Pesquisa · Mapa mental

Aung San Suu Kyi

Aung San Suu Kyi, é uma ativista e política birmanesa, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 1991 e secretária-geral da Liga Nacional pela Democracia (LND). Suu Kyi é a terceira dos filhos de Aung San, considerado o pai da Birmânia moderna. Foi conselheira de estado do país de 2016 até 2021, quando foi deposta por um golpe militar.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
01

Biografia

Suu Kyi é filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia (também chamado Mianmar), ex-colónia britânica, que foi assassinado pouco antes da independência do país (proclamada a 4 de janeiro de 1948), quando ela tinha dois anos de idade. Suu Kyi foi educada nas melhores escolas de Rangum - antiga capital e maior cidade do país. Também estudou na Índia, onde sua mãe, Khin Kyi, foi embaixadora, e na Universidade Oxford, onde conheceu Michael Aris, um especialista em civilização tibetana, com quem viria a se casar. Após a graduação, entre 1969 e 1971, ela trabalha na ONU, em Nova York. Em janeiro de 1972, casa-se com Michael. O casal teve dois filhos, Alexander (Londres, 1973) e Kim (Oxford, 1977). Em 1988, Suu Kyi regressa ao seu país, a princípio para cuidar de sua mãe, que se encontrava muito doente. No entanto, ela envolveu-se no movimento pró-democracia que estourava em Myanmar. Por ser descendente de um herói da independência, a sua presença inflama o movimento. O seu regresso ao país coincide com a eclosão de uma revolta popular contra os vinte e seis anos de governo do general Ne Win, que resultaram num alto grau de repressão política e colapso da economia do país. A 23 de julho, o general Ne Win renuncia, mas as manifestações populares de protesto continuam. O movimento é brutalmente reprimido. Mais de 5 000 manifestantes são mortos a 8 de agosto de 1988 na chamada Revolta 8888. A 18 de setembro instala-se uma junta militar no governo do país. Alguns dias depois, a 24 de setembro, um novo partido é formado - a Liga Nacional pela Democracia, LND -, partido fundado por Aung San Suu Kyi. Ela torna-se a principal líder do movimento pró-democratização. Naquele mesmo ano, dez mil pessoas morreriam na luta contra o regime militar birmanês.[carece de fontes?] Entre outubro e dezembro, Suu Kyi percorre o país, manifestando-se contra a violência e a desobediência civil, em grandes comícios. Em dezembro, morre sua mãe, Daw Khin Kyi, aos setenta e seis anos.

02

Manifestações de apoio

Em 2000, o grupo U2 fez uma canção em sua homenagem chamada "Walk On". Em 2005, Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano" em sua honra e tocaram-na ao vivo no Nobel Peace Prize Concert (Nobels fredspriskonsert)" em Oslo, Noruega. Em 2008, Suu Kyi foi considerada como a 71ª mulher mais poderosa do mundo, pela revista Forbes. Em setembro do mesmo ano, o seu estado de saúde suscitou preocupação. Ela estava a recusar a comida que lhe era fornecida pela junta militar. Nove ganhadores do Nobel manifestaram apoio a Aung San Suu Kyi, que estava sendo julgada. Segundo a Secretária de Estado para os Direitos Humanos da França, Rama Yade, a detenção de Suu Kyi, a poucos dias de sua liberação, visava afastá-la do processo eleitoral. O objetivo do regime era chegar às eleições legislativas de 2010 sem entraves. "Trata-se de um estado que vive sob o terror há vinte anos". Suu Kyi, manteve-se no seu país, e marcou a resistência pacífica, mas firme ao regime autoritário.

03

Libertação

A 13 de novembro de 2010, Suu Kyi foi finalmente libertada da prisão domiciliária e ficou autorizada a deslocar-se livremente. Ao discursar para cerca de 4.000 simpatizantes, defendeu a democracia e a "reconciliação nacional". "Estou preparada para conversar com qualquer um. Não guardo ressentimento de ninguém", disse ela. Em 15 de agosto de 2011, encontrou-se com o presidente Thein Sein e manifestou o seu apoio à abertura iniciada pelo governo, que inclui a libertação dos numerosos presos políticos do país. A 1 de abril de 2012 o seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, anunciou que ela tinha sido eleita para o Pyithu Hluttaw, a câmara baixa do parlamento birmanês, representando o distrito eleitoral de Kawhmu, na região de Yangon. Seu partido também conquistou 43 dos 45 assentos vacantes da câmara baixa. No dia seguinte os resultados da eleição foram confirmados pela comissão eleitoral oficial.

