Ana da Grã-Bretanha
Ana foi a Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 8 de março de 1702 até 1 de maio de 1707, quando uniu a Inglaterra e a Escócia em um único estado soberano, o Reino da Grã-Bretanha, com o Tratado de União. Ela continuou a reinar como a Rainha da Grã-Bretanha e Irlanda até sua morte, e foi a última monarca da Casa de Stuart.
Ana nasceu às 23h39min do dia 6 de fevereiro de 1665 no Palácio de St. James, Londres, a quarta criança e segunda menina de Jaime, Duque de Iorque e Albany, e sua primeira esposa Ana Hyde. Seu pai era o irmão mais novo do rei Carlos II, que reinava os reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda, enquanto sua mãe era filha de Eduardo Hyde, 1.º Conde de Clarendon e Lorde Chanceler. Sua irmã mais velha Maria foi uma das madrinhas durante seu batismo anglicano na Capela Real do palácio, junto com Ana Scott, Duquesa de Buccleuch, e Gilberto Sheldon, o Arcebispo da Cantuária. Jaime e Ana tiveram oito filhos no total, porém apenas Maria e Ana sobreviveram à infância. Quando criança, Ana teve um problema nos olhos que se manifestava na forma de uma irrigamento excessivo, conhecido como "defluxão". Ela foi enviada à França para se tratar, vivendo com sua avó paterna Henriqueta Maria da França, rainha consorte de Carlos I, no Castelo de Colombes perto de Paris. Ana foi viver com sua tia Henriqueta Ana, Duquesa de Orleães após a morte de Henriqueta, em 1669. Quando sua tia morreu repentinamente em 1670, ela voltou para a Inglaterra. Sua mãe morreu no ano seguinte.
Maria se casou em novembro de 1677 com Guilherme III, Príncipe de Orange e seu primo, porém Ana não pôde comparecer por estar de cama com varíola. Maria já havia partido para sua nova vida nos Países Baixos quando Ana se recuperou. Francisca Villiers também contraiu a doença e morreu. Sua tia Henriqueta Hyde (esposa de Lourenço Hyde) foi nomeada como nova governanta. Ana e sua madrasta visitaram Maria nos Países Baixos um ano depois durante duas semanas. Jaime e Maria de Módena foram para Bruxelas em março de 1679 por causa de uma histeria anticatólica provocada pelo Complô Papista, com Ana indo visitá-los no final de agosto. Eles voltaram para a Grã-Bretanha em outubro, com o duque e a duquesa indo para a Escócia e Ana para a Inglaterra. Ela foi viver com os dois no Palácio de Holyrood, em Edimburgo, de julho de 1681 até maio de 1682. Foi sua última viagem para fora da Inglaterra. Jorge Luís de Hanôver, primo de Ana e eventual sucessor, visitou Londres por três meses a partir de dezembro de 1680, iniciando rumores sobre um potencial casamento entre os dois. O historiador Edward Gregg afirma que os rumores não tinham fundamento, já que Jaime fora excluído da corte e os hanoverianos planejavam casar Jorge com sua prima Sofia Doroteia de Brunsvique-Luneburgo, parte de um plano para unir a herança local. Outros rumores diziam que Ana havia sido cortejada por lorde João Sheffield, 3.º Conde de Mulgrave, apesar dele ter negado. Sheffield mesmo assim foi temporariamente afastado da corte por causa dos rumores.
Quando Carlos II morreu em 1685, o pai de Ana se tornou o rei Jaime II da Inglaterra & VII da Escócia. Para desespero do povo inglês, o novo rei começou a entregar cargos militares e administrativos a católicos, indo ao encontro do Ato de Prova que havia sido criado para impedir tais nomeações. Ana partilhava da preocupação geral e continuou a comparecer aos serviços anglicanos. Já que Maria vivia nos Países Baixos, Ana e Jorge eram os únicos membros da família real a comparecer aos serviços protestantes na Inglaterra. Ela começou a chorar quando Jaime tentou fazê-la batizar sua filha mais nova na fé católica. "A Igreja de Roma é perversa e perigosa", escreveu à irmã, "suas cerimônias – a maioria delas – proporcionam simples idolatria". Ana se afastou do pai e da madrasta enquanto o rei tentava enfraquecer o poder da Igreja Anglicana. Em apenas uma questão de dias no início de 1687, Ana teve um aborto, Jorge pegou varíola e suas duas filhas morreram da mesma infecção. Lady Raquel Russell escreveu que o casal tinha "sentido [as mortes] pesadamente […] Algumas vezes eles choram, algumas eles lamentam em palavras; eles sentam em silêncio, dando as mãos; ele doente na cama, e ela a atenta enfermeira que lhe pode ser imaginado". Ela teve outro filho natimorto mais tarde naquele mesmo ano.
