Ucrânia
Ucrânia ) é um país do Leste Europeu. É o segundo maior país em área da Europa depois da Rússia, que faz fronteira a leste e nordeste. Também faz fronteira com a Bielorrússia ao norte; Polônia, Eslováquia e Hungria a oeste; Romênia e Moldávia ao sul; e tem um litoral ao longo do mar de Azov e do mar Negro. Abrange uma área de 603 628 km² e em 2021 tinha cerca de 41,5 milhões habitantes, o oitavo país mais populoso da Europa. A capital e a maior cidade do país é Kiev.
Possivelmente, o nome Ucrânia provém da palavra eslava fronteira, eis que, em russo e polonês, se chamava a região de "Ukraina" ou "Ukrainian". Assim era conhecida a região da fronteira sul entre Polônia e Rússia.
Em 2004, Viktor Yanukovych, então primeiro-ministro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, que tinham sido largamente manipuladas, como o Supremo Tribunal da Ucrânia constatou mais tarde. Os resultados causaram um clamor público em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko, que desafiou o resultado oficial do pleito. Isto resultou na pacífica Revolução Laranja, a qual foi reprimida violentamente, mas que trouxe Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko ao poder, enquanto lançou Viktor Yanukovych à oposição. Yanukovych retornou a uma posição de poder em 2006, quando se tornou primeiro-ministro da Aliança de Unidade Nacional, até que eleições antecipadas em setembro de 2007 tornaram Tymoshenko primeira-ministra novamente. Disputas com a Rússia sobre dívidas de gás natural interromperam brevemente todos os fornecimentos de gás à Ucrânia em 2006 e novamente em 2009, levando à escassez do produto em vários outros países europeus. Viktor Yanukovych foi novamente eleito presidente em 2010, com 48% dos votos.
Antiguidade
Assentamentos neandertais na Ucrânia são vistos nos sítios arqueológicos de Molodova (43 000–45 000 a.C.), que inclui uma habitação construída com ossos de mamute. Os assentamentos de humanos modernos na Ucrânia e seus arredores datam de 32 000 a.C., com evidências da cultura gravetiana nas montanhas da Crimeia. Em 4 500 a.C., a cultura neolítica Cucuteni-Tripiliana estava florescendo em amplas áreas da Ucrânia moderna, incluindo Tripiliana e toda a região de Dnieper-Dniester. A Ucrânia também é considerada o local provável onde o cavalo foi domesticado pela primeira vez. Durante a Idade do Ferro, a região era habitada por cimérios, citas e sármatas. Entre 700 a.C. e 200 a.C. era parte da Cítia.
Idade de ouro em Kyiv (800–1100)
A Rússia de Kyiv foi fundada no território dos poloneses orientais, que viviam entre os rios Ros, Rosava e Dnieper. Ao estudar a linguística das crônicas russas, o historiador russo Boris Rybakov chegou à conclusão de que a união de clãs poloneses da região do meio do Dnieper se chamava pelo nome de um de seus clãs, "Ros", que se juntou à união e era conhecido pelo menos desde o século VI muito além do mundo eslavo. A origem da Rússia de Kyiv é ferozmente debatida e existem pelo menos três versões dependendo das interpretações das crônicas. Em geral, acredita-se que a Rússia de Kyiv incluía a parte central, ocidental e norte das modernas Ucrânia, Bielorrússia, a faixa oriental da Polônia e a parte ocidental da atual Rússia. De acordo com a Crônica Primária, a elite de Kyiv consistia inicialmente de varangianos da Escandinávia.
Dominação estrangeira
Em meados do século XIV, com a morte de Yuri II Boleslav, o rei Casimiro III da Polônia iniciou campanhas (1340–1366) para tomar a Galícia-Volínia. Enquanto isso, o coração da Rússia de Kyiv, incluindo a cidade de Kyiv, tornou-se o território do Grão-Ducado da Lituânia, governado pelos gediminas e seus sucessores, após a Batalha do Rio Irpin. Após a União de Krewo de 1386, uma união dinástica entre a Polônia e a Lituânia, muito do que se tornou o norte da Ucrânia foi governado pelos nobres lituanos locais cada vez mais eslavizados como parte do Grão-Ducado da Lituânia. Em 1392, as chamadas Guerras da Galícia-Volínia terminaram. Colonizadores poloneses de terras despovoadas no norte e centro da Ucrânia fundaram ou refundaram muitas cidades. Nas cidades do Mar Negro da atual Ucrânia, a República de Gênova fundou inúmeras colônias, de meados do século XIII ao final do século XV, incluindo as cidades de Bilhorod-Dnistrovsky ("Moncastro") e Kilia ("Licostomo"), as colônias costumavam ser grandes centros comerciais da região e eram chefiadas por um cônsul (representante da República).
