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Fotos dos Mamonas Assassinas mortos

As fotos dos Mamonas Assassinas mortos foram um conjunto de imagens publicadas pelo jornal Notícias Populares que mostravam os corpos mutilados das vítimas do acidente aéreo ocorrido em 2 de março de 1996, dentre elas os corpos dos integrantes da banda Mamonas Assassinas, então no auge de sua popularidade. O registro fotográfico foi realizado por Fernando Cavalcanti, o primeiro profissional da imprensa a chegar aos destroços e a fotografar o local. Posteriormente, Cavalcanti se isentou da responsabilidade editorial, afirmando que a decisão de publicar as imagens "nunca foi de nenhum fotógrafo, porque nunca nos deixaram influir na decisão do que publicar".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Contexto

Em 2 de março de 1996, um sábado à noite, o jato executivo Learjet 25 que transportava a banda Mamonas Assassinas colidiu com a Serra da Cantareira, próximo ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, resultando na morte de todos os integrantes da banda: Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli, além do piloto Jorge Luiz Martins, do copiloto Alberto Yoshiumi, do segurança Sérgio Saturnino Porto e do roadie Isaac Souto, primo de Dinho. A banda retornava de um show realizado no estádio Mané Garrincha, em Brasília, quando a aeronave tentou pousar em Guarulhos, São Paulo, e fez o último contato com o aeroporto às 23h20. Após receber autorização para pouso, o avião arremeteu. Segundo investigações, uma manobra arriscada do piloto e o desrespeito a normas de segurança da aviação contribuíram para o acidente. O avião abriu uma clareira de cerca de 200 metros na vegetação, e destroços ficaram espalhados por uma extensão de 400 metros na mata. Uma das asas ficou pendurada em uma árvore.

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Produção

O autor das fotografias é o fotógrafo Fernando Cavalcanti, que trabalhava no extinto jornal Notícias Populares (NP). Conforme seu relato em um artigo publicado no El País em 2018, na noite de 2 de março de 1996, um sábado, Cavalcanti era o fotógrafo plantonista da madrugada no NP, cobrindo uma folga do fotojornalista Zé Maria — sequer estava escalado para trabalhar naquela noite —, acompanhado do repórter Hélio Santos. Parte de seu trabalho consistia em monitorar a frequência do rádio da polícia para ir atrás de ocorrências que o jornal pudesse documentar. Nesse dia, ele e Santos ouviram, pela frequência de rádio da polícia, que o avião da banda Mamonas Assassinas havia caído. Eles então foram correndo para o local. Ao chegar ao local, Cavalcanti encontrou outros jornalistas já postados, mas todos sem acesso à área onde seriam feitas as buscas por corpos. Devido à escuridão da noite, não foi possível encontrar os corpos, e as buscas foram retomadas pela manhã. Com o amanhecer, um helicóptero da TV Globo chegou e fez um acordo com a equipe de resgate: a emissora cederia a aeronave em troca de exclusividade no acesso às imagens do acidente. A polícia então começou a cercar os jornalistas em um canto, isolando a área.

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Publicação

Eu nunca me culpei por ter feito aquelas fotos e já mudei de opinião várias vezes a respeito da sua publicação. Hoje, vivendo o ocaso de uma profissão moribunda, tenho a certeza de que jornalismo e entretenimento são duas coisas completamente distintas, que devem ser separadas por uma grossa linha vermelha. E que aquelas fotos que fiz do acidente dos Mamonas, ao contrário de tantas outras fotos de mortos que encerram alguma denúncia relevante, pertencem ao outro lado dessa linha. —Relato do fotógrafo Fernando Cavalcanti em um artigo publicado no El País em 2018, intitulado "Minha foto mais famosa é também a mais triste: os integrantes dos Mamonas mortos". As fotografias produzidas por Fernando Cavalcanti no domingo foram publicadas na segunda-feira, 4 de março de 1996, dois dias após o acidente, pelo jornal Notícias Populares (NP), periódico ligado ao Grupo Folha que circulou entre 1963 e 2001. O jornal estampou em sua capa a manchete "Queda de avião mata a banda mais famosa do Brasil". A imagem de abertura mostrava o tronco do vocalista Dinho sendo arrastado por um bombeiro, e nas páginas internas vieram outras fotografias igualmente chocantes: um bombeiro segurando uma perna, fragmentos espalhados no mato, destroços confundidos com carne. O jornal publicou as imagens dos corpos mutilados sem qualquer censura. A editora à época, Eliane de Fátima da Silva Souza, revelou que havia fotografias ainda mais pesadas que poderiam ter sido publicadas e que parte da redação defendia essa linha — a lógica era simples e brutal: "se vende, imprime-se".

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Repercussão

Reações

A publicação das imagens dos corpos dos Mamonas Assassinas pelo Notícias Populares gerou comoção nacional e intenso debate público. A edição bateu recordes de tiragem, com 250 mil exemplares vendidos, mas também provocou revolta e ameaças. O fotógrafo Fernando Cavalcanti relata que duas décadas depois do acidente, quando alguém descobre que foi ele quem fez os registros, a reação é sempre a mesma: "Nossa, foi você?". Em sua reflexão, Cavalcanti contrastou o tratamento dado aos Mamonas com a cobertura cotidiana do jornal: "Publicávamos mortos todo dia. Quase sempre pobres. Às vezes havia denúncia. Outras vezes, as fotos só serviam para saciar a curiosidade mórbida dos leitores. E para vender mais jornal."

Análises

Na área acadêmica, o caso se tornou objeto de análise sobre os limites da ética jornalística. A publicação gerou um intenso debate social, com críticas que perduram, ao mesmo tempo em que bateu recordes de venda. Estudos apontam que a espetacularização da imagem cria no indivíduo o desejo por mais, e que o consumidor desenvolve "fetiche" por conteúdos que escancaram tragédias e violências — desejo que, à época da tragédia dos Mamonas, a internet ajudou a amplificar. O episódio do Notícias Populares permanece como estudo de caso nas faculdades de jornalismo, levantando questões sobre ética, limites e responsabilidade social — se publicar ou não, se mostrar tudo ou preservar a dignidade. O texto de um artigo intitulado "Mamonas Assassinas no NP: impactante", do website Panorama Mercantil, sintetiza a reflexão: "A tragédia dos Mamonas foi um marco geracional. A cobertura do NP foi um marco midiático. Impactante, sim — mas também revelador. Revelador de um tempo em que o sensacionalismo não pedia licença e de um público que consumia o choque com a mesma voracidade com que consumia o sucesso da banda". E conclui com uma pergunta: "o que nos choca mais hoje — as fotos em si ou o fato de termos comprado o jornal?".

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Fontes consultadas

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