Pesquisa · Mapa mental

Assassinato de Dandara dos Santos

O caso Dandara dos Santos refere-se ao assassinato da travesti Dandara Kettley, ocorrido em 15 de fevereiro de 2017, que foi espancada e executada a tiros no Bom Jardim, bairro de Fortaleza, no Ceará. O crime teve grande repercussão quando as imagens do espancamento foram divulgadas nas redes sociais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
01

Crime

O assassinato de Dandara ocorreu em 15 de fevereiro de 2017, no bairro Bom Jardim, mas só tornou-se público 16 dias depois, quando dois vídeos do ocorrido começaram a circular nas redes sociais. Na tarde de 15 de fevereiro de 2017, Dandara volta para sua casa e avisa para sua mãe que iria andar de moto com um cliente. Pouco tempo após Dandara subir na moto, 12 homens tiram-na de cima e começam a agredi-la, acusando-a de um suposto roubo, com pauladas na cabeça, socos, chutes e tapas. A agressão chamou atenção da vizinhança, mas ninguém tentou se impor ou socorrer a vítima. Naquele momento, um dos homens que estavam presentes começou a filmar as agressões. O primeiro vídeo mostra Dandara sozinha, já machucada e sangrando, tentando estancar os ferimentos e gritando por sua mãe na intenção de que os moradores parassem de apoiar. Ela está sentada numa área cimentada do calçamento e com uma camisa amarela na mão, que usava para limpar o sangue. Outras pessoas incitam por mais espancamento, mesmo ela pedindo para não apanhar mais. O segundo vídeo mostra Dandara sendo torturada por três homens por não conseguir subir num carrinho de mão, devido ao estado em que estava. Ela recebia chutes e tapas na cabeça, sendo também agredida com uma sandália na cabeça e um pedaço de madeira, recebendo insultos. Ao fim da gravação, cinco homens se juntam para colocar Dandara no carrinho de mão e levar para outro local. Posteriormente, recebeu dois tiros e uma forte pedrada na cabeça, falecendo por traumatismo craniano.

02

Investigação

A investigação sobre o caso foi coordenada pelos delegados Bruno Ronchi Vieira, do 32.º Distrito Policial (32.º DP) do Bom Jardim, e Arlete Silveira, da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Após a repercussão do assassinato com a divulgação de vídeos do momento na internet, Ronchi declarou que envolvidos no crime foram identificados, mas que ainda não tinham sido presos. Ele relatou que o vídeo com o momento das agressões foi enviado dois dias após o assassinato e que além das pessoas que aparecem no vídeo, outros criminosos eram apontados como responsáveis pelo crime. O caso não estava sendo amplamente divulgado para não atrapalhar as investigações. O coordenador especial de políticas públicas para LGBT, Narciso Júnior, afirmou para o portal O Povo Online que um dos envolvidos já estaria preso.

03

Repercussão

O caso se tornou notório após a divulgação das imagens via Facebook. Uma das imagens foi divulgada pelo coordenador da Diversidade Sexual da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Fortaleza, Paulo Diógenes, que também comentou que foi "uma fatalidade que autoridades precisam dar os devidos esclarecimentos". Em nota divulgada na mesma rede social, o governador Camilo Santana prestou solidariedade à família e amigos de Dandara e julgou o caso como "repugnante e inaceitável", além de determinar ao secretário de Segurança que trabalhasse com "total empenho no sentido de identificar e punir cada um dos criminosos". O prefeito Roberto Cláudio divulgou nota em que também afirmou que o assassinato "é uma expressão de violência que não podemos tolerar em nossa cidade nos tempos atuais" e que estava envolvendo toda a estrutura administrativa da Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e sua Coordenadoria da Diversidade Sexual, "para que apoie as investigações e a consequente punição dos responsáveis por esse ato bárbaro".

Livro

Entre outubro de 2018 e janeiro de 2019, a policial civil Vitória Holanda escreveu o livro Casulo Dandara. Amiga de infância de Dandara, Vitória tomou a iniciativa de lançar o material por conta de comentários falsos na internet que atribuíam à travesti com facções criminosas ou alegações de que vendia drogas. O livro narra a trajetória de Dandara desde a infância até sua morte e a repercussão internacional do crime. Até o mês em que finalizou o livro, Vitória pediu apoio de editoras para publicar o material. Seu lançamento estava previsto para agosto de 2019, durante a Bienal do Livro do Ceará.

