André Mendonça
André Luiz de Almeida Mendonça é um jurista, magistrado e pastor presbiteriano brasileiro, Vice-Presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal.
No dia 7 de julho de 2021, o presidente Jair Bolsonaro anunciou publicamente a intenção de indicar Mendonça para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, em vaga que seria aberta pela aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello no dia 12 do mesmo mês. A indicação foi feita oficialmente no dia 13 de julho. Bolsonaro havia declarado, em maio de 2019, que indicaria para o STF alguém "terrivelmente evangélico" (parafraseando uma expressão utilizada pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves), o que tornou Mendonça, então Advogado-Geral da União, um dos principais cotados para uma das vagas a serem abertas na Suprema Corte. A indicação sofreu resistência no Senado Federal. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Davi Alcolumbre (DEM), manifestou a intenção de adiar ao máximo a análise da indicação, e durante meses deixou de agendar uma data para a sabatina do indicado. Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania) e Jorge Kajuru (Podemos) impetraram um mandado de segurança junto ao STF com o objetivo de determinar ao presidente da CCJ o agendamento da sabatina, porém o relator da ação, ministro Ricardo Lewandowski, rejeitou o pedido sob o fundamento de que a questão se trata de matéria interna corporis do Senado, não cabendo a interferência do Poder Judiciário. Após mais de quatro meses, a sabatina foi agendada para o dia 1º de dezembro.
Formação jurídica e docência
André Mendonça graduou-se em ciências jurídicas e sociais em 1993 pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), atual Centro Universitário de Bauru, no interior de São Paulo. Concluiu especialização em direito público pela Universidade de Brasília (UnB), mestrado pela Universidade de Salamanca, Espanha, com dissertação sobre corrupção e Estado de Direito, e doutorado pela mesma universidade, tendo recebido a avaliação mais alta pela tese Estado de Derecho y Gobernanza Global ("Estado de Direito e Governança Global"). Atuou como professor do curso de direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Brasília e é professor visitante em Salamanca e na Fundação Getulio Vargas (FGV).
Atividade religiosa
Também cursou teologia na Faculdade Teológica Sul Americana, em Londrina, Paraná, para se credenciar como pastor junto à Igreja Presbiteriana do Brasil. Atuou como pastor na igreja presbiteriana "Esperança", na capital federal, de forma não remunerada, tendo se licenciado a partir de seu ingresso no cargo de advogado-geral da União em janeiro de 2019 e retomado a atividade a partir de setembro de 2021. A referida igreja foi criada em 2017 e tem 115 integrantes, dos quais costuma reunir pelo menos 60 nos cultos dominicais, realizados de forma improvisada no auditório de uma escola pública do Distrito Federal. Em março de 2025 se tornou pastor colaborador na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, que tem o reverendo Arival Dias Casimiro como pastor titular e também o pastor colaborador Hernandes Dias Lopes.
Advocacia
Mendonça foi advogado da BR Distribuidora de 1997 até 2000, quando ingressou na carreira de advogado da União. Nessa função, começou como procurador-seccional da União em Londrina, passou ao cargo de vice-diretor da Escola do órgão, foi coordenador de Medidas Disciplinares e chegou ao cargo de corregedor-geral. Foi diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade Administrativa, nomeado pelo então advogado-geral José Antonio Dias Toffoli, e coordenou o Grupo Permanente de Atuação Pró-Ativa da AGU, que em 2010 ajudou a recuperar parte dos R$ 169 milhões, os quais seriam usados na construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, desviados dos cofres públicos. Entre os condenados estavam o juiz Nicolau dos Santos Neto e o então senador Luiz Estevão.
Advogado-Geral da União
O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou no dia 21 de novembro de 2018 seu nome para comandar a AGU, instituição com mais de doze mil servidores, sucedendo Grace Mendonça, que manifestou aprovação quanto à escolha, por ser um nome de integrante da própria instituição, embora a atuação de Mendonça tenha se dado muito maiormente na Controladoria-Geral da União, onde foi responsável pela condução de acordos de leniência que envolvem a colaboração de grandes empresas envolvidas em casos ilícitos.
Ministro da Justiça e Segurança Pública
Na madrugada de 28 de abril de 2020, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a sua nomeação pelo presidente Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, após o pedido de exoneração do então ministro Sergio Moro. A posse ocorreu no dia seguinte. Como titular do Ministério da Justiça, Mendonça foi alvo de críticas por requisitar a abertura de inquéritos contra opositores do governo Bolsonaro, tais como Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Hélio Schwartsman e outros políticos, jornalistas e cartunistas, sob a acusação de calúnia ou injúria devido a críticas ao presidente. Também durante sua gestão, o Ministério da Justiça foi acusado de produzir um dossiê contra mais de quinhentos servidores federais e estaduais de segurança identificados como membros do "movimento antifascismo". Mendonça confirmou à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso a existência de um relatório de inteligência, mas negou que houvesse ilegalidades em sua produção.
Recondução à chefia da Advocacia-Geral da União
Em 29 de março de 2021, foi anunciado que Mendonça deixaria o cargo de ministro da Justiça, sendo substituído por Anderson Torres. No dia seguinte, foi publicada a exoneração da Mendonça do Ministério da Justiça e sua nomeação de volta ao cargo de advogado-geral da União, no qual ele permaneceu até 6 de agosto, quando pediu exoneração.
Em agosto de 2025, Mendonça passou a relatar os inquéritos relacionados a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), após redistribuição determinada pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso. As investigações apuram descontos associativos considerados irregulares em benefícios previdenciários, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. No âmbito da Operação Sem Desconto, decretou prisões preventivas de investigados apontados como integrantes do esquema, entre eles Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o ex-ministro Ahmed Mohamad Oliveira. As decisões foram mantidas pelo STF após questionamentos apresentados à Corte. Em fevereiro de 2026, autorizou o compartilhamento de dados sigilosos relacionados às investigações com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, determinando que as informações fossem encaminhadas à Polícia Federal e fixando parâmetros de custódia e preservação do sigilo.
Em fevereiro de 2026, assumiu a relatoria das investigações relacionadas ao chamado caso Banco Master. Segundo reportagens da CNN Brasil, ao revisar decisões anteriormente proferidas no processo, autorizou diligências técnicas solicitadas pela Polícia Federal, incluindo perícias em materiais apreendidos, e estabeleceu critérios para custódia e análise dos dispositivos eletrônicos. As decisões também disciplinaram o compartilhamento de informações com comissão parlamentar de inquérito, fixando limites de acesso e preservação do sigilo processual. Em editorial publicado em fevereiro de 2026, o jornal O Globo avaliou que as decisões contribuíram para remover obstáculos à atuação da Polícia Federal e permitiram que a investigação seguisse o fluxo regular das operações policiais.
André Mendonça nasceu em Santos, São Paulo, e torce para o Santos Futebol Clube. Foi criado numa família religiosa, foi empossado como pastor em março de 2025 na Igreja Presbiteriana de Pinheiros em São Paulo. É casado e tem dois filhos. Em 4 de junho de 2026, André Mendonça participou da Marcha para Jesus ao lado o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital de São Paulo, Ricardo Nunes, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que representa o presidente Lula. O ato ocorreu no feriado de Corpus Christi, em São Paulo.
Imagem: Ministério da Saúde · BY-NC-SA · Openverse
Em, 07 de abril de 2026, o ministro André Mendonça é homengeado na Assembleia Legislativa de Sao Paulo (Alesp). O Ministro recebeu o Colar de Honra ao Mérito em cerimônia que consolida alianças entre os Três Poderes no estado de São Paulo. A cerimonia ocorreu no plenário Juscelino Kubitschek em uma noite de segunda-feira, para receber a mais alta honraria concedida pelo Legislativo paulista. Líderes de diferentes esferas prestigiaram o evento. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) acompanharam de perto a entrega do Colar de Honra ao Mérito. A forte presença de autoridades religiosas também marcou a cerimônia. O deputado estadual Oseias de Madureira (PL), apontou os relevantes serviços prestados pelo ministro ao estado de São Paulo. A atuação e carreira do magistrado antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal em 2021 foi destacada e prestigiada. Ele ocupou os cargos de advogado-geral da União e ministro da Justiça.
Imagem: Isac Nóbrega · BY · Openverse
Ao longo de sua carreira pública, André Mendonça foi condecorado com diversas distinções nacionais, destacando-se:


