Arquitetura colonial do Brasil
No Brasil, a arquitetura colonial é definida como a arquitetura realizada no atual território brasileiro desde 1500, ano do descobrimento pelos portugueses, até a Independência, em 1822.
A atividade arquitetônica no Brasil colonial inicia-se a partir da década de 1530, quando a colonização ganha impulso com a criação das Capitanias Hereditárias (1534) e a fundação das primeiras vilas, como São Vicente, a primeira cidade do país, fundada por Martim Afonso de Sousa em 1532, e Igarassu e Olinda, fundadas por Duarte Coelho cerca de 1535. Mais tarde, em 1549, é fundada a cidade de Salvador por Tomé de Sousa como sede do Governo-Geral. O arquiteto trazido por Tomé de Sousa, Luís Dias, desenha então a capital da colônia, incluindo o palácio do governador, igrejas e as primeiras ruas, largos e casas, além da indispensável fortificação ao redor do povoamento. A parte mais nobre da cidade de Salvador, que incluía construções em taipa como o palácio do governador, residências e a maioria das igrejas e conventos, foi edificada sobre um terreno elevado, a 70 metros sobre o nível da praia, enquanto junto à baía foram construídas as infraestruturas dedicadas às atividades comerciais. Outras cidades fundadas no século XVI, como Olinda (1535) e o Rio de Janeiro (1565), caracterizam-se por terem sido fundadas perto do mar mas sobre elevações do terreno, dividindo-se o povoamento em uma cidade alta e uma cidade baixa. De maneira geral a cidade alta abrigava a parte habitacional e administrativa e a parte baixa as áreas comercial e portuária, lembrando a organização das principais cidades portuguesas, como Lisboa, Porto e Coimbra, de origem na Antiguidade e época medieval. Essa disposição obedeceu a considerações de defesa, uma vez que nos primeiros tempos os assentamentos coloniais corriam constante risco de ataques de indígenas e europeus de outras nações. De fato, quase todas as primeiros povoados fundados pelos portugueses contavam com muros, paliçadas, baluartes e portas que controlavam o acesso ao interior.
Os responsáveis pelos projetos arquitetônicos ("riscos") da colônia ficaram, em grande parte, no anonimato, até mesmo no caso de alguns grandes conventos e igrejas. Entre os autores conhecidos há religiosos e muitos engenheiros-militares, estes últimos com sólidos conhecimentos teóricos de arquitetura. Outros tinham um conhecimento mais prático, como os mestres-de-obras, mestres-pedreiros e carpinteiros. As ordens religiosas como a dos Jesuítas, Beneditinos, Franciscanos e Carmelitas, das primeiras a se fixarem no Brasil, possuíam em seus quadros arquitetos e construtores notáveis, e com eles se iniciou uma grande tradição de construções religiosas cada vez mais ricas e imponentes. Por exemplo, o arquiteto jesuíta Francisco Dias, que havia trabalhado na construção da igreja jesuíta lisboeta, chegou ao Brasil em 1577. Trabalhou na Igreja da Graça de Olinda (o único dos seus projetos ainda existente), e construiu os colégios jesuítas do Rio de Janeiro, Santos e outros. Outro importante arquiteto religioso foi frei Macário de São João, um beneditino a quem são atribuídos os projetos seiscentistas das igrejas do Mosteiro de São Bento e da Misericórdia de Salvador, entre outros.
Paredes
Inicialmente, a arquitetura colonial utilizou as técnicas da taipa de pilão e pau a pique, de rápida construção e que utilizava materiais abundantes na colônia: barro e madeira. Logo se adotaram também a alvenaria de pedra ou tijolos de adobe para levantar paredes, que permitiam a construção de estruturas maiores e a inclusão de madeiramento para pisos e tetos. O pau a pique, também chamado de taipa de sebe, taipa de mão, taipa de sopapo ou barro armado, foi um dos sistemas construtivos mais utilizados no período colonial. Isso deu-se devido a seu baixo custo, já que todos seus materiais são naturais, além de possuir boa resistência e durabilidade. Era muito conhecido pelos indígenas e pelos negros africanos, e sua maior incidência era nas áreas que correspondem às atuais regiões Nordeste e Sudeste. Sua versão mais pura tem como estrutura mestra peças de madeira compostas por peças horizontais superiores (frechais), peças horizontais inferiores (baldrames) e peças verticais (esteios). As peças são unidas de modo a formar uma trama, amarrada por cordões de seda, linho, cânhamo ou buriti. Por fim, o barro é jogado por cima.
