Pesquisa · Mapa mental

Margareth Menezes

Margareth Menezes da Purificação Costa é uma cantora, compositora, atriz e política brasileira. Em 2023, tornou-se ministra da Cultura do Brasil no governo Lula. É ganhadora de dois troféus Caymmi, dois troféus Imprensa, quatro troféus Dodô e Osmar, além de ter sido indicada para o GRAMMY Awards e GRAMMY Latino. Contabiliza 21 turnês mundiais, e foi considerada pelo jornal Los Angeles Times, como a "Aretha Franklin brasileira".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
01

Biografia

Menezes nasceu em Boa Viagem, região de Salvador. Filha de Dona Diva, uma costureira e doceira, que veio da Ilha de Maré, e Adelício Soares da Purificação, motorista, falecido em março de 2009, é a mais velha de cinco irmãos. Em 1977, aos quinze anos, ganhou uma guitarra e começou a cantar no coral da Igreja da Congregação Mariana da Boa Viagem, em Salvador. Morava na península Itapagipana e, desde pequena, foi cercada pelo conjunto histórico da cidade de Salvador, como Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, e recebeu forte influência artística da própria família, pois, a mãe gostava muito de samba de roda e, os eventos na Ilha da Maré eram realizados na casa da avó da cantora, que desempenhava um papel de "produtora cultural".[carece de fonte melhor]

02

Carreira

1980–86: Teatro

Em 1980, a cantora conheceu o músico e compositor Silas Henrique, com quem iniciou sua carreira de atriz, apresentando-se com a peça "Ser ou Não Ser Gente", no Teatro Vila Velha, em Salvador. No ano seguinte, estreou a peça "Máscaras", de Menotti Del Picchia, sob a direção de Reinaldo Nunes. Posteriormente, atuou na peça de Nikolai Gogol, "Inspetor Geral", que contou com a direção de Paulo Conde e a participação do grupo teatral "Troca de Segredos em Geral" e que ficou um ano em cartaz. Três anos depois, o grupo teatral, ainda com a participação de Menezes, montou um circo de lona na Praia de Ondina, espaço cultural que ficou conhecido como circo "Troca de Segredos". O local abrigou apresentações de peças teatrais para adultos e infantis, além de receber apresentações de grupos musicais dos mais diversos gêneros. Paralelamente à sua carreira de atriz, Margareth Menezes começou a se apresentar em bares de Salvador, sem pretensões de se tornar uma grande cantora. Ao lado da orquestra do maestro Vivaldo da Conceição, apresentou-se para um público de 1 500 pessoas, sendo ovacionada pela primeira vez.[carece de fonte melhor] É então que passa a se apresentar, ao lado de Silas Henrique, nos "Centros Sociais Urbanos", espaço onde as comunidades participam de ações socioeducativas e projetos de fortalecimento da cidadania e desenvolvimento social.[carece de fonte melhor]

1987–91: Primeiros álbuns e sucesso internacional

Após o lançamento de seu primeiro single, Margareth Menezes assinou um contrato com a gravadora PolyGram do Brasil, que lança seu primeiro álbum autointitulado, em novembro de 1988. O álbum rendeu dois troféus Imprensa de "melhor disco" e "melhor cantora", contando com uma turnê que percorreu o Brasil e a Argentina, onde Margareth já havia se apresentado anteriormente. A canção "Elegibô (Uma História de Ifá)", de Rey Zulu e Ythamar Tropicália, tornou-se uma das principais canções do álbum e, da carreira da cantora. Posteriormente, Menezes lançou um álbum Elegibô. Em 1989, deu início ao desenvolvimento de seu segundo álbum, Um Canto Pra Subir. Enquanto isso, a baiana apresentava-se ao lado de Gilberto Gil e Dominguinhos, em uma série de espetáculos com projeto "Basf Chrome Music", dirigido por Milton Nascimento e por Gil. Por volta de 1990, Menezes assinou um contrato com a gravadora Mango/Island Records nos Estados Unidos, com o objetivo de lançar um álbum naquele país, no Canadá e no México, onde já havia se apresentado com certa regularidade, sendo convidada por David Byrne, líder do grupo Talking Heads, para fazer o espetáculo de abertura de sua turnê mundial, além de fazer participações especiais. No Brasil, a cantora lançou Um Canto pra Subir, que contou com a produção e arranjos de Ramiro Musotto e Pedro Giorlandini. A canção "Ifá (Um Canto Pra Subir)" foi destaque do álbum, e que originou o nome do trabalho.

1993–00: Luz Dourada, Gente de Festa e outros projetos

Depois de percorrer o mundo em turnês, solo ou ao lado de David Byrne, Menezes "estacionou-se" no Brasil para dar início a produção de mais um álbum. Luz Dourada, chegou às lojas do Brasil em 1993, através da PolyGram, e levou a cantora para Inglaterra, Itália e Argentina, com uma turnê diferente das demais, agora, Menezes apresentava um espetáculo mais acústico, contando apenas com um violão e uma percussão. Com o fim do contrato com a gravadora, a baiana continuou a realizar espetáculos pelo país, além de apresentar-se no tradicional Carnaval na Bahia, em seu próprio trio elétrico. O álbum Luz Dourada, vendeu mais de 2000 cópias em apenas dois meses de lançamento na Suíça.[carece de fontes?] Rapidamente, foi contrata pela Continental e, lança o álbum Gente de Festa, que conta com a participação de Maria Bethânia e Caetano Veloso. Através de sua produtora, "MM Produções Artísticas", a cantora realiza mais uma turnê internacional que a levou para a Europa, mas, a fez regressar ao Brasil devido ao carnaval. O trio elétrico de Menezes fora projetado por Bel Barbosa artista plástico baiano, exclusivamente para a apresentação.

2001–04: Afropopbrasileiro e consolidação

Em 2001, decidira à gravar um novo álbum novamente, Margareth fundou seu próprio selo, o Estrela do Mar Records, fechando uma parceria de divulgação com a Universal Music.[carece de fontes?] Em 14 de dezembro, sob a produção de Carlinhos Brown e Alê Siqueira, é lançado o álbum Afropopbrasileiro, que conta com onze faixas, entre elas uma das principais canções da carreira de Margareth Menezes, "Dandalunda", que fora composta por Brown e considerada a melhor música do carnaval de 2002, rendeu à cantora um Troféu Dodô e Osmar, em 2003, de "melhor música" e de "melhor cantora do carnaval baiano do ano". O projeto ainda contou com a participação de Lenine e composições de Zeca Baleiro, Paulo César Pinheiro e da própria Margareth. Ainda em 2001, a cantora participa do álbum dos Tribalistas, interpretando a canção "Passe em Casa", de sua autoria em parceria com Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. A coletânea Do Lundo ao Axé: 100 Anos de Música Baiana, contou com a participação de Menezes e de diversos nomes da música baiana, como Gilberto Gil, Edil Pacheco, Paulinho Boca de Cantor e Carlinhos Brown, por exemplo. Ao lado do bloco-afro Ilê Aiyê, participou do encerramento da "VI Festival do Mercado Cultural da Bahia", apresentando "Missa do Rosário dos Pretos". Participou do documentário sobre o samba, "Moro no Brasil", dirigido pelo cineasta finlandês, Mika Kaurismaki. No início de 2002, Margareth viajou ao Timor-Leste para se apresentar em um festival nacional em comemoração à independência do país. De volta ao Brasil, foi jurada do "Prêmio Sharp", e iniciou a idealização de seu novo álbum, que seria lançado pela "Estrela do Mar".

2005–11: Pra Você e Naturalmente

Consagrada como deusa do "afro-pop",[carece de fontes?] Menezes lança Pra Você, gerando um estranhamento, pois, o álbum não trazia o ritmo frenético do gênero que a consagrou, mas, revela um lado pop da cantora. O projeto contou com a participação de Ivete Sangalo e Cláudio Zoli e a produção de Moogie Canazio, que já trabalhara com Maria Bethânia e Caetano Veloso. Em 2005, participa do "Ano do Brasil na França" e da "Copa da Cultura", em Berlim. Em agosto de 2006, Menezes volta ao Teatro Castro Alves, para homenagear o samba-reggae e gravar o DVD Brasileira ao Vivo: Uma Homenagem ao Samba-Reggae. Nesse, ela faz releituras dos sucessos de sua carreira, contando com a participação de Carlinhos Brown, Mateus Aleluia e Saul Barbosa. O álbum foi indicado duas vezes ao Grammy. Naturalmente, foi lançado em 2008 e, segundo a própria cantora, "levou a um mergulho interno, a resgatar as origens". Margareth Menezes realizou algumas apresentações antes do lançamento do álbum, todas as quintas-feiras, no espaço carioca "Mistura Fina". O novo projeto, que contém canções de Nando Reis, Arnaldo Antunes e Marisa Monte, por exemplo, contou com a produção de Marco Mazzola e, com a participação de Gilberto Gil e Luís Represas.

2011–presente: Álbuns ao vivo e Autêntica

Em 4 de dezembro de 2010 o jornalista Marrom, do Correio da Bahia, publicou uma nota informando que Menezes estava se preparando para gravar um novo DVD em 2011, que seria lançado pelo selo de Ivete Sangalo, Caco de Telha, no ano seguinte. Marrom ainda publicou que este projeto contaria com a participação de artistas internacionais e que "Fábio Almeida e Alexandre Lins, os bambambãs da TAG prometiam uma mega produção". O novo projeto seria gravado em 19 e 20 de outubro no Teatro Tom Jobim, na cidade do Rio de Janeiro, no entanto, ocorreram mudanças e a gravação está prevista para 2012. Em dezembro de 2011, a cantora lançou "Bonapá", canção composta por Carlinhos Brown e produzida por Gerson Silva. Em 13 de abril de 2012 lança "Lambadinha da Riberia".

03

Características musicais

A revista musical estadunidense Spin chama a cantora de "paixão brasileira", destacando sua voz e carisma que "emocionam multidões em todo o mundo". Em entrevista à revista, em fevereiro de 1990, David Byrne disse que "muitas vezes, [Margareth Menezes] roubou a cena quando fizemos turnês juntos no outono de 1989… A bela cantora emana uma força". Os escritores Simon Broughton, Mark Ellingham e Richard Trillo, dizem lamentar que a cantora tivesse passado pelos "terríveis" 1980, quando o rock começou a ganhar força, pois, Menezes "tem uma voz eletrizante e uma força tremenda". A Rolling Stone diz que ela "faz parte deste grupo de poucos, principalmente porque canta com um sorriso, encara a música com paixão e não como obrigação", dizendo que o "habitat" da cantora é o palco, onde se destaca pela competência e qualidade, em uma terra de talentos, musicalidade e sonoridade. Clarence Bernard Henry, em seu livro sobre a música africana, axé e pop no Brasil, diz que a cantora é uma das inovadoras do axé music e, que influenciou a nova geração da música afro-brasileira, citando um exemplo da inovação musical feita por Margareth em "Ifá (Um Canto Pra Subir)". Segundo Clarence, Menezes adicionou a sua música a ritmica ijexá e a batida de vários agogôs que se repetem durante toda a canção. Além disso, ela utiliza uma extensa lista de instrumentos musicais, entre eles a conga, os timbales, os tambores, o trompete, o trombone, o surdo, o teclado e os saxofones, e ainda incorpora sons digitalizados. Para o escritor Peter Winn, Margareth Menezes revolucionou o rock brasileiro incorporando a esse os ritmos caribenhos, além disso, o autor afirma que Menezes recebeu forte influência de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

04

Vida pessoal

Em 2001 começou a namorar o artista plástico Robson Costa, com quem se casou em 2008 e se separou em 2018.

05

Imagem pública

Durante toda a carreira, grandes publicações referem-se a Margareth Menezes como uma referências para os novos artistas do axé-music, afropop e samba-reggae, bem como da música popular brasileira. Segundo a revista Billboard, a cantora é umas dos onze artistas estrangeiros mais conhecidos pelo público estadunidense. Além disso, Charles Perrone e Christopher Dunn, disseram em seu livro, "Brazilian Popular Music & Globalization", que a cantora fora responsável pelo marketing internacional do estilo afro-baiano, que, segundo outros autores, foi inovado por Menezes através da introdução de instrumentos africanos, antes não utilizados. Margareth é considerada uma das rainhas da música popular baiana e, ao lado de Gilberto Gil, influenciaram e apoiaram o talento de grandes artistas da atualidade, como Daniela Mercury. Larry Crook, diz que graças ao apoio dos dois artistas, Mercury alcançou uma carreira de sucesso do cenário internacional. Para Lauro de Freitas, político brasileiro, a cantora é "um símbolo da mulher negra, que representa a música baiana em todo o país e também no exterior".

Filantropia

Margareth Menezes fundou em 2004 a 'Fábrica Cultural' que, através de um convênio de parceria firmado com a Secretaria Municipal da Educação e Cultura, da Prefeitura de Salvador, iniciou o "Programa Circulando Arte", além de outros projetos no campo da arte, educação e cultura. A organização não governamental, atua desde 2008, na Ribeira - bairro onde Margareth Menezes nasceu - e outros bairros da Península de Itapagipe, oferecendo cursos profissionalizantes para jovens e oficinas de arte-educação para crianças. Em 14 de julho de 2010, a organização, que desenvolveu o projeto "Na Trilha da Cidadania", formou 500 jovens, através de um cerimônia que contou com a presença de Menezes. O projeto formou alunos nas áreas de produção musical, comunicação, estamparia. criação em costura e designer gráfico. Durante o evento, a cantora disse que fica feliz com a formatura, pois, "logo na primeira turma que estamos formando, é muito claro o valor, a energia e a qualidade desses jovens. É animador poder, juntamente com todo o pessoal da Fábrica, ajudar a proporcionar essa oportunidade". A cerimônia contou com a presença de Fátima Mendonça, primeira-dama do estado, e Arany Santana, secretária do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, que declarou: "O que estava faltando a esses jovens era acesso às ferramentas. Unindo isso ao querer e à competência desses meninos, com certeza eles vão construir um momento novo para cada um e para a Bahia".

Movimento Afropop Brasileiro

"O Movimento AfroPop Brasileiro nasceu de um sonho ousado de compartilhar e expandir o universo musical de matriz africana que se desenvolve na cena contemporânea de Salvador. E é para sempre, porque condensa o comportamento de uma geração que independente de cor, raça ou credo, traduz um jeito de ser, pensar e viver o Brasil." — Margareth sobre o movimento para a Fundação Cultural Palmares. O Movimento Afropop Brasileiro, fundado em 2005 pela cantora Margareth Menezes, é um movimento cultural que reúne exposições fotográficas e artísticas, manifestações, apresentações de bandas, grupos e cantores independentes, e tem a participação de jovens de organizações não-governamentais de Salvador. Além disso, o projeto une ritmos de raízes afro-brasileiras com a sonoridade mundial, como o rock, reggae, o funk, entre outros. Com o apoio de grandes blocos afros, como o Ilê Aiyê, Muzenza, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy e Malê Debalê, o movimento costuma reunir duas mil pessoas por edição. Em 2006, o evento foi realizado na Praça Tereza Batista, em Salvador e, contou com a presença do Muzenza, além da participação de vocalistas dos demais blocos integrantes do Movimento, que festeja a cultura negra no Brasil. A primeira exposição fotográfica foi do fotógrafo Januário Garcia, referência em retratar afrodecendentes.

Engajamento político

Em 2002, Margareth Menezes representou o Brasil na festa de comemoração da independência de Timor-Leste, que reuniu cantores de língua lusófona. Cantando para cerca de 250 mil pessoas, interpretou suas canções ao lado de artistas como o timorense Anito Matos e o português Luís Represas. O evento ainda contou com uma mostra de filmes e documentários sobre a história de Timor-Leste. Em 27 de setembro de 2010, ao lado de Sarajane e outras cantoras, Margareth declarou publicamente apoio à candidatura de Dilma Rousseff para a presidência do Brasil. Rousseff foi a candidata do então governo Lula, que cumprira seu segundo mandato. Margareth considerava que houve uma valorização da cultura durante os oito anos de Lula na presidência e nos quatro anos do governo de Jaques Wagner na Bahia. Segundo ela, "houve mais investimentos e uma mudança de concepção que deu a devida importância à cultura negra". Em 18 de outubro, foi questionada sobre o apoio a Rousseff e declarou que "Dilma representa a competência da mulher brasileira. Além disso, representa também, a história de uma pessoa que tem vitórias em sua vida. Uma pessoa que passou pelo que ela passou, que ariscou a integridade física por amor ao nosso país, enfim, eu me sinto muito representada pela força e pela competência dela. Tenho confiança de que ela vai fazer um governo maravilhoso. É a vez da mulher e nós não podemos deixar passar uma oportunidade dessa".

06

Discografia

Durante sua trajetória, Margareth Menezes lançou dez álbuns de estúdio, três álbuns ao vivo e um acústico. Em seus primeiros álbuns, ela se consagrou como a "diva do afropop", sendo elogiada por publicações em todo o mundo como a Billboard e a Rolling Stone. O primeiro single da cantora, ainda lançado no formato LP, foi "Faraó (Divindade do Egito)", com Djalma Oliveira, o primeiro samba-reggae gravado no Brasil que, vendeu mais de 100 mil cópias. Em seu primeiro álbum auto-intitulado ela interpreta canções com ritmos bem baianos, influenciado pela ascendência africana e a presença da cultura afro-brasileira. O segundo álbum, Elegibô, foi premiado pela Billboard e, vendeu mais de dez mil cópias nos Estados Unidos, sendo considerado um dos cinco melhores álbuns de 'música do mundo'. Em 1990, lança Um Canto pra Subir, que recebeu grande influência pop, traduzido em samba, funk e samba-reggae. O álbum sucessor, Kindala, trouxe ritmos dançantes em 1991, vendendo 10 mil cópias na França. Em Luz Dourada, a cantora obteve grande sucesso na Suíça, onde, em apenas duas semanas após o lançamento, o álbum vendeu mais de 2 mil cópias.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando