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Yamato (couraçado)

O Yamato (大和) foi um navio couraçado operado pela Marinha Imperial Japonesa na Segunda Guerra Mundial, construído pelos estaleiros do Arsenal Naval de Kure. Foi a primeira embarcação da Classe Yamato, sendo junto com seu irmão Musashi os mais pesados e poderosos navios de guerra já construídos na história.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/10/2026
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Projeto e construção

O governo japonês adotou uma militância ultranacionalista durante a década de 1930, com o objetivo de expandir o Império do Japão. O país saiu da Liga das Nações em 1934 e renunciou suas obrigações ao tratado. A Marinha Imperial Japonesa começou a planejar os novos couraçados da Classe Yamato logo depois do Japão ter abandonado o Tratado Naval de Washington de 1922, que limitava o tamanho e poder de seus navios de guerra. Os planejadores reconheceram que o país seria incapaz de competir com o número de embarcações que os estaleiros dos Estados Unidos produzissem, caso uma guerra começasse. Assim, os navios de setenta mil toneladas da Classe Yamato foram projetados com capacidade para enfrentar vários outros couraçados inimigos ao mesmo tempo. A quilha do Yamato foi batida nos estaleiros do Arsenal Naval de Kure em 4 de novembro de 1937, dentro de uma doca seca adaptada especialmente para acomodar seu casco. A doca foi aprofundada em um metro e guindastes capazes de levantar 350 toneladas foram instalados. Sigilo extremo foi mantido durante a construção, com até mesmo um dossel sendo erguido sobre parte da rampa de lançamento, para bloquear a visão do navio. O Yamato foi lançado em 8 de agosto de 1940, com o capitão Miyazato Shutoku no comando. Grande esforços foram tomados para impedir que a inteligência norte-americana descobrisse sobre sua existência e especificações.

Características

A bateria principal do Yamato consistia em nove canhões navais Tipo 94 de 460 mm – o maior calibre de artilharia naval já instalado em um navio de guerra na história, embora os projéteis não fossem tão pesados quanto aqueles usados pelos canhões britânicos de 460 mm na Primeira Guerra Mundial. Cada canhão tinha 21,13 m de comprimento, pesava 147,3 t e era capaz de disparar balas explosivas ou antiblindagem a 42 km de distância. Sua bateria secundária era formada por doze canhões de 155 mm, montados em quatro torres triplas (uma na proa, uma na popa e duas a meia-nau) e doze canhões antiaéreos de 127 mm, instalados em seis torres duplas (três em cada lado a meia-nau). Estas torres tinham sido retiradas dos cruzadores da Classe Mogami, que estavam sendo convertidos para possuir uma bateria principal de 203 mm. Além disso, o Yamato carregava 24 canhões automáticos antiaéreos de 25 mm montados principalmente a meia-nau. O navio passou por reformas em 1944 e 1945, com a configuração da bateria secundária sendo alterada para seis canhões de 155 mm, 24 canhões de 127 mm e 162 canhões automáticos de 25 mm.

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História

Operações iniciais

O Yamato passou por seus testes marítimos em outubro ou novembro de 1941,[nota 1] alcançando uma velocidade máxima de 27,6 nós (50,7 km/h). Prioridade foi dada para a aceleração da construção militar enquanto a guerra se aproximava. O navio foi formalmente comissionado meses antes do esperado, durante uma cerimônia mais austera do que o normal, no dia 16 de dezembro, pouco mais de uma semana após o Ataque a Pearl Harbor e a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, já que japoneses ainda queriam esconder as características da embarcação. No mesmo dia, o capitão Gihachi Takayanagi assumiu o comando e o Yamato juntou-se à 1ª Divisão de Couraçados ao lado do Nagato e do Mutsu.

Batalha do Mar das Filipinas

O Yamato e o Musashi foram requisitados em junho novamente para servirem como transporte de tropas, desta vez a fim de reforçar a guarnição de defesas navais perto da ilha de Biak, parte da Operação Kon. A missão foi cancelada quando o quartel-general de Ozawa recebeu notícias de ataques de porta-aviões norte-americanos nas Ilhas Marianas. Ao invés disso, a Marinha Imperial Japonesa se reorganizou, concentrando a maior parte da sua força restante na esperança de alcançar um sucesso definitivo contra os Estados Unidos. Entretanto, nessa altura a marinha japonesa estava em experiência e números inferiores do que a marinha inimiga. O Yamato escoltou a Frota Móvel entre 19 e 23 de junho de 1944, durante a Batalha do Mar das Filipinas, apelidada pelos pilotos norte-americanos como "O Grande Tiro aos Perus das Marianas". O Japão acabou perdendo três porta-aviões e 426 aeronaves, com a única contribuição significante do Yamato foi disparar por engano contra um avião japonês.