Guilherme de Orange invadiu a Inglaterra no dia 5 de novembro de 1688 em uma ação que acabou por depor Jaime, evento que ficou conhecido como a "Revolução Gloriosa". Proibida pelo pai de visitar Maria na primavera de 1687, Ana se correspondeu com ela e ficou sabendo dos planos de Guilherme para a invasão. Ela se recusou a aliar-se a Jaime após o desembarque de Guilherme, seguindo o conselho dos Churchill, e em vez disso escreveu ao cunhado no dia 18 de novembro declarando seu apoio. João Churchill abandonou Jaime no dia 24. O príncipe Jorge fez o mesmo naquela noite e na manhã do dia seguinte o rei emitiu ordens para prender Sara Churchill no Palácio de St. James. Ana e Sara fugiram de Whitehall através de uma escada traseira, indo para os cuidados do bispo Compton. Elas passaram uma noite na casa dele e foram para Nottingham, chegando em 1 de dezembro. Ana chegou em Oxford duas semanas depois, escoltada por uma grande companhia, se encontrando com Jorge. "Deus me ajude!", lamentou Jaime ao descobrir da deserção da filha no dia 26 de novembro, "Até minhas filhas me abandonaram". Ana voltou para Londres no dia 19 de dezembro, recebendo a visita de Guilherme. Jaime fugiu para a França no dia 23. Ela não esboçou nenhuma reação ao saber das notícias da fuga do pai, em vez disso pediu por seu jogo de cartas usual. Ana se justificou dizendo que "estava habituada a jogar as cartas e nunca gostou de fazer nada que se parecesse com constrangimentos artificiais".
Guilherme e Maria recompensaram João Churchill pouco depois de sua ascensão com o título de Conde de Marlborough, enquanto o príncipe Jorge foi feito Duque de Cumberland. Ana pediu o uso do Palácio de Richmond e uma pensão parlamentar. Os dois monarcas recusaram o primeiro pedido e sem sucesso foram contra o segundo, criando uma tensão entre as duas irmãs. O ressentimento de Ana piorou quando Guilherme se recusou a deixar que Jorge servisse ativamente no exército. O rei e a rainha temiam que a independência financeira de Ana diminuiria sua influência sobre ela e permitisse que a princesa criasse uma facção rival. Por volta dessa época, e a pedido da própria Ana, ela e Sara Churchill começaram a se chamar pelos apelidos de Sra. Morley e Sra. Freeman, respectivamente, para facilitar uma relação de maior igualdade enquanto estavam sozinhas. Guilherme e Maria dispensaram João Churchill de todos os seus cargos em janeiro de 1692 por suspeitarem que ele estava secretamente conspirando com os jacobitas. Ana levou Sara para um evento social no palácio em uma demonstração de apoio público aos Churchill e recusou o pedido da irmã de dispensá-la de sua criadagem. Sara Churchill posteriormente foi removida da criadagem real pelo Lorde Camareiro. Ana deixou os aposentos reais furiosa e foi morar na Casa Syon, a casa de Carlos Seymour, 6.º Duque de Somerset. Ela perdeu sua guarda e honras; cortesãos eram proibidos de visitá-la e as autoridades civis foram instruídas a ignorá-la. Ana deu à luz em abril um filho que morreu depois de apenas alguns minutos. Maria foi visitá-la, porém em vez de oferecer conforto aproveitou a oportunidade para criticar novamente a amizade da irmã com Sara Churchill. As duas nunca mais se viram. Ana depois se mudou para a Casa Devonshire, onde teve uma filha natimorta em março de 1693.
