Arcádio
Flávio Arcádio foi um imperador romano do Oriente de 395 até sua morte. Natural da Hispânia, era filho do imperador Teodósio I (r. 378–395) e sua esposa Élia Flacila (r. 378–385) e irmão do futuro também imperador Honório (r. 395–423). Esteve associado desde 383 ao império, com a idade de 6 anos, e recebe o título de augusto. Ele foi nomeado cônsul três vezes em 385, 392 e 394. Instruído na religião cristã por vários professores de grande renome como o retórico Temístio ou o diácono Arsênio que será canonizado, Arcádio vai revelar-se um príncipe fraco sob a influência de vários membros de sua comitiva.
Primeiros anos
Arcádio nasceu ca. 377, na Hispânia. Era filho mais velho do imperador Teodósio I (r. 378–395) e Élia Flacila (r. 378–385) e irmão de Honório (r. 393–423). Teodósio começou a educar o filho na arte do governo desde muito jovem; o seu precetor foi Arsênio, o Grande, que foi enviado a Constantinopla em 383 a pedido de Teodósio e permaneceu muitos anos junto da família imperial, ou Temístio, que foi nomeado prefeito urbano da capital pelo imperador. Aos 6 anos, em janeiro de 383, foi declarado augusto e co-regente da porção oriental do Império Romano. Em 385, ao lado de Bautão, foi nomeado cônsul. No final dos anos 380, quando partiu em sua campanha contra Magno Máximo (r. 383–388), Teodósio I deixou Arcádio em Constantinopla sob tutela do recém-nomeado prefeito pretoriano do Oriente Eutôlmio Taciano. Esta nomeação inaugurou uma longa série de regências para Arcádio. Em 392, em decorrência de intrigas cortesãs, Eutôlmio Taciano foi destituído de seu posto pelo imperador e substituído por Rufino, que no mesmo ano também o nomeou cônsul com Arcádio.
Mandato de Rufino
Em 393, quando os assuntos ocidentais novamente demandaram a atenção de Teodósio, ele viu a oportunidade de tomar controle de ambas as porções do império e, ao mesmo tempo, também nomear Honório como imperador. Com os pensamentos nesta direção, nomeou Honório augusto e partiu junto dele para o ocidente. Depois, em 394, nomeou-o cônsul ao lado de Arcádio e deixou o último novamente sob tutela de Rufino. Com a morte de seu pai em 17 de janeiro de 395, o Império Romano foi dividido definitivamente em duas porções: uma Ocidental, governada por Honório, e outra Oriental, governada por Arcádio. Como monarca, Honório foi controlado pelo mestre dos soldados (magister militum) de origem vândala Estilicão, enquanto Arcádio pelo cônsul Rufino.
Mandato de Eutrópio
Em 395, embora o Império Oriental tivesse se comprometido a pagar altas somas em ouro para aplacar os hunos, eles lançaram ataques aos romanos. Provenientes do Cáucaso, invadiram a Mesopotâmia sassânida e depois avançaram pelo território da Ásia Menor e Síria. Eles foram parados em uma ousada campanha realizada pelo eunuco Eutrópio em 397. Ao mesmo tempo da invasão huna, os visigodos de Alarico I (r. 395–410) ergueram-se em revolta e devastaram a Mésia, Macedônia e Trácia, avançando próximos aos muros de Constantinopla. Dali, marcharam pela Tessália e então para o sul da Grécia (396–397). De modo a conter os insurgentes góticos, Arcádio nomeou Alarico mestre dos soldados da Prefeitura pretoriana da Ilíria.
Domínio de Élia Eudóxia
Um possível sucessor de Eutrópio foi o prefeito pretoriano do Oriente Aureliano, porém ele foi deportado por Gainas que ambicionava o trono. Em 400, uma série de godos federados estabelecidos na capital foram massacrados e os sobreviventes entraram em fuga sob o comando de Gainas para a Trácia, onde foram rastreados e abatidos pelas tropas imperiais e Gainas foi mandado para a Ásia onde os hunos o mataram; o rei Uldes (r. 390–411) enviou sua cabeça como presente para Arcádio. Tal episódio ocorreu após uma tentativa de golpe arquitetada por Gainas. A principal fonte ao caso é um documento de 400 de Sinésio de Cirene, Aegyptus sive de providentia, uma alegoria egipcianizada que personifica um relato encoberto dos eventos. O De regno de Sinésio, alegadamente dirigido a Arcádio, contém um discurso inflamado contra os godos.
Mandato de Antêmio
Arcádio foi dominado pelo resto de seu reinado pelo prefeito pretoriano do Oriente Antêmio; ele trabalhou para acabar com abusos governamentais, assim como ampliar a cristianização e a defesa do Oriente contra-ataques. Leis contra o paganismo, judaísmo e heresias foram aprovadas e a paz foi selada com o Ocidente, especialmente depois da criação de um consulado conjunto entre Antêmio e Estilicão em 405. Ele combateu, sob comando de tropas góticas, as tribos isáurias que estavam desde 403 causando estragos nas províncias da Ásia Menor, e fortificou os muros de Constantinopla. Nessa época, os relatos a respeito do imperador são bastante irregulares, e ele parece ter desaparecido completamente, pelo menos simbolicamente, do cenário político, embora se saiba que tornou-se cônsul em 406 ao lado de Anício Petrônio Probo. Ele faleceu em 1 de maio de 408, aos 31 anos, de causas desconhecidas. Foi sucedido por seu filho Teodósio II (r. 408–450).
Segundo os relatos, Arcádio era fisionomicamente baixo, magro e de compleição escura. Um monarca mais preocupado com sua aparência de cristão devoto do que com os assuntos políticos e militares, foi durante todo seu reinado dominado por seus ministros. Porém, apesar de sua ineficiência, várias mudanças significativas ocorreram neste momento. A primeira delas foi a ênfase dada à "piedade do imperador", que veio a tornar-se uma importante característica da monarquia bizantina. A segunda foi o crescente distanciamento da figura do imperador da vida pública, até mesmo dentro da capital, o que reflete práticas cortesãs tipicamente "orientalizantes" que enfatizam a separação simbólica do monarca com o resto da sociedade. Diz-se, inclusive, que em certa ocasião as pessoas vieram correndo para ver o imperador pela primeira vez quando estava rezando em uma igreja. O maior tema de seu reinado foi a ambivalência sentida por proeminentes indivíduos e as partes da corte que se formaram e se reagruparam em torno dos bárbaros, que na capital nesta época significou godos. Seja pelo racismo ou pelo medo, esta situação levou o governo a adotar uma posição dura contra os oficiais germânicos, o que inibiu que alcançassem funções proeminentes nas fileiras do exército, diferente do ocorrido no Ocidente do século V. Isso também encorajou os monarcas sucessores de Arcádio a adotarem duras medidas contra outros povos, em especial os isáurios, hunos e persas.
Filhos
Élia Eudóxia e Arcádio tiveram, pelo que sabe-se, cinco filhos:


