Pesquisa · Mapa mental

Marco Aurélio

Marco Aurélio foi o imperador romano de 161 até sua morte. Era filho de Domícia Lucila e do pretor Marco Ânio Vero, sobrinho do imperador Adriano. Seu pai morreu quando tinha três anos e ele foi criado por sua mãe e avô. Adriano adotou Antonino Pio, tio de Marco Aurélio, como novo herdeiro em 138. Antonino, por sua vez, adotou Marco Aurélio e Lúcio Vero, filho de Lucio Élio. Adriano morreu no mesmo ano e Antonino tornou-se o imperador. Marco Aurélio, agora como herdeiro do trono, estudou grego e latim com tutores como Herodes Ático e Marco Cornélio Frontão. Ele se casou com Faustina, a Jovem, a única filha de Antonino Pio, em 145, com quem teve pelo menos catorze filhos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
01

Início de vida

Nome

Marco nasceu em Roma em 26 de abril de 121. Seu nome de nascimento algumas vezes é dito como tendo sido Marco Ânio Vero, porém fontes dizem que ele recebeu esse nome após a morte de seu pai e adoção não-oficial por seu avô, quando chegou na maioridade. É possível que tenha sido conhecido como Marco Ânio Catílio Severo ao nascer ou durante sua juventude, ou mesmo Marco Catílio Severo Ânio Vero. Passou a se chamar Marco Élio Aurélio Vero César ao ser adotado por Antonio Pio como herdeiro do trono e, depois de sua ascensão, foi conhecido como Marco Aurélio Antonino Augusto até morrer. Epifânio de Salamina o chamou de Marco Aurélio Vero.

Família

A família paterna de Marco Aurélio era de origem romana ítalo-hispânica. Seu pai foi o pretor Marco Ânio Vero. A gens Ânia era de origem italiana, e um ramo dela mudou-se para Úcubos, uma pequena cidade ao sudeste de Córdova, na Bética. Este ramo dos Aurélios com base na Espanha romana, os Ânios Veros, ganhou destaque em Roma no final do século I. O bisavô de Marco, Marco Ânio Vero, era um senador e, de acordo com a História Augusta, pretor. Seu avô, Marco Ânio Vero, foi prefeito de Roma, cônsul três vezes e tornou-se patrício em 73-74. Por meio de sua avó Rupília — sobrinha-neta do imperador Trajano e meia-irmã das imperatrizes Víbia Sabina e Matídia Menor — Marco era um membro da dinastia Nerva-Antonina.

Juventude

Seu pai provavelmente morreu em 124, quando Marco tinha três anos. Embora ele dificilmente possa ter conhecido seu pai, Marco escreveu em suas Meditações que ele havia aprendido dele "modéstia e virilidade". Sua mãe Lucila não se casou novamente e, seguindo os costumes aristocráticos prevalentes, provavelmente não passava muito tempo com seu filho. Em vez disso, Marco ficou sob os cuidados de babás. Após a morte de seu pai passou a ser criado por seu avô Marco Ânio Vero, que o adotou. Depois de adulto, Marco agradeceu ao avô por ensinar-lhe "bom caráter e evitar o mau humor". Lúcio Catílio Severo, bisavô materno, também participou de sua educação.

Sucessão de Adriano

No final de 136 Adriano quase morreu de hemorragia. Convalescente em sua villa em Tivoli, ele escolheu Lúcio Ceiônio Cômodo, pretendido sogro de Marco, como seu sucessor e filho adotivo. Embora seus motivos não sejam claros, é possível que seu objetivo tenha sido eventualmente colocar o então jovem Marco no trono. Como parte de sua adoção, Cômodo adotou o nome de Lúcio Élio César. Sua saúde estava tão má que, durante uma cerimônia para marcar sua chegada à posição de herdeiro do trono, não teve forças para erguer sozinho um grande escudo. Após uma breve parada na fronteira do Danúbio, Lúcio Élio voltou a Roma para fazer um discurso ao Senado no primeiro dia de 138. No entanto, morreu na noite anterior ao discurso.

