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Sismos na Venezuela de 2026

Sismos na Venezuela de 2026 foram dois sismos de forte magnitude ocorridos em sucessão em 24 de junho de 2026, no centro-norte da Venezuela. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o primeiro ocorreu às 22h04min33s UTC, a 24 km a leste-nordeste de San Felipe, no estado de Iaracui, e teve magnitude de momento de 7,2 e profundidade de 21,9 km. O segundo, de magnitude 7,5 e a 10 km de profundidade, ocorreu 38 segundos depois, a 16 km a sudoeste de Morón, no estado de Carabobo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
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Contexto tectónico

O norte da Venezuela situa-se numa fronteira tectónica complexa entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. De acordo com a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (FUNVISIS), a interacção entre estas placas origina uma ampla zona de falhas activas no norte do país. O movimento relativo entre ambas as placas é oblíquo e a deformação não se concentra numa única falha, distribuindo-se por uma larga faixa de estruturas activas, incluindo falhas de desligamento lateral e estruturas compressivas. Entre os principais sistemas de falhas quaternárias do norte e noroeste venezuelano encontram-se os sistemas Boconó–San Sebastián–El Pilar e Oca–Ancón. A cartografia do USGS identifica numerosas falhas activas ou potencialmente activas, tanto no território continental como na margem marítima adjacente. Segundo Feliciano De Santis, presidente da Sociedade Geológica Venezuelana e professor da Universidade Central da Venezuela, as falhas activas do norte do país são predominantemente transcorrentes, pelo que os grandes sismos tendem a ter períodos de recorrência mais longos do que em zonas de subducção. O geólogo afirmou que cerca de 80% da população venezuelana vive sobre as falhas transcorrentes mais activas e que as principais cidades se situam junto à fronteira entre as placas Sul-Americana e das Caraíbas.

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Sismos

O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou os dois eventos principais como um dupleto sísmico, isto é, uma sequência de dois sismos fortes ocorridos próximos no tempo e no espaço. Segundo o organismo, o primeiro abalo, de magnitude 7,2, constituiu um sismo premonitório ou evento precursor, seguido 38 segundos depois pelo sismo principal, de magnitude 7,5. Nas primeiras horas após o evento, várias agências noticiosas referiram para o primeiro abalo uma magnitude preliminar de 7,1 e uma profundidade de cerca de 13 km; o catálogo do USGS passou, contudo, a identificá-lo como de magnitude 7,2 e profundidade de 21,9 km. Após os sismos, o sistema norte-americano de alerta de tsunamis emitiu inicialmente comunicações para Porto Rico e as Ilhas Virgens, bem como advertências sobre possíveis ondas perigosas para ilhas do Caribe Holandês, incluindo Aruba, Curaçau e Bonaire. O alerta foi retirado cerca de uma hora depois, quando o sistema concluiu que já não subsistia ameaça de tsunami para as regiões abrangidas.

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Estimativa de impacto

O sistema Prompt Assessment of Global Earthquakes for Response (PAGER), do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), classificou o evento com alerta vermelho, indicando a probabilidade de numerosas vítimas, danos extensos e desastre de alcance generalizado. Uma avaliação preliminar da NASA, baseada em imagens de radar dos satélites Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia, estimou que 58 870 edifícios tinham sido danificados ou destruídos na região afectada. Em 29 de junho, uma análise do programa Copernicus identificou 434 edifícios totalmente colapsados e outros 1 304 potencialmente danificados na área afectada pelos sismos. Segundo estimativa divulgada pelo USGS e noticiada pelo El País, havia uma probabilidade de 42% de o número de mortos ficar entre 10 000 e 100 000 pessoas, 33% de ficar entre 1 000 e 10 000, 17% de ultrapassar 100 000 e 8% de ficar entre 100 e 1 000. A estimativa económica preliminar apontava para perdas equivalentes a 1% a 7% do produto interno bruto venezuelano. Estas estimativas são probabilísticas e destinam-se ao apoio às operações de emergência, não constituindo um balanço oficial de vítimas nem uma previsão definitiva da evolução do desastre.

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Cronologia

A cronologia seguinte resume os principais acontecimentos registados desde os sismos de 24 de junho de 2026:

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Impacto

Foram relatadas dificuldades nos serviços de telefonia e dados móveis em Caracas, Miranda e La Guaira, que dificultaram o contacto entre familiares, incluindo venezuelanos residentes no exterior. Os problemas foram particularmente sentidos por utilizadores da Movistar, enquanto fontes da Digitel indicaram que a respectiva plataforma funcionava normalmente e sem falhas generalizadas. Como medida de emergência, a Movistar disponibilizou temporariamente chamadas de voz e mensagens SMS gratuitas aos seus clientes. A Digitel anunciou chamadas e SMS gratuitos durante 48 horas, em especial para utilizadores em Caracas, La Guaira, Morón, Valência, San Diego, Maracay, San Felipe e Barquisimeto. A Movilnet comunicou igualmente medidas especiais de apoio à conectividade, sem detalhar a sua duração ou alcance. Em 28 de junho, a Movistar anunciou a activação gratuita de um serviço de mensagens de texto por satélite, em colaboração com a Starlink, para os seus assinantes no estado de La Guaira. Em 25 de junho, a Starlink anunciou que disponibilizaria gratuitamente o seu serviço durante um mês aos utilizadores na Venezuela e que procurava instalar rapidamente terminais para restabelecer a conectividade nas zonas mais afectadas. A Digitel e a Starlink Mobile activaram mensagens de texto por satélite gratuitas em La Guaira para aparelhos compatíveis com rede LTE. O serviço foi anunciado como utilizável em áreas exteriores sem cobertura móvel, sem saldo activo nem configuração manual.

Caracas e Grande Caracas

Em Caracas, foram evacuados edifícios residenciais, comerciais e de escritórios. A Associated Press relatou o colapso de edifícios e habitações na capital, bem como paredes derrubadas, colunas de pó e danos visíveis em diversos bairros. A Reuters registou fachadas danificadas, fissuras em paredes, vidros partidos e interrupções de electricidade e de acesso à Internet em sectores de Caracas; foram também relatados danos em edifícios de Valência. Segundo um primeiro levantamento do jornal venezuelano El Pitazo, registaram-se danos em estruturas nos bairros de Altamira, Los Palos Grandes, Sebucán, Los Ruices, Santa Rosa de Lima, Los Símbolos, La Candelaria, La Pastora e Catia. O levantamento, ainda preliminar, contabilizou seis estruturas afectadas, com os casos mais graves em Altamira, Los Palos Grandes e Playa Grande, no estado de La Guaira, e referiu também um incêndio de grandes proporções noutro edifício.

Estado de La Guaira

Nas horas seguintes aos sismos, a presidente encarregada Delcy Rodríguez declarou o estado de La Guaira como zona de desastre. No final de 25 de junho, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, informou que mais de 100 edifícios tinham colapsado no estado, identificando Caraballeda e Catia La Mar como as áreas mais afectadas. Cabello anunciou também o reforço das operações com mais de 100 unidades de maquinaria pesada e a mobilização prevista de 11 500 efectivos da Guarda Nacional, Forças Armadas, polícia e Exército. Entre as estruturas gravemente afectadas no estado estavam o Eduard's Hotel Boutique, descrito como quase completamente destruído, a Academia Naval da Venezuela e vários edifícios altos em Catia La Mar. O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou que o hotel era propriedade de madeirenses e que havia pessoas no interior no momento do colapso.

Outras regiões da Venezuela

O sismo foi sentido, além de Caracas, nos estados de Bolívar, Aragua, Falcón, Anzoátegui, Lara, Táchira, Sucre, Delta Amacuro, Monagas, Miranda, Guárico, Barinas, Portuguesa, Cojedes, Zulia e Iaracui, entre outros. Em diversas localidades, moradores saíram para as ruas após os abalos. Segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello, registaram-se também desabamentos ou danos relevantes em Trujillo e Carabobo. Em Aragua, a torre quatro da urbanização Bosque Lindo, em Turmero, colapsou totalmente, tendo os edifícios adjacentes apresentado fissuras de risco. Em Choroní, foram relatados colapsos de habitações e deslizamentos na estrada para a Colónia Tovar. Em 29 de junho, segundo o Governo de Aragua, mais de 30 equipas de várias instituições foram mobilizadas na Colónia Tovar para remover escombros e desobstruir as vias de ligação a Caracas, Miranda e Puerto Maya. Avaliações preliminares nos sectores de Portachuelo, Bucaral e Alto Fogón apontaram para cerca de 20 famílias que perderam totalmente as habitações nos dois primeiros sectores; em Alto Fogón, uma casa foi destruída e três sofreram danos estruturais. As autoridades declararam não ter registado mortes na localidade.

Vítimas e resposta de emergência

Em 25 de junho, Delcy Rodríguez actualizou o balanço provisório para pelo menos 164 mortos e 971 feridos. Não foi divulgado um balanço nacional completo desagregado por estado ou município, embora autoridades locais tenham confirmado vítimas em alguns concelhos da Grande Caracas. Na mesma actualização, Rodríguez informou que pelo menos dez edifícios tinham colapsado na Grande Caracas e anunciou a criação de um fundo inicial de 200 milhões de dólares, proveniente de recursos venezuelanos depositados no Fundo Monetário Internacional, para a reconstrução de infra-estruturas, hospitais e habitações afectadas; foi igualmente anunciado um fundo adicional destinado ao apoio directo às vítimas. Num balanço posterior, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, elevou o número provisório de vítimas para pelo menos 188 mortos, 1 520 feridos e 157 desaparecidos. Informou igualmente que mais de 2 200 famílias tinham sido afectadas e que cerca de 200 pessoas continuavam sob os escombros. O levantamento incluiu 250 edifícios afectados, sobretudo em Caraballeda e Playa Grande, oito hospitais — alguns dos quais evacuados —, 20 centros comerciais e 68 outras infra-estruturas, perfazendo 346 estruturas danificadas. Mais tarde, Jorge Rodríguez actualizou o balanço para pelo menos 920 mortos e 3 360 feridos, referindo ainda 172 pessoas presas sob os escombros e 3 007 pessoas afectadas. As equipas de emergência prosseguiram as operações de busca e salvamento em edifícios colapsados durante a noite.

Edifícios e estruturas com danos graves ou colapso confirmados

Em balanço divulgado em 30 de junho, Jorge Rodríguez informou que 158 dos 189 edifícios totalmente colapsados no país se localizavam no litoral central. A tabela seguinte reúne edifícios e outras estruturas para os quais foram publicados danos graves, colapsos ou operações de busca e salvamento:

Vulnerabilidade das construções

Especialistas consultados pelo jornal El País salientaram que a magnitude dos sismos, por si só, não explica a dimensão dos colapsos. Entre os factores relevantes apontados estiveram a reduzida profundidade dos abalos, a proximidade entre a fonte sísmica e zonas densamente povoadas, as características dos solos, os sistemas estruturais utilizados nos edifícios e o grau de exigência e fiscalização das normas de construção. No município de Chacao, o autarca Gustavo Duque declarou que os três edifícios residenciais colapsados eram construções antigas que não cumpriam os requisitos de protecção sísmica introduzidos após o sismo de Caracas de 1967, no contexto dos edifícios afectados no município.

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Assistência internacional

Coordenação multilateral

A Organização das Nações Unidas coordenou com as autoridades venezuelanas a chegada de equipas internacionais de busca e salvamento urbano através do Grupo Consultivo Internacional de Operações de Busca e Resgate (INSARAG). Segundo fontes da OCHA citadas pela EFE, estavam mobilizadas ou a caminho 30 equipas estrangeiras, reunindo cerca de 1 600 efectivos e 100 cães de busca. Em 2 de julho, a equipa das Nações Unidas para Avaliação e Coordenação de Catástrofes (UNDAC) informou à EFE que se encontravam no país 53 equipas internacionais de busca e salvamento, reunindo cerca de 3000 socorristas. Segundo a organização, estas equipas tinham resgatado com vida 12 pessoas durante os seis dias anteriores de operações.

Apoio das Américas

Os Estados Unidos mobilizaram equipas de busca e salvamento, recursos médicos e ajuda humanitária por intermédio do Departamento de Estado, envolvendo igualmente o Departamento de Defesa no apoio imediato. O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou depois um pacote de ajuda de 150 milhões de dólares. Cinquenta milhões seriam canalizados através de parceiros humanitários no terreno, incluindo a World Vision, a Organização Internacional para as Migrações e o Programa Alimentar Mundial, enquanto os restantes 100 milhões seriam destinados ao fundo comum para a Venezuela gerido pelo OCHA. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos flexibilizou temporariamente algumas sanções até 23 de outubro de 2026, para permitir transacções relacionadas com a assistência humanitária decorrente dos sismos que, de outro modo, estariam proibidas. Em 27 de junho, um alto responsável do Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou que duas equipas norte-americanas de busca e salvamento, de 80 elementos cada, com cães e equipamento pesado, já trabalhavam no país e tinham localizado sobreviventes. Estava igualmente prevista a mobilização de cerca de 250 socorristas civis adicionais. Um navio de transporte da Marinha dos Estados Unidos encontrava-se ao largo da costa venezuelana, preparado para receber sobreviventes evacuados por via aérea, enquanto as forças armadas norte-americanas coordenariam voos de socorro, hospitais móveis e material de emergência.

Apoio europeu

Após pedido formal de Caracas, a União Europeia activou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia. Oito Estados-membros — Alemanha, Chéquia, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal — disponibilizaram mais de 520 operacionais. Portugal mobilizou uma força conjunta de 64 elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e do Instituto Nacional de Emergência Médica, transportada em dois aviões KC-390 da Força Aérea Portuguesa, bem como cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária. A base de operações da missão portuguesa seria instalada em Catia La Mar, no estado de La Guaira. Também em 29 de junho, o Governo português anunciou que preparava a mobilização de recursos financeiros para apoiar a resposta humanitária, em articulação com as autoridades venezuelanas e com organizações presentes no terreno.

Apoio de outros países

Em 29 de junho, a China anunciou que enviaria ajuda material de emergência no valor de 100 milhões de yuanes, cerca de 12,8 milhões de euros, para apoiar as operações de salvamento e a reconstrução. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, os fornecimentos seriam enviados o mais rapidamente possível. Segundo a embaixada chinesa em Caracas, a assistência material era adicional à ajuda financeira previamente anunciada. A representação diplomática informou também ter fornecido imagens de satélite das áreas afectadas, enquanto empresas e associações chinesas na Venezuela doaram maquinaria de construção, materiais médicos de emergência e equipas de apoio às buscas e salvamento.

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Reacções

Na altura dos sismos, o ex-presidente Nicolás Maduro encontrava-se detido numa prisão federal em Nova Iorque, após ter sido capturado por tropas dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, sendo a presidência interina da Venezuela exercida por Delcy Rodríguez. Uma mensagem atribuída a Maduro e divulgada nas redes sociais apelou à união nacional, à serenidade e à solidariedade, afirmando que o país superaria a catástrofe com fé, disciplina e apoio mútuo. A dirigente da oposição venezuelana María Corina Machado manifestou solidariedade com as famílias afectadas e apelou à unidade. Edmundo González Urrutia, então no exílio, criticou as restrições ao acesso à informação, alegando que dificultavam o contacto de venezuelanos no estrangeiro com os seus familiares no país. Juan Guaidó manifestou igualmente esperança de que as pessoas necessitadas recebessem assistência rapidamente. Em 28 de junho, o Papa Leão XIV manifestou, durante a oração do Angelus, proximidade às vítimas dos sismos e agradeceu o trabalho dos socorristas e das demais pessoas envolvidas na assistência às comunidades afectadas.

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Protestos

Após os sismos, a resposta do Governo venezuelano foi criticada por moradores das áreas mais afectadas. A Associated Press noticiou que residentes de La Guaira manifestaram frustração e indignação com o nível de resposta nos primeiros dias, antes de as operações se tornarem mais organizadas com a chegada em massa de missões internacionais de salvamento. A Reuters referiu que a demora no destacamento de maquinaria pesada e de equipas de busca e salvamento levou moradores a procurar familiares soterrados com as próprias mãos, pás e cordas. Durante uma visita de Delcy Rodríguez a um edifício residencial colapsado em Caracas, moradores vaiaram-na e criticaram a resposta governamental à catástrofe. Em 28 de junho, moradores de Tanaguarena, em La Guaira, protestaram contra a falta de apoio às buscas e exigiram que militares presentes no local participassem na remoção dos escombros de um edifício colapsado; segundo a reportagem, os soldados passaram a integrar os trabalhos após o protesto.

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Fontes consultadas

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