António de Faria
António de Faria, foi um fidalgo, aventureiro, capitão, mercador, embaixador, navegador, guerreiro, pirata e corsário português do século XVI.
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Era filho de Simão de Faria, nascido c. 1479, Fidalgo da Casa Real, e de sua primeira mulher D. Filipa de Sousa, que haviam sido moradores em Lisboa e ambos já falecidos antes dele, e irmão de Lourenço de Faria, morador em Samuel, Soure, termo de Montemor-o-Velho, que menciona no seu Testamento, e que terá sido Fidalgo da Casa Real como seus maiores, sucedido a seus pais, casado e tido descendência, André de Faria, Fidalgo da Casa Real, casado com Isabel Fernandes e com descendência, Paulo de Faria, que faleceu solteiro e sem geração, e Antónia de Sousa, que se diz ter casado com António Ferreira. Seu pai casou segunda vez com Filipa de Figueiredo, irmã de Rui de Figueiredo, Fidalgo da Casa Real, que instituiu o Morgado da Lobagueira e comprou a Quintã da Torre da Ota, que instituiu em Morgado, sem geração.
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Natural do Campo de Coimbra, onde era herdado nuns pauis em Alqueidão, na Figueira da Foz, junto de Montemor-o-Velho, onde se chama o Canal. Partindo para a Índia, foi procurar fortuna no Extremo Oriente, explorando sobretudo as costas da China, mais como pirata do que como explorador, Corsário dos mares orientais, ganhando fama de temível e terrível. Andava por Malaca como Capitão de navios. Em 1535, o Capitão António de Faria foi o primeiro Europeu (Português) que, partindo de Da Nang (depois conhecida como Tourane), onde os Portugueses tinham aportado em 1516, na então chamada Cochinchina (actual Vietname), estabeleceu, ou tentou estabelecer, um local de negócios, um posto comercial na cidade costeira de Faifo, a cerca de 20 quilómetros da atual Da Nang. Esperava-se que António de Faria conseguisse criar nessa área um enclave Português permanente como Macau e Goa, o que falhou, uma vez que, no entanto, o posto nunca floresceu. Ele é, também, responsável pelo equívoco do Vietname. Ele chamou ao Vietname Cauchi, nome derivado dos caracteres chineses para o Vietname: Giao Chi. Para evitar confusão com a sua colónia de Cochim (Kochi), na Índia, acrescentou-lhe aqui China. Assim, o nome Cochin China nasceu. Mais tarde, os Franceses iriam usar apenas esse nome como o da parte Sul do Vietname.
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António de Faria surge na narrativa da Peregrinação como um herói pícaro, reverso do herói Português dos Descobrimentos, epicamente enaltecido, por exemplo, n' Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões. Aquilino Gomes Ribeiro, em Portugueses das Sete Partidas, Lisboa, s/d, comparando as semelhanças entre o trajeto biográfico da personagem e do narrador, defende que António de Faria funciona como um pseudónimo de Fernão Mendes Pinto, o qual, sob a capa desse alter-ego, narra as atrocidades que não ousaria confessar na primeira pessoa. Com efeito, António de Faria e o seu bando, movidos pela cobiça, afundam barcos indefesos, incendeiam povoações, roubam mulheres e crianças, saqueiam templos, desenterram esqueletos para se apoderarem de tesouros que com eles eram sepultados e chegam a invocar Deus e a Virgem para os ajudar nos seus atos de pirataria e para os socorrer nas horas de aflição.