Escultura em sua homenagem nos Estados Unidos

Em 14 de dezembro de 2019, data em que Dandara completaria 45 anos, o artista maranhense Rubem Robierb homenageou a travesti com uma escultura em uma praça em TriBeCa (sul da ilha de Manhattan), nos Estados Unidos. Intitulada Máquina de sonhos: Dandara, a obra ficou até maio de 2020 em Nova York e depois foi exposta permanentemente em Miami (Flórida). Em reportagem ao Globo News, o artista disse que a família de Dandara agradeceu pela obra, que, de certa forma, realizou o desejo dela de um dia ser famosa. ​Internacionalmente, o caso de Dandara dos Santos tornou-se um referência para a pedagogia sobre direitos humanos. Na Argentina, sua memória é integrada às estratégias de Responsabilidade Solidária no marco da Lei 27 675 (Lei de Resposta Integral ao HIV, Hepatites Virais, IST e Tuberculose), destacando a necessidade de proteção estatal integral para grupos vulneráveis.

Nome de rua

Em 10 dezembro de 2020, concomitantemente ao Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Câmara de Vereadores de Fortaleza aprovou o projeto de lei 64/2019, que denomina uma rua do bairro Bom Jardim como Rua Dandara Ketley, projeto de autoria do vereador Ronivaldo Maia (PT). Esta foi a primeira rua da cidade de Fortaleza nomeada em homenagem a uma travesti. — Vereador Ronivaldo Maia, Projeto de Lei 64/2019

Projeto de Lei Dandara

A Câmara dos Deputados tramita o projeto de lei 7 292/2017, de autoria da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), para considerar o homicídio contra pessoas LGBT como homicídio qualificado, classificando-o como crime hediondo. A ementa do projeto é: "Altera o art. 121 do Decreto-Lei no 2 848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, para prever o LGBTcídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1.º da Lei no 8 072, de 25 de julho de 1990, para incluir o LGBTcídio no rol dos crimes hediondos." O projeto foi batizado de Lei Dandara. Em 2024, foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, cuja relatora era a deputada Erika Kokay (PT-DF).

04

Julgamentos e sentenças

Em 30 de novembro de 2017, a juíza Danielle Pontes de Arruda Pinheiro, da 1ª Vara do Júri de Fortaleza, pronunciou os nomes dos cinco réus que iriam a juri popular pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, crueldade e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e corrupção de menores. As defesas dos réus haviam pedido a impronúncia dos nomes, alegando que eles não tinham cometido o homicídio. Dos acusados, apenas dois estavam foragidos e um havia sido preso por outro crime. Os adolescentes estavam respondendo a atos infracionais análogos ao crimes de homicídio quadruplamente qualificado, organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. Ambos os julgamentos ocorreram no no 1.º Salão do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. O primeiro julgamento foi marcado para o dia 5 de abril de 2018 e teve início às 9h46, durando 14 horas e 45 minutos até a leitura da sentença, terminando por volta da 0h30. Os réus foram ouvidos separadamente durante a manhã e tarde. Quatro deles confessaram as agressões, alegando que não tinham a intenção de matar Dandara. A sessão teve um intervalo às 14h e retornou às 14h30, com a manifestação da acusação, permanecendo até às 16h30. A defesa dos réus iniciou a apresentação das teses por volta de 16h50.

05

Notas e referências

Referências

Assassinato de Lucas Terra (mar-2001) Sequestros de Patrícia Abravanel e Silvio Santos (ago-2001) Caso de Ouro Preto (out-2001) Assassinato de Celso Daniel (jan-2002) Caso Fernanda Orfali (set-2002) Caso Richthofen (out-2002) Assassinato de Gabriela Prado (mar-2003) Assassinatos de Liana Friedenbach e Felipe Caffé (nov-2003) Caso Gil Rugai (mar-2004) Caso da cadela Preta (mar-2005) Caso Denny Oliveira (~2007) Caso Renné Senna (jan-2007) Assassinato de João Hélio (fev-2007) Assassinato de Gabriel Kuhn (jul-2007) Caso Lucélia Rodrigues da Silva (~2008) Assassinato de Isabella Nardoni (mar-2008) Sequestro e assassinato de Eloá Cristina (out-2008) Assassinato de Rachel Genofre (nov-2008) Assassinato de Mércia Nakashima (mai-2010) Assassinato de Eliza Samudio (jun-2010) Caso Rafael Mascarenhas (jul-2010) Caso Joanna Marcenal (ago-2010)

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando