Ana da Boêmia
Ana da Boêmia foi a primeira esposa do rei Ricardo II e rainha consorte do Reino da Inglaterra de 1382 até sua morte em 1394.
Ana da Boémia nasceu em Praga, na altura capital do reino da Boêmia, filha de Carlos IV, Imperador Sacro-Germânico, e da sua quarta esposa, Isabel da Pomerânia. Ana foi a filha mais velha do quarto casamento do seu pai e tinha cinco irmãos desta união: o imperador Sigismundo; o duque João de Görlitz; Carlos; Margarida da Boêmia, burgravina de Nuremberga como esposa de João III, burgrave de Nuremberga, e Henrique. Tinha ainda cinco meios-irmãos e irmãs, fruto dos casamentos anteriores do seu pai. Ela foi educada principalmente no Castelo de Praga e passou grande parte da sua infância e adolescência sob o cuidado do seu irmão, o rei Venceslau IV da Boêmia. Na sua viagem pela Flandres a caminho da sua nova vida na Inglaterra, ela foi protegida pelo seu tio, Venceslau I, de Luxemburgo.
Ana e Ricardo se casaram como resultado do Grande Cisma no papado, que resultou em dois papas rivais; o Papa Urbano VI aprovou o casamento para tentar criar uma aliança mais forte contra os franceses contra o seu papa preferido, o Antipapa Clemente VII. Na época, o pai de Ana era o monarca mais poderoso da Europa, tendo sob o seu poder mais de metade da Europa e da sua população. O casamento era contra o desejo de muitos membros da nobreza inglesa, tendo ocorrido principalmente pela intervenção do conselheiro do rei, Miguel de la Pole, 1.º Conde de Suffolk. Antes do noivado entre Ana e Ricardo, foi cogitado que o rei se cassasse com Catarina Visconti, filha de Barnabé Visconti, senhor de Milão, pois ela traria consigo um grande dote financeiro, o que não ocorreu com Ana. Quando chegou a Inglaterra, em dezembro de 1381, depois de tempestades terem atrasado a sua chegada, Ana foi bastante criticada pelos cronistas da época, provavelmente devido ao acordo financeiro do seu casamento, mas era comum que as novas rainhas fossem criticadas. O Cronista de Westminster descreveu-a como "um pedaço minúsculo de pessoa" e Thomas Walsingham relatou um augúrio desastroso aquando da sua chegada: os seus navios ficaram desfeitos assim que Ana desembarcou.
Ana foi enterrada na Abadia de Westminster ao lado do marido. Em 1395, Ricardo selou contratos para a construção de um monumento para ele e Ana. Isto foi uma inovação e a primeira vez em que um túmulo duplo para um enterro inglês. Foram selados dois contratos com dois pedreiros (Henry Yevele e Stephen Lote) de Londres para a construção de uma base em mármore de Purbeck e de duas efígies em tamanho real com dois latoeiros de Londres, Nicholas Broker e Godfrey Prest. Os desenhos, que foram perdidos, foram fornecidos pelos dois pares de artesãos. Atualmente, o seu túmulo em conjunto encontra-se danificado e as mãos das efígies foram cortadas. A inscrição no túmulo da rinha descreve-a como "formosa de corpo e com um rosto gentil e bonito". Quando o túmulo de Ana foi aberto em 1871, descobriu-se que muitos dos seus ossos foram roubados através de um buraco num dos lados do caixão. Ana de Boêmia ficou conhecida pela sua bondade, uma vez que intercedeu em várias ocasiões junto do rei em busca de perdão para alguns dos seus súbditos. Ela procurou perdão para participantes na Revolta dos Camponeses de 1381 e para vários transgressores. Ana salvou a vida de John Northampton, um ex-Presidente da Câmara de Londres, em 1384. O seu pedido humilde convenceu Ricardo II a condenar o criminoso a uma pena de prisão perpétua em vez de o condenar à morte. O ato mais famoso de intercessão de Ana foi em nome dos cidadãos de Londres na reconciliação cerimonial entre Ricardo II e a cidade de Londres em 1392. O papel da rainha também foi imortalizado na obra Reconciliation of Richard II with the City of London de Richard Maidstone, que descreve este evento.


