Asquenazes
Os asquenazes também conhecidos como asquenazitas, asquenázicos ou asquenazim são a comunidade judaica da Europa Central e do Leste Europeu, que se formou no Sacro Império Romano-Germânico por volta do final do primeiro milênio depois de Cristo.
O nome asquenazim deriva da figura bíblica de Asquenaz, o primeiro filho de Gomer, filho de Jafé, filho de Noé, e um patriarca jafético na Tabela das Nações (Gênesis 10). O nome de Gomer tem sido frequentemente associado aos cimérios. O asquenaz bíblico é geralmente derivado do assírio Aškūza (cuneiforme Aškuzai/Iškuzai), um povo que expulsou os cimérios da área armênia do Alto Eufrates; o nome Aškūza é identificado com os citas. O n intrusivo no nome bíblico é provavelmente devido a um erro de escriba confundindo um vau com um num. Em Jeremias 51:27, Asquenazim figura como um dos três reinos no extremo norte, sendo os outros Manai e Ararate (correspondente a Urartu), chamados por Deus para resistir à Babilônia. No tratado Ioma do Talmude Babilônico, o nome Gomer é traduzido como Germânia, que em outras partes da literatura rabínica foi identificado com Germanikia no noroeste da Síria, mas mais tarde tornou-se associado com Germânia. Asquenazim está ligado a Scandza (ou Scanzia), visto como o berço das tribos germânicas, já no século VI, uma glosa da Historia Ecclesiastica de Eusébio.
Os asquenazes se formaram demográfica e culturalmente na França e na Renânia por volta do final do primeiro milênio d.C, tendo se originado a partir da chegada de dois contingentes populacionais judaicos a essa área: um, vindo da Judeia, de cativos dos romanos nos séculos I e II, após três revoltas judaicas contra o Império Romano; outro, vindo da Itália, atraído pelos estímulos de Carlos Magno. Após sua chegada, eles adaptaram as tradições trazidas da Terra Santa, Babilônia e Mediterrâneo Ocidental para seu novo ambiente europeu. O rito religioso asquenaz desenvolveu-se em cidades como Mainz, Worms e Troyes. O eminente rishon da França medieval, Rashi, teve uma influência significativa nas interpretações do judaísmo pelos asquenazes. Nos séculos X e XI, os asquenazes exerciam profissões como a de comerciantes (possuindo conexões comerciais com o Mediterrâneo e o Oriente), artesãos e produtores de vinho e mantinham-se relativamente isolados, com cada comunidade possuindo um autogoverno.
Estima-se que no século XI, os asquenazes compreendiam 3% da população judaica global, enquanto uma estimativa feita em 1930 (perto do pico da população) os listava como compreendendo 92% da população judaica mundial. No entanto, a população asquenaz foi dizimada pouco depois como resultado do Holocausto, realizado pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial, que afetou quase todas as famílias judias europeias. Imediatamente antes do Holocausto, a população judaica mundial era de aproximadamente 16,7 milhões de pessoas. Os números estatísticos variam para a demografia contemporânea dos judeus asquenazes, variando de 10 milhões a 11.2 milhões. O demógrafo e estatístico israelense Sergio D. Pergola, em um cálculo aproximado dos judeus sefarditas e judeus mizrahim, sugere que os judeus asquenazes representavam 65-70% dos judeus em todo o mundo em 2000. Outras estimativas colocam os asquenazim como compreendendo mais de 75% da população judaica global.
Segundo os estudos genéticos, entre 40 e 50% da genética dos judeus asquenazes é oriunda do Levante, sendo o restante (50 a 60%) oriundo da Europa. Entre 60 e 80% da ancestralidade europeia dos asquenazes é oriunda do sul da Europa. Segundo Behar et al. (2004) e Nebel et al. (2001), as frequências de haplogrupos de cromossomo Y entre os judeus asquenazes é a seguinte: J2 (19-24%), J1 (c. 20%), E1b (16-23%), R1a (8-13%), Q (c. 5%) e R1b (10-11%). Sobre a origem das linhagens maternas asquenazes, ainda há controvérsias se a maioria são de origem levantina ou de origem europeia. Tradicionalmente, pensava-se que a maioria das linhagens maternas asquenazes vinham de mulheres europeias que se uniram a homens judeus e adotaram o judaísmo. Essa hipótese está presente no estudo de Costa et al. (2013). No entanto, o consenso entre a comunidade científica hoje é de que a maioria das linhagens maternas asquenazes são de origem levantina, segundo os estudos de Behar et al. (2006) e Fernández et al. (2014).
Hipótese da origem turca dos asquenazes
No século XX, o escritor húngaro-judaico Arthur Koestler, em seu livro A 13ª Tribo (1976), retomou a antiga teoria de que os judeus asquenazes seriam descendentes dos cazares, um povo de origem túrquica, não semita, que se converteu em massa ao judaísmo e abandonou suas terras, na região da atual Turquia, fugindo das devastações perpetradas pelos mongóis, refugiando-se afinal na Europa Oriental, principalmente nos atuais territórios da Polônia, Hungria e Ucrânia. Essas populações, não pertencendo a nenhuma das doze tribos de Israel, por isso são definidas no livro de Koestler como "a décima-terceira tribo". Porém, testes genéticos em populações de judeus asquenazes não apresentam qualquer evidência de origens cázaras, mas sim de origens advindas do Oriente Próximo/Mediterrâneo e Sudoeste Europeu.
As relações entre asquenazes e sefarditas têm sido às vezes tensas e obscurecidas por arrogância, esnobismo e reivindicações de superioridade racial, com ambos os lados reivindicando a inferioridade do outro, com base em características físicas e cultura, por exemplo. Os sefarditas do Norte de África e os judeus mizrahim eram frequentemente desprezados pelos asquenazes como cidadãos de segunda classe durante a primeira década após a criação de Israel. Isso levou a movimentos de protesto como os Panteras Negras israelenses liderados por Saadia Marciano, um judeu marroquino. Em alguns casos, as comunidades asquenazes aceitaram um número significativo de recém-chegados sefarditas, às vezes resultando em casamentos mistos e na possível fusão entre as duas comunidades. Em 2006 as taxas de casamentos mistos entre judeus israelenses são superiores a 35% e estudos recentes indicam que a proporção de israelenses descendentes de judeus mizrahim/sefarditas e asquenazes aumenta 0,5% a cada ano, com mais de 25% das crianças em idade escolar tendo ancestralidade Ocidental e oriental.
Judeus asquenazes têm uma notável história de realizações nas sociedades ocidentais nos campos das ciências naturais e sociais, matemática, literatura, finanças, política, mídia e outros. Naquelas sociedades onde eles foram livres para entrar em qualquer profissão, eles têm um histórico de alta realização ocupacional, entrando em profissões e áreas de comércio onde o ensino superior é exigido. Judeus asquenazes ganharam um grande número de prêmios Nobel. De acordo com o livro From Chance to Choice: Genetics and Justice, de 2000, publicado pela Universidade de Cambridge, 21% dos estudantes da Ivy League, 25% dos vencedores do Prêmio Turing, 23% dos americanos mais ricos, 38% dos diretores de cinema vencedores do Óscar, e 29% dos premiados de Oslo são judeus asquenazes. As conquistas de tantos judeus asquenazes levaram alguns à visão de que os judeus asquenazes têm inteligência acima da média. No entanto, muitos desses estudos que mostram inteligência superior foram desacreditados, e outros estudos observam que não se deve "confundir categorias raciais com científicas."


