Avenida 23 de Maio
Avenida 23 de Maio, originalmente conhecida como Avenida Itororó e, depois, Avenida Anhangabaú, é uma das mais movimentadas avenidas do município de São Paulo, sendo o principal corredor de ligação dos bairros da subprefeitura da Vila Mariana à região central da cidade. Faz parte do Corredor Norte-Sul.
Tem início no Vale do Anhangabaú e término no entroncamento das avenidas Ibirapuera, Rubem Berta e a rua Sena Madureira. Dá acesso direto ou indireto (por meio de vias marginais) a importantes avenidas da cidade de São Paulo, como: Cruza diversos bairros importantes, como Paraíso, Vila Mariana, Liberdade, e entre os outros: Por ser uma via expressa e estar localizada num vale, não possui cruzamentos em nível. É possível atravessá-la somente pelos seguintes viadutos:
Projeto
Em 1927, o então prefeito José Pires do Rio encomendou um sistema viário a um grupo de urbanistas, que sugeriram a "teoria de fundo de vale", mais tarde usada nos projetos de grandes avenidas em São Paulo. Até então, dava-se preferência na cidade a avenidas em espigões, como as avenidas Paulista, Doutor Arnaldo e Lins de Vasconcelos. Nesse mesmo ano, a primeira desapropriação para a futura obra foi realizada, na altura do aterro da Rua Pedroso: um dos pavilhões da fábrica Taco de Ouro. Os restos desse pavilhão ficaram abandonados por muitos anos, devido ao atraso no início das obras desse trecho da avenida. O projeto da avenida é de 1937, como Avenida Itororó, mais tarde alterado para Avenida Anhangabaú, ideia do ex-prefeito Prestes Maia, mas só seria inaugurada em 1969, como ligação entre o centro da cidade e o Aeroporto de Congonhas. Em 1940, ela já aparecia como projeto nos mapas do Guia Levy.
Construção
A avenida foi entregue ao público aos poucos. As obras, na verdade, tiveram início em 1951, porém apenas num trecho de cerca de duzentos metros, da Praça da Bandeira até o Viaduto Dona Paulina, que, como o Viaduto Brigadeiro, foi construído pensando-se na avenida. Sem saída, esse trecho foi utilizado por muitos anos apenas como estacionamento. Para 1961, a intenção era alcançar a Rua da Assembleia, já que os custos de desapropriação de imóveis além daquela via ultrapassavam em 1 900% o orçamento daquele ano para a obra. Entretanto, o simples fato de atingir a Rua da Assembleia não deveria aumentar muito o uso da avenida, como apontado pela Folha de S.Paulo em 1960: "Entregue ao tráfego, este trecho estará apenas destinado a funcionar como acesso aos edifícios-garagem da [Rua] Riachuelo e do Viaduto Brigadeiro Luís Antônio, além de se prestar, muito provavelmente, para área de estacionamento. Nenhuma função mais útil do ponto de vista viário poderá assumir essa ligação do primeiro trecho da Avenida Itororó com a Rua da Assembleia". O Diário da Noite também tinha criticado o atraso, em uma reportagem de 1959 que chamava o logradouro de "avenida morta": "Ficou apenas o velho Vale do Anhangabaú à espera de que a engenharia municipal lhe dê função e justifique os dispendiciosos viadutos construídos com largas passagens, há muito terminadas."
Operação
Alguns trechos da avenida, como entre a Praça da Bandeira e o Paraíso e da Rua Cubatão até o Parque do Ibirapuera, já estavam em funcionamento e eram usados por "um número considerável de veículos", segundo a Folha de S.Paulo. A inauguração oficial chegou a ser prevista para 9 de julho de 1968, mas o mesmo periódico escreveu que "ninguém sabe quando [a avenida] ficará pronta". A inauguração oficial e definitiva só ocorreu em 25 de janeiro de 1969, quando foi montado um palanque para o prefeito José Vicente Faria Lima, na altura da Rua Joinville. Houve, ali, uma cerimônia, que acabou um pouco prejudicada pela chuva. A placa comemorativa foi descerrada na altura do viaduto da Rua do Paraíso. A inauguração naquela data chegou a estar ameaçada pelo ritmo lento das obras, mas uma determinação de Faria Lima teria garantido a entrega na data. A entrega, entretanto, deu-se com sinalização provisória, sob a justificativa de que o DET estava aguardando que todos os acessos da via ficassem prontos.
Construída sobre o antigo córrego Itororó, que foi canalizado, a avenida consiste numa via expressa em sua totalidade, isto é, não é endereço de nenhum estabelecimento residencial ou comercial, tendo barreiras de contenção em seus lugares, ocupando uma faixa com largura total de oitenta metros, para permitir a arborização dos locais. Há, contudo, um trecho da avenida fisicamente integrado à rua Estela, que causa a impressão de formarem uma única via, devido às características topográficas desse trecho. A avenida passa sob o espigão da Avenida Paulista, na altura da Avenida Bernardino de Campos, a uma profundidade de doze metros. Seu nome trata-se de homenagem ao dia em que quatro estudantes, dois da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e dois da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C.), foram vítimas marcantes da Revolução Constitucionalista de 1932 e tombaram num conflito, em plena Praça da República.