Coberturas
Nos primeiros tempos, as coberturas das casas eram feitas simplesmente com palha (sapé), como as ocas indígenas ou certas moradias de influência africana, subsistindo ainda hoje em áreas rurais. A telha de barro (cerâmica) foi inicialmente utilizada nos edifícios mais abastados antes de popularizar-se. Dentre os tipos de telha utilizados no período, estão: Havia vários tipos de tesoura, feitas de madeira, às vezes complementadas por caibros. Um elemento importante dos telhados eram os beirais, que protegiam as paredes de barro das águas da chuva. Era comum que os caibros sob os beirais fossem esculpidos como ornamentação, sendo chamados cachorros. Havia ainda elementos que complementavam ou funcionavam como uma extensão aos telhados principais: as varandas e alpendres. Enfim, os forros em geral eram planos.
Esquadrias
As folhas de portas e janelas eram de madeira, semelhantes às contemporâneas. Havia folhas de réguas (vergas retas), de almofadas, de treliças (urupemas), de rendas de madeira, com postigos, etc. Mais recentemente, surgiram as folhas de pinásios (com espaços para vidros), que substituíram as folhas cegas. As folhas tinham vários modos de funcionamento: No caso de paredes grossas, era comum chanfrar (cortar) a parede ao redor da janela. O espaço maior do vão obtido aumentava a luminosidade do ambiente, e podia receber assentos (conversadeiras). Dentre elementos adicionais, estavam peitoris, sacadas, balcões, muxarabis, seteiras, aldrabas, etc.
Pavimentos
Os pavimentos internos podiam ser pisos de terra batida, pisos de ladrilhos de barro, pisos de tábuas (assoalho, especialmente em pavimentos elevados), ou lajeados (de mármore, no caso de edifícios nobres).
Outros
As pinturas das paredes geralmente eram caiadas, feitas com cal obtida a partir de mariscos, de pedra ou tabatinga. Já as madeiras eram pintadas a cola, têmpera ou óleo. Dentre os corantes usados, estavam o anil ou índigo (azul), o sangue de drago e urucum (vermelho), a açafroa (amarelo), a braúna (preto), o ipê e a cochonilha (cor de rosa). Os alicerces eram em geral fundações diretas (rasas), feitas de alvenaria de pedra. No entanto, nas construções de pau a pique e enxaimel, havia esteios de madeira, tratados com fogo, enterrados com 2 a 4 m de profundidade.
Os primeiros templos religiosos construídos no Brasil seguiam o estilo tardo-renascentista ou maneirista português, conhecido como estilo chão. Esta estética caracteriza-se pelas fachadas compostas por figuras geométricas básicas, frontões triangulares, janelas próximas ao quadrado e paredes marcadas pelo contraste entre a pedra e as superfícies brancas, de caráter bidimensional. A decoração é escassa e circunscrita em geral aos portais, ainda que os interiores são ricos em altares, pinturas e azulejos. Assim, as primeiras igrejas brasileiras tem nave e capela-mor de planta retangular, com uma ou três naves, janelas simples e uma fachada retangular ou quadrada encimada por um frontão triangular, podendo ter uma ou duas torres laterais. Ao longo do século XVII aparecem frontões adornados com volutas de caráter maneirista. Nessa primeira fase, os principais modelos das igrejas coloniais foram as igrejas de São Roque e São Vicente de Fora de Lisboa.
Na arquitetura, o barroco utiliza os motivos derivados da arquitetura clássica mas os combina de maneira dinâmica, buscando criar efeitos ilusionistas e cenográficos em fachadas e interiores. Na Europa, especialmente na Itália e nos países germânicos, os edifícios barrocos se caracterizam pelas fachadas e plantas curvilíneos e ondulantes. No Brasil Colônia, o barroco arquitetônico chegou tarde, refletindo a tardia adoção do estilo na própria metrópole. Curvas ou ondulações em fachadas e plantas foram raras.
A importância da talha e pintura
Os interiores das igrejas coloniais devem ser vistos não só em termos arquitetônicos mas também decorativos, pois os ambientes internos eram muitas vezes definidos pela harmoniosa interação entre talha dourada, pintura e azulejaria, típica da arte portuguesa. Antes de influenciar a arquitetura, o estilo barroco chegou ao Brasil Colônia em meados do século XVII na forma de retábulos de talha dourada do chamado estilo nacional português. Esse estilo caracteriza-se pelos retábulos formados por arcos concêntricos de densa carga escultória, com motivos vegetalistas e anjos, muitas vezes sustentados por colunas salomônicas. A talha não se restringia aos retábulos, mas muitas vezes cobria todas as superfícies das igrejas e capelas, podendo ser enriquecida por pinturas e azulejos. Um exemplo importante é a igreja maneirista do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, cujo interior foi totalmente coberto de talha barroca a partir das últimas décadas do século XVII.
Barroco religioso litorâneo
Ao longo do século XVIII, a esmagadora maioria dos edifícios religiosos no Brasil, assim como em Portugal, continuaram utilizando as rígidas plantas ligadas ao estilo maneirista chão, com naves e capelas de forma retangular ou quadrada, sem nenhum tipo de movimentação como plantas curvas ou poligonais. Em todo o Brasil Colônia, não chegam a vinte o número de igrejas com plantas barrocas que se afastam do esquema chão tradicional. Estas igrejas se localizam em umas poucas localidades: Recife e Salvador, com um exemplar cada uma, e Rio de Janeiro e algumas vilas em Minas Gerais, com os restantes. Nas demais igrejas do século XVIII, o estilo barroco ficou restrito aos motivos decorativos de fachadas e interiores, com muitos exemplares por todo o Brasil. Entre estas, um exemplo inusitado é o da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, construída a partir de 1703 com uma fachada totalmente esculpida ao estilo barroco Churrigueresco das igrejas hispano-americanas. O estilo dessa fachada, porém, não teve continuidade em outros edifícios.
Barroco religioso em Minas Gerais
Nas Minas Gerais, o ciclo do ouro favoreceu a atividade construtora durante todo o século XVIII, dando origem a alguns dos mais interessantes monumentos arquitetônicos coloniais brasileiros. Como em outras regiões, quase todas as igrejas foram construídas seguindo plantas maneiristas chãs, como por exemplo a Catedral de Mariana, construída na primeira metade do século XVIII, que além da planta retangular tem uma fachada bidimensional com frontão triangular, lembrando os templos jesuítas do século anterior. Muito inovadora é a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto, concluída por volta de 1733 segundo o projeto do engenheiro-militar Pedro Gomes Chaves. O interior da igreja apresenta forma decagonal dada pela exuberante talha dourada de Antônio Francisco Pombal, conferindo a essa igreja uma ousada organização interna. A forma decagonal está integralmente dada pela talha interior: exteriormente a Matriz do Pilar apresenta forma retangular.
Rococó litorâneo
O rococó, por muitos autores considerado como a fase final do barroco, é um estilo decorativo de origem francesa que se espalhou pela Europa a partir da primeira metade do século XVIII. Caracteriza-se pelo uso de motivos decorativos específicos, muitas vezes assimétricos, entre os quais se destacam as rocalhas, motivos abstratos em forma de concha. Na talha dourada, o rococó mostra mais elegância e leveza que as pesadas talhas barrocas: enquanto que no barroco havia a tendência ao "horror ao vazio", no rococó os motivos decorativos estão dispersos sobre as superfícies. Na arquitetura brasileira colonial, o rococó influencia a arte da última metade do século XVIII e início do seguinte. Em algumas igrejas de influência rococó no Brasil, particularmente em Minas Gerais, as fachadas tem efeitos tridimensionais criados pela posição recuada e giratória das torres e ondulações das superfícies. Na maioria dos casos, porém, o rococó ficou restrito aos motivos decorativos das fachadas, particularmente no desenho dos frontões, cornijas e cúpulas bulbosas de torres.
