Baixo cifrado
Baixo cifrado, baixo figurado ou baixo contínuo é um tipo de notação musical inteira utilizado para indicar os intervalos, os acordes e os enarmônicos em relação a uma nota do baixo. O baixo cifrado está associado de perto com o baixo contínuo, um acompanhamento utilizado em quase todos os gêneros de música do período barroco.
As partes de baixo contínuo, prática quase universal no barroco (1600-1750) eram, como implica o nome, tocadas continuamente durante a execução da peça, fornecendo a estrutura harmônica da música. A frase frequentemente é encurtada para contínuo e os instrumentistas que executam a parte do contínuo (se forem mais do que um) são chamados grupo do contínuo. Frequentemente, a formação do grupo do contínuo é deixada a critério dos executantes e a prática variava bastante no período barroco. Deveria ser incluído, pelo menos um instrumento capaz de tocar acordes, como por exemplo o cravo, o órgão, o alaúde, a tiorba, o violão ou a harpa. Adicionalmente, poderia ser acrescentado qualquer número de instrumentos que tocam no registro do baixo, como, por exemplo, o violoncelo, o contrabaixo, a viola, a viola da gamba ou o fagote. A combinação mais comum, pelo menos nas apresentações modernas, é o cravo e o violoncelo, para as obras instrumentais e vocal, secular, como a ópera e o órgão, para a música sacra.
Uma notação de baixo cifrado consiste da linha do baixo com notas na pauta musical acrescida de números e acidentes sob a pauta para indicar em que intervalos acima das notas do baixo deve-se tocar e portanto, que inversões, de que acordes, devem ser tocadas. A frase tasto solo indica que apenas a linha do baixo deve ser tocada, sem quaisquer acordes superiores. Usalmente este procedimento dura até que a próxima indicação apareça. Os compositores foram inconsistentes quanto ao padrão de uso descrito a seguir. Especialmente no século XVII os números foram omitidos sempre que o compositor achava que o acorde era óbvio. Os compositores mais antigos como, por exemplo, Cláudio Monteverdi freqüentemente especificavam a oitava com intervalos compostos tais como 10, 11 e 15.
Números
Os números indicam a quantidade de graus da escala musical acima da linha do baixo que uma nota deve ser tocada. Por exemplo: Aqui a nota do baixo é um Dó e os números 4 e 6 indicam que a quarta e a sexta nota acima dele, isto é um Fá e um Lá, devem ser tocadas. Em outras palavras, isso significa que deve ser tocada a segunda inversão do acorde de Fá maior. Nos casos em que os números 3 e 5 deveriam ser normalmente indicados, usualmente, mas não sempre, eles são omitidos devido à frequência com que estes intervalos ocorrem. Por exemplo: Nesta sequência a primeira nota não tem números a acompanhá-la – tanto o 3 como o 5 foram omitidos. Isto significa que a terceira e a quinta nota acima devem ser tocadas – em outras palavras, um acorde perfeito maior. A próxima nota tem um 6 indicando que deve ser tocada a sexta nota acima; o 3 foi omitido, o que significa que este acorde está na primeira inversão. A terceira nota é acompanhada por apenas um 7; aqui, como no caso da primeira nota o 3 e o 5 foram omitidos . O sete indica que o acorde é um acorde de sétima. A seqüência toda equivale a:
Acidentes
Quando um acidente é mostrado sózinho, sem estar junto a um número, ele se aplica à terça do acorde, caso contrário se aplica à nota que estiver ao lado dele. Por exemplo, esta notação: Às vezes o acidente é colocado depois do número e não antes. Alternativamente, uma cruz colocada próximo a um número indica que a altura daquela nota deve ser aumentada de um semitom, de modo que se a nota for um bemol ela deve ser tocada como natural e se for uma nota natural ela se torna uma nota sustenida. Uma maneira diferente de indicar isso é cruzar o número com uma barra. As notações seguintes, por exemplo, indicam a mesma maneira de tocar as respectivas notas cifradas:
As origens da prática do baixo contínuo são algo obscuras. Improvisações dos acompanhamentos ao órgão das obras corais eram comuns por volta do fim do século XVI e partes separadas para o órgão, mostrando a penas a linha do baixo datam de, pelo menos, 1587. Em meados do século XVI, alguns compositores italianos de igreja começaram a escrever peças policorais. Essas obras para dois ou mais coros foram criadas para ocasiões especialmente festivas ou então para tirar vantagem de certas propriedades da arquitetura dos edifícios nos quais seriam apresentadas. Com oito ou mais partes para serem monitoradas durante uma exibição, peças no estilo policoral (também chamadas de cori spezzati, já que os coros eram estruturados algumas vezes de modo musicalmente independente e às vezes com partes musicalmente entrelaçadas, podendo mesmo, ser colocados em locais fisicamente diferentes) surgiu a necessidade de algum tipo de acompanhamento instrumental.
O baixo cifrado, algumas vezes é usado pelos músicos clássicos como um modo de abreviado de indicar os acordes, embora não seja usado nas composições modernas. Um tipo de baixo cifrado é usado na notação musical para o acordeão; outra forma simplificada é usada na notação para violão (ver verbete Cifra (música)) Atualmente, o uso mais comum do baixo cifrado é para indicar uma inversão, escrito freqüentemente sem a pauta, com a letra do nome da nota seguida do símbolo, por exemplo, a nota do baixo Dó com o baixo cifrado 64 seria escrito: C 4 6 {\displaystyle C_{4}^{6}} . Os símbolos também podem ser analisados com algarismos romanos para analisar a harmonia funcional um uso que foi chamado de cifra romana" (ver en:chord symbol, em inglês).