02

Vida adulta

Herdeiro de Antonino Pio

Imediatamente após a morte de Adriano, Antonino se aproximou de Marco e solicitou que seus arranjos de casamento fossem alterados: o noivado de Marco com Ceiônia Fábia seria anulado, e ele se tornaria noivo de Faustina, filha de Antonino. O noivado de Faustina com o irmão de Ceiônia, Lúcio Cômodo, também teria de ser anulado. Marco consentiu com a proposta e foi nomeado César em 139, e cônsul em 140, junto com Antonino. Como herdeiro aparente, Marco tornou-se chefe da ordem equestre e assumiu o nome Marco Élio Aurélio Vero César. A pedido do Senado, foi admitido em todos os colégios sacerdotais. Antonino exigiu que Marco residisse no palácio imperial no Palatino, e assumisse os hábitos de sua nova condição, a "pompa da corte", contra o desejo de Marco, que lutaria para reconciliar a vida de cortesão com seus anseios filosóficos.

03

Reinado

Imediatamente após a confirmação do Senado, os dois imperadores seguiram para o acampamento da guarda pretoriana. Lúcio se dirigiu às tropas reunidas, que os aclamaram como imperadores. Então, como todo novo imperador desde Cláudio, Lúcio prometeu às tropas uma doação especial. Esta doação foi o dobro do costume: 20 000 sestércios per capita, e mais para os oficiais. Em troca dessa recompensa, equivalente a vários anos de pagamento, as tropas juraram proteger os imperadores. A cerimônia talvez não fosse necessária, visto que a ascensão de Marco fora pacífica e sem oposição, mas era uma boa segurança contra futuros problemas militares. Marco e Lúcio se tornaram estimados junto ao povo de Roma, que aprovava fortemente seu comportamento civil sem pompas. Os imperadores permitiram a liberdade de expressão, evidenciada pelo fato de o escritor de comédias Marulo ter sido capaz de criticá-los sem sofrer represálias. No outono de 161 ou na primavera de 162 o rio Tibre transbordou, inundando grande parte de Roma, afogando muitos animais e deixando a cidade com fome. Marco e Lúcio deram à crise uma atenção pessoal.

Guerra com os partas

Os primeiros problemas de seu reinado surgiram com os partas na fronteira oriental. Em 161, o xainxá Vologases IV (r. 147–191) invadiu o Reino da Armênia, que era um Estado cliente de Roma, e instalou no trono Aurélio Pácoro. Convencido pelo profeta Alexandre de Abonútico de que poderia derrotar os partas facilmente e ganhar a glória para si mesmo, Marco Sedácio Severiano, legado da Capadócia, liderou uma legião para a Armênia, mas seu exército era pequeno e Severiano foi preso pelo general parta Cosroes em Elegeia, uma cidade logo além das fronteiras da Capadócia. Severiano fez alguns esforços infrutíferos para enfrentar Cosroes, mas acabou cometendo suicídio e sua legião foi massacrada. A campanha durou apenas três dias. No ano seguinte Atídio Corneliano, governador da Síria, também foi derrotado.

