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António José de Sousa Manuel de Meneses

António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha GCNSC, 7.º Conde de Juro e Herdade e 1.º Marquês de Vila Flor e ainda 1.º Duque da Terceira, de juro e herdade, com Honras de Parente, foi um importante general e homem de Estado português do tempo do liberalismo, sendo uma das mais importantes figuras do tempo, tanto no plano político, como, e talvez sobretudo, no plano militar. De herói das guerras liberais tornou-se no líder incontestado dos cartistas, a facção mais conservadora do liberalismo português, embrião do futuro Partido Regenerador.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Biografia

António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha nasceu em Lisboa, no Palácio do Conde de Vila-Flor, a 18 de Março de 1793, filho primogénito de António de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha, 6.º conde de Vila Flor, então um dos homens mais ricos de Portugal, e de Maria José de Mendonça, filha do 6.º conde de Vale de Reis. Como grande do reino, era membro da alta nobreza e o herdeiro de uma das mais ricas e antigas casas vinculares portuguesas. Tinha apenas dois anos de idade quando em 1795 lhe faleceu o pai, sucedendo-lhe no título de conde de Vila Flor e no cargo de copeiro-mor da rainha, herdando uma imensa fortuna, composta por bens de raiz e por múltiplas comendas e outros rendimentos vinculados. Entre outras, herdou as comendas de Santa Maria de Pereira, de São Pedro de Calvelo, de São Tiago de Cassourado, de São Vicente de Figueira e de São Geris de Arganil, e várias tenças, sendo uma de 500$000 réis e outra de 200$000 réis no almoxarifado do pescado de Lisboa.

Participação na Guerra Peninsular (1809-1815)

Apenas as forças francesas foram expulsas de Portugal, o conde de Vila Flor obteve o reingresso no Exército, com o posto que tinha anteriormente. Em 6 de Dezembro de 1809 foi promovido a tenente e a 23 de Janeiro de 1811 a capitão da 5.ª Companhia do Regimento de Cavalaria n.º 4. Durante este período participou activamente nas campanhas da Guerra Peninsular. A 5 de Agosto de 1811 casou com a sua prima Maria José do Livramento e Melo, filha do marquês de Sabugosa, fortalecendo a sua aliança com as principais famílias da alta nobreza portuguesa. Deste casamento nasceria em 1813 o único filho do 7.º conde de Vila Flor, o qual viria, contudo, a falecer com apenas 15 meses de idade.

A estadia no Brasil (1817-1821)

Terminada a guerra, o jovem conde de Vila Flor decidiu partir para o Rio de Janeiro, cidade onde então estava a Corte portuguesa, indo ocupar o lugar que lhe pertencia como membro da alta nobreza. Partiu para o Brasil em 1817, integrado na força que foi enviada para ajudar a debelar a insurreição de Pernambuco (ou Revolução Pernambucana), em cuja campanha participou activamente. Terminada aquela breve campanha, o conde de Vila Flor foi nomeado governador e capitão-general do Grão-Pará, lugar que exerceu até 1820. A 20 de Julho de 1818, a esposa, que o acompanhara para o Brasil, faleceu. No ano de 1817 criou o Corpo de Cavalaria do Pará, com sede no Convento de São José, tendo como primeiro Comandante, o Major de Cavalaria Joaquim Mariano de Oliveira Bello, tio materno do Duque de Caxias, tendo ainda definido os padrões de fardamentos dos oficiais e dos soldados, no mesmo ano.

O primeiro liberalismo e a relação com Miguel (1821-1824)

Regressado a Lisboa no período conturbado do primeiro liberalismo português e em pleno funcionamento das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, o 7.º conde de Vila Flor acompanhou de perto a difícil reintegração de João VI na vida política portuguesa. Neste período, seguindo a trajectória típica da alta nobreza, assume uma posição dúbia face ao constitucionalismo e à imposição de juramento a que as Cortes Constituintes sujeitaram o rei, gravitando claramente para a órbita mais conservadora dos que viam com grande desconfiança, e mesmo como uma ofensa de lesa-majestade, o tratamento a que foi sujeita a família real recém-chegada.

Os anos finais do primeiro liberalismo português e o exílio (1824-1828)

Fracassada a Abrilada, demitido e expulso Miguel, que se exila em Viena, o conde de Vila Flor foi libertado e reintegrado nas suas funções militares, nas quais assume uma complexa posição de equilíbrio face às crescentes tensões entre os partidários do liberalismo e os defensores dos direitos inauferíveis de João VI. Quando este falece, a 10 de Março de 1826, a crise agudiza-se, com a luta latente a tornar-se cada vez mais acesa e próxima. Quando o infante Pedro sobe ao trono como Pedro IV de Portugal e promulga a Carta Constitucional de 1826 no Brasil, o conde de Vila Flor, como grande do Reino, foi nomeado par do Reino, por carta régia de 30 de Abril desse ano.

O exílio na Inglaterra e a Belfastada (1828-1829)

Sendo um dos mais notáveis emigrados, pela sua condição de membro da alta nobreza e pelo seu passado militar, o conde de Vila Flor, que vivia em Londres acompanhado pela esposa, rapidamente conquistou grande ascendente entre os emigrados liberais. Quando em Maio de 1828 rebentou no Porto uma revolta pró-liberal, em Londres organizou-se rapidamente uma expedição, com o objectivo de ali fazer chegar as personalidades mais notáveis do campo liberal que se encontravam exiladas em Inglaterra. Partindo do princípio, que a realidade viria a desmentir, de que Portugal estaria pronto a acolher um regime liberal, apenas faltando o elemento catalisador, que seria a presença dos notáveis exilados, os expedicionários imaginaram que a sua participação se reduziria a pouco mais do que um passeio triunfal do Porto até Lisboa.

A Capitania Geral dos Açores (1829-1832)

Vila Flor foi nomeado capitão-general dos Açores por carta régia de 5 de Abril de 1829, assinada pela rainha Maria II, com assistência do marquês de Palmela, então ministro de Portugal em Londres, quando a rainha ali se encontrava exilada. O novel capitão general conseguiu iludir o bloqueio que navios britânicos então impunham à Terceira e desembarcou na Praia a 22 de Junho de 1829, acompanhado por um grupo numeroso de emigrados. Passou à cidade de Angra no mesmo dia, tomando posse da Capitania no dia seguinte. Menos sorte teve Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, que, tendo anteriormente partido noutro navio, foi interceptado pelas forças britânicas e forçado a regressar a Inglaterra.

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Honras e monumentos póstumos

O falecimento do duque da Terceira uniu todo o espectro político português numa manifestação de pesar raramente associada à morte de um líder político: o rei Pedro V ordenou exéquias de Estado e a inumação no Panteão de São Vicente, por o considerar parente da família real e, a 27 de Abril, ambas as câmaras do Parlamento fizeram o panegírico do duque, apelidado, pela voz de Fontes Pereira de Melo, de honrado e valente militar que abrira as portas da liberdade aos portugueses. Em sinal de luto, as duas câmaras encerraram durante três dias, prestando assim tributo à memória do libertador de Lisboa e ao marechal-duque que era então já considerado como uma espécie de reserva moral da Monarquia Constitucional portuguesa. Ao longo da vida o 1.º duque da Terceira acumulou uma invejável colecção de distinções honoríficas e de condecorações. Foi mordomo-mor de Maria II e primeiro-ajudante-de-campo de Pedro V, além de múltiplos outros cargos honoríficos da Corte e do Exército.

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