Cossacos (1600 - 1800)
Em meados do século XVII, um quase-Estado cossaco, o Sich' de Zaporíjia, foi criado pelos cossacos do Dniepre e pelos camponeses rutenos que fugiam da servidão polonesa. A Polônia não tinha o controle efetivo daquela área, hoje no centro da Ucrânia, que se tornou então um Estado autônomo militarizado, ocasionalmente aliado à comunidade. Entretanto, a servidão do campesinato pela nobreza polonesa, a ênfase da economia agrária da Comunidade na exploração da mão de obra servil e, talvez a razão mais importante, a supressão da fé ortodoxa terminaram por afastar os cossacos e a Polônia. Assim, os cossacos voltaram-se para a Igreja Ortodoxa Russa, o que levaria finalmente à queda da Comunidade Polaco-Lituana.
Era soviética
O colapso do Império Russo e do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial, bem como a Revolução Russa de 1917, permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da autodeterminação. Entre 1917 e 1920, diversos estados ucranianos se declararam independentes: o Rada Central, o Hetmanato, o Diretório, a República Popular Ucraniana e a República Popular Ucraniana Ocidental. Contudo, a derrota daquela última na Guerra Polaco-Ucraniana e o fracasso polonês na Ofensiva de Kyiv (1920) da Guerra Polaco-Soviética fizeram com que a Paz de Riga, celebrada entre a Polônia e os bolcheviques em março de 1921, voltasse a dividir a Ucrânia. A porção ocidental foi incorporada à nova Segunda República Polonesa e a parte maior, no centro e no leste, transformou-se na República Socialista Soviética da Ucrânia em março de 1919, posteriormente unida à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando esta foi criada, em dezembro de 1922.
Independência
O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração econômica, maior do que a de algumas das outras ex-repúblicas soviéticas. Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições econômicas, bem como as taxas de crime e corrupção, os ucranianos protestaram e organizaram greves. A economia ucraniana estabilizou-se até o final da década de 1990. A nova moeda, o hryvnia, foi introduzida em 1996. Desde 2000, o país teve um crescimento econômico real constante, com média de expansão do PIB de cerca de 7% ao ano.
Com uma área de 603 700 km², a Ucrânia é o 44.° país do mundo em território, um pouco maior que o estado brasileiro de Minas Gerais ou que a soma das áreas da Espanha e de Portugal. É o segundo maior país da Europa, atrás da Rússia Europeia e à frente da França metropolitana. A paisagem da Ucrânia consiste principalmente de planícies férteis (ou estepes) e planaltos, atravessados por rios como o Dniepre (Dnipro), Donets, Dniestre e o Bug Meridional, à medida que fluem para o sul no Mar Negro e no Mar de Azov. A sudoeste, o delta do Danúbio forma a fronteira com a Romênia. As várias regiões da Ucrânia têm diversas características geográficas que vão desde as terras altas até as terras baixas. As únicas montanhas do país são as montanhas dos Cárpatos no oeste, das quais a mais alta é a Hora Hoverla com 2.061 metros, e os Montes da Crimeia na Crimeia, no extremo sul ao longo da costa. Recursos naturais significativos na Ucrânia incluem minério de ferro, carvão, manganês, gás natural, petróleo, sal, enxofre, grafite, titânio, magnésio, caulim, níquel, mercúrio, madeira e uma grande abundância de terras aráveis. Apesar disso, o país enfrenta uma série de importantes questões ambientais, tais como suprimentos inadequados de água potável, poluição do ar e da água e desmatamento, bem como a contaminação por radiação no nordeste do país, por conta do acidente nuclear de Chernobil, em 1986. A reciclagem de lixo doméstico tóxico ainda está em processos iniciais na Ucrânia.