Decreto de Estabelecimento
A última gravidez de Ana terminou em 25 de janeiro de 1700 quando ela deu à luz um bebê natimorto. Ela esteve grávida pelo menos dezessete vezes durante os anos, abortando ou dando à luz a bebês natimortos pelo menos doze vezes. Das cinco crianças que nasceram vivas, quatro morreram antes de completarem dois anos de idade. Pelo menos a partir de 1698, Ana sofria de ataques de gota, dor nos membros e depois na cabeça e no estômago. Baseado em suas perdas fetais e nos sintomas, ela podia sofrer de lúpus eritematoso sistêmico ou síndrome de Hughes. Como alternativa, doença inflamatória pélvica pode explicar por que o aparecimento de seus sintomas surgiram quase que junto com sua penúltima gravidez. Outras causas sugeridas para suas gravidezes malsucedidas são listeriose, diabetes, restrição do crescimento intrauterino e incompatibilidade do fator RH. A última, entretanto, piora com gravidezes sucessivas, dessa forma não se enquadrando com o padrão de Ana, já que o príncipe Guilherme, Duque de Gloucester, seu único filho a sobreviver à infância, nasceu depois de vários natimortos. Especialistas também descartam sífilis, porfiria e deformação pélvica por serem incompatíveis com seu histórico médico.
Ana tornou-se rainha após a morte de Guilherme III & II em 8 de março de 1702, sendo imediatamente popular. Ela se distanciou de seu cunhado holandês em seu primeiro discurso ao parlamento inglês no dia 11 de março e afirmou: "Como sei que meu coração é inteiramente inglês, posso sinceramente garantir a todos que não há nada que possam esperar ou desejar de mim que não estarei preparada para fazer pela felicidade e prosperidade da Inglaterra". Ana nomeou seu marido como Lorde Grande Almirante pouco depois da ascensão, dando-lhe controle nominal da Marinha Real. Ela deu o controle do exército a João Churchill ao nomeá-lo Capitão-General. Churchill também recebeu várias honrarias; foi feito um Cavaleiro da Ordem da Jarreteira e foi elevado ao título de duque. Por sua vez, Sara Churchill foi nomeada Dama da Estola, Senhora das Vestes e Guardiã da Bolsa Privada. Ana foi coroada em 23 de abril de 1702, Dia de São Jorge. Afligida com gota, foi carregada para a Abadia de Westminster em uma liteira aberta. A Inglaterra se envolveu em 4 de maio na Guerra da Sucessão Espanhola, lutando com o Sacro Império Romano Germânico e os Países Baixos contra a França e Espanha. Carlos II da Espanha havia morrido sem herdeiros em 1700 e a sucessão foi disputada pelo arquiduque Carlos da Áustria, da Casa de Habsburgo, e Filipe, Duque de Anjou, da Casa de Bourbon.
Tratado de União
Enquanto a Irlanda era subordinada à coroa inglesa e Gales era parte do Reino da Inglaterra, a Escócia permanecia um estado soberano independente com seu próprio parlamento e leis. O Decreto de Estabelecimento de 1701, aprovado pelo parlamento inglês, aplicava-se apenas na Inglaterra e Irlanda e não na Escócia, onde uma forte minoria queria preservar a dinastia Stuart e seu direito de herdar o trono. Ana havia declarado durante seu primeiro discurso ao parlamento sua "grande necessidade" de concluir a união da Inglaterra e Escócia, com uma comissão anglo-escocesa se encontrando na antiga residência da rainha em outubro de 1702 para discutir os termos. As negociações se encerraram em fevereiro do ano seguinte sem nenhum acordo. O parlamento escocês respondeu ao Decreto de Estabelecimento aprovando o Decreto da Seguridade de 1704, que dava ao parlamento o poder de escolher seu próximo monarca dentre os descendentes protestantes da linhagem real escocesa, isso caso a rainha morresse sem herdeiros. O indivíduo escolhido pelo parlamento escocês não poderia ser o mesmo que o inglês, a não ser que a Inglaterra garantisse liberdade total às mercadorias escocesas. Ana inicialmente reteve o Consentimento Real, porém mudou de ideia no ano seguinte quando a Escócia ameaçou reter os suprimentos, pondo em perigo o apoio escocês nas guerras inglesas.
Política de dois partidos
O reinado de Ana foi marcado por um maior desenvolvimento do sistema de dois partidos. Em geral, os tories apoiavam a Igreja Anglicana e eram a favor da "propriedade territorial" da pequena nobreza do país, enquanto que os whigs estavam alinhados com os interesses comerciais dos dissidentes protestantes. Como anglicana, Ana estava inclinada a apoiar os tories. Seu primeiro ministério era predominantemente tory e continha altos tories como Daniel Finch, 2.º Conde de Nottingham, e seu tio Lourenço Hyde, 1.º Conde de Rochester. Era liderado por lorde Sidney Godolphin, Lorde do Tesouro, e seu favorito João Churchill, que eram considerados tories moderados, junto com Roberto Harley, Presidente da Câmara dos Comuns.
Morte do marido
Ana ficou devastada pela morte de Jorge em outubro de 1708, com o evento sendo um ponto de virada em sua relação com Sara. A duquesa chegou ao Palácio de Kensington pouco depois da morte do príncipe e depois insistiu para que a rainha fosse para o Palácio de St. James contra sua vontade. Ana ressentiu Sara por suas ações intrusivas, que incluíram retirar um retrato de Jorge de seu quarto e depois se recusar a colocá-lo de volta, afirmando que era natural "evitar ver papéis ou qualquer coisa que pertencesse a alguém de que se amava quando eles morriam". Os whigs tiraram vantagem da morte de Jorge. A liderança do Almirantado não era popular entre os líderes whigs, que culpavam o príncipe e seu vice Jorge Churchill (irmão de João Churchill) pela má gestão da marinha. Com os whigs agora dominando o parlamento, e Ana distraída pela morte do marido, eles foram forçados a aceitar os líderes da junta, Somers e Wharton, no gabinete. Porém, a rainha insistiu em realizar pessoalmente as tarefas de Lorde Grande Almirante e não nomear nenhum membro do governo para o lugar de Jorge. Sem se deixar abater, a junta exigiu a nomeação de Russell, um dos principais críticos do príncipe, como Primeiro Lorde do Almirantado. Ana nomeou Tomás Herbert, 8.º Conde de Pembroke, um moderado, em 29 de novembro de 1708. Os insatisfeitos da Junta Whig colocaram pressão sobre Herbert, Godolphin e a rainha, e Herbert renunciou com menos de um ano. Ana finalmente aceitou em novembro de 1709 colocar Russell no controle do Almirantado após um mês de discussões.
Guerra da Sucessão Espanhola
A dispendiosa Guerra da Sucessão Espanhola ficava impopular assim como a administração whig. O impeachment de Henrique Sacheverell, Tory anglicano do Alto Clero que pregava sermões antiwhigs, levou a um maior descontento popular. Ana achava que Sacheverell precisava ser punido por questionar a "Revolução Gloriosa", porém que fosse uma punição moderada para impedir maiores comoções públicas. Revoltas se espalharam em Londres em apoio a Sacheverell, más as únicas tropas disponíveis eram os guardas da rainha e o secretário de estado Spencer estava relutante em usá-los e deixar Ana desprotegida. Ela declarou que Deus seria seu guarda e ordenou que Spencer relocasse as tropas. Sacheverell acabou preso, porém sua sentença – três anos proibido de pregar em público – foi tão leve que foi considerada uma piada.
Morte
Ana não conseguiu andar entre janeiro e julho de 1713. Ela estava febril no natal e ficou inconsciente por horas, o que levou a rumores de sua morte iminente. Ela se recuperou, porém adoeceu novamente em março do ano seguinte. Ana perdeu a confiança em Harley em julho; seu secretário registrou que a rainha disse ao gabinete "que ele negligenciava todos os negócios; que ele raramente deve ser entendido; que quando ele se explicava, ela não podia depender da verdade daquilo que ele dizia; que ele nunca foi a ela no horário marcado; que ele frequentemente ia bêbado; [e] finalmente, para coroar tudo, ele se comportava com ela de maneira má, indecente e desrespeitosa". Em 27 de julho de 1714, durante o recesso de verão do parlamento, a rainha dispensou Harley como Lorde do Tesouro. Mesmo com sua saúde piorando, que os médicos culpavam no estresse dos assuntos de estado, Ana compareceu a duas reuniões de gabinete noturnas que não conseguiram determinar o sucessor de Harley. Uma terceira reunião foi cancelada quando ela ficou muito doente. Ela sofreu um derrame em 30 de julho, aniversário da morte do filho Guilherme, e ficou sem falar; seguindo uma recomendação do Conselho Privado, o bastão do cargo de Lorde do Tesouro foi entregue a Carlos Talbot, 1.º Duque de Shrewsbury. Ana morreu por volta dàs 19h30min do dia 1 de agosto de 1714 aos 49 anos de idade. John Arbuthnot, um de seus médicos, achou que sua morte foi a libertação de uma vida de saúde ruim e tragédia; ele escreveu: "Acredito que o sono nunca foi tão bem vindo para um viajante cansado do que a morte foi para ela".
