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Atos dos Apóstolos

Os Atos dos Apóstolos formam o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecido apenas como "Atos", ele descreve a história da Era Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Estrutura

O livro pode ser dividido em duas partes: o período das missões locais e o período das missões estrangeiras: I. Período das missões locais, onde Jerusalém é o centro. A obra concentra-se principalmente na Palestina entre os judeus, sendo o apóstolo Pedro a figura preeminente. II. O período das missões estrangeiras, onde o centro de operações, inicialmente em Jerusalém, é transferido pouco depois para Antioquia da Síria.

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Composição

Autoria

Enquanto a identidade exata do autor é discutida, o consenso é que este trabalho foi composto por um gentio de fala grega que escreveu para uma audiência de cristãos gentios. Os Pais da Igreja afirmaram que Lucas era médico, sírio de Antioquia e companheiro do Apóstolo Paulo. Os estudiosos concordam que o autor do Evangelho segundo Lucas é o mesmo que escreveu o livro de Atos dos Apóstolos. A tradição diz que os dois livros foram escritos por Lucas companheiro de Paulo (nomeado em Colossenses 4:14 ). Essa visão tradicional da autoria de Lucas é "amplamente aceita, visto que a autoria Lucana é quem mais satisfatoriamente explica todos os dados". A lista de estudiosos que mantém a autoria de Lucas é longa e representa a opinião teológica maioritária. No entanto, não há consenso. De acordo com Raymond E. Brown, a opinião corrente sobre a autoria de Lucas é 'dividida'.

Título

O título Atos dos Apóstolos (grego Πράξεις ἀποστόλων [Práxeis Apostólon]) não fazia parte do texto original. Foi usado pela primeira vez por Ireneu no final do século II. Alguns têm sugerido que o título de Atos deve ser interpretado como Os Atos dos Espírito Santo ou ainda Os Atos de Jesus, uma vez que Atos 1:1 dá a impressão de que esses atos foram definidos como algo que Jesus continuou a fazer e ensinar, sendo Ele mesmo o principal personagem do livro. O Evangelho segundo Lucas e o livro de Atos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra, o qual daríamos hoje o nome de História das Origens Cristãs. Lucas provavelmente não atribuiu a este segundo livro um título próprio. Somente quando seu evangelho foi separado dessa segunda parte do livro e colocado junto com os outros três evangelhos é que houve a necessidade de dar um título ao segundo volume. Isso se deu muito cedo, por volta de 150 d.C. Tanto em sua intenção quanto em sua forma literária, este escrito não é diferente dos quatro evangelhos.

Gênero

A palavra Atos denotava um gênero reconhecido no mundo antigo, que era característico dos livros que descreviam os grandes feitos de pessoas ou de cidades. Existem vários livros apócrifos do Novo Testamento, incluindo dos Atos de Tomé até os Atos de André, Atos de João e Atos de Paulo. Inicialmente, o Evangelho segundo Lucas e o livro de Atos dos Apóstolos formaram uma única obra. Foi só quando os evangelhos começaram a ser compilados em conjunto que o trabalho inicial foi dividida em dois volumes com os títulos acima mencionados. Os estudiosos modernos atribuem uma ampla gama de gêneros para os Atos dos Apóstolos, incluindo a biografia, romance e história. Entretanto, a maioria interpretam o gênero do livro de histórias épicas dos primeiros milagres cristãos, da história da igreja primitiva e das conversões.

Fontes

O autor de Atos invocou várias fontes, bem como a tradição oral, na construção de sua obra do início da igreja e do ministério de Paulo. A prova disso é encontrada no prólogo do Evangelho segundo Lucas, onde o autor faz alusão às suas fontes, escrevendo: A mesma maneira de se falar "Teófilo", é encontrada apenas em Lucas 1:1-4 e em Atos 1:1-2, indicando uma provável autoria de Lucas em Atos dos Apóstolos. Alguns estudiosos acreditam que o nós das passagens encontradas no livro de Atos são exatamente algumas citações dessas fontes que anteriormente acompanharam Paulo em suas viagens. Acredita-se que o autor de Atos não teve acesso a coleção de cartas de Paulo. Uma parte das evidências sugerem que, apesar do livro citar o autor acompanhando Paulo em boa parte de suas viagens, Atos nunca cita diretamente nenhuma das Epístolas paulinas, nem menciona que Paulo escrevia cartas. As discrepâncias entre as epístolas paulinas e Atos apoia ainda a conclusão de que o autor de Atos não tem acesso a essas epístolas ao redigir seu livro.

Local de composição

O lugar de composição e os leitores que Lucas tinha em mente ao escrever seu livro ainda é incerto. A tradição liga Lucas com Antioquia. Existe uma pequena evidência interna que faz essa ligação. Outra possível localidade da composição desse livro é Roma, uma vez que a história de Atos termina ali. Existem ainda outros estudiosos que creem que o livro foi escrito em Éfeso, visto que Lucas demonstra considerável interesse por essa cidade. Observe as alusões feitas no livro de Atos a Escola de Tirano (Atos 19:9) e a Alexandre (Atos 19:33), além da detalhada topografia de Atos 20:13-15. Qualquer dos assuntos dessa região, incluindo o futuro da igreja em Éfeso (Atos 20:28-30), são tratados como se fossem de especial interesse de Teófilo e seu círculo. Existe também uma antiga tradição que afirma que Lucas morreu perto na Bitínia. Por fim, foi nessa região que surgiram algumas controvérsias e alguns protestos públicos contra ele (por exemplo, Atos 19:23-41). Sendo assim, o trabalho de Lucas seria uma tentativa de fazer uma apologia da Igreja Primitiva contra as acusações da Sinagoga que pretendia influenciar a política romana. É bom lembrar que o judaísmo tinha muita força na Ásia

Precisão histórica

A questão da autoria está amplamente ligado ao valor histórico do conteúdo. A maioria dos estudiosos acreditam que o livro de Atos é historicamente exato e válido segundo a arqueologia, enquanto os críticos acham o trabalho muito impreciso, especialmente quando comparado com as epístolas de Paulo. A questão-chave da controversa da historicidade do livro é a descrição que Lucas faz de Paulo. De acordo com o ponto de vista da maioria, Atos descreve Paulo diferente de como ele descreve a si mesmo em suas epístolas, tanto historicamente quanto teologicamente. Atos difere das cartas de Paulo sobre questões importantes, tais como a Lei, o apostolado de Paulo, bem como sua relação com a Igreja de Jerusalém. Os estudiosos geralmente preferem os relato de Paulo. No entanto, alguns historiadores e estudiosos proeminentes, representando a visão tradicional, vêem o livro de Atos como sendo bastante precisos e corroborados pela arqueologia, além de afirmar que a distância entre o Paulo das epístolas e o Paulo do livro de Atos é exagerada pelos estudiosos.

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Datação

A atmosfera cultural e política descrita no livro de Atos sugere que o livro tenha sido escrito no século I. Entretanto, as datas propostas para o livro vão de 62 d.C., ano em que ocorre o último acontecimento narrado no livro Atos 28:30, até meados do século II, quando ocorre a primeira referência explícita ao livro de Atos.

Anterior a 70 d.C.

Donald Carson, Douglas Moo e Leon Morris datam o livro em 62 d.C.. Os três especialistas observam que a ausência de qualquer menção à destruição de Jerusalém seria pouco provável se o livro tivesse sido escrito depois de 70 d.C.. Leon Morris sugeriu que a não menção da morte de Paulo, personagem central do livro, aponta para uma data antes de sua morte, em 64 d.C.. Além disso, não há referência no livro de Atos da morte de Tiago (62 d.C.) e de Pedro (67 d.C.). Howard Marshall observa que Lucas parece não ter lido as cartas de Paulo. Isso torna ainda mais improvável uma data avançada para o livro de Atos, uma vez que as cartas de Paulo circulavam nas igrejas. Outros argumentos que apontam para essa data recente são: (1) a descrição que Lucas faz do judaísmo como uma religião autorizada, uma situação que teria mudado abruptamente com a erupção da rebelião judaica contra Roma em 66 d.C.; (2) o fato de Lucas omitir qualquer referência à perseguição promovida por Nero, a qual, caso tivesse acontecido enquanto Lucas escrevia certamente teria afetado de alguma maneira a sua narrativa; (3) os detalhes vívidos da narrativa do naufrágio e da viagem (Atos 27:1-27), o que sugere uma experiência bem recente. Outro ponto é que Lucas nota o cumprimento da profecia de Ágabo (Atos 11:28). Se estivesse escrevendo depois de 70 d.C., seria lógico esperar que mencionasse em algum lugar o cumprimento da profecia de Jesus de que a cidade seria destruída (Atos 21:20).

Entre 80 e 95 d.C.