Em janeiro de 2022, a Ucrânia tem uma população estimada de 41,2 milhões e é o oitavo país mais populoso da Europa. É um país fortemente urbanizado e suas regiões industriais no leste e sudeste são as mais densamente povoadas — cerca de 67% de sua população total vive em áreas urbanas. Em 2021 a Ucrânia tinha uma densidade populacional de 68,9 habitantes por quilômetro quadrado e a expectativa de vida geral no país ao nascer é de 73 anos (68 anos para homens e 77,8 anos para mulheres). Após a dissolução da União Soviética, a população da Ucrânia atingiu um pico de aproximadamente 52 milhões em 1993. No entanto, devido à sua taxa de mortalidade ser superior à sua taxa de natalidade, emigração em massa, más condições de vida e cuidados de saúde de baixa qualidade, a população total diminuiu 6,6 milhões, ou 12,8% desde o mesmo ano até 2014. De acordo com o censo de 2001, os ucranianos étnicos representam cerca de 78% da população, enquanto os russos são a maior minoria, com cerca de 17,3% da população. Pequenas populações minoritárias incluem: bielorrussos (0,6%), moldavos (0,5%), tártaros da Crimeia (0,5%), búlgaros (0,4%), húngaros (0,3%), romenos (0,3%), poloneses (0,3%), judeus (0,3%), armênios (0,2%), gregos (0,2%) e tártaros (0,2%). Estima-se também que existam cerca de 10 a 40 mil coreanos na Ucrânia, que vivem principalmente no sul do país, pertencentes ao grupo histórico Koryo-saram.
Idiomas
De acordo com a Constituição, a língua oficial da Ucrânia é o ucraniano. O russo, que era a língua de facto oficial da União Soviética, é amplamente falado, especialmente no Oriente e no Sul. De acordo com o recenseamento de 2001, 67,5% da população declarou o ucraniano como língua nativa e 29,6% declararam o russo. A maioria dos ucranianos nativos usa o russo como segunda língua. O ucraniano é falado principalmente na parte ocidental e central do país. No oeste da Ucrânia, o ucraniano também é a língua dominante nas cidades, como é o caso de Lviv, ao lado da fronteira polonesa. No centro da Ucrânia, o ucraniano e o russo são igualmente utilizados pela população urbana, como também na capital, Kyiv. O ucraniano é a língua predominante nas comunidades rurais, enquanto o russo prevalece no sul do país e na Crimeia.
Religião
A Ucrânia tem a segunda maior população ortodoxa oriental do mundo, depois da Rússia. Uma pesquisa de 2021 realizada pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv (KIIS) descobriu que 82% dos ucranianos se declararam religiosos, enquanto 7% eram ateus e outros 11% acharam difícil responder à pergunta. O nível de religiosidade na Ucrânia foi relatado como sendo o mais alto na Ucrânia Ocidental (91%) e o mais baixo no Donbas (57%) e na Ucrânia Oriental (56%). Em 2021, 82% dos ucranianos eram cristãos; dos quais 72,7% se declararam ortodoxos, 8,8% católicos de rito grego, 2,3% protestantes e 0,9% católicos de rito latino, 2,3% outros cristãos. O judaísmo, o islã e hinduísmo eram as religiões de 0,2% da população cada. De acordo com o estudo KIIS, cerca de 58,3% da população ortodoxa ucraniana eram membros da Igreja Ortodoxa da Ucrânia e 25,4% eram membros da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou.
Urbanização
As regiões industriais a leste e sudeste são as mais densamente habitadas. Cerca de 67,2% da população vive em área urbana. As principais cidades do país (por população) são Kyiv, Carcóvia, Dnipro, Odessa, Donetsk, Zaporíjia e Lviv.
Política
A Ucrânia é uma república com um sistema de governo semipresidencial e poderes legislativo, executivo e judiciário separados. O presidente da república é eleito pelo voto direto e detém as funções de chefe de Estado. O primeiro-ministro é designado e demitido pelo parlamento, chamado Verkhovna Rada, com 450 assentos. O parlamento também designa o gabinete. O presidente indica os chefes dos governos regionais e distritais, com a anuência do primeiro-ministro. As leis, decisões do parlamento e do gabinete, decretos presidenciais e decisões do parlamento da República Autônoma da Crimeia podem ser anuladas pelo Tribunal Constitucional da Ucrânia em caso de violação da constituição do país. Outros atos normativos estão sujeitos a apreciação judicial. O Supremo Tribunal da Ucrânia é o principal órgão judicial da Justiça comum.
Relações internacionais
A Ucrânia considera a integração euro-atlântica seu principal objetivo de política externa, mas na prática sempre equilibrou seu relacionamento com a União Européia e os Estados Unidos mantendo fortes laços com a Rússia. O Acordo de Parceria e Cooperação (APC) da União Europeia (UE) com a Ucrânia entrou em vigor em 1 de Março de 1998. A UE incentivou a Ucrânia a implementar o APC plenamente antes do início das discussões sobre um acordo de associação, emitido na Cúpula da UE em dezembro de 1999 em Helsinque, reconhece as aspirações de longo prazo da Ucrânia, mas não discute a associação. Em 31 de janeiro de 1992, a Ucrânia aderiu à então Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (agora Organização para a Segurança e Cooperação na Europa - OSCE) e em 10 de março de 1992, tornou-se membro do Conselho de Cooperação do Atlântico Norte. As relações entre a Ucrânia e a OTAN são estreitas e o país declarou interesse em uma eventual adesão. Isso foi retirado da agenda de política externa do governo na eleição de Viktor Yanukovych para a presidência, em 2010. Mas após a expulsão de Yanukovych em fevereiro de 2014 e a (negada pela Rússia) após a intervenção militar russa, a Ucrânia renovou seu desejo de adesão à OTAN.
Forças armadas
Após a dissolução da União Soviética, a Ucrânia herdou uma força militar de 780 mil homens em seu território, equipada com o terceiro maior arsenal de armas nucleares do mundo. Em maio de 1992, no entanto, a Ucrânia assinou o Protocolo de Lisboa, no qual o país concordou em entregar todas as armas nucleares à Rússia para descarte e aderir ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear como um Estado sem armas nucleares. A Ucrânia ratificou o tratado em 1994 e em 1996 o país ficou livre de ogivas nucleares. A Ucrânia tomou medidas consistentes para a redução de armas convencionais. Assinou o Tratado das Forças Armadas Convencionais na Europa, que pedia a redução de tanques, artilharia e veículos blindados (as forças do exército foram reduzidas para 300 mil). O país planeja converter os atuais militares recrutados em militares voluntários profissionais.
A Ucrânia é dividida em 24 oblasts. Além disso, a cidade de Kyiv, a capital, possui um estatuto jurídico especial. Os 24 oblasts e a Crimeia são subdivididas em 490 raions (distritos) ou unidades administrativas de segundo nível. A área média de um raion ucraniano é de 1 200 km², enquanto a população média de um raion é de 52 mil habitantes. As áreas urbanas (cidades) podem ser subordinadas ao Estado, ou às administrações da região e dos raions, dependendo da sua população e importância socioeconômica. As unidades administrativas inferiores incluem assentamentos de tipo urbano, que são semelhantes às comunidades rurais, mas mais urbanizados, onde existem empresas industriais, serviços educacionais, redes de transporte. Finalmente, existem comunidades ou aldeias rurais. Anteriormente, o território da Ucrânia moderna estava sob o domínio de vários reinos e principados, que originaram uma divisão posterior do país em várias regiões, que não têm validade administrativa, mas têm importância na identidade de seus habitantes e são usados por historiadores e etnógrafos. No total, existem 457 cidades na Ucrânia, das quais 176 são administradas por oblasts, 279 por raions e duas têm estatuto legal especial. Existem, ainda, 886 assentamentos de tipo urbano e 28 552 aldeias.
