Anadel-mor
O Anadel-Mor do Reino era o Chefe de todas as forças comandadas pelos Anadeis-Mores, os quais eram os Comandantes de certo número de Companhias comandadas por Anadeis. O Anadel era o Capitão de homens de armas de Besteiros. O Anadel-Mor de Besteiros era o Chefe de várias Companhias de Besteiros. O termo Anadel tem origem na palavra Árabe Annazzar, que significa Inspector.
Segundo as Ordenações Afonsinas, Livro I, Título LII, N.º 3, as Companhias de Besteiros eram comandadas por Capitães chamados Anadeis. Todavia, não estava bem definida a natureza deste cargo militar, pois havia Anadeis dos Besteiros do Conto, do Monte ou da Fraldilha, da Câmara, dos Besteiros de Cavalo e dos Espingardeiros. O regimento destes últimos é de 1524. Não existiu, parece, aquém do tempo do Rei D. Fernando I de Portugal, e, ao que parece, supõe-se que foi introduzido em Portugal com os cargos que entraram no seu tempo de Mariscal (Marechal) e Condestabre (Condestável), de origem Inglesa, como acima ficou dito. Houve, também, conforme referido acima, o cargo de Anadel-Mor do Reino. Francisco Portocarrero foi Anadel dos Besteiros da Câmara do Príncipe D. João, filho de D. Afonso V, e seu Anadel-Mor. Os primeiros Anadeis-Mores devem ter sido Afonso Furtado e João Gonçalves de Teixeira, no tempo de D. Fernando I, pelas referências de Duarte Nunes de Leão, na sua Cronicas del rey Dom Joaõ de gloriosa memoria, o I deste nome, e dos reys D. Duarte e D. Affonso de 1643. Afonso Furtado, como Anadel dos Besteiros do Conto, manteve o cargo até D. João I de Portugal. Sucederam-lhes, conforme as parcas notícias das Crónicas: Estêvão Vasques Filipe, Anadel-Mor do Reino, segundo a citada Crónica de Duarte Nunes de Leão, dos Besteiros do nosso Senhorio, por Carta de D. João I de data desconhecida de 1385, e dos Besteiros do Conto, por Carta de D. João I de data desconhecida de 1393; Álvaro Anes Cernache, dos Besteiros do Conto, por Carta de D. João I de data desconhecida de 1422, o qual ainda exerceu o cargo no tempo de D. Duarte I de Portugal; Fernão Álvares Cernache, filho do anterior, cujo ofício herdou por mercê de D. Afonso V de Portugal; Afonso Furtado, o mesmo, decerto, do tempo de D. Fernando I e D. João I; Duarte Furtado, dos Besteiros do Conto; e Paulo de Freitas, no tempo de D. João II de Portugal; Rui Gil Magro, dos Besteiros da Câmara, com D. Manuel I de Portugal; Garcia de Melo, que serviu com D. Manuel I e D. João III de Portugal; Martim de Freitas, que resignou o cargo em 1524; e D. Henrique de Sousa, dos Espingardeiros, com D. João III.


