Astronomia em Marte
Este artigo apresenta informações e imagens sobre a observação de fenômenos astronômicos a partir do planeta Marte. Em muitos casos, estes podem ser idênticos ou similares aos observados a partir da Terra mas às vezes eles podem ser bastante diferentes. Por exemplo, devido ao fato de a atmosfera de Marte não possuir uma camada de ozônio, é possível fazer observações ultravioleta a partir da superfície de Marte.
Marte possui uma inclinação axial de 25.19°, bem próximo ao valor de 23.44° para a Terra, sendo as estações de Marte a primavera, o verão, o outono e o inverno, tal como na Terra. Assim como na Terra, os hemisférios norte e sul possuem verões e invernos em tempos opostos. No entanto, a órbita de Marte possui uma excentricidade maior do que aquela da Terra. Assim as estações possuem uma duração desigual, muito mais do que na Terra: Em termos práticos, isso significa que os verões e os invernos possuem durações e intensidades diferentes nos hemisférios norte e sul. Verões no sul são amenos e curtos (porque Marte se move rapidamente durante seu periélio), enquanto os invernos no sul são longos e frios (Marte se move devagar durante seu afélio). O atraso sazonal em Marte não ultrapassa os dois dias, devido à sua falta de grandes corpos de água e fatores similares que providenciariam um efeito favorecedor à retenção de calor. Assim, para as temperaturas de Marte, a primavera reflete de maneira aproximada o verão, assim como o outono reflete de maneira aproximada o inverno, e se Marte tivesse um órbita circular as temperaturas mínima e máxima ocorreriam alguns dias após o solstício de verão e de inverno, e não um mês após, como na Terra. A única diferença entre as temperaturas de primavera e de verão se devem à excentricidade relativamente alta da órbita de Marte: na primavera no hemisfério norte Marte se encontra mais distante do sol do que no verão do hemisfério norte, e assim por coincidência a primavera é ligeiramente mais fresca que o verão e outono e um pouco mais amena que o inverno. No entanto, no hemisfério sul o oposto é válido.
No momento do nascer e do pôr do sol o céu marciano possui uma tonalidade rosada, mas nas proximidades do pôr do sol o céu é azul. Isso é o exato oposto da situação na Terra. No entanto, durante o dia a tonalidade do céu é uma coloração amarelo-marrom como um "caramelo". Em Marte, a dispersão de Rayleigh é geralmente um efeito diminuto. Acredita-se que a cor do céu é causada pela presença de 1% em volume de magnetita nas partículas de poeira. O crepúsculo dura muito após o sol ter se posto e anterior à sua aurora, devido à grande quantidade de poeira na atmosfera marciana. Às vezes, o céu marciano adquire uma cor violeta, devido à dispersão de luz por partículas muito pequenas de gelo nas nuvens. Gerar imagens em cores verdadeiras da superfície de Marte é surpreendentemente complicado. Há muita variação na cor do céu tal como se observa nas imagens publicadas; muitas dessas imagens, no entanto, utilizam filtros para maximizar o valor científico e não tem o propósito de revelar a cor verdadeira. No entanto, acreditou-se por muitos anos que o céu de Marte fosse de uma tonalidade rosada muito mais intensa do que se acredita atualmente.
Terra e Lua
Visto de Marte, a Terra é um planeta interior assim como Vênus (uma "estrela matutina" ou "estrela vespertina"). A Terra e a Lua se assemelham a estrelas a olho nu, mas observadores utilizando telescópios as veriam como crescentes, com alguns detalhes visíveis. Um observador em Marte seria capaz de ver a Lua orbitando ao redor da Terra, e isso seria perfeitamente visível a olho nu. Em contraste, observadores na Terra não podem ver nenhum satélite de outros planetas a olho nu, e não foi até a invenção do telescópio que os primeiros satélites foram descobertos (As luas de Galileu, de Júpiter). A uma separação angular máxima, a Terra e a Lua seriam facilmente distinguíveis como um planeta duplo, mas em uma semana após estes mesclariam em um único ponto luminoso (a olho nu), e então uma semana mais tarde, a Lua alcançaria a separação angular máxima no lado oposto. A separação angular máxima da Terra e da Lua varia consideravelmente de acordo com a distância relativa entre a Terra e Marte: ela é de 17′ quando a Terra se encontra o mais próximo de Marte (próximo a conjunção inferior), mas de apenas de 3.5′ quando a Terra se encontra o mais afastado de Marte (próximo a conjunção superior). Por comparação diâmetro aparente da Lua a partir da Terra é de 31′.
Fobos e Deimos
A lua Fobos aparenta ter um terço do diâmetro angular que a Lua cheia tem na Terra; por outro lado, Deimos se assemelha mais a uma estrela cujo disco quase impossível de ser discernido. Fobos orbita tão rápido que ele nasce a oeste e se põe a leste; Deimos por outro lado nasce a leste e se põe a oeste, mas orbita em um intervalo de tempo de algumas horas mais devagar em relação ao sol marciano, então se passam dois dias e meio entre o seu nascer e seu alvorecer. O brilho máximo de Fobos durante a "lua cheia" é de uma magnitude -9 ou -10, enquanto a de Deimos é de aproximadamente -5. Por comparação, a Lua cheia vista da Terra é consideravelmente mais brilhante, de magnitude -12.7. Fobos é brilhante o bastante para projetar sombras; Deimos é ligeiramente mais brilhante que Vênus visto a partir da Terra. É claro, tal como a Lua da Terra, ambos Fobos e Deimos são considerados mais foscos fora da fase cheia. Diferente da Lua da Terra, as fases e diâmetro angular de Fobos mudam visivelmente com o passar das horas; Deimos é pequeno demais para que suas fases sejam observadas a olho nu.
Meteoros e chuvas de meteoros
Devido a sua atmosfera, Marte possui uma atmosfera que é relativamente transparente à cumprimentos de ondas visíveis (tal como a da Terra, porém muito mais tênue), meteoros podem ser avistados ocasionalmente. Chuvas de meteoros na Terra ocorrem quando a Terra cruza a órbita de um cometa, e da mesma maneira, Marte também possui chuvas de meteoros, apesar de estas serem diferentes das da Terra. Atualmente acredita-se que o primeiro meteoro fotografado em Marte (em 7 de março de 2004, pela MER Spirit) seja parte de uma chuva de meteoros cuja origem seja o cometa 114P/Wiseman-Skiff. Devido ao radiante estar na constelação de Cepheus, esta chuva poderia ser apelidada as "Cefeídas marcianas".
Auroras
Auroras ocorrem em Marte, mas elas não ocorrem nos polos tal como na Terra, pois Marte não possui um campo magnético planetário. Ao invés, elas ocorrem próximo a anomalias na crosta de Marte que são remanescentes de tempos antigos quando Marte possuía um campo magnético. Auroras marcianas possuem um caráter distinto, não sendo observadas em outras partes do sistema solar. Elas seriam também provavelmente invisíveis ao olho humano, sendo um fenômeno ultravioleta em sua maior parte.
Polos celestes e eclíptica
A orientação do eixo de Marte é tal que seu polo celeste norte se situa em Cygnus a A.R 21h 10m 42s Decl. +52° 53.0′ (ou mais precisamente, 317.67669 +52.88378), próximo à estrela de 6ª magnitude BD +52 2880 (também conhecida como HR 8106, HD 201834, ou SAO 33185), que por sua vez se situa a A.R 21h 10m 15.6s Decl. +53° 33′ 48″. As duas principais estrelas no Cruzeiro do Norte, Sadr e Deneb, apontam para o pólo celestial norte de Marte. O polo está a maio caminho entre Deneb e Alpha Cephei, a menos de 10° desta primeira, um pouco mais do que a distância aparente entre Sadr e Deneb. Devido à sua proximidade ao polo, Deneb nunca se põe em quase todo o hemisfério norte de Marte. Exceto em áreas próximas ao equador, Deneb circula o polo norte permanentemente. A orientação de Deneb e Sadr forneceria um mecanismo de medição de tempo útil para determinar o tempo sideral.
Variações de longo prazo
Tal como na Terra, o efeito da precessão faz com que os pólos celestiais norte e sul se movam em uma ciclo bastante extenso, mas em Marte o ciclo é de 171,000 anos terrestres, comparado aos 26,000 anos do ciclo da Terra. Tal como na Terra, há uma segunda forma de precessão: o ponto do periélio da órbita de Marte muda lentamente, fazendo com que o ano anomalístico difira do ano sideral. No entanto, em Marte, o ciclo é de 43,000, ao passo que o da Terra é de 112,000 anos. Tanto na Terra quanto em Marte, essas duas precessões se dão em direções opostas, e assim se adiciona, para que se dê um ciclo de precessão entre os anos tropicais e anomalísticos em 21,000 anos na Terra e 27,000 anos em Marte.