Nos tempos soviéticos, a economia da Ucrânia foi a segunda maior da União Soviética, sendo um componente importante da atividade industrial e agrícola na economia centralmente planejada do país. Com o colapso do sistema soviético, o país passou de uma economia planejada para uma economia de mercado. O processo de transição foi difícil para o meio social ucraniano, com índices de pobreza aumentando no país. A economia ucraniana contraiu severamente nos anos que se seguiram ao colapso soviético. Um grande número de habitantes da área rural sobreviveu graças ao cultivo de sua própria alimentação, muitas vezes trabalhando em dois ou mais empregos e cobrindo as necessidades básicas através da economia de troca. Em 1991, o governo liberalizou a maioria dos preços para combater a escassez generalizada de produtos e conseguiu superar o problema. Ao mesmo tempo, o governo continuou a conceder subsídio a empresas paraestatais e agricultura por meio da emissão monetária. As políticas monetárias do início da década de 1990 levaram a inflação do país para níveis de hiperinflação; desta forma, a Ucrânia ganhou o recorde mundial de inflação em um ano natural (1993). As pessoas que viviam em renda fixa foram as mais afetadas. Os preços se estabilizaram somente após a introdução da nova moeda, a grívnia (UAH) em 1996. O país também foi lento na implementação das reformas estruturais. Após a independência, o governo criou um quadro legal para a privatização, mas a resistência generalizada à reforma pelo governo e uma parte significativa da população logo bloqueou os esforços que pretendiam mudar o modelo econômico. Um grande número de empresas estatais estavam isentas do processo de privatização. Enquanto isso, em 1999, o PIB havia diminuído para menos de 40% do nível de 1991, embora no final de 2006 ele se recuperasse ligeiramente acima de 100%.
Turismo
De acordo com a classificação da Organização Mundial do Turismo, a Ucrânia ocupa o oitavo lugar na Europa em número de visitação de turistas. Em 2018, tinha sido o 30º país mais visitado do mundo, com 14,2 milhões de turistas internacionais, porém, com receitas turísticas consideradas baixas em comparação com outros países. Todos os anos, milhões de turistas visitam a Ucrânia, principalmente da Rússia e Europa Oriental, bem como da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. A estrutura do fluxo de tráfego é formada principalmente por visitantes que são cidadãos de países da Comunidade de Estados Independentes (11,9 milhões de pessoas; 63% do ingresso total), países da União Europeia (6,3 milhões de pessoas; 33% do total de visitantes), Estados Unidos e outros países (0,6 milhão pessoas; 4% do total de visitantes).
Transportes e energia
A maior parte da infraestrutura é do tempo da União Soviética. A malha rodoviária engloba todas os centros mais populosos, mas é considerada de baixa qualidade para os padrões europeus. No total, as estradas pavimentadas somam 164 732 quilômetros. O transporte ferroviário conecta quase todas as áreas urbanas e transporta cargas. A maior concentração de ferrovias está na região de Donbass, no extremo leste ucraniano. Apesar disso, o valor da carga transportada por ferrovias caiu 7,4% em 1995 em comparação com 1994. A Ucrânia continua sendo um dos países que mais usam a malha ferroviária tanto para o transporte de cargas quanto para o transporte de passageiros. Existe um total de 22 473 quilômetros de ferrovias no país, sendo que destas, 9 250 km é eletrificado.
Educação
De acordo com a Constituição ucraniana, o acesso à educação gratuita é concedido a todos os cidadãos ucranianos. O ensino secundário geral completo é obrigatório nas escolas públicas, que constituem a esmagadora maioria. O ensino superior também é gratuito, nos estabelecimentos de ensino mantidos pelo governo. Há um pequeno número de escolas privadas e instituições de ensino superior de caráter privado. Por causa da ênfase na educação, oriunda da União Soviética e que continua compartilhada até hoje, a taxa de alfabetização é de aproximadamente 99,7% entre a população com idade acima dos quinze anos. Desde 2005, o programa de onze anos escolares foi substituído por um de doze anos de ensino. O ensino primário dura quatro anos (a partir de seis anos de idade), o ensino de base fundamental é composto por cinco anos, e o ensino médio possui três anos de duração. Após a conclusão do ensino médio, os estudantes passam por testes educacionais. Estes testes são depois utilizados para admissão nas universidades. Em 2010 o Ministério da Educação aboliu a transição espontânea para o sistema de ensino secundário de 12 anos, o que, de acordo com profissionais e jovens, inibe indiretamente o progresso do estado.
