Arraba
Arraba (ar-Raḥbah) ou Alraba (Al-Rahba), também conhecia como Cidadela de Arraba, é uma fortaleza árabe muçulmana medieval na Síria. Está localizada próximo a margem esquerda do rio Eufrates, adjacente à cidade de Maiadim e 42 quilômetros a sudeste de Deir Zor. Situada sobre um monte com elevação de 244 metros, Arraba vigia a estepe do deserto da Síria e historicamente guardou o vale do Eufrates. Foi descrita como "uma fortaleza dentro de uma fortaleza"; consiste numa torre de menagem que mede 60 por 30 metros, protegida por um recinto que mede 270 por 95 metros. Arraba está amplamente em ruínas atualmente como resultado da erosão.
Imagem: Paulo Etxeberria · BY-NC-SA · Openverse
Por toda a história islâmica, Arraba foi considerada, nas palavras do viajante do século XIV ibne Batuta, "o fim do Iraque e o começo de Alxam [Síria]". A fortaleza está localizada a 4 quilômetros ao sudoeste do rio Eufrates, 1 quilômetro a sudoeste da moderna cidade síria de Maiadim, e 42 quilômetros ao sudeste de Deir Zor, capital da província de Deir Zor, da qual Arraba faz parte. Segundo o geógrafo do século XIII Iacute de Hama, o nome do sítio, al-rahba, traduz-se do árabe como a "porção plana de um uádi, onde a água se acumula"; a localização original de Arrabi estava sobre a margem ocidental do Eufrates. A atual fortaleza está situada sobre um monte artificial separado do planalto do deserto da Síria a oeste. Sua elevação é de 244 metros acima do nível do mar.
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Rabate Maleque ibne Tauque
Segundo o historiador Thierry Bianquis, "dificilmente se sabe algo definitivo sobre a história da cidade [Arraba] antes da era muçulmana." Escritores talmúdicos e siríacos (como Miguel, o Sírio e Bar Hebreu) identificam-na com a cidade bíblica de Reobote do Eufrates (Rehobot han-Nahar). Alguns historiadores muçulmanos medievais, entre eles Atabari, escreveram que foi um lugar chamado "Furda" ou "furdate Num" (Furdat Nu'm), sendo nomeado em honra a um mosteiro que supostamente existiu nas redondezas chamado "Dair Num" (Dayr Nu'm). Contudo, o historiador persa do século IX al-Baladuri afirma que lá havia "traço algum de que Arraba [...] era uma antiga cidade", e que foi fundada pela primeira vez pelo general abássida Maleque ibne Tauque durante o reinado do califa Almamune (r. 813–833). Como tal, a cidade fortaleza foi frequentemente referida como "Rabate Maleque ibne Tauque" pelos historiadores muçulmanos. Segundo o historiador sírio Suhayl Zakkar, Arraba possuía valor estratégico significativo, pois foi "a chave à Síria e às vezes ao Iraque" e foi a primeira parada às caravanas ligadas a Síria que vinham do Iraque. De Arraba, viajantes, caravaneiros e exércitos avançaram para o noroeste ao longo da rota do Eufrates para Alepo ou atravessavam a rota do deserto para Damasco. Devido a seu valor estratégico, foi frequentemente disputada pelos poderes muçulmanos rivais. Tribos beduínas em particular usaram Arraba como principal ponto de lançamento de invasões ao norte da Síria e como mercado e ponto seguro. Maleque ibne Tauque serviu como seu primeiro senhor, e depois de sua morte em 873, foi sucedido por seu filho Amade. O último foi repelido após a captura de Arraba em 883 pelo senhor abássida de Ambar, Maomé ibne Abi Açaje. Por volta do século X, Arraba tornou-se uma grande cidade.
Arraba Aljadida
Arraba foi destruída num terremoto em 1157. Quatro anos depois Noradine conferiu os territórios de Arraba e Homs como apanágio para Xircu, que nomeou cerco Iúçufe ibne Malá em seu nome. Segundo o historiador aiúbida do século IX, Abulféda, Xircu reconstruiu Arraba. A afirmação de Abulféda pode estar incorreta ou a fortaleza reconstruída por Xircu caiu em ruínas em algum momento antes do fim do século. De todo modo, a nova fortaleza, que ficou conhecida como "Arraba Aljadida", foi realocara aproximados cinco quilômetros a oeste da margem esquerda do Eufrates, onde o sítio original, "Rabate Maleque ibne Tauque", estava localizado. Quando Xircu morreu, seus territórios passaram para Noradine. Contudo, o sobrinho de Xircu e o fundador do Sultanato Aiúbida, Saladino, conquistou os domínios de Noradine cerca de 1182 e conferiu Homs e Arraba para o filho de Xircu, Naceradim Maomé, como um emirado hereditário.
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A fortaleza deteriorou consideravelmente como resultado da erosão. Escavações foram conduzidas fora de Arraba, incluindo no sítio presumido de Rabate Maleque ibne Tauque ao longo da margem do Eufrates, entre 1976 e 1981 sob os auspícios do Diretório Geral de Antiguidades e Museus da Síria, o Instituto Francês de Estudos Árabes de Damasco e a Universidade de Lião II. Em anos posteriores, prospecções do sítio e deserto circundante e os vales do Eufrates e Cabur foram conduzidas por times multidisciplinares de arqueólogos sírios, estadunidenses e europeus. Um dos peritos franceses, J. L. Paillet, esboçou os planos e elevações da fortaleza, que estão detalhados em sua dissertação de 1983, Le château de Rahba, étude d'architecture militaire islamique médiévale. Escavações no sopé da fortaleza entre 1976 e 1978 revelaram o assentamento medieval dentro de um recinto quadrangular, cujo algumas de suas muralhas mediam mais de 30 metros de comprimento de 4 metros de altura. As muralhas geralmente tinham a grossura de 1 metro. Junto com as estruturas desenterradas havia os prováveis restos de um caravancerai, um mesquita congregacional com um pequeno oratório, e um quartel de cavalaria. Havia também um sistema de canais que conduziam água frescam e esvaziavam o esgoto. Dentre os artefatos encontrados na fortaleza e no assentamento abaixo dela estavam cacos cerâmicos e moedas (principalmente mamelucas e algumas aiúbidas) e vários rêmiges pertencentes a flechas deixadas por sitiadores mongóis. Durante a Guerra Civil Síria, saques e escavações ilegais em busca de antiguidades ocorreram em Arraba. As áreas afetadas incluíram as salas de armazenamento e pátios da fortaleza, bem como o assentamento medieval no sopé.
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Especificações e componentes
A cidadela de Arraba é descrita pelo historiador Janusz Bylinski como "uma fortaleza dentro de uma fortaleza". Seu núcleo é formado por uma torre de menagem pentagonal de quatro andares, medindo mais ou menos 60 por 30 metros. A torre de menagem está cercada por uma muralha pentagonal, que mede aproximadamente 270 por 95 metros. O formato da muralha exterior foi descrito por Paillet como triangular com seus dois ângulos paralelos tendo sido chanfrados e substituídos por uma cortina. Em torno do monte artificial sobre o qual a fortaleza está há um fosso com 22 metros de profundidade e uma largura de 80 metros. O fosso de Arraba é consideravelmente mais fundo que as fortalezas desérticas do período aiúbida de Palmira e Xumaimis. Uma grande cisterna compõe o andar mais baixo da torre de menagem.
Fases de construção
Embora grandes partes do edifício estão em ruínas, escavações determinaram que Arraba passou por ao menos oito fases de construção não datadas provavelmente começando no início do período aiúbida. Para a maior parte, cada fase utilizou diferentes técnicas arquitetônicas e conceitos de fortificação, e nenhuma das fases afetou toda a extensão do edifício de uma vez. Um ponto em comum das fases foi a restauração ou fortalecimento das laterais oeste e sudeste de Arraba, que defrontavam o planalto do deserto e eram as áreas mais expostas da fortaleza. Em contraste, o lado norte que defrontou os centros populacionais permaneceu amplamente inalterado.


