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Apelo Democrata-Cristão

O Apelo Democrata-Cristão é um partido político cristão-democrata dos Países Baixos. No espectro político neerlandês, ele é considerado ideologicamente um partido de centro-direita. A Bíblia não está acima das posições políticas, mas é vista como fonte de inspiração para os seus membros. O CDA faz parte do Governo Mark Rutte III.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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História

História anterior a 1977

Desde 1880, os partidos católicos e protestantes vinham trabalhando em conjunto no âmbito da chamada coalizão. Eles compartilhavam do interesse comum no financiamento público das escolas religiosas. Em 1888 eles formaram o primeiro governo democrata-cristão, liderado pelo anti-revolucionário barão Æneas Mackay Jr.. A cooperação não foi tranqüila e, em 1894, os conservadores, antipapistas, deixaram o Partido Anti-revolucionário protestante, para fundar a União dos Históricos Cristãos. Os principais pontos de discordância entre protestantes e católicos eram a posição da representação neerlandesa na Santa Sé e o futuro das Índias Orientais Neerlandesas.

1977-1994

Nas eleições de 1977, os partidos apresentaram uma lista comum nas eleições parlamentares. O ministro da Justiça do KVP, Dries van Agt, foi o candidato principal. Na campanha eleitoral ele deixou claro que o CDA era um partido de centro, que não penderia para a esquerda ou para a direita. Os três partidos foram capazes de estabilizar a sua proporção de voto. O resultado eleitoral forçou van Agt a iniciar conversações com den Uyl. A animosidade entre van Agt, que tinha sido vice-primeiro-ministro no gabinete den Uyl, e den Uyl, frustraram as negociações. Depois de mais de 300 dias de negociações, eles anunciaram oficialmente que não haveria entendimento entre eles, e van Agt negociou um gabinete com os conservadores liberais do VVD. O primeiro gabinete van Agt tinha uma maioria muito estreita. O inesperado gabinete com o VVD levou a uma divisão interna no recém-fundado CDA entre seus membros mais progressistas e os mais conservadores. Os progressistas permaneceram dentro do partido, e eram conhecidos como legalistas. Em 11 de outubro de 1980, os três partidos originais deixaram de existir e o CDA foi fundado como um partido unitário. Após as eleições de 1981, o VVD e o CDA perderam sua maioria, e o CDA foi forçado a cooperar com o PvdA. Van Agt tornou-se primeiro-ministro e den Uyl, o vice-primeiro-ministro. O segundo gabinete van Agt foi permeado por conflitos ideológicos e pessoais, e caiu após um ano.

1994-presente

As eleições de 1994 revelaram-se fatais para o CDA: conflitos pessoais entre o primeiro-ministro Lubbers, e o Lijsttrekker Eelco Brinkman, a falta de apoio para as reformas pensionárias dos idosos e dos deficientes, e a visível arrogância do CDA, causou uma enorme derrota. Um novo governo foi formado, pela primeira vez desde 1918 sem ministros democrata-cristãos. O CDA foi confinado à oposição. O partido foi perturbado por lutas internas com relação à liderança. O partido também refletiu sobre os seus princípios: começou a orientar-se mais em ideais comunitaristas. Durante as tumultuadas eleições de 2002, que viu o assassinato de Pim Fortuyn, muitas pessoas procuraram refúgio com o CDA, esperando que este partido pudesse trazer alguma estabilidade à política neerlandesa. O CDA comandou a coalizão Balkenende, com o VVD e o LPF. Esse gabinete caiu devido às lutas internas dentro do LPF. Depois das eleições de 2003, os democrata-cristãos foram obrigados a iniciar negociações para a formação do gabinete com o PvdA. Atritos pessoais entre Balkenende e o líder do PvdA, Wouter Bos, frustraram essas negociações. Balkenende posteriormente formou uma coalizão com os conservadores e os progressistas liberais. A coalizão propôs um programa ambicioso de reformas, incluindo a de leis mais restritivas de imigração, democratização das instituições políticas e reformas do sistema de previdência social e leis trabalhistas. Esse gabinete chegou ao fim em junho de 2006, em consequência do questionamento da cidadania neerlandesa de Ayaan Hirsi Ali.

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Ideologia e propostas

O CDA é um partido democrata-cristão, mas a Bíblia só é vista como uma fonte de inspiração para os seus membros do parlamento. O partido possui também membros judeus, islâmicos e hindus no parlamento, e isso favorece a integração das minorias muçulmanas na cultura neerlandesa e opõe-se ao radicalismo islâmico. O partido tem quatro grandes ideais: a responsabilidade partilhada, liberdade, justiça e solidariedade. Responsabilidade partilhada refere-se à forma como a sociedade deve ser organizada: uma única organização não deve controlar toda a sociedade, ao contrário, o Estado, o mercado e as instituições sociais, como as Igrejas e uniões devem trabalhar em conjunto. Isso é chamado de soberania da esfera social, um conceito de base da filosofia política protestante. Além disso, isto refere-se à forma como o Estado deve ser organizado. Não apenas um nível do Estado deve ter o controle total, mas a responsabilidade deve ser partilhada entre municípios, províncias, nacional e governo europeu. Isso é chamado subsidiariedade no pensamento político católico. Em relação à liberdade, os cristãos-democratas referem-se ao modo como nós devemos tratar nosso planeta: a Terra é um presente de Deus. Por isso temos de tentar preservar o nosso meio ambiente.

Novo rumo

No congresso do partido realizado a 21 de janeiro de 2012, o partido adotou uma viragem ao centro, apelidado pelo ex-ministro de Assuntos Sociais Aart-Jan de Geus como "centrista radical " ("het radicale midden"). O partido abandonou explicitamente seu antigo rumo de centro-direita. Apesar disso, o partido continuou sua coalizão com o VVD de centro-direita do primeiro-ministro Mark Rutte e do Partido para a Liberdade de Geert Wilders até o colapso do governo no final do ano. O chamado Conselho Estratégico, que foi formado em 2011 e chefiado pelo ex-ministro Aart-Jan de Geus, que trabalhou em um relatório para redefinir o curso do partido, aconselhou o seguinte:

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Eleitorado

O CDA é apoiado principalmente pelos eleitores religiosos, tanto católicos quanto protestantes. Estes costumam viver nas zonas rurais e tendem a ser idosos. Em alguns períodos, no entanto, o CDA tem funcionado como um partido de centro, atraindo pessoas de todas as classes sociais e religiões. Geograficamente, o CDA é particularmente forte nas províncias de Brabante do Norte, Limburgo e Overijssel e nas áreas de Veluwe e Westland. Nas eleições de 2006 o CDA recebeu o maior percentual de votos no município de Tubbergen, Overijssel (66,59% dos votos). O CDA é mais fraco, nas quatro cidades principais (Amesterdã, Roterdã, Utrecht e a Haia) e em Groninga e Drente.

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Organização

Organização

O CDA tem 69 560 membros em 520 ramos municipais. Seu presidente atual é Peter van Heeswijk.

Organizações afiliadas

O partido da juventude do CDA é o Juventude do Apelo Cristão-Democrático (CDJA, Christen-Democratische Jongeren Appèl). O CDA publica a revista mensal do CDA, e seu gabinete científico publica o 'Explorações Cristãs-Democráticas (Christen-Democratische Verkenningen). Como conseqüência da pilarização, o CDA tem ainda muitos laços pessoais e ideológicos com organizações religiosas, tais como as grandes fundações de radiodifusão KRO e NCRV, o jornal Trouw, as organizações patronais NCW e o sindicato CNV. O CDA participa do Instituto Neerlandês para a Democracia Multipartidária, uma organização de assistência à democracia composta por sete partidos políticos neerlandeses.

Organizações internacionais

O CDA é um membro do Partido Popular Europeu e do Internacional Democrata Centrista

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Comparação internacional

Tal como um grande partido democrata-cristão, o CDA é comparável a outros partidos democratas-cristãos europeus como o alemão CDU. É o maior partido de centro dos Países Baixos, mas é mais centrista do que os conservadores britânicos. Na política dos Estados Unidos da América, o CDA é comparável aos centristas republicanos e mais conservador do que os democratas. Na política do Canadá, o CDA é comparável aos centristas conservadores e mais conservador do que os liberais.

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Fontes consultadas

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