Saúde
O sistema de saúde da Ucrânia é subsidiado pelo Estado e está disponível gratuitamente para todos os cidadãos ucranianos e residentes registrados. No entanto, não é obrigatório ser tratado em um hospital estatal, pois existem vários complexos médicos privados em todo o país. Todos os prestadores de serviços médicos e hospitais da Ucrânia estão subordinados ao Ministério da Saúde, que supervisiona e fiscaliza a prática médica geral, além de ser responsável pela administração diária do sistema de saúde. Apesar disso, os padrões de higiene e atendimento ao paciente caíram. A Ucrânia enfrenta uma série de grandes problemas de saúde pública e é considerada em crise demográfica devido à sua alta taxa de mortalidade e baixa taxa de natalidade (a taxa de natalidade ucraniana é de 11 nascimentos/1 000 habitantes, enquanto a taxa de mortalidade é de 16,3 mortes/1 000 habitantes). Um fator que contribui para a alta taxa de mortalidade é uma alta taxa de mortalidade entre homens em idade ativa por causas evitáveis, como alcoolismo e tabagismo. Em 2008, a população do país foi uma das que mais declinaram no mundo, com um crescimento de -5%. A ONU alertou que a população da Ucrânia pode cair até 10 milhões até 2050 se as tendências não melhorarem.
Literatura
A história da literatura ucraniana remonta ao século XI, após a cristianização da Rússia de Kiev. Os escritos da época eram principalmente litúrgicos e estavam escritos na antiga língua eclesiástica eslava. Os contos históricos da época são conhecidos como "crônicas", a mais importante das quais é a Crônica de Nestor. A atividade literária enfrentou um declínio súbito durante a Invasão mongol da Rússia. A literatura em ucraniano retomou o seu desenvolvimento no século XIV e avançou significativamente durante o XVI com a introdução da imprensa e com o início da era dos Cosacos, sob o domínio russo e polaco. Os cossacos estabeleceram uma sociedade independente e popularizaram um novo tipo de poemas épicos, que marcaram um ponto alto na tradição oral da Ucrânia. Nos séculos XVII e XVIII, esses avanços foram novamente interrompidos, quando a publicação na língua ucraniana foi banida. No entanto, no final do século XVIII, a literatura ucraniana novamente emergiu.
Culinária
A culinária tradicional ucraniana inclui frango, porco, carne bovina, peixes e cogumelos. Os ucranianos também tendem a comer muitas batatas, grãos, legumes frescos, cozidos ou em conserva. Pratos tradicionais populares incluem varenyky (bolinhos cozidos com cogumelos, batatas, chucrute, queijo cottage, cerejas ou frutas vermelhas), nalysnyky (panquecas com queijo cottage, sementes de papoula, cogumelos, caviar ou carne), kapuśniak (sopa feita com carne, batatas, cenouras , cebola, repolho, painço, massa de tomate, especiarias e ervas frescas), borscht (sopa de beterraba, couve e cogumelos ou carne), holubtsy (rolos de repolho recheados com arroz, cenoura, cebola e carne picada) e pierogi (bolinhos de massa recheado com batatas cozidas e queijo ou carne). As especialidades ucranianas também incluem frango à Kyiv e bolo de Kyiv. Os ucranianos bebem compota de frutas, sucos, leite, leitelho (fazem requeijão com isso), água mineral, chá e café, cerveja, vinho e horilka. A primeira cafeteria na Áustria foi aberta por Jerzy Franciszek Kulczycki, enquanto a moderna Lviv é famosa por suas tradições de chocolate e café.
Esportes
A Ucrânia beneficiou-se de muitas das políticas soviéticas adotadas para o desporto, o que lhe deu um legado de centenas de estádios, piscinas, ginásios e muitas outras instalações esportivas. O esporte mais popular do país é o futebol. A liga profissional é a Vyscha Liha, também conhecida como Campeonato Ucraniano de Futebol. As duas equipes mais bem-sucedidas da Vyscha Liha são o Futbolniy Klub Dynamo Kyiv e o Futbolniy Klub Shakhtar. O Dynamo Kyiv tem sido muito mais bem sucedido historicamente, ganhando duas Taça dos Clubes Vencedores de Taças, uma Supercopa da UEFA, um recorde de treze campeonatos do Campeonato Soviético de Futebol e um recorde de doze campeonatos da Primeira Liga ucraniana, enquanto o Shakhtar ganhou apenas quatro campeonatos ucranianos.