Atualmente, a maioria dos estudiosos acredita que Atos foi escrito nos anos 80 d.C. ou um pouco depois. Um pequeno indicador sobre a possível datação do livro pode estar em Atos 6:9, que menciona a província de Cilícia. Essa Província romana tinha sido perdida em 27 d.C. e foi restabelecida pelo Imperador Vespasiano apenas em 72 d.C., o que dataria a obra depois dessa data. Entretanto, uma vez que Paulo era da Cilícia e refere-se a si mesmo utilizando esse nome (veja Atos 21:39 e Atos 22:3), parece natural que o nome da província teria continuado a ser usado entre os seus moradores, apesar do hiato na nomenclatura oficial romana. Outro argumento para essa datação é o pressuposto de que Atos foi escrito depois do Evangelho segundo Lucas. Esses estudiosos costumam datar essa obra depois do ano 70 d.C. baseados em duas suposições: Lucas foi escrito depois da queda de Jerusalém pelos romanos; a outra é que o Evangelho de Marcos, que Lucas provavelmente empregou, deve ser datado em meados dos fins do anos 60 d.C.. Isso colocaria o livro de Atos em meados de 75 d.C..

Uma data no século II

Hoje em dia poucos eruditos acreditam que Atos é uma obra do século II. Mas o estudiosos que defendem essa hipótese apontam os vários paralelos existentes entre o livro de Atos e as duas mais importantes obras de Flávio Josefo: A Guerra dos Judeus (75–80 d.C.) e Antiguidades Judaicas (94 d.C.). Alguns eruditos argumentam que Lucas utilizou material das duas obras de Josefo, ao invés do contrário, o que indicaria que Atos foi escrito por volta do ano 100 d.C. ou um pouco mais tarde. Três pontos de contato principais com as obras de Flávio são citados: (1) As circunstâncias que rodearam a morte de Agripa I em 44 d.C.. Aqui Atos 12:21-23 é em grande parte paralela à Antiguidades Judaicas 19.8.2; (2) O tribuno romano confunde Paulo com o falso profeta egípcio que iniciou um revolta no Monte das Oliveiras (Atos 21:38). Josefo cita essa revolta em A Guerra dos Judeus 2.13.5 e em Antiguidades 20.8.6; (3) As revoltas de Teudas e Judas, o galileu são citados por ambos os autores (Atos 5:36 e Antiguidades 20.5.1).

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Temas principais

Imagem: ☆Grupo de Estudos Espírita☆Amigos da Luz☆ · BY-NC · Openverse

Estabelecimento da Igreja

Narra o livro de Atos que, antes de subir aos Céus, Jesus determinou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que recebessem o poder do alto através do Espírito Santo e que a partir de então eles se tornariam suas testemunhas até os confins da terra. Enquanto aguardavam o cumprimento da promessa, foi escolhido o nome de Matias em substituição a Judas Iscariotes que tinha se suicidado. Com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, ocorre uma experiência sobrenatural em que os judeus de outras nacionalidades que estavam presentes na festa ouviram os discípulos falando em seus próprios idiomas, o que chamou a atenção de uma multidão de pessoas para o local onde estavam reunidos.

As primeiras perseguições e a expansão da fé cristã

Após o apedrejamento de Estêvão, Saulo de Tarso empreende uma grande perseguição à Igreja em Jerusalém, o que dispersou vários discípulos pelas regiões da Judeia e Samaria, chegando também o Evangelho à Fenícia, Chipre e Antioquia. Algumas obras de Filipe, o Evangelista, são narradas em Atos, entre as quais a sua passagem por Samaria e a conversão de um eunuco etíope na rota comercial de Gaza. Saulo de Tarso ao tentar empreender novas perseguições, converte-se quando viajava para Damasco e tem uma visão de Jesus, ficando cego por três dias, até ser curado quando se encontra com Ananias. Depois destes acontecimentos, a Igreja passa por um período de paz. Dois milagres de destaque narrados nesse momento da obra de Lucas são a cura do paralítico Eneias, em Lida, e a ressurreição de Dorcas, na cidade de Jope.

O Evangelho chega aos gentios

Narra o capítulo 10 de Atos que Simão Pedro, encontrando-se em Jope, recebe uma visão em que Deus lhe ordena alimentar-se de vários animais considerados imundos ou impróprios para o consumo (v. 11), conforme a lei mosaica. Pedro entende então o real significado. A visão não o estava pedindo ou mudando a lei no que se refere a carne de animais imundos, mas que Deus estava o orientando para não fazer discriminação, pois o evangelho deveria ser pregado a todos independente da origem, judeus ou gentios (v. 28). Entendendo isso, Pedro prega o Evangelho na casa de um centurião romano de Cesareia chamado Cornélio, o qual se converte juntamente com todos os que ouviram o discurso do apóstolo, sendo depois batizados.

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Fontes consultadas

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