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Maria Teresa da Áustria

Maria Teresa Valburga Amália Cristina da Áustria, foi a primeira e única mulher a governar sobre os domínios habsbúrgicos e a última chefe da Casa de Habsburgo. Foi soberana da Áustria, Hungria, Boêmia, Croácia, Mântua, Milão, Galícia e Lodomeria, Parma e Países Baixos Austríacos, de 1740 até a sua morte. Pelo casamento, tornou-se duquesa da Lorena, grã-duquesa da Toscana e imperatriz consorte do Sacro Império Romano-Germânico. É considerada um dos déspotas esclarecidos. Chefiou um dos estados mais importantes de seu tempo, governando grande parte da Europa Central.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Primeiros anos

Maria Teresa foi a segunda filha de Carlos VI e de Isabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel, nasceu na manhã do dia 13 de maio de 1717 no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, pouco tempo após a morte do primogênito e herdeiro imperial, seu irmão Leopoldo João. Maria Teresa foi batizada na noite daquele mesmo dia e teve como madrinhas sua avó, a imperatriz Leonor Madalena de Neuburgo (viúva de Leopoldo I) e sua tia, a imperatriz Guilhermina Amália de Brunsvique-Luneburgo (viúva de José I). Na cerimônia de batismo, a jovem herdeira foi levada à frente de suas primas, as arquiduquesas Maria Josefa e Maria Amália (filhas de José I), sob o olhar da imperatriz-viúva Guilhermina. Ficou claro que elas seriam preteridas na sucessão, apesar de seu avô, Leopoldo I, ter editado um decreto (assinado por todos os seus filhos) que dava prioridade às filhas de José I. Carlos VI era o último membro varão da Casa de Habsburgo e esperava gerar um herdeiro que pudesse sucedê-lo e impedir a extinção da dinastia. O nascimento de Maria Teresa foi uma grande decepção não apenas para seu pai (que nunca superou esse sentimento), mas para toda a população de Viena,

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Casamento

A questão sobre o casamento de Maria Teresa começou a ser tratada ainda em sua tenra infância. Inicialmente foi acertado o consórcio com Leopoldo Clemente de Lorena, que deveria ir a Viena em 1723 para conhecer a arquiduquesa. Entretanto, o príncipe morreu de varíola, em 4 de junho daquele ano, com apenas 16 anos de idade. O irmão de Leopoldo, Francisco Estêvão de Lorena, foi então convidado a visitar Viena. Embora o príncipe fosse o candidato favorito à mão de Maria Teresa, o imperador também considerou outras possibilidades. Diferenças religiosas impediram um arranjo matrimonial com o calvinista Frederico da Prússia. Em 1725 Carlos VI propôs a união de Maria Teresa com Carlos de Espanha e de Maria Ana com o infante Filipe. No entanto, outras potências europeias o obrigaram a abandonar o pacto firmado com a rainha viúva Isabel Farnésio, uma vez que o casamento dos herdeiros dos tronos de Espanha e Áustria destruiria o chamado "Equilíbrio Europeu". Maria Teresa, que já havia se apaixonado por Francisco, ficou aliviada com o malogro das negociações.

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Reinado

Ascensão

Carlos VI morreu em 20 de outubro de 1740, no Palácio Augarten, em Viena, provavelmente em virtude da ingestão de cogumelos venenosos. Ele havia ignorado os conselhos do príncipe Eugénio de Saboia para concentrar-se em fortalecer o tesouro e equipar o exército, em vez de colher assinaturas de apoio de monarcas aliados. O imperador, que passou quase todo o seu reinado tentando garantir o cumprimento da Pragmática Sanção, deixou a Áustria arruinada financeiramente, falência agravada pelas recentes guerras russo-turca e de Sucessão da Polônia; o tesouro continha somente 100 000 florins, que foram reivindicados por sua viúva. O exército contava com apenas 80 mil homens, muitos dos quais não haviam recebido seus soldos e, ainda assim, foram extremamente leais e dedicados à sua nova soberana.

Guerra de sucessão

Logo após a ascensão de Maria Teresa, vários dos monarcas europeus que haviam reconhecido seu direito ao trono, quebraram suas promessas de apoio. Isabel de Espanha e Carlos Alberto, Eleitor da Baviera, casado com sua prima Maria Amália e apoiado pela imperatriz-viúva Guilhermina, exigiam participação na herança de Maria Teresa. A imperatriz conseguiu o reconhecimento do rei Carlos Emanuel III da Sardenha, que não havia aceite a Pragmática Sanção anteriormente, em 1740. Em dezembro, o rei Frederico II da Prússia invadiu a Silésia e exigiu a posse do território, ameaçando se unir contra Maria Teresa se ela recusasse a cessão. A imperatriz decidiu lutar pela província rica em minerais. Frederico propôs um acordo: defenderia os direitos de Maria Teresa se ela concordasse em ceder ao menos uma parte da Silésia. Francisco Estêvão estava inclinado a aceitar tal acordo, mas Maria Teresa e seus conselheiros rechaçaram a proposta, temendo que qualquer violação à Pragmática Sanção viesse a invalidar todo o documento. A firmeza da imperatriz convenceu seu marido de que eles deveriam lutar pela Silésia, pois ela estava confiante em retomar a "joia da Casa da Áustria".

Guerra dos Sete Anos

A invasão da Saxônia por Frederico da Prússia, em agosto de 1756, deu início à Guerra dos Sete Anos. Uma vez que Maria Teresa e Kaunitz (seu chanceler) desejavam sair do conflito com a posse da Silésia, a Áustria alinhou-se com a França e a Rússia; e a Grã-Bretanha com Prússia e Portugal. Na América, os franceses não tiveram condições de fortalecer as defesas da Nova França, o que permitiu aos britânicos capturarem facilmente Louisbourg, em 1758, e conquistarem toda a província. Maximilian von Browne comandou as tropas austríacas, sendo substituído após a Batalha de Lobositz por Carlos Alexandre de Lorena, cunhado de Maria Teresa. Frederico foi surpreendido em Lobositz, mas se reagrupou para outro ataque em junho de 1757. A Batalha de Kolin, que se seguiu, resultou numa vitória decisiva para a Áustria. Frederico perdeu um terço de suas tropas e, antes que a batalha tivesse terminado, ele já havia fugido.

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Vida familiar

Filhos

Ao longo de 20 anos, a imperatriz deu à luz 16 filhos, treze dos quais sobreviveram à infância. A primeira filha, Maria Isabel (1737-1740), nasceu pouco após o primeiro ano de casamento. Novamente o sexo da criança causou grande decepção, assim como os dois nascimentos seguintes: Maria Ana (a filha mais velha a chegar à idade adulta) e Maria Carolina (1740-1741). Enquanto lutava para preservar sua herança, Maria Teresa deu à luz um filho, José, nome dado em homenagem a São José, a quem ela havia orado repetidamente durante a gravidez, para que gerasse um filho varão. Sua filha favorita, no entanto, foi Maria Cristina, Duquesa de Teschen, nascida no dia do seu aniversário de 25 anos e quatro dias após a derrota do exército austríaco na Batalha de Chotusitz. Mais cinco crianças nasceram durante a guerra: Maria Isabel, Carlos José, Maria Amália, Leopoldo e Maria Carolina (1748). Nesse período não houve descanso para Maria Teresa, nas gestações e nos cuidados aos recém nascidos; a guerra e os partos ocorriam simultaneamente. Mais cinco crianças nasceram no período de paz entre a Guerra de Sucessão Austríaca e a Guerra dos Sete Anos: Maria Joana, Maria Josefa, Maria Carolina, Fernando e Maria Antônia. Ela teve seu último filho, Maximiliano Francisco, durante a Guerra dos Sete Anos, quando já contava 39 anos de idade. Maria Teresa afirmou que, se não estivesse quase sempre grávida, teria ido sozinha para a batalha.

Doenças e mortes

Quatro dos filhos de Maria Teresa morreram antes de atingir a adolescência. Sua filha mais velha, Maria Isabel, morreu de cólicas estomacais aos três anos de idade. Sua terceira filha, a primeira de três filhas chamada Maria Carolina, morreu logo após seu primeiro aniversário. A segunda Maria Carolina nasceu com os pés primeiro em 1748. Como ficou claro que ela não sobreviveria, os preparativos foram feitos às pressas para batizá-la ainda em vida; de acordo com a crença católica tradicional, crianças não batizadas seriam condenadas à eternidade no limbo. O médico de Maria Teresa, Gerard van Swieten, garantiu a ela que a criança ainda estava viva quando foi batizada, mas muitos na corte duvidaram disso.

