Bacillus anthracis
Bacillus anthracis é uma bactéria do gênero Bacillus responsável pela doença denominada carbúnculo, que é uma zoonose. Esta foi a primeira bactéria associada a uma doença, em 1877 por Robert Koch. O nome específico anthracis advém da palavra grega anthrax (ἄνθραξ), que significa carvão, fazendo referência às lesões que provoca na pele, quando a infeção é cutânea.
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Existem três formas de contrair esta infeção: cutânea (através de contacto direto com a pele), por inalação (de esporos, por exemplo) ou intestinal (quando o hospedeiro se alimenta de outro que já esteja previamente infetado). Os esporos de B. anthracis como foi dito anteriormente, podem ser utilizados como armas biológicas, nomeadamente na forma de aerossol, fazendo com que sejam facilmente inalados e, consequentemente, se alojem nos alvéolos pulmonares, onde começam a germinar e a libertar toxinas para as células do hospedeiro, podendo vir a propagar-se para a corrente sanguínea. Dado que o período de incubação da bactéria no organismo varia entre 2 a 7 dias (no caso de inalação), os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma simples gripe podendo escalar em poucos dias para dificuldades respiratórias, desorientação e meningite, e na maioria dos casos (95%), a sua inalação é fatal.
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Em sua forma cutânea começa como uma pápula indolor e pruriginosa, com o decorrer dos dias a lesão pode ficar maior com ulcerações. Na forma gastrointestinal pode variar de assintomatico a fatal, com a presença de sintomas como febre, náuseas. Em sua forma mais mortal pode haver a necrose intestinal e sepse. Na sua forma orofaringeo apresenta-se por uma lesão mucocutânea na cavidade oral e na faringe, com a presença de edemas nos tecidos moles, os sintomas são febre, rouquidão, dor. Pode ocorrer obstruções das vias respiratórias causado pelos edemas.
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Para tratar a infeção por B. anthracis, recorre-se normalmente ao uso de antibióticos como a penicilina ou amoxicilina. Porém, algumas estirpes são resistentes a este tipo de antibióticos, nomeadamente a estirpe Ames, não sendo este um tratamento muito recomendado. Por outro lado, na sequência de um ataque de bioterrorismo, o tratamento teria de ter uma duração de cerca de 60 dias o que seria um período demasiado longo de exposição a um antibiótico (podendo causar danos no microbioma humano).
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A vacinação é uma boa alternativa para prevenção ou atenuação das possíveis consequências provenientes de um ataque deste tipo, existindo já “uma nova geração de vacinas” desenvolvidas com esse intuito. Por exemplo, o de uma vacina baseada em DNA recombinante para produção de AP como antigénio, em que só uma dose seria requerida é uma das estratégias de prevenção mais promissoras, mas ainda não se tem certezas sobre possíveis efeitos secundários ou sobre a sua eficácia. Arloing, Cornevin e Thomas foram os primeiros que desenvolveram uma vacina eficiente. A mesma, é preparada com um triturado de tecido muscular infectado pela antraz, depositado em camadas finas, o qual sofre processo de dessecação na temperatura de 37 graus Celsius. Uma parte desse preparado é aquecido a temperatura de 100-140 graus Celsius durante sete horas, e outra parte concomitantemente aquecida, na temperatura variável entre 90-94 graus Celsius.
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Outro tipo de abordagens têm sido desenvolvidas, envolvendo, o estudo de possíveis alvos existentes nos hospedeiros de forma a estudar estratégias para bloquear a entrada das toxinas nas células, ou ainda a identificação e estudo de anticorpos que sejam capazes de bloquear a ação do AP. Por exemplo, Langer descobriu que as células do epitélio alveolar (CEA) têm recetores específicos para o AP, permitindo que este se ligue a eles e inicie o processo de libertação das toxinas no citosol das CEA. Esta ligação faz com que todo o processo de propagação da infeção, para o sistema sanguíneo, seja facilitado, pois as células perdem muitas das suas funções de proteção. Outros estudos, têm recorrido a anticorpos, como o cAb29, para bloquear a ação do AP. Estes anticorpos têm a capacidade de se ligar ao AP, fazendo com que este último não seja capaz de se unir às células receptoras do hospedeiro e assim bloquear, consequentemente, a sua função, impedindo a libertação de toxinas no citosol da célula alvo. Este tipo de tratamentos apresenta, porém, algumas desvantagens devido ao seu elevado custo de produção e necessidade de mais do que uma dosagem.


