Milão
Milão é uma comuna italiana, capital da região da Lombardia e da província de Milão, com aproximadamente 1,4 milhão de habitantes. Sua área urbana é a quinta maior da União Europeia, com cerca de 4,3 milhões de pessoas, e sua região metropolitana é a maior e mais populosa da Itália, com uma estimativa de 7,4 milhões de habitantes, comparável à área territorial de Paris. É a segunda maior cidade italiana em população e a terceira maior área metropolitana da União Europeia. Seus habitantes são conhecidos como 'milanesi', ou informalmente, 'meneghini' ou 'ambrosiani'.
Pontos-chave
- Milão é a capital da Lombardia e a segunda maior cidade da Itália em população.
- Sua região metropolitana é a maior e mais populosa da Itália, com cerca de 7,4 milhões de habitantes.
- A cidade tem uma rica história, desde os celtas e romanos até ser capital do Império Romano do Ocidente e um ducado no Renascimento.
- Milão é um polo econômico vital, sendo o coração industrial e financeiro da Itália, com um PIB significativo.
- É um centro cultural de destaque mundial em moda, design, ópera e futebol, com dois clubes campeões da Liga dos Campeões.
A história de Milão é marcada por domínios diversos, desde os celtas e romanos até períodos de grande prosperidade e desafios, como guerras e pestes, moldando-a como um importante centro europeu.
Época dos Celtas e Romanos
Por volta de 400 a.C., os celtas insubres habitavam Milão. Em 222 a.C., a República Romana conquistou o assentamento, nomeando-o Mediolano, enquanto a população local o chamava de Milàn (do celta Medhlan). Em 293 d.C., o imperador Diocleciano declarou Mediolano capital administrativa da parte ocidental do Império Romano. Seu colega Maximiano construiu monumentos grandiosos, como um circo de 470m x 85m, as termas Erculee e um complexo de palácios imperiais.
Idade Média
Durante a Idade Média, Milão prosperou como centro comercial, controlando a rica planície do Pó e rotas alpinas. Em 1162, foi destruída por Frederico Barbarossa durante a guerra contra as cidades lombardas. Após a fundação da Liga Lombarda em 1167, Milão assumiu a liderança, tornando-se um ducado em 1183, após a Paz de Constança. A vida política era violenta, com podestàs como Rambertino Buvalelli (1208) e Luca Grimaldi (1242). Em 1252, hereges milaneses assassinaram o inquisidor São Pedro. Em 1259, Martino della Torre, eleito Capitano del Popolo, governou com poderes ditatoriais, realizando obras públicas, mas suas políticas levaram ao colapso do tesouro e ao apoio crescente aos Viscontis, inimigos dos Della Torre.
O Renascimento e a Casa de Sforza
Em 1447, com a morte de Filippo Maria Visconti sem herdeiro masculino, a República Ambrosiana foi proclamada, nomeada em homenagem a Santo Ambrósio, padroeiro da cidade. No entanto, a república desmoronou em 1450, quando Francesco Sforza conquistou Milão, estabelecendo a Casa de Sforza e transformando a cidade em um dos centros mais importantes do Renascimento italiano.
Períodos de Domínio Francês, Espanhol e Austríaco
O rei francês Luís XII reivindicou o ducado em 1492. Após a vitória de Francisco I na Batalha de Marignano, o ducado foi prometido à França. Contudo, em 1525, Carlos V derrotou Francisco I na Batalha de Pavia, e o norte da Itália, incluindo Milão, passou para os domínios habsbúrgicos. Em 1556, Carlos V abdicou, e as possessões italianas foram para seu filho Filipe II (Habsburgos espanhóis), enquanto Fernando I (Habsburgos austríacos) governou o Sacro Império Romano-Germânico. A Grande Peste de Milão (1629-1631) matou cerca de 60.000 dos 130.000 habitantes, sendo um dos últimos surtos da pandemia da Peste Negra.
Milão no Século XIX
Napoleão Bonaparte conquistou a Lombardia em 1796, declarando Milão capital da República Cisalpina e, posteriormente, do Reino de Itália, onde foi coroado na Catedral. Após o fim da ocupação napoleônica, o Congresso de Viena (1815) devolveu a Lombardia e Milão, junto com o Vêneto, ao controle austríaco. Neste período, Milão se tornou um centro de ópera lírica. Mozart estreou três óperas no Teatro Regio Ducal na década de 1770. Mais tarde, o Teatro alla Scala se tornou referência mundial, com estreias de Bellini, Donizetti, Rossini e Verdi, que está enterrado na 'Casa di riposo per Musicisti', um presente seu à cidade. Outros teatros importantes incluíram La Cannobiana e o Teatro Carcano.
Milão no Século XX
Em 1910, Benito Mussolini organizou os camisas negras em Milão, núcleo do movimento fascista italiano. Em 1922, a Marcha sobre Roma partiu da cidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, Milão sofreu severos danos por bombardeios britânicos e americanos. Mesmo após o armistício da Itália com os Aliados em 1943, a guerra continuou no norte ocupado pelos alemães. A resistência antialemã cresceu, e Milão foi palco de intensas lutas, com os piores bombardeios aliados ocorrendo em 1944, muitos focados na principal estação ferroviária.
Localizada na planície Padana, Milão é limitada por importantes rios e lagos. Apesar de ter poucas áreas verdes em comparação com outras cidades de seu porte, possui diversos parques e jardins notáveis. O clima é subtropical úmido, com estações bem definidas e alta umidade.
Parques e Áreas Verdes
Apesar de ter poucas áreas verdes em comparação com outras cidades de seu porte, Milão possui uma variedade de parques e jardins. Os primeiros parques públicos, projetados por Giuseppe Balzaretto entre 1857 e 1862, estavam localizados em um bairro central (Piazzale Oberdan, Corso Venezia, Via Palestro e Via Manin) e eram ajardinados em estilo neoclássico, ricos em botânica. Os parques mais importantes incluem o Parco Sempione (entre o Castello Sforzesco e o Arco da Paz), que contém uma arena napoleônica, o Civico Acquario di Milano, uma torre, um centro de exposições de arte, lagoas e uma biblioteca. O Parco Forlani, com 235 hectares, é o maior da cidade, com um monte e uma lagoa. Os Giardini Pubblici, fundados em 1783 e concluídos por volta de 1790, estão entre os mais antigos de Milão.
Clima
Milão possui um clima subtropical úmido (Cfa) com as quatro estações bem definidas. No inverno, a temperatura média diária varia de 2 °C a 5 °C, podendo ocasionalmente atingir -5 °C a -10 °C, com cerca de 40 cm de neve anualmente. No verão, a temperatura máxima gira em torno de 29 °C, podendo chegar a 35 °C. A umidade é elevada durante todo o ano, e a precipitação média anual é de 920 milímetros. As temperaturas extremas registradas no Aeroporto de Milão-Linate desde 1946 foram -15,6 °C (16 de fevereiro de 1956) e 37,2 °C (29 de julho de 1983).
A população de Milão atingiu seu pico em 1973, mas depois houve um êxodo para os subúrbios. Atualmente, a aglomeração e a área metropolitana são significativamente maiores que a cidade administrativa. A cidade também experimentou duas grandes ondas de imigração. A população é predominantemente católica, com o Rito Ambrosiano como uma característica religiosa distintiva.
Religião
A população de Milão, assim como a da Itália, é predominantemente católica, sendo a sede da Arquidiocese de Milão. Outras religiões praticadas incluem cristianismo ortodoxo, budismo, judaísmo, islamismo e protestantismo. Milão possui seu próprio rito católico histórico, o Rito Ambrosiano, que difere ligeiramente do rito romano em liturgia, celebrações e calendário (por exemplo, o início da Quaresma e o Carnaval têm datas diferentes). O Rito Ambrosiano também é praticado em outras localidades da Lombardia e no cantão suíço de Lugano.
Milão é a capital da província homônima e da Lombardia, a região mais populosa da Itália. O governo municipal é composto pelo Conselho Municipal (legislativo) e o Comitê da Cidade (executivo), liderado por um prefeito eleito diretamente. A cidade é subdividida em nove zonas administrativas.
Divisões Administrativas
A cidade de Milão está subdividida em nove zonas administrativas ('zone'). Até 1999, existiam 21 zonas, mas o número foi reduzido para nove naquele ano. Cada zona é ainda dividida em 'quartiere', que são divisões não oficiais, usadas apenas como referência pelos habitantes.
Cidades-irmãs
Milão possui geminações com diversas cidades ao redor do mundo, fortalecendo laços culturais e diplomáticos.
Milão é o principal centro industrial e financeiro da Itália, gerando uma parcela significativa do PIB nacional e regional. Abriga numerosas empresas, incluindo grandes indústrias automotivas, químicas, farmacêuticas e de alimentos, além de ser um polo para saúde e biotecnologia.
Milão é um importante polo de transporte no sul da Europa, com uma extensa rede ferroviária e de transporte público. A cidade também se destaca como um centro educacional, abrigando algumas das mais importantes universidades e instituições de ensino superior da Itália.
Transportes
Milão é um dos principais polos de transporte do sul da Europa e um dos centros ferroviários mais importantes da Itália. Suas cinco principais estações ferroviárias, incluindo a Estação Central de Milão, estão entre as mais movimentadas do país. Desde o final de 2009, linhas de trem de alta velocidade conectam Milão a Roma, Nápoles e Turim, reduzindo significativamente os tempos de viagem. A Azienda Trasporti Milanesi (ATM) opera uma rede de transporte público abrangente, com metrô, bonde e ônibus, cobrindo cerca de 1.400 km e atendendo 86 municípios. Além disso, a ATM gerencia estacionamentos e serviços de compartilhamento de bicicletas e carros.
Educação
Milão é lar de algumas das instituições educacionais mais importantes da Itália, com 7 universidades, 48 faculdades e 142 departamentos, totalizando 185 mil estudantes universitários em 2011 (cerca de 11% do total nacional). A cidade tem o maior número de graduados e pós-graduados na Itália. Fundado em 1863, o Politecnico di Milano é a universidade mais antiga da cidade, com 16 departamentos e 9 escolas de engenharia, arquitetura e design industrial em 7 campi na Lombardia, totalizando cerca de 38 mil alunos, sendo a maior universidade técnica da Itália. A Universidade de Milão, fundada em 1923, é a maior universidade pública de ensino e pesquisa da cidade, com 9 faculdades, 58 departamentos, 48 institutos e 2.500 professores. É a sexta maior universidade da Itália, com aproximadamente 60 mil alunos, e um instituto líder em publicação científica na Itália e Europa.
Milão é um centro cultural vibrante, reconhecido mundialmente por sua arquitetura gótica, rica tradição artística, influência na literatura e música, e destaque em design, moda e gastronomia. A cidade também é um polo esportivo, especialmente no futebol, com dois clubes campeões europeus.
Arquitetura
Poucos vestígios da antiga colônia romana de Mediolano permanecem. No século IV, o bispo Ambrósio redesenhou a cidade, construindo grandes basílicas nas portas da cidade, como Santo Ambrósio, San Nazaro Brolos, São Simpliciano e Sant'Eustorgio, que ainda estão bem preservadas e foram remodeladas ao longo dos séculos. O maior e mais importante exemplo da arquitetura gótica na Itália é a Catedral de Milão (Duomo), uma das maiores catedrais do mundo. Construída entre 1386 e 1577, abriga a maior coleção mundial de estátuas de mármore, com a estátua dourada da Madunina (Madonna) no topo da torre, que se tornou um dos símbolos da cidade.
Arte Figurativa
Milão tem sido um importante centro artístico por séculos, abrigando institutos de arte, academias e galerias como a Pinacoteca de Brera e a Biblioteca Ambrosiana. A arte floreceu na Idade Média, com os Viscontis patrocinando a arte gótica, sendo a Catedral de Milão um exemplo. Entre os séculos XIV e XV, a família Sforza também impulsionou a arte e a arquitetura. O Castelo Sforza tornou-se uma corte renascentista, e obras como o Ospedale Maggiore, projetado por Filarete, foram construídas. Artistas como Leonardo da Vinci trabalharam em Milão, deixando obras inestimáveis como o afresco da Última Ceia e o Codex Atlanticus. Bramante também contribuiu com belas igrejas, como a tribuna luminosa de Santa Maria delle Grazie e a igreja de Santa Maria presso San Satiro.
Literatura
No final do século XVIII e durante todo o século XIX, Milão foi um centro vibrante de discussão intelectual e criatividade literária. O Iluminismo encontrou terreno fértil, com figuras como Cesare Beccaria (com 'Dei delitti e delle pene') e Pietro Verri (com o jornal 'Il Caffè') influenciando a nova classe média, também graças à administração austríaca de mente aberta. No início do século XIX, os ideais do Romantismo impactaram a vida cultural, com escritores debatendo a poesia Clássica versus Romântica. Giuseppe Parini e Ugo Foscolo publicaram suas obras mais importantes aqui, sendo considerados mestres da ética e da habilidade literária. O poema 'Dei sepolcri' de Foscolo foi inspirado por uma lei napoleônica que, contra a vontade de muitos habitantes, foi estendida à cidade.
Música e Artes Cênicas
Milão é o centro mais importante das artes cênicas na Itália e um dos maiores do mundo, especialmente na ópera. O Teatro La Scala é considerado um dos teatros de ópera mais prestigiados, tendo sediado estreias de óperas como 'Nabucco' de Giuseppe Verdi (1842), 'La Gioconda' de Amilcare Ponchielli, 'Madama Butterfly' de Giacomo Puccini (1904), 'Turandot' de Giacomo Puccini (1926) e 'Teneke' de Fabio Vacchi (2007). Outros teatros importantes incluem o Teatro degli Arcimboldi, Teatro Dal Verme e Teatro Lirico. A cidade também possui uma renomada orquestra sinfônica e um conservatório musical, sendo um centro histórico para a composição. Vários compositores e músicos famosos, como Gioseppe Caimo, Simon Boyleau, Hoste da Reggio, Verdi, Giulio Gatti-Casazza, Paolo Cherici e Alice Edun, são ou foram de Milão. A cidade também formou conjuntos modernos como Dynamis Ensemble, Stormy Six e Camerata Mediolanense.
Design, Moda e Cinema
Milão é uma das capitais internacionais do design moderno e industrial, e uma das cidades mais influentes do mundo nesta área. É particularmente conhecida por seus móveis antigos e modernos de alta qualidade e bens industriais. A cidade organiza a FieraMilano, a maior da Europa, e um dos mais conceituados eventos de design de mobiliário do mundo, além de eventos como o 'Fuori Salone' e o 'Salone del Mobile'. Nas décadas de 1950 e 60, como principal centro industrial e uma das cidades mais progressistas da Europa, Milão se tornou, junto com Turim, a capital italiana de design e arquitetura pós-guerra. Arranha-céus como o Pirellone e a Torre Velasca foram construídos, e arquitetos como Bruno Munari, Lucio Fontana, Enrico Castellani e Piero Manzoni viveram ou trabalharam na cidade.
Gastronomia
A culinária milanesa, típica da Lombardia, utiliza mais arroz do que massa e quase não usa tomate. Pratos típicos incluem a 'cotoletta alla milanese' (chuleta frita na manteiga, com origens debatidas entre Milão e Viena), 'cassoeula' (costela de porco e linguiça com couve), 'ossobuco' (pernil bovino com molho Gremolata), 'risotto alla milanese' (com açafrão e tutano), 'busecca' (dobradinha com feijão) e 'brasato' (carne estufada com vinho e batatas). Doces sazonais incluem 'chiacchiere' e 'tortelli' para o Carnaval, 'colomba' para a Páscoa, 'pane dei morti' para o Dia de Finados e 'panetone' para o Natal. O 'salame milano' é famoso em toda a Itália. O queijo 'gorgonzola' é originário da cidade homônima próxima, embora hoje os principais produtores estejam no Piemonte.