Política de casamentos dinásticos

Logo após dar à luz os filhos mais novos, Maria Teresa foi confrontada com a tarefa de casar os mais velhos. Ela conduziu as negociações de casamento ao mesmo tempo em que se ocupava com as campanhas de suas guerras e com os demais deveres de Estado. Ela foi carinhosa com seus filhos, mas os usou como peões em jogos dinásticos, sacrificando a felicidade deles em benefício do Estado. Uma mãe devotada, mas dominadora: escrevia a todos os filhos ao menos uma vez por semana e acreditava que tinha o direito de exercer sua autoridade sobre eles, independente de sua idade ou posição. Em abril de 1770, a filha mais nova de Maria Teresa, Maria Antônia, casou-se por procuração, em Viena, com Luís de Bourbon, Delfim de França. A educação da arquiduquesa foi negligenciada e, quando o francês demonstrou interesse por ela, sua mãe procurou educá-la o melhor possível sobre a corte de Versalhes e os franceses. Maria Teresa correspondia-se quinzenalmente com a filha (agora chamada Maria Antonieta), a quem repreendeu muitas vez por sua preguiça, frivolidade e por não conceber um filho. Ela não gostava da personalidade reservada de Leopoldo e o acusava frequentemente de frieza. Também criticou Maria Carolina por suas atividades políticas, Fernando por sua falta de organização e Maria Amália por seu francês pobre e por sua arrogância. A única filha com quem não ralhava constantemente era Maria Cristina, Duquesa de Teschen, que gozava da total confiança da mãe, embora a tenha desagradado por não ter gerado filhos (a arquiduquesa teve apenas uma filha, Maria Cristina da Saxônia, morta com um dia de vida). Um dos maiores desejos de Maria Teresa era ter o maior número de netos possível. Porém, quando morreu, a imperatriz contava com apenas vinte netos sendo que, de todas as suas netas mais velhas, somente uma (Carolina de Parma, filha de Maria Amália) não recebeu seu nome.

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Visão religiosa e política

Como todos os membros da Casa de Habsburgo, Maria Teresa era Católica Romana bastante devota. Ela acreditava que uma religião unida era necessária para uma vida pacífica e, por isso, rejeitava veementemente a ideia de tolerância religiosa. Entretanto, apesar de manter relações estreitas com a Santa Sé, nunca permitiu que a Igreja interferisse naquilo que ela considerava ser as prerrogativas de um monarca. Era ela quem controlava a seleção de arcebispos, bispos e abades. Sua abordagem com relação à piedade religiosa era bastante diferente da abordagem de seus antecessores, já que ela foi influenciada por ideias jansenistas. A imperatriz apoiava ativamente a conversão ao catolicismo Romano, através da concessão de pensões aos convertidos. Ela tolerava os católicos gregos e enfatizava o seu estatuto de igualdade com os católicos romanos. Além de sua devoção ao cristianismo, Maria Teresa também ficou conhecida pelo seu estilo de vida ascético, especialmente durante seus quinze anos de viuvez.

Jesuítas

Sua relação com os jesuítas era bastante complexa, pois os membros dessa ordem a educaram, foram seus confessores e supervisionaram a educação religiosa de seu filho mais velho. Por esses motivos, os jesuítas eram poderosos e influentes nos primeiros anos do reinado de Maria Teresa. Porém, seus ministros conseguiram convencê-la de que esses religiosos representavam um perigo para a sua autoridade monárquica. Não sem muita hesitação e arrependimento, ela emitiu um decreto retirando-os de todas as instituições da monarquia. A imperatriz proibiu a publicação da bula pontifícia Apostolicum pascendi múnus (favorável aos jesuítas) do Papa Clemente XIII e prontamente confiscou todos os bens da Companhia de Jesus quando o Papa Clemente XIV suprimiu a ordem.

Judeus e protestantes

Embora tenha desistido de tentar converter seus súditos não-católicos ao Catolicismo Romano, Maria Teresa continuava considerando judeus e protestantes perigosos para o Estado e tentou ativamente suprimi-los. A imperatriz era, provavelmente, a monarca mais antissemita de sua época, tendo herdado todos os preconceitos tradicionais de seus antepassados e adquirido novos. Esta característica pessoal era produto de sua profunda devoção religiosa e nunca foi mantida em segredo. Em 1777, ela escreveu sobre os judeus: Eu não conheço maior praga do que essa raça que, por conta de sua falsidade, usura e avareza, está nos levando à penúria. Portanto, na medida do possível, os judeus devem ser mantidos à distância e evitados.

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Reformas

Maria Teresa era tão conservadora nos assuntos de Estado quanto nos religiosos, mas implementou reformas significativas para reforçar o exército austríaco e tornar a máquina burocrática mais eficiente. Contratou o conde Friedrich Wilhelm von Haugwitz, que modernizou o império através da criação de um exército de 108 000 homens, pagos com 14 milhões de florins provenientes de cada uma das terras da coroa. O governo central era o responsável pelo exército, embora Haugwitz tenha instituído a tributação da nobreza, que nunca antes teve que pagar impostos. Maria Teresa supervisionou a unificação das chancelarias da Áustria e da Bohêmia, em maio de 1749. Suas reformas dobraram a receita do Estado entre 1754 e 1764, embora a tentativa de taxar o clero e a nobreza tenha sido apenas parcialmente bem sucedida Essas reformas financeiras melhoraram muito a economia. Em 1760, foi criado o Conselho de Estado, composto pelo chanceler, três membros da alta nobreza e três cavaleiros, funcionando como um "comitê de notáveis" que orientavam a monarca. O Conselho não tinha autoridade executiva ou legislativa mas, mesmo assim, mostrou a diferença com relação à forma de governo empregada por Frederico II. Ao contrário deste, Maria Teresa não era uma autocrata que atuava como seu próprio ministro. A Prússia adotaria essa forma de governo somente depois de 1807.

Medicina

Gerard van Swieten, contratado após a morte da arquiduquesa Maria Ana, além de atuar como médico pessoal da imperatriz, também fundou o Hospital Geral de Viena e reformulou o sistema educacional austríaco. Maria Teresa pediu a van Swieten um estudo sobre o alto índice de mortalidade infantil na Áustria. Seguindo suas recomendações, ela expediu um decreto que tornava obrigatória a realização de autópsias em todos os óbitos ocorridos na cidade de Graz, segunda maior cidade austríaca. Esta lei - ainda em vigor nos dias atuais - combinada com a população relativamente estável de Graz, resultou em um dos registros mais importantes e completos da autópsia no mundo. Sua decisão de permitir a inoculação de seus filhos após a epidemia de varíola de 1767, foi responsável por mudar a visão negativa que os médicos austríacos tinham sobre esse procedimento. A campanha de inoculação na Áustria foi inaugurada com um jantar oferecido no Palácio de Schönbrunn às primeiras 65 crianças inoculadas, encarregando-se a própria Maria Teresa de receber os pequenos convidados.

Direitos civis

Entre outras reformas, o Codex Theresianus, iniciado em 1752 e concluído em 1766, definiu os direitos civis na Áustria Em 1776 proibiu que se queimassem mulheres acusadas de bruxaria em fogueiras, a tortura e, pela primeira vez na história do império, retirou a pena de morte do código penal, substituindo-a por trabalhos forçados. Mais tarde esse item foi reintroduzido, mas a natureza progressiva das reformas continuou a ser observada. Ao contrário de José II, mas com o apoio das autoridades religiosas, Maria Teresa continuou se opondo à abolição da tortura. Nascida e criada entre o Barroco e o Rococó, ela achava difícil encaixar-se na esfera intelectual do iluminismo e é por isso que seguiu tão lentamente as reformas humanitárias no continente.

Igreja

As principais reformas relativas à Igreja Católica Romana foram iniciadas e realizadas no reinado de Maria Teresa, enquanto as reformas de seu filho diziam respeito aos súditos não católicos. Sua política eclesiástica, como a de seus devotos predecessores, era baseada na primazia do controle do governo nas relações entre a Igreja e o Estado, mas não na organização da instituição. Condenando o desperdício e a falta de higiene dos costumes funerários, ela proibiu a criação de novos cemitérios sem a prévia autorização do governo.

Educação

Consciente da inadequação da burocracia na Áustria e, a fim de melhorá-la, Maria Teresa instituiu uma reforma na educação em 1775. No novo sistema de ensino, baseado no prussiano, todas as crianças de ambos os sexos entre seis e doze anos, tinham que frequentar a escola. A reforma da educação foi recebida com hostilidade em muitas aldeias, mas a soberana esmagou o dissenso, ordenando a prisão de todos aqueles que se opusessem. Embora a ideia tivesse mérito, as reformas não foram tão bem sucedidas quanto se esperava pois, até o século XIX, metade da população ainda era analfabeta em algumas regiões da Áustria. A imperatriz também permitiu que não católicos frequentassem a universidade e a introdução de disciplinas seculares (como Leis) nas grades curriculares, o que influenciou o declínio da Teologia como principal alicerce da educação universitária.

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Últimos anos

Francisco I morreu em 18 de agosto de 1765, enquanto ele e toda a corte estavam em Innsbruck, celebrando o casamento de seu segundo filho, Leopoldo. Maria Teresa ficou devastada. Seu filho mais velho tornou-se imperador do Sacro Império Romano-Germânico (José II) e ela abandonou todo o tipo de ornamentação, passando a usar os cabelos curtos, pintando seus aposentos de preto e vestindo luto pelo resto de sua vida, além de retirar-se totalmente da vida na corte, deixando de comparecer a eventos públicos e ao teatro. Durante sua viuvez, passava os meses de agosto e todo 18º dia de cada mês sozinha em seu quarto, o que afetou negativamente sua saúde mental. Ela própria descreveu seu estado de espírito após a morte do marido: Eu mal conheço a mim mesma agora, pois tornei-me algo como um animal: sem vida verdadeira ou poder de raciocínio. Após sua ascensão ao trono imperial, José II governou menos territórios que seu pai em 1740. Acreditando que o imperador deve possuir terras suficientes para manter a integridade do império, Maria Teresa, que estava acostumada a ser assessorada na administração de seus vastos domínios, declarou José como seu co-regente em 17 de setembro de 1765. A partir de então, mãe e filho passaram a ter frequentes desentendimentos ideológicos. Os 22 milhões de florins que José herdou de seu pai, foram incorporados ao tesouro. Maria Teresa teve outra grande perda em fevereiro de 1766, quando Haugwitz morreu. O controle absoluto dos exércitos foi entregue a seu filho após a morte do conde Leopold Joseph von Daun.

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Morte e legado

É pouco provável que Maria Teresa tenha se recuperado totalmente da varíola contraída em 1767, como afirmaram escritores do século XVIII. Ela sofria de falta de ar, fadiga, tosse, "aflições", necrofobia e insônia. Mais tarde, também desenvolveu um edema.A imperatriz adoeceu em 24 de novembro de 1780, aparentemente por um resfriado. Dr. Störk, seu médico, constatou que seu estado era grave. Em 28 de novembro ela pediu a extrema unção e no dia seguinte, por volta das nove horas da noite, Maria Teresa da Áustria morreu, cercada por seus filhos. Com ela, desapareceu também a Casa de Habsburgo, que foi substituída pela Casa de Habsburgo-Lorena. José, que já era co-regente dos domínios dos Habsburgo, sucedeu à mãe. Maria Teresa deixou um império revitalizado, que influenciou o resto da Europa durante o século XIX. Seus descendentes seguiram seu exemplo e deram prosseguimento às reformas. A aquisição do Reino de Galícia e Lodomeria deu ao império um caráter ainda mais multinacional, que acabaria por levar à sua destruição. A introdução da escolaridade obrigatória, como um meio de germanização, provocou o renascimento da cultura checa.

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Título completo

Seu título após a morte de seu marido foi: Maria Teresa, pela Graça de Deus, Imperatriz Viúva dos Romanos, Rainha da Hungria, da Boêmia, da Dalmácia, da Croácia, da Eslavônia, da Galícia, da Lodoméria, etc; Arquiduquesa da Áustria, Duquesa da Borgonha, da Estíria, da Caríntia e da Carníola; Grã-Princesa da Transilvânia, Marquesa da Morávia, Duquesa de Brabante, de Limburgo, de Luxemburgo, de Gueldres, de Vurtemberga, da Alta e da Baixa Silésia, de Milão, de Mântua, de Parma, de Placência, de Guastalla, de Auschwitz e de Zator, Princesa da Suábia, Condessa Principesca de Habsburgo, de Flandres, do Tirol, de Hainaut, de Kyburg, de Gorízia e Gradisca, Marquesa de Burgau, da Alta e da Baixa Lusácia, Condessa de Namur, Senhora de Windische Mark e Mechelen, Duquesa Viúvva de Lorena e Bar, Grã-Duquesa Viúva da Toscana.

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Fontes consultadas

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