FN FAL
O FAL, é um fuzil de batalha criado pelo projetista belga Dieudonné Saive e fabricado pela Fabrique Nationale de Herstal.
Em 1946, o primeiro protótipo do FAL foi completado. Ele foi projetado para disparar o cartucho intermediário 7,92x33mm kurz desenvolvido e usado pelas forças da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial com o fuzil de assalto Sturmgewehr 44. Depois de testar este protótipo em 1948, o Exército Britânico instou a FN a construir protótipos adicionais, incluindo um modelo em configuração bullpup, calibrado para seu novo cartucho intermediário de calibre .280 britânico (7,43×43mm). Liderando o projeto estava o belga Dieudonné Saive, que ao mesmo tempo trabalhou no fuzil FN49. Em finais de 1940, os engenheiros belgas foram à Inglaterra e passaram a usar o cartucho britânico .280 devido aos resultados balísticos desse calibre, que estava também na disputa para ser padronizado pela OTAN. Em 1950 os engenheiros belgas e ingleses criaram um protótipo em formato bullpup, o EM-2. Depois de apenas um protótipo feito, o projeto foi abandonado. Nesse mesmo ano, o Reino Unido apresentou o armamento aos Estados Unidos para testes de comparação contra o modelo preferido do Exército dos Estados Unidos da época - o T25 de Earle Harvey. Depois que esse teste foi concluído, oficiais do Exército dos EUA sugeriram que a FN reprojetasse a arma para disparar o cartucho-protótipo ".30 Light Rifle" americano. A FN chegou a acordar a produção de FALs nos Estados Unidos livre de royalties em 1951. O cartucho ".30 LR" foi de fato padronizado posteriormente como o 7,62x51 NATO, no entanto, os EUA continuaram com os testes de armamento. O FAL projetado para o .30 Light Rifle enfrentou o redesenhado T25 (agora redesenhado como o T47) e uma variante M1 Garand, o T44. Finalmente, o T44 venceu, tornando-se o M14.
O FAL opera por meio de uma ação operada a gás muito semelhante à do soviético SVT-40. O FAL é operado a gás, possui um seletor de fogo de três posições: segurança, semiautomático e disparo automático. É alimentado por carregador e usa um pistão de gás (êmbolo) alocado acima do cano. O pistão tem sua própria mola de recuperação. Após o disparo o gás empurra o pistão, o qual faz um rápido toque no transportador do ferrolho, o resto da operação é dado apenas pela inércia. O conjunto do ferrolho, possui ainda um regulador de gás para que ele possa ser facilmente adaptado para as diversas condições ambientais, ou para o lançamento de granadas de bocal de forma eficiente, aproveitando todo o gás produzido pela carga de projeção (pólvora) para impulsionar a carga explosiva. O sistema de trancamento do ferrolho utiliza uma cabeça de trancamento basculante, com isso a parte traseira encosta-se na caixa da culatra que era feita, inicialmente, em aço forjado, mas em 1973 começou-se a testar vários tipos de metal na fabricação desta, a fim de se reduzir o custo de produção e o peso, mas sua fabricação ficou limitada ao aço usinado por causa de seu sistema basculante que encosta na caixa da culatra.
Dependendo da variante e do país de adoção, o FAL foi produzido apenas como semiautomático ou fogo seletivo (capaz de modos de disparo semiautomático e totalmente automático). Também conhecido como FALO como abreviatura do francês Fusil Automatique Lourd;
Olin / Winchester FAL
Uma variante semiautomática de cano duplo em 5,56 mm, criado durante o Projeto SALVO. Esta arma foi projetada por Stefan Kenneth Janson, que anteriormente projetou a carabina EM-2[carece de fontes?] A empresa holandesa Armtech construiu o L1A1 SAS, uma variante do L1A1 com um comprimento de cano de 290 mm. É semelhante às carabinas L1A1 de cano curto usadas pelas forças da ANZAC no Vietnã. A empresa americana DSA (David Selvaggio Arms) fabrica uma cópia do FAL chamado DSA-58 que é feita com o mesmo equipamento de linha de produção Steyr-Daimler-Puch que o StG-58. Ele vem com um cano de 406 mm, 457 mm ou 533 mm. Tem em receptor inferior de liga de alumínio. Os modelos civis são semiautomáticos, mas os clientes militares e policiais podem adquirir modelos de fogo seletivo. O DSA-58 pode usar qualquer carregador FAL de medição métrica, com capacidade de 5, 10, 20 ou 30 munições.
