Ana Maria Luísa de Médici
Ana Maria Luísa de Médici, foi o último membro da Casa de Médici. Por vezes, em italiano, é também denominada pela variante Anna Maria Ludovica.
Início de vida
Apesar dos esforços de sua mãe para interromper a gravidez, com longos passeios a cavalo, o parto ocorre com normalidade, nascendo Ana Maria Luísa de Médici que veio a ser a única filha e segunda criança do casamento de Cosme III de Médici, Grão-duque da Toscana, com Margarida Luísa de Orleães. Foi batizada em honra da sua tia materna Ana Maria Luísa de Orleães, Duquesa de Montpensier. A relação dos seus pais era tempestiva: Margarida Luísa não perdia uma oportunidade para humilhar Cosme. Numa ocasião que ficou documentada, ela classificou o marido como "um pobre noivo" na presença do Núncio Papal. A inimizade entre eles continuou até 26 de dezembro de 1674; após todas as tentativas de conciliação falharem, um nervoso Cosme consentiu que a mulher partisse para o Convento de Montmartre, em França. O contrato estabelecido nesse dia revogava os seus privilégios como petite fille de France), e declarava que, após a sua morte, todos os seus bens seriam herdados pelos filhos. Como compensação, Cosme assegurou-lhe uma pensão de 80 000 libras. A Grã-duquesa abandonou a Toscana em junho de 1675 e Ana Maria Luísa nunca mais viu a mãe, sendo criada pela sua avó paterna Vitória Della Rovere.
Eleitora Palatina
Em 1669, Ana Maria Luísa foi considerada uma noiva potencial para Luís, Grande Delfim de França, o herdeiro-aparente de Luís XIV de França. Cosme III não gostava da ideia de uma aliança com a França, e nunca se dedicou muito a essa causa (ela acabou por ser rejeitada). Em vez disso, Cosme ofereceu a mão da filha à sua primeira escolha: o rei Pedro II de Portugal, que ficara viúvo. Portugal era um país com fortes afinidades económicas com a Toscana e aquando da visita ao país, Cosme ficara com excelente impressão das potencialidades do reino, Mas os ministros de Pedro II, temendo que a Princesa Ana Maria Luísa viesse a dominar Pedro II dado que poderia ter herdado a maneira de ser da mãe, declinaram. De facto, contemporâneos achavam que o seu feitio era uma combinação do humor do pai e o da avó paterna, Vitória Della Rovere.
Mecenas das artes
A Eleitora passava a maior parte do seu tempo em bailes, eventos musicais e outras festividades. O marido patrocinou a construção dum teatro onde Ana assistia a peças de escritor francês Molière. Mas também a própria Ana Maria Luísa protegia muitos músicos, a ponto da corte Palatina ser vista como um centro internacional de música erudita. Ela convidou Fortunato Chelleri para a sua corte, nomeando-o maestro di cappella ("mestre de música"). Agostino Steffani, a polímata, foi patrocinado pela Eleitora desde a sua chegada a Düsseldorf, em 1703, até ao seu regresso à Toscana; a biblioteca do Conservatório de Florença acomoda duas edições dos seus duetos de câmara.
A sucessão Toscana
Cosme III desejava alterar a sucessão Toscana, que até à data se fazia unicamente por linha masculina, de forma a permitir a ascensão da sua filha, Ana Maria Luísa, na eventualidade de falhar a sucessão masculina. Mas os seus planos tiveram uma forte oposição quer do imperador, quer das potências europeias. Carlos VI, Sacro Imperador Romano-Germânico, suserano nominal da Toscana, aceitaria essa decisão na condição dele lhe sucedesse. Cosme e sua filha discordavam da proposta. Sem um acordo à vista, a "Questão Toscana" ficou adormecida. Alguns anos mais tarde, como a sucessão se tornara mais urgente, o Cardeal Francisco Maria de Médici, irmão mais novo de Cosme III, foi liberto dos seus votos e coagido a casar com a filha do duque reinante de Guastalla, Leonor Gonzaga, em 1709. A Eleitora suplicou-lhe que cuidasse da sua saúde e que "nos desse a consolação dum pequenino príncipe". Contudo, dois anos mais tarde, ele morreu sem geração, levando consigo quaisquer esperanças de um herdeiro.
Regresso a Florença
O Eleitor Palatino morreu em junho de 1716. A sua viúva, Ana Maria Luísa, regressou a Florença em outubro de 1717. A Grã-princesa viúva Violante Beatriz, viúva do seu irmão Fernando, e Ana Maria Luísa não mantiveram uma boa relação. Assim que teve conhecimento da intenção de Ana Maria Luísa de regressar, Violante Beatriz preparou a sua partida para Munique, a capital do estado governado pelo irmão, mas João Gastão quis que ela ficasse. Para impedir que as duas senhoras entrassem em conflito sobre a precedência, Cosme III definiu o estatuto de Violante Beatriz pouco antes da chegada da Eleitora, nomeando-a Governadora de Siena. A 4 de abril de 1718 a Inglaterra, a França e as Províncias Unidas (e mais tarde a Áustria) acordaram em nomear Carlos de Bourbon, o filho mais velho de Isabel Farnésio e de Filipe V de Espanha, como herdeiro da Toscana (sem qualquer referência a Ana Maria Luísa). Em 1722, a Eleitora nem sequer fora reconhecida como herdeira e Cosme III reduzido a espetador na conferência sobre o futuro da Toscana.
Morte e legado
Os "Lorenos", nome pelo qual as forças ocupantes eram apelidadas, eram popularmente detestados. O Vice-rei, o Príncipe de Craon, que a Eleitora detestava pela vulgaridade da sua corte, autorizou a Eleitora a viver sem ser perturbada na sua própria ala do Palazzo Pitti, vivendo numa virtual reclusão, e apenas recebendo um número selecionado de convidados num estrado preto, na sua sala de audiências decorada a prata. Ela ocupou o seu tempo financiando e supervisionando a construção da Basílica de São Lourenço de Florença, iniciada em 1604 pelo Grão-duque Fernando I de Médici, atingindo 1 000 coroas por semana, e doou grande parte da fortuna para obras de caridade: £ 4 000 por ano.
Brasão de armas
As armas de Ana Maria Luísa combinavam o escudo de seu pai (o brasão dos Médici, à direita) com as arnas de seu marido (o brasão dos Wittelsbach, à esquerda).


