Arenactinia ipuensis
Arenactinia ipuensis ou Anêmona do Ipu é uma espécie extinta de anêmona-do-mar que viveu há mais de 440 milhões de anos, onde atualmente é o interior do Ceará, no Brasil. Viveu no início do período Siluriano, sendo encontrada na Formação Ipu, a mais basal do Grupo Serra Grande. É uma espécie muito importante por diversos fatores, incluindo a raridade que é encontrar fósseis da ordem Actiniaria em todo o mundo.
Em 2004, o professor Alancardé Leopoldino e a paleontóloga Maria Somália Sales Viana, da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) encontraram e descreveram fósseis no município cearense Pacujá, pertencente ao Grupo Serra Grande, da Bacia do Parnaíba, que era visto como uma unidade litoestratigráfica "afossilífera". Entre os achados estavam diversos icnofósseis feitos por animais invertebrados marinhos, como túneis e vestígios de vermes, crustáceos e moluscos. Em 2010, foram encontrados novos fósseis de formatos desconhecidos, que foram descritos somente entre 2012 e 2014, pelo paleontólogo Francisco Rony Barroso com pesquisadores da Universidade Estadual Vale do Acaraú e da Universidade Federal de Pernambuco. Inicialmente, essa região foi confundida como pertencente a Bacia do Jaibaras, de idade Cambriana e Neoproterozoica e após análises morfológicas, diversos fósseis foram identificados erroneamente como espécies da Fauna de Ediacara.
A Arenactinia possui uma diversidade de formatos corporais preservados, indicando as posições de vida desses animais e permitindo diversas inferências sobre sua paleoecologia e sobre o paleoambiente da Formação Ipu. Possui preservações bidimensionais e tridimendionais dependendo da localidade, algo inédito na preservação de anêmonas, mas em geral, possui um formato sacular com região oral, colunar e aboral. A região oral possui uma abertura com diâmetro em torno de 0,5-3,0 cm. O disco oral pode estar aberto ou fechado, com alguns indivíduos preservando vestígios de tentáculos. A região colunar possui cavidade interna que pode ser cilíndrica ou cônica, mas com ausência do mesentério, o que dificulta uma identificação de qual subordem ou família essa espécie pertence. Por fim, a região aboral pode ser discoidal, achatada, expandida ou cônica.
Sua paleobiologia ainda é pouco conhecida, devido a falta de preservação de tecidos internos. A Arenactinia possui grande relevância evolutiva por ter vivido logo após o grande evento de Extinção do Ordoviciano-Siluriano, trazendo indícios de como esse grupo evoluiu e adaptou-se às mudanças climáticas intensas desse período. Possuíam alguns comportamentos semelhantes as anêmonas atuais, como se enterrar no substrato marinho e também de pegar sedimentos próximos como areia e pedras para cobrir seu corpo, formando uma pequena barreira de proteção. Foi devido a esse comportamento de aderir sedimentos ao corpo, que essas anêmonas tiveram seu formato corporal preservado.
Essa espécie viveu em um ambiente glacio-fluvial e de leque deltaico, ou seja, próximo ao delta de um rio com algumas características glaciais. Sabe-se que nesse período haviam geleiras na região oeste do Piauí e do Tocantins, o que tornava esse ambiente frio, mas não congelado. O fundo desse corpo aquático era repleto de areia de granulometria grossa e de lama. A utilização desses grãos de areia mais grossos para cobrir o corpo, era uma forma dessas anêmonas de se protegerem do ambiente ao redor. Apesar de ter sido um fator fundamental para a preservação do corpo desses indivíduos, essa areia também deixou problemas, pois grãos mais grossos preservam poucos detalhes anatômicos dos fósseis. Eram animais generalistas, abundantes e geograficamente bem disseminados, eram encontrados em locais arenosos e também em conglomerados. Eram importantes no ecossistema devido suas escavações em solo macio, ajudando na reciclagem de nutrientes e dispersão dos sedimentos próximos. Outro fator importante para a preservação externa desses animais, é a presença de esteira microbianas que cobriram os corpos desses animais.


