Pesquisa · Mapa mental

Arco de Tito

Arco de Tito é um arco honorífico do século I localizado na Via Sacra, a sudeste do Fórum Romano. Ele foi construído por volta de 82 pelo imperador Domiciano logo depois da morte de seu irmão mais velho, o também imperador Tito, para comemorar as vitórias militares dele, especialmente a captura de Jerusalém depois da Primeira guerra romano-judaica (70). Este arco, que sobreviveu praticamente intacto, serviu de modelo para diversos arcos triunfais construídos depois do século XVI, incluindo o Arco do Triunfo de Paris.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
01

História

Com base no estilo de algumas das esculturas, alguns estudiosos acreditam que o arquiteto favorito de Domiciano, Rabírio, a quem às vezes é atribuído o Coliseu, pode ter sido o responsável pelo Arco de Tito. Contudo, não há documentação antiga que suporte esta atribuição. O guia medieval latino Mirabilia Urbis Romae descreveu o arco da seguinte forma: "o arco de sete velas de Tito e Vespasiano, no qual Moisés, perto da arca com seu candelabro está aos pés da Torre Cartulária" (em latim: Arcus septem lucernarum Titi et Vespasiani, ubi est candelabrum Moysi cum arca habens septem brachia in piede turris cartulariae). Segundo o professor e pesquisador Jeffrey Becker, a tradição dos arcos triunfais liga os flavianos às tradições da República Romana. Nesse contexto, a inspiração para tais estruturas provém de monumentos como o Arco de Fábio, construído pelo cônsul Quinto Fábio Máximo Alobrógico em 121 a.C. Considerando que a dinastia flávia era relativamente recém-chegada à estrutura de poder romana, seus membros acreditavam que participar de tradições consagradas era uma maneira adequada de receber a legitimação que buscavam.

02

Descrição

O Arco de Tito é de grandes proporções e conta tanto com colunas caneladas quanto não caneladas, estas últimas acrescentadas por uma restauração no século XIX. As enjuntas nos cantos superiores direito e esquerdo da passagem do arco são decoradas com personificações da Vitória como uma mulher alada. Entre elas está a pedra angular, sobre a qual está uma mulher na face leste e um homem na oeste. O revestimento interior do arco axial é composto por profundos caixotões e por um relevo da apoteose de Tito no centro. Dois painéis em relevo decoram também o interior da passagem, ambos comemorando o triunfo conjunto celebrado por Tito e seu pai, Vespasiano, no verão de 71. O painel sul mostra soldados romanos carregando os espólios capturados no Templo de Jerusalém, incluindo o candelabro dourado (menorá), que é o foco da imagem. Além dele, estão representados também as trombetas douradas, os vasilhames sagrados do altar e uma mesa. Estes espólios eram originalmente dourados e se destacavam num fundo azul. O painel norte representa Tito como triumphator, rodeado por vários gênio e lictores, estes carregando suas fasces. Uma amazona com um elmo, representado a bravura, pilota uma quadriga que leva Tito. Uma Vitória alada está colocando uma coroa de louros sobre sua cabeça. A justaposição é importante, pois trata-se de um dos primeiros exemplos de deuses e homens numa primeira cena, um claro contraste com as esculturas do Altar da Paz, de Augusto, nas quais homens e deuses aparecem separados.

Inscrição

Na inscrição, em letras maiúsculas quadradas romanas, se lê: que significa "O Senado e o Povo Romano [dedicam este arco] ao Divino Tito Vespasiano Augusto, filho do Divino Vespasiano". O lado oposto recebeu uma nova inscrição depois de ter sido restaurado por Valadier, por ordem do papa Pio VII, em 1821. Nela se lê: VETVSTATE · FATISCENS PIVS · SEPTIMVS · PONTIFEX · MAX(IMVS) NOVIS · OPERIBVS · PRISCVM · EXEMPLAR · IMITANTIBVS FVLCIRI · SERVARIQVE · IVSSIT ANNO · SACRI · PRINCIPATVS · EIVS · XXIIII que significa "[Este] monumento, notável em termos religiosos e artísticos, se enfraqueceu com a idade: Pio, o Sétimo, sumo pontífice, com novas obras no estilo antigo, ordenou que ele fosse reforçado e preservado. No 24º ano de seu principado".

03

Importância e influência

As esculturas do Arco de Tito fornecem uma das poucas representações contemporâneas dos objetos sagrados do Templo de Jerusalém. O candelabro de sete braços (menorá) e as trombetas são claramente visíveis e a escultura tornou-se um símbolo da Diáspora judaica. Já na Idade Média, o papa Paulo IV ordenou que o arco fosse o local do juramento anual dos judeus de Roma. Segundo Morton Satin, até a fundação do moderno Estado de Israel (1948), os judeus se recusavam a passar por baixo do Arco de Tito por conta de uma proibição das autoridades judaicas de Roma. Esta proibição, segundo ele, só foi retirada em 1997. Uma outra curiosidade é que o Arco de Tito não é mencionado nenhuma vez nas fontes rabínicas. Finalmente, o candelabro do Arco de Tito serviu como base para o que foi utilizado no Brasão de Israel. Entre outras obras baseadas pelo Arco de Tito ou inspiradas nele estão:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando