seria dissolvido de forma trágica em 1920, com o assassinato de Viterbo de Azevedo durante uma turnê do trio em Poços de Caldas. Na década seguinte, o músico se apresentou várias cidades pelo interior de São Paulo e de outros estados brasileiros. Foi durante uma apresentação na cidade de Itapetininga onde conheceu a sua futura esposa, Maria Vieira de Moraes, filha de político local. Com o casamento, Canhoto muda-se para a cidade de São Carlos, no interior paulista, onde inaugura a loja de instrumentos musicais "Casa Carlos Gomes". A ideia em residir em São Carlos era estratégica, pois a cidade ficava no centro de sua rota para as frequentes apresentações tanto na capital quanto no interior de São Paulo.
Concurso "O Que É Nosso"
Em fevereiro de 1927 foi realizado o concurso "O Que é Nosso", organizado pelo jornal Correio da Manhã no Rio de Janeiro. Canhoto foi uma das atrações e por conta disso se tornou o primeiro músico de violão instrumental a atuar nesse tipo de certame no Brasil. No evento apenas três participantes compareceram: Canhoto, o violonista cego Manoel de Lima (o "Manoelito") e o conjunto Turunas da Mauricéia. No concurso, Américo Jacomino recebeu o troféu principal, o Prêmio João Pernambuco, e os outros violonistas também foram premiados, com Manoel de Lima tendo recebido o Prêmio Levino Albano da Conceição e a cantora Ivonne Rebello do Turunas da Mauricéia tendo recebido o Prêmio Quincas Laranjeiras.
Morte e legado
Em 7 de setembro de 1928, o dia da Independência do Brasil, Américo Jacomino faleceu no Hospital Santa Catarina, à época situado na Avenida Paulista, após alguns dias internado. Foi sepultado no Cemitério do Araçá na capital paulista. Américo Jacomino foi um pioneiro do violão instrumental no Brasil e o seu legado é difícil de ser mensurado, pois o impacto de sua obra reverberou das mais diferentes formas na música brasileira. Antes de Canhoto, o violão não era tão apreciado, pois era considerado um instrumento de menor destaque e de utilização restrita ao apoio de uma banda musical. Contudo, Canhoto ainda em vida consolidou-se como um dos maiores nomes da música nacional e foi considerado pela mídia o maior violonista do Brasil, em que no Rio de Janeiro era chamado de o "Rei do violão brasileiro". O violonista ainda influenciou e inspirou músicos contemporâneos e ainda gerações futuras de violonistas, enobrecendo o instrumento e fazendo com que aos poucos o violão ganhasse a atenção do público. Exemplo disso, foram os seus recitais que costumeiramente era lotados e o lançamento de suas gravações que eram ansiosamente aguardadas pelos fãs e inclusive por muitos musicistas, além das partituras de suas canções que eram muito visadas.