Guerra com as tribos germânicas

Durante o início dos anos 160 o genro de Frontão, Vitorino, foi nomeado legado da Germânia. A condição na fronteira norte parecia grave. Um posto de fronteira havia sido destruído e parecia que os povos da Europa central e do norte estavam em crise. A partir da década de 160 tribos germânicas e outros povos nômades lançaram ataques ao longo da fronteira norte, particularmente na Gália e através do Danúbio. Este novo ímpeto para o oeste foi provavelmente devido a ataques de tribos mais a leste. Uma primeira invasão dos catos na província da Germânia Superior foi repelida em 162. Muito mais perigosa foi a invasão de 166, quando os marcomanos da Boêmia, clientes do Império Romano desde o ano 19, cruzaram o Danúbio junto com os lombardos e outras tribos germânicas, penetrando massivamente no Vêneto e assediando Aquileia. Logo depois os sármatas iranianos atacaram entre os rios Danúbio e Tísia. Os costobócios, vindos da área dos Cárpatos, invadiram a Mésia, a Macedônia e a Grécia. Neste momento a fragilidade da estrutura militar do império e a rigidez da sua burocracia financeira se tornaram evidentes, sendo exigidas medidas extraordinárias para enfrentar a ameaça. Marco constituiu nove novas legiões e obteve fundos vendendo em leilão parte do patrimônio imperial. Os germanos foram batidos na Panônia, Récia e Nórica em 167. Em 169, morto Lúcio Vero, Marco continuou sozinho as campanhas, derrotando os quados em 171, em 172 venceu os marcomanos no norte e suprimiu uma revolta dos mauros na Hispânia. Em 173 os marcomanos voltaram a atacar, em 174 os jáziges foram vencidos, e em 175 concluiu um tratado de paz com os germanos. Entre 175 e 176 esteve no oriente, onde morreu Faustina, que o acompanhava. Em 176 celebrou em Roma seu triunfo sobre os germanos e em 177 associou seu filho Cômodo ao trono. No mesmo ano os marcomanos retomaram as investidas. A guerra foi difícil e a situação foi piorada por uma epidemia de peste.

Revolta de Avídio Cássio

Enquanto enfrentava a guerra germânica, Marco Aurélio teve de lidar com a insurreição de seu antigo colaborador fiel, Avídio Cássio, que estava governando o Egito e mantinha influência em todas as províncias orientais. Aparentemente a revolta foi desencadeada pela chegada de notícias falsas a respeito da morte do imperador, mas há indícios de que Faustina tenha participado da conspiração. Seja como for, em 175 Cássio foi proclamado imperador pela legião egípcia, a II Traiana Fortis. Obteve o apoio de legiões da Síria e da Arábia, mas esse apoio não foi suficiente. Caio Vécio Sabiniano Júlio Hospes foi enviado com um grande exército para suprimir a revolta e Cássio acabou sendo morto pelos seus próprios soldados. Marco Aurélio parece não ter dado grande importância ao evento, não impôs represálias às províncias rebeldes, embora tenha feito visitas de inspeção e pacificação a Antioquia, Alexandria e Atenas, onde foi iniciado nos mistérios de Elêusis. Segundo fontes antigas[qual?] Marco lamentou a morte de Cássio, pois teria desejado perdoá-lo. Segundo Sérgio Alves, "Marco Aurélio preocupou-se essencialmente em eliminar as provas desta conspiração, tendo feito desaparecer relatórios e processos comprovativos vindos do governo central, talvez devido ao bem possível envolvimento da sua mulher Faustina. Deve acreditar-se, todavia, que o fez para que o seu principado ficasse imaculado, comprovando que o Princeps nutria o desejo de se tornar num modelo".

Trabalho jurídico e administrativo

Como muitos imperadores, Marco Aurélio passava a maior parte de seu tempo tratando de questões jurídicas, como petições e disputas auditivas, mas, ao contrário de muitos de seus predecessores, ele já era proficiente na administração imperial quando assumiu o poder. Ele teve muito cuidado na teoria e na prática da legislação. Desenvolveu intensa atividade legislativa, esclarecendo pontos obscuros da lei e amenizando rigores excessivos. Entendia a jurisdição e a legislação como um assunto político de máxima importância, e ao mesmo tempo em que era rigoroso na punição dos crimes graves e das denúncias falsas, punha em relevo um espírito escrupuloso, racional e humanitário nas leis. Acredita-se que grande parte do corpo jurídico romano nas instituições pré-justinianas e no Corpus Iuris Civilis se deve à sua autoria. Foi o primeiro imperador a definir a competência senatorial e a esclarecer a jurisdição consular, e o primeiro a redigir as leis sobre os gladiadores, preocupando-se em diminuir a violência dos jogos e salvaguardar a vida dos combatentes obrigando-os a usar armas embotadas. Fez muito para melhorar a condição dos escravos, dos órfãos e menores e das viúvas. Reconheceu o parentesco de sangue nas questões de herança. Apesar das inovações que introduziu, seu trabalho foi mais no sentido de aperfeiçoar o que já existia antes do que criar padrões radicalmente novos. Em certos aspectos suas intervenções causaram retrocessos, especialmente provocando uma distinção mais aguda entre as classes, com tratamentos jurídicos diferenciados, penalizando mais pesadamente os criminosos da classe inferior.

Morte e sucessão

O imperador morreu aos 58 anos em 17 de março de 180, de causas desconhecidas, em seus aposentos militares perto da cidade de Sirmium, na Panônia, durante uma expedição contra os marcomanos que cercavam Vindobona (atual Viena, na Áustria), parte de uma ofensiva expansionista que pretendia redesenhar as fronteiras do norte. Foi deificado pelo Senado e suas cinzas foram devolvidas a Roma, onde descansaram no mausoléu de Adriano até o saque visigodo de 410. Suas campanhas contra os germanos e sármatas foram comemoradas por uma coluna e um templo construídos em Roma. Marco foi sucedido por seu filho Cômodo, a quem havia nomeado César em 166, e com quem governava conjuntamente desde 177. Os historiadores romanos criticaram a sucessão de Cômodo, citando seu comportamento errático e a falta de perspicácia política e militar. No final de sua história sobre o reinado de Marco, Dião Cássio escreveu um elogio ao imperador, e descreveu a transição para Cômodo com tristeza:

04

Escritos

Provavelmente durante as campanhas de 171-175, Marco Aurélio escreveu suas Meditações como exercícios filosóficos para sua própria orientação e autoaperfeiçoamento. De certa maneira, as Meditações parecem ter sido escritas para o autor imbuir a si mesmo de coragem para suportar o peso do seu cargo. Escritas em grego, refletem o processo de fusão das culturas romana e grega que estava em curso. O título original da obra é desconhecido. Seu conteúdo é representativo da filosofia e espiritualidade estoica, em particular da orientação de Epicteto, mas não se limita estritamente a esta corrente, incorporando alguns elementos do platonismo e do epicurismo, além de aparecerem citações de Antístenes, Crísipo, Demócrito, Eurípides e Homero. Sua estrutura é descontínua, constituída de anotações breves, epigramas, reflexões e trechos discursivos. Não se trata, de fato, de um tratado de filosofia, sendo carente de uma organização sistemática e de uma tese claramente definida a defender.

05

Legado

Marco Aurélio foi o último dos "cinco bons imperadores", adquiriu a reputação de rei-filósofo ainda em vida, e o título permaneceria após seu desaparecimento. Cristãos como Justino Mártir, Atenágoras de Atenas e Eusébio também lhe deram o título. Para os historiadores antigos, notadamente Dião Cássio e Herodiano, o reinado de Marco Aurélio teria sido o último momento de uma Roma feliz, cuja harmonia foi quebrada com a subida de Cômodo ao poder. Segundo Joshua Mark, "foi aclamado como 'o mais nobre de todos os homens que, por pura inteligência e força de caráter, valorizaram e alcançaram o bem pelo bem em si e não por qualquer recompensa' (Grant, 139). Seu reinado foi caracterizado pela devoção ao seu povo e isso, bem como seu trabalho filosófico duradouro, Meditações, atesta a verdade do louvor de Grant. O acadêmico Michael Grant, entretanto, dificilmente é o primeiro a expressar tais sentimentos. Aurélio foi altamente respeitado em sua vida e é referido como 'o filósofo' por fontes antigas posteriores, como Dião Cássio e o autor (ou autores) da História Augusta".

06

Casamento e filhos

Em seus trinta anos de casamento, Faustina e Marco Aurélio tiveram pelo menos quatorze filhos(as):

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando