António José de Lima Leitão
António José de Lima Leitão, mais conhecido por Lima Leitão, foi um médico, político, militar, escritor, e professor, tendo-se destacado como tradutor de clássicos da literatura europeia. Foi um dos pioneiros da medicina homeopática em Portugal, que pretendeu, sem sucesso, incluir no ensino médico. Foi, igualmente, membro da Maçonaria.
Primeiros anos e participação nas Guerras Napoleónicas
Nasceu em Lagos, onde fez os seus estudos elementares; em 1808, com apenas 20 anos de idade, foi nomeado cirurgião-ajudante do Regimento de Infantaria n.º 2, que naquele ano foi incorporado na Divisão de Infantaria, formada por ordem do general Jean-Andoche Junot, então comandante das forças de ocupação franco-espanholas em Portugal. Aquela divisão foi enviada para Salamanca, onde se incorporou na Legião Portuguesa e seguiu para França e daí para diversas frentes das Guerras Napoleónicas, onde combateu integrada no Exército Imperial francês. Mantendo-se ao serviço das forças napoleónicas, em 1812 foi promovido a cirurgião-mor do Batalhão de Pioneiros do Grande Exército e pouco depois colocado, no mesmo posto, no Quartel-General imperial, em Paris. Aproveitou a sua estada na capital francesa e formou-se em Medicina na Universidade de Paris. Neste período aderiu decisivamente à ideologia liberal e terá sido admitido na Maçonaria.
Partida para as colónias portuguesas
Terminadas as Guerras Napoleónicas, foi desmobilizado e voltou a Portugal no ano de 1814, onde, tal como aconteceria com a generalidade dos veteranos da Legião Portuguesa, foi mal recebido, já que o serviço prestado a Napoleão Bonaparte era visto como traição à pátria. Neste mesmo ano publicou, ainda em França, o poema Ode ao Duque de Wellington, como general chefe do Exército Português depois da paz de 1814, aparentemente para se demarcar da sua adesão à causa francesa. Não encontrando acolhimento em Lisboa, parte para o Rio de Janeiro, onde se encontrava a Corte portuguesa, procurando aí emprego. Aí republicou a sua ode a Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington.
Regresso a Portugal
Depois de uma estadia em Lagos, onde em 1824 publicou uma Ode pindárica ao triunfo que Sua Majestade obteve da fracção de 30 de Abril, dedicada a D. João VI, fixou-se em Lisboa, onde em 1825 foi nomeado lente da cadeira de Clínica Médica na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, então a funcionar no Hospital de São José. Foi eleito deputado às Cortes de 1826 e nesse mesmo ano publicou uma tradução da carta dirigida por Dominique de Pradt, antigo arcebispo de Malines, aos eleitores de Paris, mantendo-se entre os defensores da causa constitucional. Após a outorga da Carta Constitucional publicou uma ode a D. Pedro IV. Contudo, apesar do fervor revolucionário revelado na Índia, manteve-se em funções ao longo do conturbado período de restauração do absolutismo e do governo de D. Miguel I de Portugal. Em 1828, já em plena restauração miguelista, publicou uma Dissertação inaugural pronunciada na abertura dos cursos da Escola Real de Cirurgia de Lisboa, o que demonstra a sua relativa aceitação pelo novo poder. Permaneceu no seu cargo durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), não tendo sido incomodado pelo poder absolutista então instalado em Lisboa.
Foi feito cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, e foi membro honorário de várias instituições científicas e literárias de Portugal, Brasil, Espanha e França. O nome de Lima Leitão foi colocado numa rua da cidade de Lagos.