Sara Churchill "menosprezou excessivamente" Ana em suas memórias, e suas recordações preconceituosas persuadiram muitos biógrafos que a rainha era "uma mulher fraca e irresoluta, assolada por disputas de aposentos e decidindo importantes políticas baseada em personalidades". Ela escreveu sobre Ana: Na opinião dos historiadores, avaliações tradicionais de Ana como gorda, constantemente grávida, sob a influência de favoritos e sem astúcia política ou interesse podem ter derivado de preconceitos chauvinistas contra mulheres. David Green comenta que seu governo não foi fraco como muitos acreditavam que seria, "Ela tinha poder considerável; mas uma vez e outra teve que capitular". Edward Gregg concluiu que Ana frequentemente conseguia impor sua vontade, apesar de, sendo mulher numa época dominada por homens e preocupada com sua saúde, seu reinado ter sido marcado por um aumento da influência dos ministros e uma diminuição da influência da coroa. Ela compareceu a mais reuniões de gabinete que qualquer um de seus predecessores ou sucessores, presidindo em uma era de avanços artísticos, literários, econômicos e políticos que foram possíveis pela estabilidade e prosperidade de seu reinado. Na arquitetura, sir John Vanbrugh construiu o Palácio de Blenheim e o Castelo Howard. Escritores como Daniel Defoe, Alexander Pope e Jonathan Swift floresceram. Henry Wise criou os jardins de Blenheim, Kensington, Windsor e St. James. A união entre a Inglaterra e a Escócia, muito apoiada por Ana, criou a maior área de comércio livre da Europa. As realizações políticas e diplomáticas dos governos de Ana, e a ausência de um conflito constitucional entre monarca e parlamento durante o reinado, indicam que ela escolhia seus ministros e exercia suas prerrogativas sensatamente.
Títulos e estilos
O título oficial de Ana como rainha antes de 1707 era: "Ana, pela Graça de Deus, Rainha da Inglaterra, Escócia, França e Irlanda, Defensora da Fé, etc". Após a união, passou a ser: "Ana, pela Graça de Deus, Rainha da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensora da Fé, etc". Como todos os outros monarcas ingleses de Eduardo III até Jorge III, Ana também tinha o título de "da França", apesar de nunca ter reinado a França.
Brasões
Como rainha, o brasão de armas de Ana antes da união eram as armas reais dos Stuart: Esquatrelado, I e IV esquatrelado, azure, três flores-de-lis or (pela França) e goles, três leões passant guardant or em pala (pela Inglaterra); II or, um leão rampant dentro de um treassure flory-contra-flory goles (pela Escócia); III azure, uma harpa or com cordas argente (pela Irlanda). Em 1702, Ana adotou o lema semper eadem (sempre o mesmo), o mesmo usado pela rainha Isabel I. O Tratado de União declarou que: "as Insígnias Heráldicas do dito Reino Unido, sejam tal qual designadas por Sua Majestade". Em 1707, a união foi expressada heraldicamente pelo empalamento, colocação lado a lado no mesmo quartel, das armas da Inglaterra e Escócia, que anteriormente ficavam em quarteis separados. O novo brasão era: esquatrelado, I e IV goles, três leões passant guardant or em Pala (pela Inglaterra) empalando or, um leão rampant dentro de um treassure flory-contra-flory goles (pela Escócia); II azure, três flores-de-lis or (pela França); III azure, uma harpa or com cordas argente (pela Irlanda). Na Escócia, um brasão diferente era usado com precedência escocesa.


