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António, Prior do Crato

D. António, Prior do Crato, mais conhecido pelo cognome de o Prior do Crato, era filho ilegítimo do infante D. Luís e neto de Manuel I, tendo sido um dos pretendentes ao trono português durante a crise sucessória de 1580. Foi aclamado rei de Portugal, na ilha Terceira nos Açores, mas nunca foi realmente rei.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Antecedentes

António era filho do infante D. Luís (1506–1555), e como tal neto do rei D. Manuel I. A sua mãe chamava-se Violante Gomes, de alcunha a Pelicana, e pertencia ao povo. Alguns autores afirmam que seria uma cristã-nova ou judia, como se convencionou chamar, pela qual o infante D. Luís se deixara fascinar e com quem teria casado em segredo. Foi precisamente em virtude de ser conhecido como um bastardo e filho de cristã-nova, embora esta última afirmação não se possa ter por verdadeira, que a sua pretensão ao trono foi considerada inválida; ademais o seu pai fora também Prior da Ordem do Crato (o que o impedia de contrair matrimónio válido sem que antes obtivesse dispensa papal). A sua infância foi confiada aos frades do convento da Costa, junto a Guimarães, seguindo depois, em 1548, para o convento de Santa Cruz de Coimbra. Aí, em 5 de maio de 1551, fez o grau de licenciado em artes na Universidade de Coimbra, e a seguir vais receber lições de teologia de Frei Bartolomeu dos Mártires em Évora. Só depois é que entrou para a Ordem dos Hospitalários, cujo prior era o seu pai. Em 1574, e até 15 de Agosto desse ano, foi capitão da praça norte-africana de Tânger, e em 1578 acompanhou o rei D. Sebastião na campanha em Marrocos.

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Pretensão ao trono

Quando regressou a Portugal em 1578, D. António reclamou o trono. Pretensão essa que acabou por lhe ser negada por não ser reconhecido como filho legítimo, acabando por ser aclamado o seu tio D. Henrique.[carece de fontes?] A 23 de Novembro de 1579, uma carta régia retira a D. António a nacionalidade portuguesa; os seus bens são confiscados e é expulso do reino. Era conhecida a antipatia do cardeal que foi encarregado em Évora da sua educação e se empenhou para que este seguisse a vida eclesiástica. Em Janeiro de 1580, estando reunidas as Cortes em Almeirim, nas quais se esperava designar um herdeiro para o trono português, faleceu o velho cardeal D. Henrique. Uma Junta Governativa, constituída por cinco governadores, assumiu a regência do reino. O trono português era então disputado por diversos pretendentes. Entre eles, destacavam-se a duquesa de Bragança, D. Catarina, Filipe II de Espanha e o próprio Prior do Crato. O mais legítimo herdeiro seria a duquesa, mesmo sendo mulher, já que descendia de D. Manuel por via masculina; Filipe II, por seu turno, era um estrangeiro e descendente de D. Manuel por via feminina; quanto a D. António, embora fosse também neto por via masculina, pesava sobre ele a suposta bastardia.

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Reinado como regente

A 24 de Julho de 1580, durante a preparação para a esperada invasão espanhola, D. António foi aclamado rei de Portugal pelo povo, no castelo de Santarém. D. António pedira ao povo que o aclamasse apenas regedor e defensor do reino, mas já o povo rejubilava. É aclamado também em Lisboa, Setúbal e em numerosos outros lugares. No entanto, um mês mais tarde, a 25 de Agosto, as suas forças são derrotadas na batalha de Alcântara pelas do duque de Alba. Tendo sobrevivido ao combate, D. António foge para o Norte, com as tropas de Sancho de Ávila a persegui-lo até Viana do Castelo. Durante 6 meses, de Novembro de 1580 até Maio do ano seguinte, vive homiziado no seu «reino», abrigando-se quer em mosteiros quer em casas de partidários devotados. De Junho a Setembro de 1581 está em Inglaterra, na corte de Isabel I, procurando ali em vão auxílio militar, e em seguida dirige-se a França, onde o encontra. Em 1582 está na ilha Terceira, nos Açores, que havia tomado o seu partido e de onde continuou a governar. Era reconhecido apenas localmente, de modo que, em Portugal Continental e na Madeira, o poder passou a ser exercido por Filipe II de Espanha, reconhecido oficialmente pelas Cortes de Tomar de 1581 como Filipe I de Portugal. Iniciava-se, na história de Portugal, a Dinastia Filipina.

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Exílio e morte

Depois de alguns meses, onde andou escondido em casas de amigos e mosteiros, D. António viajou até à Inglaterra, congregando também o auxílio da rainha Isabel I, que se tornara também inimiga figadal da Espanha. O auxílio seria prestado ao longo de vários anos, como durante os planos de D. António em tomar Lisboa a Julho de 1589, a troco de facilidades no Brasil e Açores, e ajuda na luta contra a casa da Áustria. Atacou Lisboa a 3 de Junho de 1589 com o exército inglês que o auxiliava pela Porta da Trindade e Portas de Santa Catarina, fazendo grande destruição e pondo fogo a todos os edifícios exteriores à muralha. Porém, a armada inglesa, comandada pelo famoso almirante Francis Drake foi atacada de peste e retirou-se. D. António, desembarcado em Peniche e já a caminho de Lisboa, que contava com o apoio popular, viu assim fracassada a sua tentativa de tomar a cidade, bem guarnecida pelos espanhóis. O povo, com medo e desinteressado, não reagiu, e D. António seria obrigado a partir novamente para o exílio. Há notícia também de uma tentativa de desembarque ao largo do Cabo de São Vicente, que viria a fracassar.

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Legitimidade de D. António

Já antes de Alcácer Quibir,[carece de fontes?] e com grande acuidade depois, a questão é recorrente e nunca foi encerrada. D. António foi o 18.º rei de Portugal? Um estudo recente tenta demonstrar que D. António era filho legítimo do Infante D. Luís, filho de D. Manuel I por Violante Gomes. Nele vem reproduzido um assento da Sé de Évora, de 15 de Junho de 1544, descoberto por Luís de Mello Vaz de São Payo, no qual um baptizando é filho de uma escrava "de Pero Gomes, sogro do Infante D. Luís". O autor do estudo argumenta que "não podemos crer que o cura da Sé chamasse sogro ao pai da manceba do Príncipe, mesmo que com ele vivesse maritalmente". Também refere que este assento "fornece o nome, que não vimos mencionado em nenhuma outra fonte, do pai de Violante Gomes". Justiça seja feita, já em 1917 o Visconde de Faria nomeava o pai da Bela Pelicana como Pedro Gomes, não hesitando também em afirmar que D. António "era filho do casamento secreto de D. Luís, duque de Beja, com Violante Gomes, filha de Pedro Gomes". Não menciona a fonte em que se baseia, mas poderá ser a mesma que está guardada no Arquivo de Évora.

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Títulos, estilos, e honrarias

Imagem: GualdimG · BY-SA · Openverse

Títulos e estilos

D. António reivindicava o estilo oficial de:

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Descendência

Imagem: GualdimG · BY-SA · Openverse

D. António deixou vários filhos — todos nascidos de aventuras galantes, uma vez que nunca casou. O celibato era, aliás, uma das obrigações dos cavaleiros de Malta:

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Fontes consultadas

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