Psoríase
A psoríase é uma doença autoimune de longa duração caracterizada por manchas na pele. Estas manchas são geralmente avermelhadas, pruriginosas e escamosas. A gravidade é variável, desde manchas pequenas e localizadas até ao revestimento total do corpo. Algumas lesões na pele podem espoletar alterações psoriáticas nesse local, processo que se denomina fenómeno de Koebner.
CID 10
A classificação internacional de doenças classifica a psoríase em:
Por tipo de manifestação
A psoríase pode se manifestar de diversas formas: Existem ainda outras formas mais raras de psoríase como na córnea, orelha ou nariz. É comum múltiplas formas de manifestações simultâneas no mesmo paciente.
Gravidade
Psoríase pode ser classificada como leve (menos de 3% do corpo), moderada (3 a 10% do corpo) ou severa (mais de 10% do corpo). A escala PASI (Índice de gravidade de psoríase por área) é muito usada e avalia além da área comprometida, a presença de eritema, infiltração e descamação. Nos últimos anos, leva-se em consideração o índice de qualidade de vida na dermatologia, DLQI, pois poucas lesões podem afetar muito as atividades laborais e de lazer, exigindo um tratamento mais eficaz, provavelmente com medicamentos sistêmicos. Assim o PASI maior que 10 e DLQI maior que 10 pontos, representa uma psoríase grave.
Como é uma doença que afecta a pele, órgão externo e visível, esta doença tem efeitos psicológicos não negligenciáveis. Com efeito, como a forma como cada indivíduo se vê está relacionada com a valorização pessoal numa sociedade que é, muitas vezes, mais sensível à aparência exterior que a outras características da personalidade, o melhor cuidado a ter com uma pessoa afectada por esta doença é dar-lhe apoio psicológico (ternura, carinho, afeto, atenção...). Mais de 70% dos pacientes apresentam prurido moderado ou intenso. Comprometimento articular atinge cerca de 25% dos casos. O abscesso de Munro pode ser visto em 60% dos exames histopatológicos. Mais de 70% relatam dores nas articulações e 30% desenvolvem artrites. Manifesta-se com a inflamação nas células da pele (queratinócitos) provocando o aumento exagerado de sua produção, que vai se acumulando na superfície formando placas avermelhadas de escamação esbranquiçadas ou prateadas. Isso em meio a um processo inflamatório e imunológico local. O sistema de defesa local, formado pelo linfócitos T, é ativado como se a região cutânea tivesse sido agredida. Em consequência, liberam substâncias mediadoras da inflamação, chamadas citocinas que aceleram o ritmo de proliferação das células da pele.
Está relacionada a um excesso de linfócito T, uma célula de defesa do organismo, sendo portanto uma doença autoimune. Se um dos pais possui psoríase, os filhos possuem cerca de 15-30% de desenvolver também. Os genes envolvidos são chamados de PSORS e numerados de 1 a 9, sendo o PSORS1 responsável por 35-50% dos casos genéticos. Também é fortemente correlacionada com um histórico familiar de diabetes (20-30%), depressão maior (10-30%) e hipertensão (20-40%). Fatores psicoemocionais, especialmente estresse e depressão, estão associados com o aparecimento (cerca de 82% dos casos) e agravamento dos sintomas. De forma semelhante o clima frio e seco também agravam os sintomas e favorecem seu aparecimento precoce. Não é contagioso. O fenômeno de Koebner é relatado em 30% dos aparecimentos e faringite em 10%. Outro fator comum é a doença de Crohn, uma doença crônica inflamatória intestinal. A evidência do fator genético é que, quando um gêmeo idêntico possui psoríase, o outro possui 70% de probabilidade também desenvolver, sendo a correlação de 30% para gêmeo não-idêntico.
O diagnóstico é predominantemente clínico, mediante observação das manchas na pele. Muitas vezes a artrite psoriática (ou artrite psoriásica) é confundida com a gota, em função de existirem sintomas semelhantes, como articulações inflamadas e extremamente doloridas. Para que se faça um diagnóstico preciso é necessário procurar um bom reumatologista que faça um estudo do histórico de doenças que o indivíduo já teve, além de seus familiares, por ser uma doença hereditária. Às vezes é necessário fazer-se uma artroscopia. Pode-se tratar durante anos equivocadamente os sintomas da psoríase como se fossem manifestações de outras doenças. Por exemplo: dores lombares e rigidez matinal podem ser confundidas com problemas na coluna vertebral; deformações nas unhas podem ser confundidas com ataques de fungos; feridas e escamações no couro cabeludo, atrás das orelhas e nas sobrancelhas podem ser confundidas com dermatite seborreica.
Embora seja uma doença que não tem cura, existem medidas que podem evitar as recaídas: Vários tipos de alívios temporários estão disponíveis e sua eficácia varia dependendo do caso. A psoríase não tem um curso previsível, cada caso tem o seu próprio curso. É uma doença crônica, para toda a vida e o paciente deve aprender a conviver adequadamente com a doença, controlando-a de forma a levar sua vida normalmente.
Embora não exista cura para a psoríase, existem muitas opções de tratamento. Em geral, os agentes tópicos são utilizados para doença ligeira, fototerapia para doença moderada e agentes sistémicos para doença grave.
Agentes tópicos
Os compostos tópicos de corticosteroides são os agentes mais eficazes quando utilizados continuamente durante 8 semanas; retinoides e alcatrão de hulha demonstraram ter um benefício limitado e podem não ser melhores do que placebo. Foi observado um maior benefício com corticosteroides muito potentes em comparação com corticosteroides potentes. Os análogos da vitamina D, como o paricalcitol, são superiores ao placebo. A terapêutica combinada com vitamina D e um corticosteroide foi superior a qualquer um dos tratamentos isoladamente, e a vitamina D foi considerada superior ao alcatrão de hulha na psoríase crónica em placas. Para a psoríase do couro cabeludo, uma revisão de 2016 descreveu a terapia dupla (análogos da vitamina D e corticosteroides tópicos) ou a monoterapia com corticosteroides como mais eficazes e seguras do que apenas os análogos tópicos da vitamina D. Devido aos seus perfis de segurança semelhantes e ao benefício mínimo da terapia dupla em relação à monoterapia, a monoterapia com corticosteroides parece ser um tratamento aceitável para o tratamento de curta duração.
Fototerapia ultravioleta
A fototerapia sob a forma de luz solar é utilizada há muito tempo para tratar a psoríase. A luz ultravioleta com comprimento de onda de 311 a 313 nanómetros é a mais eficaz, tendo sido desenvolvidas lâmpadas especiais para esta aplicação. O tempo de exposição deve ser controlado para evitar danos na pele e queimaduras. As lâmpadas ultravioleta devem ter um temporizador que as desligue quando o tempo ideal tiver passado. A quantidade de luz utilizada é determinada pelo tipo de pele da pessoa. O aumento das taxas de cancro com o tratamento parece ser pequeno. Fototerapia UVB de banda estreita (NB-UVB) demonstrou ser tão eficaz como a fototerapia com psoraleno e ultravioleta A (PUVA). Uma meta-análise de 2013 não encontrou nenhuma diferença entre o NB-UVB e o PUVA no tratamento da psoríase, mas o NB-UVB é geralmente mais conveniente.
Agentes sistémicos
A psoríase resistente a tratamentos com tópicos e fototerapia pode ser tratada com terapêuticas sistémicas, incluindo medicamentos ou injecções. As pessoas em tratamento sistémico devem realizar exames ao sangue e testes de função hepática para verificar a toxicidade dos medicamentos. Gravidez deve ser evitada durante a maioria destes tratamentos. A maioria das pessoas apresenta recorrência da psoríase após a interrupção do tratamento sistémico. Os tratamentos sistémicos não biológicos frequentemente utilizados para a psoríase incluem metotrexato, ciclosporina, hidroxicarbamida, ácidos fumáricos, como fumarato de dimetilo, e retinoides. O metotrexato e a ciclosporina são medicamentos que suprimem o sistema imunitário; Os retinoides são formas sintéticas de vitamina A. Estes agentes são também considerados tratamentos de primeira linha para a eritrodermia psoriática. Os corticosteroides orais não devem ser utilizados, pois podem causar uma exacerbação da psoríase após a descontinuação.
