Atahualpa
Atahualpa ou Atahuallpa foi o décimo terceiro e último Sapa Inca de Tahuantinsuyu, como era chamado o Império Inca. Foi o governante de Quito por cinco anos antes de conquistar o Império Inca de seu irmão Huáscar. Depois de derrotar seu irmão, Atahualpa tornou-se muito brevemente o último Sapa Inca do Império Inca (Tahuantinsuyu) antes da conquista espanhola. Atahualpa herdou o Reino de Quito de seu pai, o Sapa Inca Huayna Capac em 1525. Antes que Huayna morresse, fez um testamento verbal onde dizia que pretendia dividir seu império em duas partes. Atahualpa se tornaria rei na seção norte do Império Inca e seu meio-irmão mais Huáscar, receberia a seção do sul como Sapa Inca. Huayna morreu de uma doença infeciosa. Atahualpa governou Quito pacificamente por 5 anos, até que seu irmão Huáscar tentou conquistar o Reino de Quito anexando a região dos Cañaris.
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Existe toda uma polêmica sobre a matrilinearidade de Atahualpa. Pedro Cieza de León afirma que Atahualpa nascera em Cusco e era mais velho que Huáscar. Cieza afirma que a mãe, Tupa Palla, era de uma linhagem Hurin Cusco (Quillaco) e negava que fosse uma princesa de Quito. Já Diego Esquivel y Navia, quando fala do final do governo de Huyna Capac, menciona a origem nortenha da mãe de Atahualpa, mas mais adiante, ao mencionar os descendentes de Huayna Capac, nomeia Thupa Atahuallpa e sua mãe Tocto Ocllo Cuca Coya, que pertencia ao Hatun Ayllu (a linhagem de Pachacuti). O principal divulgador da origem nortenha de Atahualpa foi Garcilaso de La Vega, que pertencia pelo lado materno a linhagem de Tupac Yupanc e, por conseguinte fazia parte da panaca Capac Ayllu a mesma da mãe de Huascar (Rauha Ocllo), motivo pelo qual Garcilaso era partidário de Huáscar. A inexatidão do relato de Garcilaso aparece em várias partes. Sua crônica trata de diminuir a imagem de Pachacuti por ser uma figura proeminente do Hatun Ayllu. Coloca um Inca Yupanqui entre Pachacuti e Tupac Yupanqui, para dissimular o príncipe Amaru que durante um tempo foi co-regente de Pachacuti e logo foi deposto em favor de Tupac Yupanqui, circunstâncias que incomodavam Garcilaso porque a historiografia europeia não admitia situações similares. Por último, segundo os costumes tradicionais do velho mundo, não podia explicar a situação existente entre os filhos de Huayna Capac e a importância da filiação materna, incompreensível para o século XVII imbuído de primogenituras, bastardas e direito paterno.
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Os cronistas achavam que no período pré-hispânico a mascapaycha era herdada pelo filho legítimo mais velho de um soberano. Sem dúvida, ao estudar as crônicas e verificar os acontecimentos que se sucediam após a morte de cada Inca, descobrimos que os hábitos sucessórios eram completamente diferentes. Os próprios cronistas desmentem suas afirmações quando tratam de casos concretos. Um grupo de nobres foi até a huaca de Urcos Calla para se encontrar com a coya Rauha Ocllo, entre eles estava Chuquis Guaman, que convenceu alguns nobres a dar um golpe, matar Huascar e colocar em seu lugar seu meio-irmão Cusi Atauchi. Temendo um fracasso Chuquis Guaman foi a Cusco e revelou a Tito Atauchi o plano para matar Huascar e sua mãe. Tito Atauchi, fiel a Huascar, prendeu Chuquis Guaman, Cusi Atauchie e os demais conspiradores e ordenou sua execução. Estes acontecimentos e os castigos impostos aos encarregados de trazer o corpo de Huayna Capac fez com que vários membros da comitiva fúnebre ficassem apreensivos e retornassem a Quito. Estes atos aumentaram o descontentamento das panacas contra Huascar, sobretudo entre os membros dos Hanan Cusco, parentes dos nobres executados.
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Aproximadamente em 1529, Atahualpa foi aprisionado por Cañaris leais a Huáscar num tambo, mas libertado durante a noite por simpatizantes. Atahualpa rumou para Quito, onde reorganizou suas forças e atacou Tomepampa. Rumando para Cochabamba, Atahualpa ordenou o massacre de todos os povos e tribos que se aliaram a Huáscar (os povos da região de Tallán: Punaeños, Chimus, Yungas, Guayacundos e Cañaris). Atahualpa foi varrendo tudo em seu caminho até chegar a Tumbes, onde a maioria da população o apoiava. O Curaca Chirimasa (ou Chili Masa) tornou-se um de seus principais aliados e disponibilizou 12 mil guerreiros em balsas para conquistar a Ilha Puná, cujos habitantes eram tradicionalmente rivais dos tumbis e leais a Huáscar. Os ilhéus, que eram grandes navegadores, derrotaram o exército de Atahualpa superior em número. Em 1530, Huáscar organizou um poderoso exército e o enviou ao norte tendo no comando de seu irmão, o general Huaminca Atoc. Enquanto isso, em Quito, Atahualpa organizava suas forças após a derrota na ilha Puná, reuniu seus generais Challcuchimac, Quizquiz, Rumiñahui e Ucumarí e ordenou-lhes avançar. O plano de Huáscar era avançar para o norte e tomar Tomepampa e Quito. No confronto as forças de Huáscar saíram vencedoras, mas apesar de vencerem não conseguiram capturar Atahualpa.
Voltando para a cidade de Cusco, a capital do império, para tomar posse do trono que recentemente conquistara, Atahualpa parou na cidade andina de Cajamarca, conduzindo um exército de cerca de 80 mil guerreiros, quando foi aprisionado pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro, no dia 16 de novembro de 1532. O episódio ocorreu quando o soberano inca, depois de aceitar um convite de Pizarro para jantar e conversar, veio à praça principal de Cajamarca trazendo apenas um pequeno contingente de guardas de honra. Quando Atahualpa chegou, a praça aparentava estar vazia, pois os homens de Pizarro aguardavam ocultos. Atahualpa foi recebido apenas pelo padre Vicente Valverde que, através de um tradutor, imediatamente interpelou Atahualpa exigindo que ele e seu séquito se convertessem ao cristianismo e se submetessem à soberania do rei espanhol, ameaçando-o, pela recusa, de ser considerado um inimigo da Igreja Católica e do Reino da Espanha.


