Aurora Miranda
Aurora Miranda da Cunha Richaid foi uma atriz e cantora brasileira. Era irmã da famosa cantora Carmen Miranda.
Início da carreira
Nascida no Rio de Janeiro, Aurora Miranda era a irmã mais famosa de Carmen Miranda. Assim como suas irmãs — além de Carmen, havia também Cecilia, que não seguiu carreira como cantora — ela gostava, desde pequena, de cantar em casa, alegrando os frequentadores da pensão que sua mãe, a imigrante portuguesa Maria Emília, dirigia. A pedido do compositor e violonista Josué de Barros, que lançou Carmen Miranda, Aurora cantou, antes de completar 18 anos, em uma apresentação na Rádio Mayrink Veiga. O sucesso a levou a se apresentar no Programa Casé, na Rádio Philips. Em 1933, gravou seu primeiro disco pela Odeon, em dupla com Francisco Alves, cantando a marcha "Cai, cai, balão" (de Assis Valente) e o samba "Toque de amor" (de Floriano Ribeiro de Pinho). O disco fez muito sucesso; assim, no mês seguinte, novamente com Francisco Alves, lançou pela mesma gravadora o fox-trot "Você só... mente" (de Noel Rosa e Hélio Rosa), que se transformou também em grande êxito.
Carreira no cinema
Estreou no cinema em 1935, trabalhando no filme Alô, Alô, Brasil, dirigido por Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, no qual cantou "Cidade maravilhosa" e "Ladrãozinho". No filme Alô, Alô, Carnaval, de 1936, dirigido por Ademar Gonzaga, cantou em dupla com Carmen Miranda, acompanhada pela Orquestra de Simon Bountman, a marcha "Cantores de rádio" (de João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro) e, sozinha, com acompanhamento do regional de Benedito Lacerda, o samba "Molha o pano" (Getúlio Marinho e A. Vasconcelos). Mudou-se para os Estados Unidos na década de 1940. O seu primeiro papel no cinema americano foi como Estela Monteiro em A Dama Fantasma, um filme noir dirigido por Robert Siodmak e estrelado por Franchot Tone, Ella Raines e Alan Curtis, lançado pela Universal Pictures em 1944. No mesmo ano, fez uma participação especial não creditada como cantora de fado no filme The Conspirators, um drama de espionagem e suspense dirigido por Jean Negulesco e lançado pela Warner Bros. Pictures. Ela também fez uma participação especial no filme Brazil, dirigido por Joseph Santley e estrelado por Tito Guízar e Virginia Bruce, lançado pelo estúdio Republic Pictures. O filme fez de Ary Barroso o primeiro brasileiro indicado ao Oscar, pela canção "Rio de Janeiro".
Em 1940, aos 25 anos, Aurora Miranda casou-se com seu noivo, o comerciante Gabriel Richaid, passando a assinar Aurora Miranda da Cunha Richaid. Como presente de casamento, sua irmã Carmen lhe deu um vestido de noiva bordado a ouro, feito nos EUA, um gesto que Aurora guardaria na memória por toda a vida. O casal teve dois filhos: Maria Paula Miranda da Cunha Richaid e Gabriel Alexandre Richaid Júnior. Na década de 1940, o casal decidiu morar nos Estados Unidos, perto da residência de Carmen Miranda. Aurora e Gabriel voltaram a viver no Brasil em 1952. Em 1990, Aurora ficou viúva e optou por não se casar novamente.
Aurora Miranda faleceu às 15 horas do dia 22 de dezembro de 2005, no bairro carioca do Leblon. Sua filha, Maria Paula Richaid, informou que a morte foi tranquila, decorrente dos problemas de saúde naturais da idade, aos 90 anos. Segundo Maria Paula, nos últimos três anos, Aurora foi perdendo progressivamente a vitalidade e a memória, e, após contrair pneumonia há um ano e meio, "foi se apagando". Aurora foi sepultada no Cemitério São João Batista, próximo ao túmulo de sua irmã, Carmen Miranda.
"Aurora Miranda criou seu próprio nicho", escreveu o The Guardian, primeiro como uma cantora pioneira e, mais tarde, como a primeira artista a interagir com desenhos animados em uma produção da Walt Disney. Ela apareceu no filme The Three Caballeros, uma mistura de cinema e animação, onde estrelou ao lado do Pato Donald. No entanto, talvez seu maior legado tenha sido a primeira gravação do hino não oficial do Rio de Janeiro, "Cidade Maravilhosa", em 1934. Tom Philips, em seu obituário para o jornal inglês, afirmou que Aurora Miranda "personificou o espírito do Rio".


