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Dario Argento

Dario Argento é um diretor, crítico, produtor e roteirista de cinema italiano, conhecido pelos seus trabalhos no gênero giallo e pela sua influência no cinema de terror moderno. É pai da atriz Asia Argento.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Primeiros anos

Filho do crítico e produtor cinematográfico Salvatore Argento e da fotógrafa e modelo ítalo-brasileira Elda Luxardo, nascida em Porto Alegre de pais italianos. Sua mãe administrava o estúdio fotográfico Luxardo, fundado por Alfredo e Margherita, os avós maternos de Dario. Em sua autobiografia Paura, Argento relembrou do lugar, afirmando que "nos anos 1930 e 1940, as celebridades do teatro e do cinema, os campeões esportivos, os intelectuais, os artistas e as modelos competiam para tirar fotos conosco: ter um retrato feito pelo estúdio Luxardo era sinônimo de excelência". Seu primeiro contato com a arte dramática aconteceu quando tinha quatro anos: seus pais o levaram a um teatro em Roma onde estava em cartaz a peça Hamlet. Segundo relatou em seu livro, no momento em que o fantasma do pai de Hamlet apareceu, ele ficou tão assustado que começou a sofrer convulsões. Esse episódio foi crucial para seu subsequente fascínio pelo terror e suspense: "Meus pais, um pouco inconscientes, não podiam imaginar o quanto aquilo me marcaria profundamente [...] Nesse dia nasceram várias fascinações. Ninguém sabia, nem eu mesmo estava ciente, mas uma semente havia sido plantada".

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Carreira

Em 1989, Argento coproduziu e coescreveu La chiesa, filme dirigido por Michele Soavi e estrelado por Tomas Arana, Barbara Cupisti e sua filha Asia. Interessado em realizar uma obra cinematográfica baseada na obra literária de Edgar Allan Poe, entrou em contato novamente com George A. Romero para propor a realização de um filme dividido em quatro segmentos. Inicialmente, John Carpenter e Stephen King demonstraram interesse no projeto, mas logo desistiram para se concentrar em outros trabalhos. Argento e Romero decidiram adaptar as histórias O Gato Preto e A Verdade sobre o Caso do Senhor Valdemar, respectivamente. Por recomendação do diretor americano, as gravações de Two Evil Eyes ocorreram no verão de 1989 em Pittsburgh, tornando-se o primeiro filme de Argento rodado fora da Europa. Estrelado por Harvey Keitel, Madeleine Potter e Martin Balsam, o segmento dirigido pelo italiano obteve uma maior apreciação crítica. Kevin Thomas, do Los Angeles Times, declarou: «É surpreendente o que Argento conseguiu fazer em seus 65 minutos de O Gato Preto, a parte mais engenhosa — e sangrenta — das duas», e Richard Harrington, do The Washington Post, comentou: «Enquanto Romero opta por uma abordagem linear e barata, a narrativa de Argento é dolorosamente poética, com pontos de vista e ângulos sempre mutantes».

1966-1970: começo como roteirista e L'uccello dalle piume di cristallo

Quando seu trabalho no Paese Sera lhe permitia tempo livre, Argento escrevia histórias com a esperança de adaptá-las para o cinema. Graças à intervenção de seu pai, teve a oportunidade de assistir a várias sessões de trabalho do roteirista Sergio Amidei, as quais considerou como «um tremendo campo de treinamento». Em 1966, começou a coescrever roteiros de filmes em diversos gêneros, como Scusi, lei è favorevole o contrario? de Alberto Sordi, Qualcuno ha tradito de Francesco Prosperi, Probabilità zero de Maurizio Lucidi, Oggi a me... domani a te de Tonino Cervi, Comandamenti per un gangster de Alfio Caltabiano, Commandos de Armando Crispino e La rivoluzione sessuale de Riccardo Ghione.

1971: Il gatto a nove code e Quattro mosche di velluto grigio

Graças ao bom desempenho de L'uccello dalle piume di cristallo nos Estados Unidos, a empresa National General Pictures demonstrou interesse em produzir um novo filme de Argento, que começou a trabalhar em Il gatto a nove code — título inspirado no romance Cat of Many Tails de Ellery Queen — com a colaboração dos roteiristas Dardano Sacchetti e Luigi Collo. O resultado foi a história de um homem cego que começa a investigar uma série de assassinatos com a ajuda de uma jornalista. Salvatore Argento viajou aos Estados Unidos e escolheu os atores James Franciscus, Catherine Spaak e Karl Malden para interpretar os papéis principais. Novamente, Ennio Morricone ficou encarregado da música e Franco Fraticelli assumiu a edição. Filmado entre setembro e outubro de 1970 em locações de Turim, Berlim e Roma, El gato de las nueve colas estreou na Itália em 11 de fevereiro de 1971.

1972-1975: La porta sul buio, Le cinque giornate e Profondo rosso

Após a gravação de 4 mosche di velluto grigio, o cineasta decidiu tirar férias devido à experiência exaustiva que foi a filmagem de seus primeiros filmes. Em sua biografia, ele afirmou que chegou até a considerar abandonar a direção: «Em menos de dois anos, fiz três filmes; por um lado, minha imagem pública cresceu de forma desmesurada, por outro, minha existência se pulverizou. Se ser diretor significava isso, eu estava disposto a desistir». Após esse descanso, em 1972, ele propôs à rede RAI a realização de quatro curtas-metragens para televisão, inspirados na série Alfred Hitchcock apresenta. Ele enviou os roteiros à companhia, mas precisou modificar parte do conteúdo devido à alta carga de violência presente em alguns deles. No seriado, intitulado La porta sul buio, dirigiu o segundo episódio («Il tram») e co-dirigiu o quarto com Luigi Cozzi («Testimone oculare»), além de realizar uma breve introdução no começo de cada capítulo. Segundo o diretor, essa experiência na televisão nacional aumentou ainda mais sua popularidade na Itália.

1976-1979: Suspiria e primeiros projetos com George A. Romero

Após receber a medalha de ouro como melhor diretor no Festival de Cinema de Sitges em 1976 por seu trabalho em Profondo rosso, Argento idealizou a história de seu próximo filme após ler o romance Mine-Haha do escritor alemão Frank Wedekind, no qual um grupo de jovens recebe um treinamento severo como preparação para a vida adulta. Inspirado pela personagem da rainha má do filme Branca de Neve e os Sete Anões (1937), teve a ideia de incluir em sua história uma bruxa que dirige secretamente uma academia de balé para senhoritas. Junto com sua parceira Daria Nicolodi, estudou textos sobre alquimia e esoterismo dos séculos .mw-parser-output .smallcaps{font-variant:small-caps}xix e início do século xx, e recolheu testemunhos de pessoas que haviam presenciado fenômenos paranormais em um lugar fronteiriço entre a Suíça, França e Alemanha conhecido como o «triângulo mágico».

1980-1984: Inferno e Tenebrae

Com o objetivo de desenvolver o roteiro de Inferno, segunda parte da saga das três mães, Argento se hospedou em um hotel de Nova York com vista para o Central Park. Ao admirar um dos lagos, ele obteve inspiração para escrever uma das cenas mais populares do filme: o assassinato de um antiquário por um enxame de ratos à beira de um esgoto. Centrado na figura de Mater Tenebrarum, Inferno foi filmado em Roma e Nova York e contou com a participação do cineasta Mario Bava nos efeitos especiais e do músico de rock progressivo Keith Emerson na trilha sonora. Atingido por uma hepatite, Argento teve que delegar grande parte da produção para Bava e seu filho Lamberto, que atuava como assistente de direção até aquele momento. Estrelado por Irene Miracle, Leigh McCloskey e Veronica Lazăr, e lançado pela 20th Century Fox em fevereiro de 1980, o filme não conseguiu replicar o impacto de Suspiria e obteve críticas mistas. Em sua crítica para a Slant Magazine, Ed González a classificou como uma versão inferior de Suspiria, acrescentando que «mais do que qualquer outro filme de Argento, é para os fãs, especialmente para aqueles interessados nos detalhes da trilogia das três mães». Em Paura, o diretor afirmou:

1985-1988: Phenomena, colaboração com Lamberto Bava e Opera

Após a dissolução da Seda Spettacoli devido aos crescentes problemas de saúde de seu pai, Argento decidiu fundar a DAC Film, sua própria produtora. A inspiração para Phenomena, seu próximo filme, surgiu após ele ficar sabendo que nos Estados Unidos um homicida havia sido descoberto graças aos insetos presentes no quarto no momento do crime. Ele realizou uma pesquisa sobre o trabalho do autor Marcel Leclercq em entomologia forense e se hospedou em um hotel com o objetivo de desenvolver o roteiro, para o qual tinha em mente uma protagonista feminina. Entrou em contato com Franco Ferrini, que havia trabalhado como roteirista para Sergio Leone, e ambos criaram a história de uma jovem que tem o poder de se comunicar com os insetos e se vê envolvida em uma série de assassinatos durante sua estadia em uma academia na Suíça. O diretor declarou em seu livro que este foi um dos períodos mais criativos de sua carreira:

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Outros trabalhos

Está envolvido em uma loja de memorabilia de horror localizada na Via dei Gracchi 260, em Roma, chamada Profondo Rosso (Deep Red), depois do clássico filme Deep Red. Na adega é uma coleção de seus filmes. A loja é gerenciada por seu colaborador de longa data e amigo Luigi Cozzi. Ele contribuiu no desenvolvimento do videogame de sobrevivência Dead Space, e também na dublagem do personagem Dr. Kyne na versão italiana do jogo.

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Obras e críticas

Maitland McDonagh escreveu sobre Argento em seu livro Broken Mirrors / Broken Minds: The Dark Dreams of Dario Argento (1991). Argento também é mencionado em Art of Darkness, uma coleção de fotos promocionais, arte de cartazes e ensaios críticos editados por Chris Gallant. O jornalista britânico Alan Jones publicou Profondo Argento, um compêndio de relatórios conjuntos, entrevistas e detalhes biográficos. O designer de som inglês, escritor e músico Heather Emmett publicou Sounds to Die For: Falando a linguagem do filme de filme de terror, que inclui o primeiro estudo aprofundado sobre o uso do som nos filmes de Argento. Em 2012, Argento foi destacado na retrospectiva Argento: Il Cinema Nel Sangue no Museu de Artes e Design da cidade de Nova York. A retrospectiva celebrou a influência da família Argento no cinema na Itália e em todo o mundo. Ele destacou a contribuição de Dario, bem como a de seu pai (Salvatore), irmão (Claudio), ex-esposa (Daria Nicolodi) e filha (Ásia).

Declínio crítico

Começando com o Phantom of the Opera de 1998, os filmes de Argento foram geralmente mal-recebidos por críticos e fãs, incluindo estudiosos de Argento, como Maitland McDonagh. Fangoria escreveu em 2010: "Durante a última década, os padrões escorregaram. Para um cineasta que sempre foi tão preciso em sua construção e corte, seus filmes posteriores como The Phantom of the Opera e The Card Player são descuidados, são costurados tão descuidadosamente que eles vazam fluidos vitais. Gradualmente, o estilo caleidoscópico que uma vez caracterizou seus filmes lentamente empolgou". Isto é em grande parte devido ao baixo retorno de bilheteria de seus filmes, bem como dificuldades em encontrar produtores.

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Fontes consultadas

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