Angela Lansbury
Dame Angela Brigid Lansbury, DBE foi uma atriz de teatro, televisão e cinema britânica, também com nacionalidades norte-americana e irlandesa. Considerada uma das melhores interpretes de teatro do século XX, Em uma carreira de 80 anos, ela desempenhou vários papéis no cinema, no palco e na televisão tendo seu trabalho tendo atraido atenção internacional.
Lansbury nasceu em uma família de classe média alta em 16 de outubro de 1925 no distrito de St Pancras, no centro de Londres. Seu local de nascimento às vezes é dado, erroneamente, como Poplar, East London. Lansbury diz que tem conexões ancestrais com Poplar, mas nasceu em Regent's Park, no centro de Londres. Sua mãe era a atriz Moyna Macgill nascida em Belfast (originalmente Charlotte Lillian McIldowie), que regularmente aparecia no palco no West End e que também atuou em vários filmes. Seu pai era o rico comerciante de madeira e político inglês Edgar Lansbury, membro do Partido Comunista da Grã-Bretanha e ex-prefeito do Bairro Metropolitano de Poplar. Seu avô paterno era o líder do Partido Trabalhista e ativista anti-guerra George Lansbury, um homem por quem ela se sentia "impressionada" e considerava "um gigante na minha juventude". Angela tinha uma meia-irmã mais velha, Isolde, que era filha do casamento anterior de Moyna com o escritor e diretor Reginald Denham. Em janeiro de 1930, quando Angela tinha quatro anos, sua mãe deu à luz meninos gêmeos, Bruce e Edgar, levando os Lansburys a se mudarem de seu apartamento em Poplar para uma casa em Mill Hill, norte de Londres. Nos fins de semana eles iam para uma fazenda rural em Berrick Salome, perto de Wallingford, Oxfordshire.
Ainda durante o início da adolescência, Angela foi fortemente influenciada pela mãe que a estimulou a seguir uma carreira de atriz de teatro e cinema. Inclusive, ainda em Londres, a mãe costumava levá-la a peças no teatro londrino Old Vic. Além disso, retirou-a da escola que frequentava, a South Hampstead High School for Girls e inscreveu-a na Ritman School of Dancing e posteriormente na Webber-Douglas School of Singing and Dramatic Art. Durante a juventude, as suas estrelas de cinema favoritas eram as populares Deanna Durbin e Irene Dunne.
No cinema
Já nos Estados Unidos, Angela Lansbury continuava a sonhar com uma carreira na arte de representação, mas tinha de se contentar em trabalhar como balconista numa loja em Los Angeles. Finalmente surgiu uma oportunidade quando, numa das frequentes festas que a sua mãe organizava para atores britânicos emigrados nos Estados Unidos, conheceu Michael Dyne, que também viria a tornar-se ator. Dyne apresentou-a a Mel Ballerino, director encarregado de escolher o elenco para uma adaptação cinematográfica da obra de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray). Ballerino contratou-a para o papel de uma impertinente criada no filme Gaslight, produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer em 1944, onde contracenava com Ingrid Bergman e Charles Boyer. Apesar de ainda não ter vinte anos e de ser o seu filme de estreia, Angela viu o seu trabalho imediatamente reconhecido ao ser nomeada para o Óscar da Academia para Melhor Atriz Secundária ou Coadjuvante. Depois de no mesmo ano ter participado no filme National Velvet, ao lado de estrelas como Mickey Rooney e Elizabeth Taylor, acabou por obter o papel de atriz secundária na referida adaptação do livro de Oscar Wilde. O filme com o mesmo título da obra, realizado em 1945, trouxe-lhe nova nomeação para o mesmo prémio da Academia. Em ambos os anos acabou por não ganhar nessas categorias, sendo que os prémios foram entregues a Ethel Barrymore, em 1945, e a Anne Revere, em 1946. Acabaria por ser nomeada uma terceira vez para a mesma categoria pelo seu papel no filme de 1962 The Manchurian Candidate, com Frank Sinatra e Janet Leigh nos principais papéis, perdendo desta vez para Patty Duke. Segundo comentários da própria atriz, o papel de mãe impiedosa que desempenhou nesse filme foi o seu preferido em toda a sua carreira cinematográfica.
No teatro
Angela Lansbury foi também uma atriz de teatro. Recebeu excelentes críticas quanto ao seu primeiro musical apresentado na Broadway, em 1964, intitulado Anyone Can Whistle. Dois anos depois, protagonizou aquele que é considerado seu maior sucesso na carreira teatral, ao desempenhar o principal papel no musical da Broadway "Mame", uma adaptação da obra de Patrick Dennis e do subsequente filme Auntie Mame, de 1958, em que Rosalind Russell desempenhava o papel da principal protagonista. Com estreia no Winter Garden Theater em 24 de Maio de 1966, o espectáculo "Mame" foi apresentado em 1508 vezes. A interpretação de Lansbury valeu-lhe a conquista do Tony Award (Prémio Tony) para melhor atriz principal num musical.
No cinema de animação
Lansbury emprestou a sua voz a diversos personagens animados. Um das primeiras experiências foi no filme de 1982The Last Unicorn Em 1997, foi a Imperatriz Dowager no filme Anastasia, produzido pelos estúdios da Fox. O seu mais famoso papel na animação, foi o ter dado voz à chaleira cantora Mrs. Potts, no êxito da Disney, Beauty and the Beast, de 1991, intitulado A Bela e o Monstro, em Portugal e A Bela e a Fera, no Brasil. Este filme viria a ganhar o Óscar de Melhor Canção e de Melhor Banda Sonora Original. Angela tornaria a dar voz à mesma personagem no lançamento direto para vídeo de novo filme da Disney, em 1997, intitulado Beauty and the Beast: The Enchanted Christmas, e no jogo de vídeo Kingdom Hearts II, de 2006.
Em televisão
Apesar de toda a sua extensa carreira no cinema e no teatro, tendo trabalhado para a televisão desde os anos 50, Angela Lansbury tornou-se especialmente famosa pelo seu desempenho na mundialmente conhecida série de televisão Murder, She Wrote, produzida pela CBS entre 1984 e 1996, em 12 temporadas com 263 episódios. A série, exibida em Portugal com o título "Crime, Disse Ela", e no Brasil intitulada "Assassinato por Escrito", tornou-se a mais longa série policial de ficção da história da televisão americana, tornando Angela Lansbury uma das mais bem pagas atrizes do mundo. Angela representava Jessica Fletcher, uma professora de inglês, retirada da profissão e a viver em Cabot Cove, no Maine, Estados Unidos, e que agora se dedicava a escrever mistérios policiais. Entretanto, via-se envolvida em pequenos mistérios, incluindo roubos, fraudes e mesmo assassinatos, os quais resolvia com grande intuição e inteligência, mas sem nunca perder a compostura, polidez e boa educação. Neste papel tornou-se uma estrela televisiva amada por milhões de espetadores em todo o mundo. Curiosamente, segundo afirmado pelos mais íntimos, Angela é na vida real uma pessoa extremamente simpática e humana, conquistando facilmente a amizade de outros, tal como acontece com a sua personagem mais famosa.
Lansbury casou com o ator americano Richard Cromwell quando tinha 19 anos, tendo ele 35. O casamento desfez-se após um ano e, apesar de Angela o desconhecer na ocasião, Cromwell assumiu-se depois como homossexual. Apesar do divórcio permaneceram amigos. Em 1949, Angela casou-se com Peter Shaw, ator e empresário irlandês. Shaw viria a ser fundamental em gerir a carreira de Angela. Até à morte do seu marido em 2003, Angela desfrutou de um dos mais longos casamentos de que há memória no meio artístico mundial. Tornou-se mãe de dois filhos, Anthony Pullen Shaw e Deirdre Angela Shaw, madrasta de David Shaw, bem como avó diversas vezes. O seu filho mais velho tornou-se diretor de televisão tendo dirigido a mãe em várias dezenas de episódios de Murder, She Wrote, bem como de cinco telefilmes baseados na mesma série. Lansbury foi parente de Sir Peter Ustinov devido ao casamento da sua meia irmã com o ator, de quem se viria a divorciar em 1946. Os dois antigos cunhados vieram a contracenar juntos uma única vez, em 1978, no filme Death on the Nile, adaptação cinematográfica do livro com o mesmo título de Agatha Christie.
Em uma carreira que se estende de ingênua a viúva, de heroína elegante a vilã depravada, [Lansbury] mostrou durabilidade e flexibilidade, bem como uma ética de trabalho altamente admirada. – The Oxford Companion to Theatre and Performance, 2010 a década de 1960, o The New York Times se referiu a Lansbury como a "Primeira Dama do Teatro Musical". Lansbury se descreveu como uma atriz que também sabia cantar, com Sondheim afirmando que ela tinha uma voz forte, embora com um alcance limitado. O biógrafo autorizado de Lansbury, Martin Gottfried, descreveu-a como "um ícone americano", com uma imagem pública "praticamente santa". The New Statesman comentou que ela "tem o tipo de poder de atração que muitos atores mais jovens e mais onipresentes só podem sonhar, enquanto um artigo no The Independent sugeriu que ela poderia ser considerada a atriz de maior sucesso da Grã-Bretanha. Ela era um ícone gay, e afirmou que estava "muito orgulhosa do fato", atribuindo sua popularidade entre a comunidade LGBT ao seu desempenho em Mame, enquanto Murder, She Wrote ampliou esse apelo.