O FAL foi usado em mais de 90 países e mais de 7 milhões de unidades foram produzidos O FAL foi originalmente feito na Fabrique Nationale de Herstal (FN) em Liège, na Bélgica, mas foi produzido sob licença em mais de quinze países. Em agosto de 2006, ainda estava sendo produzido por mais de quatro empresas. O FAL de dimensão métrica padrão foi fabricado na África do Sul (onde era conhecido como R1), Brasil, Israel, Áustria e Argentina. Tanto o L1A1 SLR quanto a FAL também foram produzidos sem licença pela Índia. A variante indiana não licenciada, a Ishapore 1A1, era baseada no L1A1 SLR, versão britânica do FN FAL. O México montou componentes fabricados pela FN em fuzis completos em seu arsenal nacional na Cidade do México. O FAL também foi exportado para muitos outros países, como a Venezuela, onde uma indústria de armas pequenas produz algumas variantes basicamente inalteradas, além de munição. Pelos padrões modernos, uma desvantagem do FAL é a quantidade de trabalho necessária para a usinagem do complexo receptor e ferrolho. Alguns teorizaram que o movimento do mecanismo do ferrolho basculante tende a retornar de maneira diferente a cada tiro, afetando a precisão inerente da arma, mas isso provou ser falso. O receptor do FAL é usinado, enquanto a maioria dos outros fuzis militares modernos usa técnicas mais rápidas de estampagem ou fundição. Os FAL modernos têm muitas melhorias em relação aos produzidos pela FN e outros em meados do século XX.
África do Sul
O FAL foi produzido sob licença na África do Sul pela Lyttleton Engineering Works, onde é conhecido como R1. Depois de uma competição entre o fuzil alemão HK G3, o ArmaLite AR-10 americano e o FN FAL, a Força de Defesa da África do Sul adotou três variantes principais do FAL: um fuzil padrão com a designação R1, uma variante PARA-FAL do FN FAL 50.64 com coronha dobrável, fabricado localmente sob a designação R2, e um modelo concebido para uso policial, e disparando apenas em fogo semi-automático, sob a designação R3. O primeiro fuzil produzido na África do Sul, com número de série 200001, foi apresentado ao então primeiro-ministro, Dr. Hendrik Verwoerd, pela Armscor e agora está em exibição no Museu Nacional de História Militar da África do Sul em Joanesburgo. Várias outras variantes do R1 foram construídas: o fuzil-metralhador R1 HB, que tinha um cano pesado e bipé, o R1 Sniper, feito para o tiro de precisão e podia ser equipado com uma luneta e o R1 Para Carbine, que usava uma mira IR de ponto único e tinha um cano mais curto.
Alemanha
Os primeiros fuzis FAL alemães vieram de um pedido feito no final de 1955 ou início de 1956, para vários milhares de modelos FN FAL então chamados "Canadá" com armações de madeira e o quebra-chamas forcado. Essas armas foram destinadas ao Bundesgrenzschutz (BGS, guarda de fronteira) e não ao recém-formado Bundeswehr (forças armadas), que na época usava fuzis M1 Garand e carabinas M1/M2. Em novembro de 1956, no entanto, a Alemanha Ocidental encomendou 100.000 fuzis FAL adicionais para o exército, designados como G1 ("Gewehr", significando fuzil). A FN fabricou os fuzis entre abril de 1957 e maio de 1958. As modificações do usuário do G1 incluíam guarda-mão de metal leve e um bipé dobrável integral, semelhante à versão austríaca. Nem a Alemanha e nem a Áustria adotaram o FAL de cano pesado, em vez disso, usaram o MG3 (o MG42 modernizado em 7,62x51mm) como sua metralhadora de uso geral (GPMG).
Argentina
As Forças Armadas da Argentina adotaram oficialmente o FN FAL em 1955 e começaram negociações com a FN para produzi-lo sob licença. No entanto, devido ao caos político que seguiu-se à derrubada do presidente General Juan Péron, no mês de novembro daquele ano, atrasaram o licenciamento até 1958; com fuzis fabricados na FN chegando ao país apenas no final daquele ano. Posteriormente, em 1960, a produção licenciada do FAL começou e continuou até meados da década de 1990, quando a produção cessou. O FAL argentino foi produzidos pelo arsenal estatal Fabricaciones Militares (FM) na Fábrica Militar de Armas Portáteis "Domingo Matheu" (FMAP "DM") em Rosário. Manteve-se a sigla "FAL", com tradução para "Fusil Automático Liviano", produzindo-se o fuzil na versão padrão e em dois modelos "Para" de coronha dobrável; um deles com a coronha padrão de 533mm e o outro, para tropas especiais, com 436mm. A versão de cano pesado de fuzil-metralhador FN 50.41 foi designada Fusil Automático Pesado (FAP). Os fuzis eram geralmente conhecidos como FM FAL, pela marca "Fabricaciones Militares". Estima-se que 15% dos fuzis no arsenal argentino foram fabricados na Bélgica, com cerca de 150 mil fuzis FAL fabricados sob licença pela Dirección General de Fabricaciones Militares (DGFM).
Áustria
O Österreichs Bundesheer ("Exército Federal da Áustria") adotou o FAL com a designação Sturmgewehr 58 (StG 58), "Fuzil de assalto de 1958", com uma encomenda inicial de 20 mil fuzis produzidos pela FN, segundo as suas especificações, em 1958. Em seguida, a Áustria assinou um contrato de produção sob licença pela Steyr-Daimler-Puch, com a produção na sua fábrica da Steyr. O StG 58 é um dos favoritos dos atiradores civis e é muito similar ao G1 alemão. Seguindo as especificação do Exército Austríaco, o StG 58 é equipado com guarda-mão de metal leve, estriado. O guarda-mão possui um bipé integral que pode ser dobrado, sendo acomodado em dois espaços na parte inferior do guarda-mão para quando não estiver em uso. A escolha de placas de metal para diminuir o peso do fuzil afeta a mão do atirador, pois o guarda-mão fica quente rapidamente durante disparos prolongados. Este foco na diminuição do peso também definiu a substituição da armação de madeira por plástico na soleira da coronha, empunhadura de pistola e alça de transporte. Ainda assim, o StG 58 é um fuzil pesado mesmo para os padrões do FAL, com um peso descarregado de 4,5kg; subindo para 5,15kg carregado.
Brasil
O Brasil é um dos maiores usuários do FAL, e desde cedo se mostrou muito satisfeito com o fuzil belga; usando a nomenclatura traduzida de Fuzil Automático Leve (FAL). A versão fuzil-metralhador de cano pesado foi designada Fuzil Automático Pesado (FAP). Os primeiros fuzis FAL foram adquiridos pelo Exército Brasileiro em 1964, com a designação M964 por conta do ano, e sendo recebidos em 1965. A sua primeira ação foi imediatamente após o recebimento dos fuzis por conta da crise na República Dominicana; onde o Brasil liderou a Brigada Latino-Americana da Força Interamericana de Paz (FIP). Os militares do 1º Batalhão do Regimento Escola de Infantaria (I/REsI, "Primeiro do Rei") receberam o fuzil já durante o processo de embarque e treinaram com os novos fuzis em regime acelerado. A preparação levou uma semana, iniciando em 19 de maio e terminando no dia 26, com o embarque já iniciando no dia 22. O ciclo de treinamento dos recrutas do serviço militar obrigatório ainda não havia sido completado, então o foco de treinamento foi dado na instrução de armamento e tiro para absorver os novíssimos fuzis FAL. As armas foram desencaixotadas, conferidas e limpas, para a remoção da graxa de proteção, sendo então distribuídas à tropa. Os oficiais e sargentos precisaram estudar os manuais de modo a imediatamente instruírem a tropa. À medida que os homens recebiam as armas, eles eram conduzidos ao estande de tiro "onde a febril atividade de treinamento iniciava-se aos primeiros albores da manhã e estendia-se até a noite, a fim de permitir que todos estivessem qualificados no novo armamento por ocasião do embarque".
Estados Unidos
Após a Segunda Guerra Mundial e o estabelecimento da aliança da OTAN, houve pressão para adotar um fuzil padrão, em toda a aliança. O FAL foi originalmente projetado para lidar com cartuchos intermediários, mas, na tentativa de garantir o favor dos EUA para o fuzil, o FAL foi redesenhado para usar a nova munição 7,62×51mm NATO. Os EUA testaram várias variantes do FAL para substituir o M1 Garand. Esses rifles foram testados contra o T44, essencialmente uma versão atualizada do design básico de Garand. pesar do T44 e T48 mostrarem desempenho semelhante nos ensaios, o T44 foi, por várias razões, selecionado e os EUA adotaram formalmente o T44 como o fuzil de serviço M14.
Nos mais de 60 anos de uso em todo o mundo, a FAL tem sido usada em conflitos em todo o mundo. Durante a Guerra das Malvinas, o FN FAL foi usado pelos dois lados. O FAL foi usado pelas forças armadas argentinas e o L1A1 Self Loading Rifle (SLR), uma versão semiautomática do FAL, foi usado pelas forças armadas do Reino Unido e de outras nações da Commonwealth.
O Brasil, que tem a arma fabricada pela IMBEL sobre o código M964, e os EUA, são dois dos principais produtores modernos dessas armas. No Brasil e nos EUA as armas são feitas primariamente para o mercado civil, visto que a adoção oficial pelas Forças Armadas Brasileiras se encerrou com o IMBEL A2. Geralmente as versões para o público civil não tem o seletor de fogo para tiro automático.
Possui, no Brasil, o apelido de "7,62" (devido ao seu calibre - 7,62x51mm), e, devido ao seu longo uso, se tornou referência para fuzil de batalha nas Forças Armadas, figurando em diversas canções militares. Aparece em diversos jogos eletrônicos e filmes, como o Call of Duty: Modern Warfare de 2019 e o filme Tropa de Elite 2.