Batalha do Golfo de Leyte

O Yamato participou como parte da Força Central do almirante Takeo Kurita, em um dos maiores confrontos navais de toda a história: a Batalha do Golfo de Leyte, entre 22 e 26 de outubro de 1944. A Operação Shō-Gō se iniciou como resposta à invasão dos Estados Unidos das Filipinas, convocando grandes grupos para convergir na ilha de Leyte, onde as tropas norte-americanas tinham desembarcado. O navio recebeu em 18 de outubro um revestimento de camuflagem negra em preparação de sua travessia noturna para o Estreito de San Bernardino; o principal ingrediente era fuligem retirada de sua própria chaminé. A força foi atacada no caminho para Leyte em 23 de outubro, na Passagem de Palawan, pelos submarinos USS Darter e USS Dace, que conseguiram afundar os cruzadores pesados Atago e Maya, além de danificar o Takao. Kurita estava a bordo do Atago, mas conseguiu sobreviver e transferiu seu estandarte para o Yamato.

Operação Ten-Go

O Yamato, o Haruna e o Nagato foram transferidos em 1º de janeiro de 1945 para a recém restabelecida 1ª Divisão de Couraçados. O Yamato deixou a doca seca dois dias depois e foi para o Mar Interior de Seto. Essa redesignação foi breve e a divisão foi novamente desfeita em 10 de fevereiro, com o navio sendo enviado para a 1ª Divisão de Porta-Aviões. Em 19 de março, os porta-aviões norte-americanos USS Enterprise, USS Yorktown e USS Intrepid atacaram Kure. Apesar de dezesseis navios de guerra terem sido atingidos, o Yamato sofreu apenas danos leves, vindos de quase acertos e uma bomba que acertou sua ponte. Um esquadrão de aeronaves Kawanishi N1K, pilotados por instrutores veteranos, interveio e impediu que o ataque causasse mais danos à base e às embarcações,[nota 4] enquanto a habilidade do Yamato de manobrar no Canal de Nasami mostrou-se beneficial.

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Destroços

Poucos destroços dos navios de guerra japoneses já foram descobertos e identificados devido às frequentes circunstâncias confusas e informações incompletas sobre seus naufrágios. Em 1982, uma expedição baseada nos registros de guerra dos Estados Unidos foi para o Mar da China Meridional e produziu alguns resultados, porém os destroços descobertos não puderam ser claramente identificados. Uma segunda expedição retornou ao local em 1985, com os registros fotográficos e em vídeo da equipe mais tarde sendo confirmados como sendo do Yamato por um de seus projetistas, Shigeru Makino. Os destroços estão a 290 quilômetros ao sudoeste de Kyūshū e a 340 metros de profundidade, divididos principalmente em duas partes: a seção da proa e outra da popa. Esta última forma dois terços do navio e está de cabeça para baixo. Legisladores do Partido Liberal Democrata começaram, em julho de 2015, a realizar reuniões sobre a possibilidade de levantar os destroços do Yamato e recuperar os restos dos tripulantes. O grupo afirmou que pediria recursos governamentais a fim de estudar a viabilidade técnica. Os destroços foram inspecionados em maio de 2016, com tecnologia digital, possibilitando uma visão mais detalhada e confirmando a identificação original. Muitos detalhes puderam ser revelados, como o escudo crisântemo imperial, uma das hélices e uma das torres de artilharia principais. O resultante vídeo de nove minutos foi produzido pelo governo municipal de Kure e entregue ao Museu Yamato.

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Legado

Desde a época de suas construções, o Yamato e seu irmão Musashi carregaram um grande peso na cultura japonesa. Os couraçados representavam a epítome da engenharia da Marinha Imperial Japonesa devido ao seu tamanho, velocidade e poder de fogo, visivelmente incorporando a determinação do Japão e sua preparação para defender seus interesses contra as potências ocidentais, particularmente os Estados Unidos. Shigeru Fukudome, chefe da Seção de Operações da marinha japonesa, descreveu as duas embarcações como "símbolos do poderio naval que provia aos oficiais e homens um profundo sentimento de confiança em sua marinha". A força simbólica do Yamato era tanta que alguns cidadãos japoneses da época mantinham a crença de que seu país nunca seria derrotado enquanto a embarcação fosse capaz de flutuar e lutar. O Yamato foi memorado pelos japoneses de diversas formas após a guerra. Historicamente, a palavra "Yamato" foi usada como nome poético para o Japão; dessa forma, seu nome tornou-se uma metáfora para o fim do império japonês. Uma torre memorial foi erguida em abril de 1968, no Cabo Inutabu, em Kagoshima, a fim de celebrar as vidas perdidas na Operação Ten-Go. Leiji Matsumoto criou em 1974, uma série de anime chamada Space Battleship Yamato sobre a reconstrução do couraçado como uma nave especial e sua missão interestelar para salvar a Terra. A produção foi um sucesso e gerou cinco filmes e outras duas séries. Enquanto o Japão pós-guerra tentava redefinir o sentido de suas vidas, o Yamato tornou-se símbolo de heroísmo e seu desejo de reconquistar um sentimento de masculinidade após a derrota do país. A série também foi um sucesso nos Estados Unidos como Star Blazers e estabeleceu as fundações para animes no mercado norte-americano. O tema de Space Battleship Yamato foi repetido em The Silent Service, um mangá e anime que explora as questões de armas nucleares e relações nipo-americanas. A tripulação do principal super submarino nuclear se amotinou e renomeou a embarcação como Yamato, em alusão ao couraçado da Segunda Guerra e os ideais que ele simbolizava.

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Fontes consultadas

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