1.º Grupo de Aviação de Caça
O 1.º Grupo de Aviação de Caça , ou simplesmente Jambock, muito conhecido na cultura popular pelo seu grito de guerra, Senta a Púa!, é o primeiro grupo de aviação de caça da Força Aérea Brasileira, notório por ter participado da Segunda Guerra Mundial na Campanha da Itália e na Campanha do Atlântico Sul. Foi criada pelo primeiro Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, pelo Major Nero Moura, pelo engenheiro aeronáutico e Major Faria Lima.
No ano de 1986 os feitos do 1.º Grupo de Aviação de Caça na Campanha da Itália foram reconhecidos mais uma vez, o 1.º GAvCa se tornou a terceira unidade que não pertence às Forças Armadas dos Estados Unidos a receber a Citação Presidencial de Unidade, em pedido do governo estadunidense por conta dos importantes avanços do grupo de caça brasileiro na Campanha da Itália; além da unidade brasileira, só outras duas unidades estrangeiras receberam tal honra, ambas da Real Força Aérea Australiana. A base desde então do 1.º Grupo de Aviação de Caça é a Base Aérea de Santa Cruz que se localizam no Rio de Janeiro em um antigo Hangar de Zeppelin, o grupo é composto por dois esquadrões, os Jambock do 1.º Esquadrão do 1.º Grupo de Aviação de Caça seguem o lema ‘’Senta a Púa!’’ e os Pif-paf do 2.º Esquadrão do 1.º Grupo de Aviação de Caça seguem o lema ‘’Rompe Mato!’’; além disso a base abriga outras unidades o 1.º e 2.º esquadrão do 1.º e 16.º Grupo de Aviação, o 4.º e 7.º Grupo de Aviação e a 2.ª Esquadrilha de Ligação e Observação.
Criação do grupo
Com o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939 após a invasão a Polônia, muitos países ao redor do mundo começaram a se envolver, entre eles os EUA em 1941 após o ataque a Pearl Harbor, depois da entrada dos norte americanos na guerra, era questão de tempo para que o Brasil entrasse na guerra.[carece de fontes?] Em 20 de janeiro de 1941, com a intenção de fortalecer a Força Aérea Brasileira, foi fundado o Ministério da Aeronáutica pelo advogado e político Salgado Filho, pelo militar Nero Moura, pelo engenheiro militar Faria Lima e entre outros envolvidos, entre eles o militar Nélson Freire Lavanère-Wanderley. Junto com o Ministério da Aeronáutica foi criado a Força Aérea Nacional que posteriormente se chamaria Força Aérea Brasileira (FAB).
Treinamento no Panamá e EUA
Em janeiro de 1944 os membros do 1.º Grupo de Aviação de Caça foram para Orlando nos EUA, fazer um período de treinamento de 60 horas utilizando os caças Curtiss P-40 e se adaptar as normas da Força Aérea dos Estados Unidos, na Escola de Tática Aérea. Em Março do mesmo ano após o início dos treinamentos, o grupo seguiu para Aguadulce no Panamá, onde o Comandante Nero Moura foi promovido ao posto de Tenente Coronel; já em abril daquele ano o grupo já havia se aprimorado de tal modo que a unidade passou a operar de modo independente e tomou parte do complexo do Sistema de Defesa Aérea da Zona do Canal do Panamá. Depois de um longo treinamento, cerca de 110 horas de voo em caças Curtiss P-40 e em programas dedicados para os postos de trabalho no Panamá, o grupo retornou para os Estados Unidos em junho, na Base Aérea de Suffolk, em Nova Iorque, onde eles foram apresentados ao Republic P-47-Thunderbolt, o mais novo caça da Força Aérea dos Estados Unidos até então, lá o grupo realizou um treinamento tão duro quanto o de Aguadulce mas logo após o término do curso os pilotos e os equipamentos de apoio estavam prontos para a ação.
Campanha na Itália
Na Campanha da Itália o 1.º Grupo de Aviação de Caça atuou em conjunto com a 1.ª Esquadrilha de Ligação e Observação, grupo esse que pertence à Artilharia Divisionária e que tinha o objetivo de fazer trabalhos de regulação do tiro de artilharia, de observação do campo de batalha e de missões de ligação e que estava integrado à FEB. Durante a guerra o grupo Jambock recebeu esse nome de identificação na cidade da Tarquinia, ele era dividido entre 4 esquadrões que eram identificados por uma letra e um número, os grupos eram o esquadrão vermelho (identificado pela letra A), o esquadrão amarelo (identificado pela letra B), o esquadrão azul (identificado pela letra C) e o esquadrão verde (identificado pela letra D); em fevereiro de 1945 o esquadrão amarelo deixou de existir por conta do baixo número de pilotos pertencente ao grupo, já que dos 11 pilotos do esquadrão, 6 foram mortos ou feridos, os outros membros restantes incorporaram os outros esquadrões.
Ópera do Danilo
Algo que marcou a participação do 1.º GAvCa na guerra foi a história do Tenente Danilo Moura, irmão mais novo do Comandante Nero Moura, o ocorrido aconteceu em 4 de fevereiro de 1945, após ter sua aeronave abatida pela artilharia antiaérea nazifascista na Itália, saltou de paraquedas de sua aeronave e sobreviveu, ele foi auxiliado por um grupo de partisans italianos que trataram dele, após se recuperar, o Tenente fez uma jornada de 386 quilômetros de caminhada durante 24 dias para retornar à sua base. Nesse trajeto ele teve que passar despercebido pelas bases nazifascistas, contando com a ajuda da população italiana, ele conseguiu chegar até a base aliada em Pisa, ele estava 19 quilos mais magro, lá ele se recuperou, mas teve que retornar para casa. Sua história de sobrevivência deu origem à Ópera do Danilo, um evento que todo ano é encenado e homenageado no Dia da Aviação de Caça, em 22 de abril, data em que o 1.º GAvCa chegou ao auge de suas atuações, tendo realizado 44 surtidas, distribuídas em 11 missões.
Fim da Guerra
No dia 28 de abril de 1945 a Resistência Italiana capturou e executou o líder fascista Benito Mussolini e outros membros do governo italiano, no dia seguinte foi assinado a rendição por parte da Itália, no mesmo dia as forças armadas do Brasil capturaram um regimento inteiro alemão, a 148.º Divisão de Infantaria; no dia 30 de abril o líder alemão Adolf Hitler se suicidou, no dia 2 de maio a Alemanha Nazista se rendia às forças Aliadas, trazendo o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Muitos pilotos se recordam desse dia, pois eles estavam em uma missão de ataque e pouco antes de atacar foi avisado no rádio que a guerra havia chegado ao fim e que não era mais necessário atacar. O Tenente Alberto Martins Torres relembra:
Retorno ao ao Brasil
Após a rendição da Itália e Alemanha na guerra, o grupo já havia cumprido seu papel e já não tinha mais porquê continuar lutando, então em junho de 1945, todos os 26 P-47D que usados pelo 1.º Grupo de Aviação de Caça foram levados até Capodichino, em encontro com a Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos no Teatro de Operações do Mediterrâneo, onde eles foram desmontados e enviados para Nápoles, onde seriam embarcados no navio USS W. S. Jennings que os levariam para o Brasil. Todos os aviadores e membros da Força Expedicionária Brasileira foram transportados de volta para o Brasil no navio americano USS General M. C. Meigs. Para a travessia entre o Brasil e os EUA, foram primeiramente enviados os pilotos que foram mortos em combate e os que foram resgatados do campo de prisioneiros inimigos, eles foram mandados em ordem decrescente dos pilotos com maior número de missões. Um grupo de 19 oficias saíram de Pisa para Nova Iorque para receber as novas aeronaves novas para a FAB. De Nova Iorque os oficias viajaram para a capital americana Washington de trem e lá chegando foram recepcionados pela Força Aérea dos Estados Unidos no Shoreham Hotel e mais tarde pelos generais Ira C. Eaker e Hoyt Sanford Vandenberg no Pentágono.
Senta a Púa!
Senta a Púa era uma expressão popular nordestina que significava: 'espetar ou cutucar com uma haste ou espora', era utilizado para apressar o animal usado como montaria para que ele andasse mais rápido, algo como "depressa", "vamos embora", "em frente". Relatos de membros do grupo apontam que a expressão era muito utilizada pelo Tenente Firmino Ayres de Araújo, e que foi popularizado dentro do grupo pelo Tenente Rui Moreira Lima, o grito de guerra se tornou tão popular que foi introduzido no emblema do grupo. A expressão se tornou semelhantemente ao "Tally-ho" britânico ou ao "À la chasse" francês, o grito "Senta a púa", antes do uso militar, era expressão cotidiana.
Adelphi
Antes da criação da Força Aérea Brasileira alguns militares, que futuramente se tornariam pilotos do 1.º GAvCa, estavam indo para Fortaleza de trem e em meio a monotonia da viagem a cada parada alguns militares roubavam pratos e talheres dos restaurantes em que almoçavam, após juntarem vários pratos, o balanço do trem fazia os pratos e talheres fazerem barulho onde um dos militares falou Adelphi, (em referência ao comercial da marca de cigarros Adelphi que era popular em 1940), essa brincadeira entre amigos mais tarde se tornaria a saudação de guerra dos membros do grupo de aviação.
Jambock
Jambock foi o apelido dado pelo 350th FG, ao qual o esquadrão brasileiro era subordinado, essa palavra significava chicote e era um chicote utilizado para castigar os escravos, ele era geralmente feito de couro de rinoceronte. Esse chicote se chamava originalmente sambok e era feito de madeira, usado para castigar os escravos na Indonésia, com o passar dos anos ele começou a ser utilizado na Malásia e África do Sul, neste ultimo ele passou a ser feito de pele de rinoceronte, já nesse país a grafia mudou, pois foi traduzido para o afrikaan e os ingleses passaram a chamar sjambok. Esse instrumento se tornou um símbolo do Apartheid, já que era muito utilizado para controlar tumultos.
Simbologia
O emblemático símbolo do grupo foi criado pelo Capitão Fortunato Câmara de Oliveira no translado dos pilotos brasileiros dos Estados Unidos para a Itália a bordo do navio UST Colombie. O capitão criou o emblema pelos militares brasileiros comerem qualquer coisa no almoço durante a viagem, isso aconteceu por conta da maioria dos brasileiros não falarem inglês e sempre comerem a mesma coisa que os intérpretes.