Rococó mineiro
Em Minas Gerais, a arquitetura religiosa seguiu caminhos diferentes nos tempos do barroco-rococó. Ao contrário das outras regiões do Brasil, as fachadas de algumas igrejas incorporaram variações tridimensionais, criando uma nova expressividade. Além disso, a disponibilidade de pedra-sabão (estearito), um material fácil de esculpir, permitiu o desenvolvimento de belas e originais portadas pelo maior escultor colonial, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Na Igreja de Santa Efigênia de Ouro Preto, começada em 1733 e possivelmente projetada por Manuel Francisco Lisboa, observa-se o posicionamento ligeiramente recuado das torres em relação à fachada, além de um leve arredondamento das torres, o que pode ser visto como precursora dos futuras fachadas mineiras. A fachada da igreja do Santuário de Congonhas (começada em 1757) incorpora um belo portal esculpido em pedra-sabão datado de entre 1765 e 1769 e provavelmente de autoria de Jerônimo Félix Teixeira. A importância dessa portada radica no fato de ser a primeira de uma longa série de portadas esculpidas em estilo rococó na região mineira.
Nos primeiros anos da colonização uma das preocupações maiores da metrópole portuguesa era assegurar a posse do território, e as primeiras povoações eram sempre fortificadas com muralhas paliçadas e fortins. A mais antiga fortaleza ainda existente no Brasil é o Forte de São Tiago (que ainda sobrevive com o nome de Forte de São João), em Bertioga, na baixada santista, datando de 1532. Era de início uma paliçada de madeira, e mais tarde foi reformado em alvenaria, adquirindo sua configuração atual. Depois foram erguidas uma série de outras fortalezas em todo o litoral, e em alguns pontos do interior, e seguiam basicamente um mesmo modelo que se manteve sem grandes variações ao longo dos séculos, de planta quadrangular ou poligonal, às vezes deformada para se adaptar à topografia subjacente. Tinham uma base chanfrada em pedra nua, muralhas de alvenaria caiada por cima, com guaritas intercaladas, e uma série de habitações despojadas no interior, contando muitas vezes com alguma capela ou pequeno templo. Ocasionalmente na entrada das fortalezas eram erguidos portais mais ou menos elaborados, seguindo o estilo tardo renascentista ou maneirista, que predominou durante os séculos XVI e XVII. Exemplo original é o Forte de São Marcelo, erguido sobre uma ilhota em Salvador, construído nos anos 1650 e o único de planta circular existente no Brasil.
Tipologia
Em termos de tipologia volumétrica, as principais categorias de construções coloniais civis são as de telhado de meia-água (ranchos, cozinhas), de duas águas (muito comum em cidades), de quatro águas (construções de maior porte, como pavilhões, casas-grandes, equipamentos públicos) e claustros (idem). Uma solução intermediária entre as duas últimas categorias eram as plantas "em L". Com relação às construções rurais mais simples (designadas como "casas de sertanejo" ou "de caboclo", "mocambos", "palhoças", etc.), de homens livres, tinham em geral cobertura vegetal de palha e paredes de pau a pique. Apresentavam um único cômodo e uma varanda frontal.