04

Eleições legislativas de 2015

Nas eleições legislativas de novembro de 2015, a Liga Nacional para a Democracia conquistou 80% dos votos, elegendo 390 cadeiras. Apesar do resultado, 25% do total de parlamentares são deputados militares que não são eleitos, conforme determinação da Constituição, que também lhes garante automaticamente os Ministérios da Defesa e do Interior. Com essa configuração do Parlamento, há grande dificuldade na aplicação de alterações na Constituição, em razão da necessidade de aprovação de por 75% nas duas câmaras, quórum improvável de alcançar sem os votos dos militares. Em abril de 2016, o Parlamento realizou a eleição do Presidente que substituiria o ex-general Thein Sein. Htin Kyaw, aliado de Aung San Suu Kyi, foi eleito com o voto de 360 dos 652 deputados. Aung San Suu Kyi, no entanto, era a líder de facto do país, sendo responsável pelas pastas do Exterior, Educação, da Energia, além da Casa Civil, mas sem exercer controle sobre o comando militar.

05

Conselheira de Estado (2016-2021)

Em abril de 2016, foi publicada a lei de criação do cargo de Conselheiro de Estado, com funções semelhantes às de um primeiro ministro, permitindo trabalhar em todas as áreas de governo e atuar como elo entre o executivo e o legislativo. O cargo permitiu que Aung San Suu Kyi tivesse um papel maior no governo, tendo assumido o cargo em 06 de abril de 2016. Em 28 de março de 2018, Win Myint foi eleito presidente de Myanmar pelo Parlamento, também um aliado da líder de fato Aung San Suu Kyi. Htin Kyaw renunciou ao cargo, por razões de saúde. O ex-presidente havia realizado diversas viagens ao exterior para tratamento médico.

Genocídio ruainga

Em agosto de 2017, o Exército de Mianmar lançou uma incursão em Raquine, o estado do norte do país que abriga mais de um milhão de muçulmanos da etnia ruainga e deixou cerca de 25 mil mortos e mais de 700 000 refugiados. Conforme relatos do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o exército teria incendiado vilarejos, matado civis e espalhado minas terrestres na fronteira com Bangladexe. O povo ruainga é uma minoria étnica muçulmana que, em sua maioria, vive no estado de Raquine, um dos estados mais pobres de Mianmar. Desde a independência do país em 1948, os ruaingas tem sido vítimas de tortura, negligência e repressões e são alvos de violência étnica. O governo de Mianmar não permite o seu acesso à cidadania e são considerados apátridas, sendo proibido a eles casar ou viajar sem a permissão de autoridades, além de possuir terras ou propriedades.

06

Eleições legislativas de 2020

Em novembro de 2020, a Liga Nacional para a Democracia novamente saiu vitoriosa no pleito eleitoral, com 346 cadeiras, vencendo 83% dos cargos em disputa e ampliando os resultados em relação aos de 2015. O Partido da Solidariedade e Desenvolvimento da União (PSDU), alinhado com os militares, obteve 25 cadeiras. O partido contestou a eleição, alegando que a mesma não foi livre nem justa e pediu a renúncia dos integrantes da Comissão Eleitoral da União (UEC). O PSDU solicitou a convocação de novas eleições.

Golpe de Estado

Em 1º de fevereiro de 2021, o exército de Myanmar derrubou o governo eleito, prendeu líderes políticos, bloqueou estradas, fechou o acesso à internet e suspendeu os voos ao país. Foram presos membros do NDL, a conselheira Aung San Suu Kyi, o presidente Win Myint, juntamente com ministros, governadores regionais, políticos da oposição, escritores e ativistas. Os militares alegaram irregularidades nas eleições realizadas em novembro, acusando os resultados de fraudulentos. O golpe foi anunciado em uma rede de televisão pertencente aos militares. Foi decretado estado de emergência por um ano, com fechamento do Parlamento. Protestos pela democracia se seguiram nas semanas seguintes, reprimidos violentamente pelas Forças Armadas. A Associação de Ajuda a Presos Políticos informou que 570 pessoas haviam sido mortas pelas forças de segurança. Aung San Suu Kyi, colocada sob prisão domiciliar, enfrenta acusações de violação de uma lei sobre telecomunicações, incitação à desordem pública e por se encontrar na posse de dois rádios de comunicação que teriam sido importados ilegalmente e usados sem permissão.

07

Prémios e honrarias

Em 2016, o perfil de Aung San Suu Kyi foi incluído na primeira edição do livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes: Cem fábulas sobre mulheres extraordinárias, como uma das cem mulheres mais influentes.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando