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Ary dos Santos

José Carlos Pereira Ary dos Santos GOIH foi um poeta e declamador português.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Biografia

Infância e juventude

Nascido numa família da alta burguesia de origens aristocratas, e o mais velho de quatro irmãos, José Carlos Ary dos Santos iniciou a sua instrução no Colégio Infante de Sagres, nas Laranjeiras, em Lisboa. Contudo, tendo sido afastado por mau comportamento, foi mandado para o colégio jesuíta Nun'Álvares, em Caldas da Saúde, Santo Tirso. Mais tarde regressaria aos estudos em Lisboa, no Colégio de São João de Brito, onde foi um dos primeiros estudantes. Após a morte da mãe, Ary dos Santos viu publicados, pela mão de familiares, alguns dos seus poemas. Tinha 14 anos e viria a rejeitar esse livro, que considerava de fraca qualidade. O poeta eminente revelaria as suas qualidades em 1954, ao ser incluído na Antologia do Prémio Almeida Garrett.

Atividade profissional

Para seu sustento económico, Ary exerceu variadas actividades; foi, nomeadamente, vendedor e empregado de escritório, até se estabelecer no ofício de redator de publicidade, colaborando com diversas empresas. De resto, na sua época, nessa época, escritores como Alves Redol, Alexandre O’Neill, Urbano Tavares Rodrigues, Luís Sttau Monteiro ou Orlando da Costa emprestariam o seu talento poético a um setor publicitário emergente, criando slogans que ficaram na memória dos portugueses. Ary dos Santos colaborou com a LPE Morrison, a Zeiger, a Suíço-Português e a Espiral. Na Espiral, onde inciou colaboração em 1970, criou slogans reconhecidos como «Minha Lã, Meu Amor», para a Woolmark, «Knorr é naturalmente melhor», para a Knorr, ou «Mais seguro, mais futuro», cujo cliente era o Grémio Nacional dos Seguradores.

Atividade literária e cívica

A estreia literária efetiva de José Carlos Ary dos Santos dá-se com a publicação de A Liturgia do Sangue (1963). Em 1969 adere ao Partido Comunista Português, com qual participa activamente nas sessões de poesia do então intitulado Canto Livre Perseguido. Através da música, Ary dos Santos conquistará o grande público, concorrendo, por mais que uma vez, ao Festival RTP da Canção, sob pseudónimo, como exigia o regulamento. Classificar-se-ia em primeiro lugar com as canções Desfolhada Portuguesa (1969), com interpretação de Simone de Oliveira, Menina do Alto da Serra (1971), interpretada por Tonicha, Tourada (1973), interpretada por Fernando Tordo e Portugal no Coração (1977), interpretada pelo grupo Os Amigos.

Vida pessoal

Homossexual assumido, a sua orientação sexual teria sido a causa principal da sua saída de casa com apenas 16 anos, zangado com a família, e de começar a trabalhar nessa idade para se sustentar. Ary dos Santos deixou poucos poemas onde abordasse o tema da homossexualidade. Tem poemas sobre Rimbaud, António Botto e Cesariny e outro raro exemplo como o poema Meu Amigo Está Longe. O amigo que estava longe era um soldado de quem Ary dos Santos gostava e que tinha partido para a guerra do Ultramar.

Falecimento e legado

Homem de personalidade forte e de apetites excessivos, grande fumador e bebedor, Ary dos Santos acabaria por adoecer de cirrose, vindo a morrer com apenas 47 anos a 18 de Janeiro de 1984, em sua casa na Rua da Saudade, n.º 23, R/C direito, em Alfama, Lisboa. Por testamento, instituiu como seu herdeiro universal o Partido Comunista Português. O seu nome foi dado a um largo do bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na fachada da sua casa, na Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida. Ainda em 1984 foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro. Em 1988, Fernando Tordo editou o disco O Menino Ary dos Santos, com os poemas escritos por Ary dos Santos na sua infância. Em 2009, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti dão voz ao álbum de tributo Rua da Saudade — canções de Ary dos Santos.

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Homenagens e reconhecimento

A 4 de Outubro de 2004 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique a título póstumo. No dia 4 de junho de 2016 foi inaugurada em Sacavém a Biblioteca Municipal Ary dos Santos.

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Família

Imagem: GualdimG · BY-SA · Openverse

José Carlos Ary dos Santos era filho do médico Carlos Ary dos Santos (Lisboa, 1905 – Lisboa, 1957) e de sua mulher, Maria Bárbara de Miranda e Castro Pereira da Silva (Vila Nogueira de Azeitão, 1899 – Lisboa, 1950). Era irmão germano de Maria do Rosário de Castro Pereira Ary dos Santos (1938), Maria Isabel Pereira Ary dos Santos (1940) e de Diogo António Pereira Ary dos Santos (1944-1965), e irmão consanguíneo de Ana Maria Granger Ary dos Santos (1953). Seu avô paterno foi o Carlos Ary dos Santos, docente na Faculdade de Medicina de Lisboa e autor de diversos ensaios na sua área profissional, bem como, sobre numismática e medalhística.==Referências==

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Fontes consultadas

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