Autômato
Um autômato (português brasileiro) ou autómato (português europeu) é um mecanismo que se opera de maneira automática, imitando movimentos humanos. Pode ser ainda a pessoa que age como máquina, apenas cumprindo ordens, sem questionar.
O termo "autômato" é uma latinização da palavra grega αὐτόματον, que significa "agindo por vontade própria". É mais comumente descrito como máquinas que se movem sem a ajuda de eletricidade, especialmente aquelas que realizam ações que lembram humanos ou animais, como é o caso do cuco de um relógio de parede.
Autômatos na antiguidade
Os autômatos na era helenística foram projetados inicialmente para servir como brinquedos, ícones religiosos, ou como ferramentas para demonstrar princípios científicos, incluindo alguns descritos pelo matemático grego Heron de Alexandria (às vezes referido como Hero ou Herão). Quando seus estudos sobre hidráulica, pneumática e mecânica foram traduzidos para o latim no século XVI, estudiosos começaram a reconstruir seus autômatos, aí estão inclusas invenções como o sifão, o carro de bombeiro e a eolípila. É sabido que objetos mecânicos complexos existiram na Grécia antiga, apesar de que o único exemplo que se tem do tipo é a máquina de Anticítera. Inicialmente, acreditava-se que tal máquina vinha de Rhodes, onde havia uma forte tradição para a engenharia, já que a ilha é reconhecida pelos seus autômatos. Porém, estudos recentes dos fragmentos do mecanismo mostraram que a máquina pode ter vido de Corinto, na Sicília e sugere uma conexão com Arquimedes.
Autômatos medievais
Na metade do século VIII, o primeiro autômato movido a vento foi construído: "Estátuas que se moviam sobre as abóbadas dos quatro portões e do palácio da cidade redonda de Bagdá". "O espetáculo ao público realizado pelas estátuas tinha sua contraparte exclusiva aos nobres nos palácios de Abássida, onde autômatos de vários tipos eram predominantemente mostrados." Também no século VIII, o alquimista muçulmano Jabir ibne Haiane (Geber) incluiu fórmulas para construção de cobras, escorpiões e humanos, os quais seriam inteiramente controlados pelos seus criadores como descrito no seu Livro das Pedras. Em 827, o califa Al-Ma’mun possuía uma árvores de prata e outra de ouro no seu palácio em Bagdá, as quais possuíam características de autômatos. Existiam pássaros de metal que cantavam automaticamente nos galhos móveis das árvores construídas por inventores muçulmanos e engenheiros. O califa Abássida Almoctadir também possuía uma árvore de ouro em seu palácio em Bagdá em 915. A árvore possuía pássaros que batiam suas asas e cantavam. No século IX, os irmãos Banū Mūsā inventaram um toca flautas automático programável e o descreveram no seu Livro de Dispositivos Engenhosos.
Renascença e início da era moderna
A época da Renascença viu um aumento considerável de interesse nos autômatos. As pesquisas de Heron foram traduzidas e editadas para o latim e italiano. O engenheiro italiano Giovanni Fontana criou autômatos em formato de demônios mecânicos e animas com propulsão a foguete. Muitos autômatos de relógio foram construídos no século XVI, principalmente por ourives das cidades imperiais livres da Europa central. Estes autômatos acabaram sendo guardados no gabinete de curiosidades, ou Wunderkammern, das cortes reais da Europa. Autômatos hidráulicos e pneumáticos, similares àqueles descritos por Heron, foram criados para grutas de jardim. Leonardo da Vinci desenhou autômatos mais complexos por volta do ano de 1495. O design de seu robô não foi descoberto senão na década de 1950. O robô tinha a habilidade de, se construído corretamente, mover seus braços, girar sua cabeça e se erguer.
Autômatos modernos
O famoso mágico Jean Houdin (1805-1871) ficou conhecido por criar autômatos para suas performances. O período de 1860 a 1910 é conhecido como "Era de Ouro dos Autômatos", quando muitas pequenas empresas dirigidas por famílias brilharam em Paris, enviando milhares de autômatos-relógios e pássaros mecânicos cantantes para todo o mundo. Atualmente por serem raros, estes mecanismos são hoje cobiçados por colecionadores, apesar de caros. Os principais vendedores franceses foram as empresas Vichy, Roullet & Decamps, Lambert, Phalibois, Renou e Bontems. Os autômatos contemporâneos continuam a tradição de sua arte, em detrimento de sofisticação tecnológica. Representados pelos trabalhos do Teatro Mecânico Cabaret no Reino Unido, Dug North e Chomick+Meder, Thomas Kuntz, Arthur Ganson, Joe Jones nos Estados Unidos, Le Défenseur du Temps pelo artista francês Jacques Monestier, e François Junod na Suíça.
Imagem: Lucio Araujo · BY-ND · Openverse
Na Educação
O valor educacional em potencial de brinquedos mecânicos em ensinar diferentes habilidades foi reconhecido pelo projeto da União Européia, Clockwork objects, enhanced learning: Automata Toys Construction (CLOHE).
No Cinema
No filme "Hugo", de 2011, o personagem principal, Hugo Cabret, deve consertar um autômato em forma de homem, o qual ele e seu pai já tentaram consertar antes, acreditando que ele contém uma mensagem secreta deixada por seu pai antes de sua morte. Perto do final do filme, é revelado que o mesmo autômato foi criado por Georges Méliès, que doou o mecanismo para o museu onde o pai de Hugo trabalhava, depois que o próprio Méliès não conseguiu o consertar. Este filme é baseado no livro de 2007 intitulado "A invenção de Hugo Cabret", pelo autor estadunidense Brian Selznick.
Na teoria da Computação
Formalmente, um autômato é definido como sendo um modelo matemático de uma máquina de estados finitos. Um autômato funciona como um reconhecedor de uma determinada linguagem e serve para modelar uma máquina ou, se quiserem, um computador simples. É usado, por exemplo, em editores de texto para reconhecer padrões. Um conceito fundamental nos autômatos é o conceito de estado. Este conceito é aplicado a qualquer sistema, por exemplo, à nossa televisão. As noções de estado e sistema são tão onipresentes que foi desenvolvido um campo de conhecimento chamado Teoria dos sistemas. Uma televisão pode estar ligada (on) ou desligada (off), temos então um sistema com dois estados.
Imagem: Lucio Araujo · BY-NC-ND · Openverse
Autômatos finitos
São reconhecedores de linguagens regulares definidos através de quíntuplas da forma: M = ({A, B}, {0, 1}, f, A, {B}) f = (A, 0) Þ A Para este autômato finito, reconhecem-se os seguintes elementos:
Autômatos à pilha ou pushdown
São reconhecedores de Linguagens Livres de Contexto definidos através da sétupla da forma: Este autômato reconhece cadeias binárias da forma 1 n 0 + 1 n , {\displaystyle 1^{n}0+1^{n},} onde m {\displaystyle m} e n {\displaystyle n} são inteiros não negativos e a n {\displaystyle a^{n}} simboliza uma cadeia de n {\displaystyle n} símbolos a {\displaystyle a} seguidos. Obs.: A cada transição, uma sequência finita de símbolos de P é inserida na pilha, substituindo o símbolo do topo. Se a sequência for l, equivale à ação "desempilhar". A inserção é tal que o símbolo mais à esquerda fica no topo da pilha.


