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Bagdá

Bagdá (português brasileiro) ou Bagdade (português europeu) ou Baguedade ou Bagdad é a capital do Iraque e da província homônima. Com uma população de 8 milhões de habitantes, é a maior cidade do país. A sua área metropolitana conta com cerca de 9 milhões de habitantes. Bagdá também é a segunda maior cidade do Sudoeste Asiático, depois de Teerã. Situa-se no centro do país, às margens do rio Tigre, e sua história remonta pelo menos ao século VIII, com possíveis origens pré-islâmicas. Antigo centro do mundo islâmico, Bagdá atualmente está no centro de conflitos violentos, desde 2003, devido à Guerra do Iraque.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Origem do nome

Embora não se dispute a sua origem iraniana, existem diversas propostas sobre qual seria a sua etimologia. Uma das mais amplamente aceitas dentre elas é a de que o nome seria um composto linguístico do persa médio, de Bag, "deus", e dād, "dado", que pode ser traduzido por "dado-por-Deus" ou "presente de Deus", a exemplo do persa moderno Baɣdād. O nome é pré-islâmico, e suas origens não são conhecidas, mas seguramente remontam aos antigos povoados da região, que não tinham poder comercial ou político. O místico sufi Mansur al-Hallaj chamou a cidade de Madinat as-Salam, ou "Cidade da Paz", como referência ao paraíso; este foi por vezes o nome oficial da cidade, em impressões oficiais como moedas.

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História

Fundação e tempos antigos

Em 30 de julho de 762 o califa abássida Almançor fundou a cidade. Almançor acreditava que Bagdá era a cidade perfeita para ser a capital do império islâmico sob o domínio dos abássidas. Almançor amava tanto o local escolhido que foi citado como tendo dito: "Esta é de fato a cidade que eu devo fundar, onde devo viver, e onde meus descendentes reinarão doravante". O crescimento da cidade foi auxiliado por sua localização, que lhe propiciou o controle sobre rotas estratégicas e comerciais (ao longo do Tigre até o mar, e de leste-oeste, do Oriente Médio até o resto da Ásia. Feiras mensais também eram realizadas na região onde a cidade foi fundada. Outra razão porque Bagdá era uma excelente localização devia-se à abundância de água e seu clima seco. A água existe tanto nos lados norte e sul dos portões da cidade, permitindo a todos os domicílios da Bagdá antiga um fornecimento abundante, algo extremamente incomum na época. Bagdá alcançou seu período de maior prosperidade durante o reinado do califa Harune Arraxide, no início do século IX.

Protectorado britânico

Conforme os acordos secretos de Sykes-Picot entre o britânico sir Mark Sykes e o francês Georges Picot, a França ficou com a tutela da Síria e a Grã-Bretanha a do Iraque. Em 26 de março de 1917 um corpo expedicionário britânico entrou em Bagdá, capital da Mesopotâmia e atacou os turcos otomanos. Pelos acordos de San Remo assinados em 1920, a Grã-Bretanha recebeu um mandato por parte da Sociedade das Nações para administrar o país. Em 1921, Bagdá foi declarada capital do novo reino do Iraque, que em 1958 seria transformado em república.

Após a independência iraquiana

Em 1920 tornou-se a capital do reino do Iraque. Em 1958 o exército iraquiano depôs o monarca Faiçal II, formando um governo do qual surgiria Saddam Hussein. Durante a década de 1970 Bagdá viveu um período de prosperidade e crescimento motivado por um forte aumento do preço do petróleo. Foram feitas infraestruturas modernas incluindo redes para abastecimento de água e electricidade, e alcatroadas ruas. Porém a Guerra Irã-Iraque de 1980-1988 foi um momento difícil para a cidade, pois o Irã pôs em marcha uma série de ataques com mísseis contra Bagdá. A cidade sofreu bombardeamentos na Guerra do Golfo em 1991 e durante a invasão e ocupação do Iraque pelos Estados Unidos e países aliados em 2003.

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Geografia e clima

A cidade está situada numa vasta planície dividida pelo rio Tigre, que também divide Bagdá em duas partes: a metade oriental, conhecida como "Rusafa", e a metade ocidental, a "Karkh". O terreno onde fica a cidade é plano e de pouca altitude, produto de um aluvião original devido às longas e periódicas inundações provocadas pelo rio. Bagdá tem um clima muito quente e árido (BWh, segundo a tabela de Köppen), sendo uma das cidades mais quentes do mundo. Durante o verão, de junho a agosto, a temperatura média é de 32 °C e é acompanhada de um sol abrasador. A chuva é praticamente inexistente na zona durante o verão. Durante o dia, os termómetros podem disparar até aos 50 °C à sombra e só à noite baixam até aos 24 °C. A umidade é também muito baixa pois a cidade está a grande distância do Golfo Pérsico, o que ajuda a que se formem as comuns tempestades de areia estivais com origem no deserto. Durante o inverno, de dezembro a fevereiro, as temperaturas suavizam. As máximas oscilam entre os 15 e 16 °C e as mínimas andam pelos 4 °C, embora não seja raro Bagdá experimentar temperaturas abaixo dos 0 °C. A presença do rio Tigre atenua o efeito de continentalidade.

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Cultura e sociedade

A capital do Iraque sempre desempenhou um papel importante na vida cultural árabe e tem sido o lar de escritores, músicos e artistas de todas as áreas. A Madrassa Mustansiriya, construída pelo penúltimo califa abássida Al-Mustansir bi-llah em Bagdá é considerada como uma das mais antigas universidade árabo-islâmicas onde se ensinavam as ciências do Corão segundo a tradição de Maomé, as doutrinas islâmicas, as ciências da língua árabe, a matemáticas, os preceitos do Islão e as diversas disciplinas da medicina. A cidade tornou-se rapidamente o primeiro centro cultural mundial, acolhendo mais de um milhão de habitantes. Em meados do século IX) foi criada a Casa da Sabedoria, onde se fazia a tradução das obras dos grandes filósofos gregos e pessoas vindas da Europa e da Ásia vinham para se especializar em medicina, física, astronomia, meteorologia, matemática e todos os outros domínios. O dialeto árabe falado em Bagdá hoje difere de outros grandes centros urbanos no Iraque, tendo características mais próprias de dialetos nômades árabes (verseegh, a língua árabe). É possível que isto tenha sido causado pelo repovoamento da cidade com os moradores rurais após os sacos múltiplos do final da Idade Média.

Monumentos e lugares de interesse turístico

Alguns pontos de interesse são o Museu Nacional do Iraque, cuja valiosa coleção de artefactos foi saqueada durante a invasão de 2003, e os arcos denominados Mãos da Vitória. Vários partidos iraquianos debateram acerca de se se deverá continuar a ter os arcos como monumentos históricos ou se deverão ser desmantelados. Milhares de manuscritos antigos da Biblioteca Nacional e Arquivo do Iraque foram destruídos quando o edifício se incendiou durante a invasão de 2003. O Santuário Al Kadhimain, no noroeste de Bagdá (em Kadhimiya), é um dos mais importantes lugares religiosos xiitas do Iraque. Foi terminado em 1515 e o sétimo (Musa ibn Jafar al-Kathim) e nono imãs (Mohammad al-Jawad) foram aí enterrados. Um dos edifícios mais antigos é o Palácio Abássida, que faz parte da área histórica central e se encontra perto de outros edifícios de importância histórica como o Edifício Saray e a Escola Al-Mustansiriyah (do período abássida). Há outros lugares de interesse em Bagdá, cada um deles representante de uma era histórica:

Desporto

Bagdá é o lar de algumas das equipes de futebol mais bem sucedidos no Iraque, sendo os maiores clubes o al-Quwa al-Jawiya (clube da Força Aérea), al-Zawra, al-Shurta (Polícia) e al-Talaba (estudantes). O maior estádio de Bagdá, al-Shaab Stadium, foi inaugurado em 1966. Está em construção um outro estádio na cidade, superior ao estádio al-Shaab Stadium. A cidade também teve uma forte tradição de corridas de cavalos desde a Primeira Guerra Mundial, conhecido simplesmente como "raças". Há relatos de pressões pelos islamistas para romper esta tradição, devido ao jogo associado.

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Religião

A situação das religiões na capital do Iraque após o derrube de Saddam Hussein em março de 2003 é complexa: deu-se o surgimento de novos grupos políticos, o redespertar de movimentos religiosos tradicionais, o regresso dos que viviam no exílio, os líderes religiosos e a influência dos países vizinhos.

Islão

O aumento das tensões levou a vários ataques terroristas e a conflitos armados entre sunitas e xiitas. A limpeza étnica foi de grande envergadura, embora o grau de violência tenha reduzido em 2007 entre grupos religiosos. Uma das razões apontadas é que apenas existem agora distritos heterogéneos, de modo que há uma planificação prévia dos ataques. Outra razão para a redução da violência, é a presença do exército dos Estados Unidos, que se interpõe entre xiitas e sunitas. Cerca de 95% da população do Iraque é muçulmana. Em Bagdá há muitas mesquitas, sendo a mais famosa a mesquita de Abu Hanifa. Antes da invasão de 2003, 65% dos muçulmanos era sunita e 35% era xiita.

Cristianismo

O cristianismo existe no Iraque desde os primeiros tempos e as diversas igrejas cristãs iraquianas têm sólidas raízes. Durante o governo de Saddam Hussein (de partido laico) havia uma ampla liberdade religiosa. O governo chegou a ter ministros cristãos como o ministro católico caldeu Tariq Aziz. Aproximadamente metade dos cristãos do Iraque vive em Bagdá. A sua proporção no total da população até março de 2003 era em torno de 10%, mas diminuiu por causa da crise no Iraque até 2006, situando-se provavelmente em 5%. Desde o início da guerra, segundo o bispo auxiliar de Bagdá, Andreas Abouna, por volta de 75% da população cristã tinha abandonado a capital, em busca de proteção no norte curdo do Iraque, ou em países vizinhos como a Turquia, Síria ou Jordânia.

Judaísmo

A presença de população judaica em Bagdá data dos tempos da antiga cidade de Babilônia, próxima de Bagdá. O rei persa Ciro, o Grande conquistou a cidade e permitiu o regresso dos judeus à sua terra. Porém, muitos decidiam ficar, prosperando aí, e sofrendo também perseguições, até aos tempos do Califado Abássida e do Império Otomano. Depois da independência do Estado de Israel em 1948 e da guerra árabe-israelita desse mesmo ano, repetiram-se os distúrbios contra os judeus. O governo sionista de Israel, disse então que haveria 135 000 judeus no país, 77 000 deles em Bagdá - uma quarta parte da população total. Israel, sob o governo de David Ben Gurion, tomou uma série de medidas, entre elas uma operação para começar a trasladar a partir de 1952 aproximadamente cerca de 95% dos judeus iraquianos através de uma ponte aérea. Em 25 de julho de 2003, seis dos últimos 34 judeus de Bagdá viajaram de avião para Israel.

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Infraestrutura

Reconstrução

A maioria dos esforços de reconstrução do Iraque tem sido dedicada à restauração e reparação de infraestrutura urbana danificada. São mais visíveis os esforços de reconstrução efetuados pela iniciativa privada, como o "Plano de Renascença de Bagdá" e o "Centro de Conferências e Complexo Hoteleiro Simbá", do arquiteto e designer urbano Hisham N. Ashkouri. Existem, também, planos para se construir uma roda-gigante parecida com o Olho de Londres. O Conselho de Turismo do Iraque também está buscando investidores para desenvolver uma "ilha romântica" no rio Tigre, que já foi um local popular para a lua de mel de casais iraquianos. O projeto incluirá um hotel de seis estrelas, spa, um campo de golfe de 18 buracos e um clube de campo. Além disso, o sinal verde foi dado para se construírem inúmeros arranha-céus de arquitetura única ao longo do rio Tigre, o que iria desenvolver o centro financeiro da cidade. Em outubro de 2008, o metropolitano de Bagdá voltou a funcionar normalmente, ligando o centro da cidade aos bairros da região sul.

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Fontes consultadas

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