A psoríase exige acompanhamento médico por toda a vida, com períodos frequentes de desaparecimento, reaparecimentos e agravamento dos sintomas. Felizmente o tratamento costuma ser bastante eficiente e existe um grande número de opções terapêuticas. Importante o enfrentamento diante de uma doença crônica e experiências nos Estados Unidos e Europa mostram validade dos grupos de apoio ao portador de psoríase, que permite o ambiente adequado à discussões do impacto na qualidade de vida e maior adesão aos tratamentos médicos e cuidados gerais. Em 2010, um estudo mostrou que 97% dos pacientes melhoraram com psoralen e ultravioleta A (tratamento conhecido como PUVA). Pesquisas com lasers e terapia fotodinâmica estão sendo feitas para tratamento de lesões em placas. Há relatos de pacientes que passaram décadas sem nenhum sintoma. Importante o entendimento que ao ficar sem lesões cutânea da psoríase e sem sinais e sintomas de artrite da psoríase, diminuiu as complicações da psoríase (comorbidades) que podem levar a um aumento do risco cardiovascular.
Homens e mulheres são atingidos na mesma proporção, estimada em cerca de 1 a 2% no Brasil, sendo mais comum antes dos 30 e após os 45 anos, podendo, no entanto, surgir em qualquer fase da vida e com grande frequência em pessoas da pele branca, sendo incomum em asiáticos (0,3%) e rara em negros, índios e esquimós. Em nórdicos a prevalência é de 5%. A faixa etária mais afetada é entre 50 e 60 anos, mas cerca de 70% desenvolvem antes dos 45 anos. Em um estudo com 5600 americanos, 10% tiveram sintomas antes dos 10 anos, 35% antes dos 20 anos e 58% antes dos 30 anos. O aparecimento precoce está associado com fatores ambientais desfavoráveis como o tempo frio e seco e com a predisposição genética. Foram identificados significativo abalo psicológico em 90% dos pacientes e um aumento preocupante na ideação suicida.
Pesquisas mostram que, durante uma crise da psoríase, as pessoas normalmente se sentem angustiadas. Às vezes, até mesmo sem perceber, evitam várias atividades, tais como ir à academia ou à piscina, praticar sexo, vestir roupas que mostram a pele ou comparecer a eventos sociais. Além disso, algumas pessoas com psoríase dizem que se sentem envergonhadas, angustiadas, deprimidas ou constrangidas por sua condição, e essas sensações podem fazer a vida parecer mais difícil. Em outras palavras, a psoríase pode ter um impacto significativo em sua qualidade de vida e na forma como você se sente. "
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
A psoríase está correlacionada com agravamento de depressão maior, transtornos de ansiedade, diabetes, hipertensão arterial, obesidade e problemas urinários. Há alguns anos estudos científicos confirmaram que a inflamação crônica da pele e das articulações da psoríase alteram o metabolismo do organismo aumentando níveis de colesterol, triglicérides, da resistência a insulina e isso tudo pode provocar consequências a longo prazo como a hipertensão arterial, diabetes e obesidade mórbida.
HIV
Em soropositivos, a resposta do organismo de aumento do linfócitos T CD8, triplica os riscos de desenvolver a psoríase e dificulta o tratamento com imunossupressores ou medicamentos que causam reações cruzadas. O tratamento com pomadas de coaltar, ácido salicílico, triancinolona ou seus equivalentes pode ser efetivo, principalmente associado à terapia antirretroviral, como os autores observaram no paciente. Etretinato seguido de PUVA tem sido indicado como a mais efetiva terapia sistêmica, com raros efeitos adversos. O etretinato pode ter como efeitos colaterais cefaleia (dor de cabeça) e alterações de enzimas hepáticas. Não é recomendado tratamento com ultravioleta.
Diabetes
Os adipócitos de pessoas com psoríase costumam apresentar o comportamento anômalo de produzirem citocinas, moléculas inflamatórias. Estas citocinas, por sua vez, promovem a destruição das células beta produtoras de insulina no pâncreas e aumentam a resistência à insulina no fígado. Ambas as consequências favorecem o desenvolvimento do diabetes. Estudo de 2012 da Universidade da Califórnia concluiu que pessoas com psoríase em grau severo têm duas vezes mais chances de desenvolver diabetes no futuro em comparação ao restante da população.


