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Arzila

Arzila é uma cidade do noroeste de Marrocos, que faz parte da prefeitura de Tânger-Arzila e da região de Tânger-Tetuão. Em 2004 o município tinha 28 120 habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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História

Na Antiguidade a zona costeira de Arzila foi bastante visitada por gregos e fenícios. Foram encontrados vestígios deste últimos, que ali teriam tido um entreposto comercial que daria origem à colónia cartaginesa de nome Zéli, Zilil, Zilis, Zília ou Zeles. Arzila - cidade de África, chamava-se Zelis. Segundo Antonino e segundo Ptolomeu Zelia, e segundo Estrabão chamavam-lhe Abila. Parece boa conjectura que Zelis seria Cilee e Zelia seria Arzila. Chegou a rebelar-se contra Cartago e a ter moeda própria, mas perdeu importância com o ressurgimento de Lixo, outra colónia púnica situada cerca de 35 km a sul. No século I a.C. chegaram os romanos, que a chamaram Colónia Augusta Júlia Constância Zilil (em latim: Colonia Augusti Iulia Constantia Zilil) ou somente Augusta Zilil, que foi depois incorporada na província romana da Mauritânia Tingitana. Segundo Estrabão, parte dos seus habitantes fundaram Júlia Traducta (outras fontes falam em Júlia Ioza), que se supõe corresponder à atual Algeciras, na costa norte do estreito de Gibraltar, para onde transladados entre 33 e 27 a.C. como castigo por se terem rebelado contra as autoridades romanas.

Domínio português

Arzila foi conquistada pelos portugueses a 24 de agosto de 1471, durante o reinado de Afonso V, que empregaram no assalto cerca de 500 navios e 30 000 soldados. Este episódio está ilustrado em três das chamadas Tapeçarias de Pastrana. Os portugueses constroem uma praça-forte, a qual foi ampliada e reforçada a partir de 1509, com traça de Diogo Boitaca, que reconstruiu a alcáçova e a muralha do seu porto, combinando elementos arquitetónicos tradicionais como a torre de menagem e a couraçada, com outros mais evoluídos, como os baluartes com canhoneiras da "Porta da Vila" e o da "Pata da Aranha". Em poucos anos, a cidade tornou-se um entreposto comercial e estratégico importante na rota do ouro saariano. Tal como a Tânger, Arzila recebeu famílias judias espanholas após 1490, para ali direcionadas pela Coroa Portuguesa, com o fim de colonização.

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Património edificado

Não há quaisquer vestígios da casbá construída por al-Qasim ibn Idris e Mousa ibn Abi al-Afiya nos séculos IX e X. Em contrapartida os grandes trabalhos de fortificação dirigidos por Diogo Boitaca no século XVI rodeiam a parte antiga contrastam com a brancura das casas e o azul do mar. Uma muralha imponente com fosso, em forma de paralelogramo com sete hectares de área, rodeia a almedina. Há cinco portas na muralha, que datam de épocas diferentes; duas delas são de origem portuguesa: a Bab al-Homer ("Porta da Vila" ou "da Terra") e Bab al-Bahr ("Porta da Ribeira" ou "do Mar"). Sobre a primeira ainda se pode ver o brasão de armas de Portugal. Entre os bastiões e as torres mais espetaculares, caraterísticas das praças-fortes portuguesas, destacam-se a "Couraça" (Borj al-Bahr) e a Torre de Menagem (Borj al-Kamra). A primeira foi construída entre 1508 e 1516, avança sobre o mar e servia de apoio ao embarque e desembarque de aprovisionamentos e reforços. A segunda, a torre a mais importante da fortaleza, domina com a sua altura imponente a almedina. Foi construída em 1509 e aparece numa gravura célebre de Arzila do século XVI. Era coberta por um telhado de duas águas e dotada de guaritas em cada um dos quatro cantos, caraterísticas da arquitetura militar portuguesa da sua época. Apesar da sua imponência, a torre tinha uma função mais pública e cerimonial do que propriamente militar, veiculando uma imagem de poder. É um vestígio do palácio do governador português, que foi construído sobre o local do palácio do governador marroquino da época medieval. A torre de menagem foi restaurada nos últimos anos do século XX com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian.

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Fontes consultadas

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