Histórico
Nos seus inícios, a arquitetura civil — residências, engenhos, palácios do governo colonial — foram também realizados com as técnicas de taipa, muitas vezes com coberturas de palha. Com o progresso da colonização e o estabelecimento de uma estrutura urbana básica, passou a ser utilizado também o adobe e a cantaria de pedra, com reforços de madeiramento e cobertura de telhas. A primeira obra de grande porte realizada no Brasil foi o Palácio de Friburgo, residência oficial construída pelo conde João Maurício de Nassau entre 1640 e 1642 no Recife, então sede da colônia de Nova Holanda. Possuía duas torres altas, quadrangulares, com cinco pavimentos, ligadas por um passadiço coberto, dando-lhe o aspecto de igreja. As torres, além de embelezarem o palácio, serviam como marco para os navegantes, que podiam avistá-las a uma distância superior a sete milhas. Uma delas era utilizada como farol e a outra como observatório astronômico, o primeiro fundado no Hemisfério Sul. Protegido, do ponto de vista militar, por canhões, tinha um grande fosso e o Forte Ernesto. Entre 1774 e 1787, encontrando-se bastante arruinado devidos às lutas contra os holandeses ocorridas no século anterior, foi demolido por ordem do então governador José César de Meneses.
A Arquitetura neoclássica caracteriza-se pela busca da nobreza e racionalidade da arquitetura greco-romana da Antiguidade. A harmonia é buscada usando os motivos clássicos: pórticos com colunatas, uso das ordens gregas, simetria na composição, regularidade nas aberturas e frontões triangulares. A decoração é contida, distante dos "exageros" barrocos e rococós. No Brasil Colônia, edifícios com certo caráter neoclássico existem pelo menos desde o século XVIII. Como já mencionado, o barroco joanino e o pombalino foram muito influenciados pelo severo classicismo barroco romano, tendo reflexos no Brasil. No Recife, a Igreja do Corpo Santo, que tinha sua origem nos primórdios da povoação, foi ampliada no século XVIII ganhando uma bela fachada em pedra de Lioz no estilo neoclássico. No Rio de Janeiro, a Igreja de Santa Cruz dos Militares, construída a partir de 1780 segundo projeto de José Custódio de Sá e Faria, e a fachada da Igreja da Candelária, construída a partir de 1775 por Francisco João Roscio, são exemplos de edifícios coloniais de forte influência clássica de caráter pombalino, visível nas proporções das fachadas e uso das ordens arquitetônicas.
Em decorrência do Brasil ter sido uma colônia portuguesa, é natural que a produção de marcenaria (com atenção especial para as peças de mobiliário) seja um desdobramento do mobiliário tradicional português. Embora que o material empregado fosse legitimamente brasileiro, os responsáveis pelo trabalho das peças foram sempre os portugueses, ou quando nascidos no Brasil de descendência portuguesa ou mestiça. O mobiliário português desenvolvido no Brasil era singelo e despretensioso, ou seja, apenas o essencial para desempenhar a função do objeto (como exemplos: pequenos oratórios, camas, cadeiras, mesas e arcas). A simplicidade das primeiras peças dos colonos seguiu como uma das características marcantes da casa brasileira naquele período em diante. Mas, ainda que tais mobiliários apresentassem simplicidade e despretensão, as peças em si eram bem trabalhadas, não apenas porque a tradição do oficio era desenvolvê-las dessa maneira caprichosa, mas também porque os oficiais e ajudantes de carpintaria eram muitas vezes da própria casa (sendo alguns escravos cujos dotes eram descobertos), que trabalhavam sem pressa e que não visavam o lucro, importando apenas “o prazer de fazer bem feito”. O móvel brasileiro, ou seja, o móvel português feito no Brasil acompanhou a evolução do mobiliário de todos os países europeus. As “modas” eram todas importadas, atingindo as camadas mais abastadas em primeiro lugar, sendo depois vulgarizadas com a produção dos mesmos modelos de móveis no tipo “ordinário” ou comum. No período colonial existiam basicamente três tipos de móveis: os de “luxo” (feitos com madeiras nobres de lei); os “ordinários” (também feitos de madeira de lei, porém mais simples); e por fim os “toscos” (desenvolvidos em madeira comum para uso popular ou serviços domésticos). O mobiliário do Brasil pode ser classificado em três grandes períodos:


